# — Capítulo 31: Nada mal.

    Esses últimos dias foram exaustivos… O esquadrão iniciou a investigação, o que colocou todos os membros na busca de informações sobre a Pétala Celeste.

    Yuri é persistente e mesmo com as minhas tentativas de desviá-los do caminho ele permaneceu convicto. Cara, que pé no saco…

    ——————

    Cheguei no escritório após concluir uma missão. Estava cansado, já que tive de lutar contra um principado que atacou um asilo. Muitos principados estão surgindo esses tempos, isso é estranho… Eles geralmente se mantém escondidos. Preciso perguntar para Kafka e os outros o que pode estar acontecendo.

    Recebi uma notificação durante meu almoço, antes da missão, onde Yuri pedia que eu encontrasse Koda no escritório, pois o mesmo gostaria de me acompanhar em uma missão específica.

    Avistei Koda em seu escritório. Ele estava sentado e preenchia papeladas, e mesmo distraído daquele jeito, sem me ver, sua presença ainda era arrepiante. É sério…o que esse cara tem?

    — Ei, Koda, opa! — falei enquanto acenava para Koda na tentativa de chamar sua atenção.

    Koda apenas virou seu olhar frio para mim. Sua presença fria me arrepiou, e aquele olhar vazio me causou a sensação de que ele tinha um ódio profundo de mim…e de tudo, na real.

    — É… Yuri me disse que havia me chamado. Era sobre me acompanhar em uma missão específica. — falei, levemente nervoso com a presença estranha de Koda.

    Koda virou seu olhar para o computador, abriu algumas abas e buscou por algo em específico no sistema. Ele voltou sua atenção à mim e me chamou para mais perto, então falou:

    — Sim, eu te chamei sim. Aqui, é essa missão em específico. Eu a aceitei no painel e a deixei reservada para depois do seu almoço. É pra uma pesquisa…

    Koda apontou com a seta do mouse e me mostrou as informações da missão que ele gostaria de ir comigo. Estranho… Tão de repente?

    — Entendi. Fico feliz que escolheu me acompanhar nessa tarefa. Mas, eu tenho uma pequena dúvida… Por que escolheu logo a mim para essa sua…pesquisa?

    — Suas experiências. — Koda respondeu de forma direta.

    — Como assim minhas experiências? — perguntei, confuso.

    Koda me encarou por alguns instantes e então buscou algumas coisas em seu computador. Quando encontrou, apontou para a tela e me mostrou meu quadro de missões e informações, então disse:

    — Suas estatísticas e as descrições de suas missões. É peculiar, é bom. Os outros também estão ocupados…

    — Entendi… — respondi ainda confuso, já que minhas estatísticas não eram tão boas quanto a de Morgan por exemplo e ele poderia ter aguardado para chamá-lo, mas tudo bem.

    Koda voltou para a tela da missão que ele havia aceito, e então leu as informações no quadro por alguns instantes até que disse em um tom estranhamente amigável:

    — Vamos? Aproveitamos o tempo no caminho para conversar um pouco…

    — Certo… — respondi, nervoso com a suspeita e repentina mudança no comportamento de Koda.

    ——————

    Dentro do carro apenas estava eu, Koda e um outro membro do esquadrão. Koda dirigia e nos levava até o local onde a missão seria realizada. Suas habilidades como motorista eram acima da média, e ele conseguiu dirigir com velocidade e segurança até o local, por isso chegamos mais cedo que o previsto.

    Chegamos em frente a uma casa velha em meio a um conjunto de outras residências bem mais bonitas e apresentáveis, e apenas aquela casa deixava visível as marcas que o tempo deixou.

    Quando estacionamos e saímos do carro, caminhamos até em frente à porta da casa e a observamos melhor… Diferente das outras, a grande parte de sua estrutura é feita de madeira, e suas duas janelas que ficam na frente da casa estavam quebradas. Me parece apenas uma casa velha mesmo…

    — Koda, o que procuramos por aqui? — perguntei curioso.

    Koda deu um passo à frente e subiu o primeiro degrau da pequena escada da varanda de madeira. Ele observou de cima a baixo a frente da casa.

    — Viemos procurar por um artefato que vêm incomodando a vizinhança… Ao passarem perto da casa, eles se sentem mal, com pensamentos ruins. Alguns adolescentes já entraram aqui e o resultado não foi bom. — explicou Koda.

    Um artefato? Nunca lidei com isso… Interessante!

    — Certo, vamos lá! Você procura e eu faço a cobertura, pode ser? — perguntei.

    — Tudo bem… — Koda assentiu e lentamente entrou na casa cuidadosamente.

    As tábuas velhas que formavam o piso da casa de madeira rangeram quando nós entramos. Estava silencioso e um cheiro incômodo de mofo pairava no ar.

    — Como você quer que ele procure por algo…? Se é um artefato místico, ele não vai sentir a energia. — alertou Satoshi mentalmente.

    É mesmo… Eu esqueci totalmente disso.

    — Você tem razão. — respondi Satoshi mentalmente.

    Koda andou com cautela pela casa e eu o segui em silêncio. Observei cuidadosamente os cantos dos cômodos e deixei a energia fluir entre meus sentidos no objetivo de me prevenir. Em alguns lugares do lugar havia muito lixo, sejam bitucas de cigarro ou outros tipos de entulho.

    — É…ei Koda.

    Koda estava agachado e passava as mãos por algumas tábuas de madeira que formavam a parede. Ao me ouvir, ele se virou com seu olhar sinistro que perfurou minha alma de baixo para cima.

    — Fala. — disse Koda em um tom assustador.

    Engoli seco e tremi levemente ao sentir a presença estranha que Koda Ishikawa emanava. Eu sempre vou ressaltar isso, cara, é assustador…

    — Pode deixar que eu procuro… Descanse, eu já verifiquei o perímetro e não tem nada de errado aqui.

    — Não se preocupe. Está tudo certo. Eu consigo… — respondeu Koda.

    Suspirei. Talvez seja difícil explicar isso para ele. Talvez isso crie suspeitas em mim. É…não custa tentar.

    — É que Kod-

    — Ele não vai entender, Ken. Só procure junto dele. Você vai encontrar rapidamente. — Satoshi interrompeu mentalmente.

    — É, tudo bem. Esqueça o que eu disse. — falei.

    Koda me encarou por alguns segundos como se eu fosse burro ou algo assim. Esse cara me odeia, eu tenho certeza…

    Ao sentir a energia no local com meus sentidos aguçados pelo fluxo, percebi um ponto que me atraiu naquele espaço. Me movi na direção da energia mas Koda estava no caminho e ainda procurava pelo artefato.

    — Achei. — disse Koda, antes que eu pudesse falar qualquer coisa.

    — Parece que ele é melhor do que pensávamos, Ken… — disse Satoshi.

    — Nada mal.

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