Koda estava agachado em um canto da casa, dentro de um velho cômodo do primeiro andar. Esse cara não é nada mal…

    O homem bateu algumas vezes na tábua do piso abaixo de si. A madeira rangeu de um jeito estranho. Pude ouvir de longe, porém a energia que emanou do ponto repentinamente era o que mais surpreendia.

    — Boa, Koda. — elogiei, impressionado com a percepção do homem.

    — Ele não é tão ruim. — disse Satoshi mentalmente.

    Koda se ajoelhou e curvou o peito sobre o piso. Vi ele aproximar seu rosto do ponto onde a energia emanou. Apoiou sua mão esquerda no chão e então puxou a tábua com sua mão livre. Impressionantemente Koda conseguiu arrancar a tábua com facilidade.

    — O que viu aí? — perguntei enquanto me aproximava, curioso com a descoberta de Koda.

    — Tem uma passagem aqui… — disse Koda quando aproximou o olho do buraco no piso para observar o que havia abaixo da casa.

    Me abaixei ao lado de Koda e o cutuquei para chamar sua atenção. Estava curioso para ver o que havia ali.

    — Me deixa ver. — falei.

    Koda se levantou e saiu do caminho para abrir espaço para mim. Me aproximei do buraco no piso e olhei para dentro da abertura. A energia que permeava meus sentidos aguçava minha visão e permitia com que eu enxergasse melhor naquele escuro, porém não pude enxergar nada mais que silhuetas.

    Parecia um porão escondido… Haviam silhuetas nos cantos do cômodo secreto que se assemelhavam com caixas, além de coisas que se pareciam com móveis e alguns objetos grandes e estranhos.

    — Ei Kenji. Sai daí! — disse Koda na entrada do quarto onde estávamos.

    Levantei o rosto e olhei para Koda que segurava uma lanterna em sua mão. Ele caminhou até a abertura e se abaixou próximo ao buraco. A lanterna ligou e o clarão iluminou os objetos que ali estavam.

    — Aqui tem cadeiras, mesas, caixas e…algumas estátuas? Por que tem estátuas aqui? — disse Koda, confuso.

    — Que estranho. Me deixa ver. — falei e me aproximei.

    Peguei a lanterna da mão de Koda e fiquei no lugar onde ele estava. Observei os objetos ali na abertura, dentro da sala secreta, e as estatúas de pedra com detalhes e laços azuis chamaram a minha atenção.

    Ao olhar para os cristais azul-claro que formavam os detalhes nas estátuas, senti como se aquilo me chamasse. Aquele azul brilhante me chamava…

    — Fica aí, Koda. Eu vou entrar ali. — falei para Koda enquanto me levantei e deixei a lanterna de lado no chão.

    Ergui o punho e me concentrei. Senti a energia fluir até minha mão e se intensificou, então golpeei com força na região do piso onde a abertura estava.

    Com a força do golpe, a madeira se despedaçou e a abertura ficou ainda maior, grande o suficiente para uma pessoa passar.

    É impressionante o que Satoshi me torna capaz de fazer. O fluxo é incrível, eu amo essa sensação…

    Peguei a lanterna que havia deixado de lado no chão e saltei dentro da sala secreta através da abertura no piso. A altura não era tanta e por isso não senti nada ao cair dentro da sala.

    Apontei a lanterna para as grandes silhuetas que estavam no espaço. As figuras reveladas eram estátuas, e brilhos azuis reluziram com a luz da lanterna.

    As figuras esculpidas em pedra eram altas, porém não chegavam a tocar no teto da sala. Cada uma das três estátuas possuíam pelo menos um cristal azul-claro quase transparente que servia para decorar a sua aparência.

    Uma das estátuas se tratava de uma mulher de longos cabelos até o fim de suas costas. A figura estava ajoelhada, e correntes prendiam seus pulsos e calcanhares. O que mais chamava a atenção, era que metade do rosto da mulher estava consumido, como se aquela parte de sua face tivesse sido destruída e nessa metade, um cristal brilhava no lugar de seu olho. A pedra estava corroída naquele ponto específico, diferentemente do ótimo estado que a estátua se encontrava.

    Olhei para a outra estátua que se encontrava de pé ao lado da outra. Um homem que empunhava uma grande lança adornada por laços azuis e algumas pequenas pedras brilhantes. A barba do homem era mediana, e a feição esculpida em seu rosto era imponente. Seus cabelos lisos se pareciam com os ventos fortes de uma tempestade e suas roupas pareciam ser de alguém nobre.

    A terceira e última estátua era pequena, esculpida em uma pedra de tamanho menor em comparação as outras. A estátua de baixa estatura tinha cabelos longos que se estendiam até seus ombros e cobriam a metade de seu rosto. A figura de pedra estava ajoelhada assim como a primeira, e a pedra em que era talhada parecia chamuscada, com marcas de fogo aparentes. A metade do rosto da estátua que era visível possuía uma linha que cortava seu rosto pelo meio de seu nariz até a bochecha e marcas que subiam seu rosto como labaredas. Seu olho visível possuía uma pedra azul brilhante assim como as outros no lugar do globo.

    — O que tem por aí? — Koda perguntou.

    — Aqui tem algumas estátuas estranhas… São três. Uma mulher e dois homens. — respondi enquanto observei melhor os cantos da sala.

    — Me deixa ver. — disse Koda que se aproximou da abertura e se agachou para ver.

    Fui até um canto da sala secreta onde estava e apontei a lanterna de um ponto que iluminasse todo o espaço. Rapidamente, toda a sala se tornou visível para Koda que esticava o pescoço para enxergar mais de perto as figuras citadas.

    Os cristais azulados presentes nas estátuas reagiram à luz da lanterna assim como antes e revelaram um brilho sutil e lindo, como estrelas em um céu limpo.

    — Isso é lindo. — afirmou Koda ao ver os cristais e as estátuas.

    — Koda não parece tão assustador assim… Essa presença esquisita dele só se deve ao fato dele ser caladão, não dá tanto medo assim. — comentei mentalmente.

    — É, ele é bem tranquilo na realidade. — acrescentou Satoshi.

    A pedra azul no olho da estátua menor pareceu tremer levemente quando eu toquei na escultura. Pareceu solta, então por curiosidade ou algum desejo que me convenceu, peguei a pequena pedra e a guardei no bolso.

    Voltei meu olhar para a sala secreta novamente e segurei a lanterna com a boca. Me movi até as caixas que estavam ali e as abri.

    Ao abrir as caixas, encontrei um objeto peculiar em uma delas. Um colar, onde seu pingente clamava pelo meu toque. Seu pingente era um círculo cortado pela metade, onde uma das partes era tingida de preto enquanto a outra era branca, e em seu meio, um formato de chama que possuía um pequeno círculo azul brilhante no centro.

    Estendi minha mão até o colar, como se o objeto me puxasse para si em uma vontade quase irresistível de colocá-lo no pescoço.

    — Não! — a voz de Satoshi ecoou em minha mente e cortou o transe que me movia.

    — Não toca nisso, Kenji. Sai de perto agora.

    Ouvi o alerta de Satoshi e imediatamente me afastei da caixa onde o colar estava. Fui até um canto da sala, no lado oposto de onde a caixa estava e então senti como se aquele chamado tivesse ficado mais baixo.

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