A figura alta que estava à nossa frente era esguia e suas costelas marcavam em sua pele. Seus ossos pareciam gritar a cada movimento que a criatura fazia, até mesmo quando respirava pesadamente.

    Parece humano, mas não tenho certeza do que seria isso…

    A criatura possuía cabelos castanhos desgrenhados e curtos que não chegavam as suas sobrancelhas. Suas feições eram sombrias e com seriedade rangia os dentes.

    — Por que a pele dele está azul? — Koda perguntou, ainda sem parecer assustado.

    É mesmo, isso não pode ser humano… Essa pele azul escura não faz sentido. E esses olhos…olhos azuis brilhantes. Eu reconheço esse azul.

    A figura rangia os dentes e resmungava baixo consigo mesma frases incompreendíveis da distância em que estávamos.

    — Satoshi, o que seria isso?

    — Eu acho que ele está possuído pelo amuleto… — Satoshi respondeu, porém ainda com dúvida em sua voz.

    — Isso eu também acho, mas por que não sentimos o fluxo antes?

    — Talvez o amuleto tenha consciência própria e conseguiu ocultar o fluxo desse…desse cara.

    De repente a respiração do ser à nossa frente acelerou e sua expressão se transformou em algo muito mais sombrio. A respiração ofegante foi acompanhada de grunhidos até que pude sentir um fluxo mais forte vindo da criatura e fui surpreendido com um movimento rápido até demais.

    A figura balançou seu braço longo em uma investida contra mim que estava à frente de Koda. O ataque veio em uma velocidade surpreendente após uma sensação maior do fluxo surgir.

    Esquivei do golpe horizontal que era extenso em um salto ligeiro para trás junto de Koda que me acompanhava na retaguarda.

    — É melhor do que eu esperava. — reclamei.

    — É… Não combina com esse porte físico. — Koda respondeu enquanto se movia junto comigo.

    A figura firmou seu pé no chão com força, o que estalou o piso de madeira abaixo. O grande homem avançou em um salto rápido em nossa direção para nos golpear com suas mãos esguias e perigosas.

    Saltei para trás em descuido, sem perceber que me aproximava de uma parede e ficava encurralado, já que Koda havia se movido discretamente para a porta da sala durante a investida da criatura.

    — Ele tem um longo alcance, esse tamanho e velocidade são grandes problemas nesse espaço… — Satoshi alertou.

    Esquivei com sucesso da primeira investida, mas fui surpreendido com um rápido balanço da criatura em um golpe ascendente com suas unhas afiadas que rasgaram a pele da minha barriga em apenas um movimento.

    Esse merda parece cada vez melhor, porra… Preciso me afastar das paredes, sair desse quarto.

    — Kenji! Dentro da casa, esse quarto é melhor que qualquer outro cômodo. É mais espaçoso! — Koda exclamou da porta onde observava o combate, ainda sério.

    — É melhor sair da casa, Ken, se esse quarto é o melhor que pode ter aqui, não é uma boa ideia ficar dentro desse lugar. — Satoshi apontou.

    — É eu sei, Sato… Talvez a janela seja uma boa opção. — respondi mentalmente quando olhei para a janela enquanto esquivava de alguns balanços da criatura.

    As investidas da criatura se tornavam cada vez mais agressivas e rápidas e seus movimentos imprevisíveis se tornavam mais perigosos. Me afastei em saltos e passos ligeiros para trás na direção da janela onde entrava a luz do sol.

    A figura esguia saltou de forma imprevisível e se lançou sobre mim em um agarrão com seus longos braços. O fluxo infundiu meus braços e as garras da criatura rasgaram o ar em minha frente quando balançou os braços para me segurar e falhou.

    Eu estava de costas para a janela e rapidamente me virei para abrir a mesma quando Koda gritou pela criatura e distraiu a sua atenção por alguns instantes.

    — Ei zumbi, olha pra cá! — Koda exclamou enquanto balançava suas mãos para chamar a atenção da figura alta.

    A criatura tremia constantemente e as vezes seus movimentos eram desordenados. Quando caminhava na direção de Koda lentamente, a figura repentinamente socou sua própria cabeça e colocou as mãos sobre o rosto em uma expressão de sofrimento.

    O monstro rapidamente virou-se para mim novamente enquanto eu pulava a janela que abri. Arregalei os olhos e me apressei. Saltei sobre a janela para fora da casa, na grama.

    Rolei quando caí do lado de fora, e senti tremores quando vi a figura correr rapidamente na minha direção de forma violenta enquanto gritava e grunhia.

    A figura brutalmente atravessou a parede e a janela. As tábuas de madeira e a janela foram estraçalhadas quando a criatura atropelou como um trem a estrutura em seu caminho até pisar na grama de frente para mim.

    O monstro pálido ofegava agressivamente enquanto tremia de forma nervosa. Seu corpo esguio e alto suava e seus olhos arregalados e desesperados penetravam em minha alma.

    — Fala sério, que porra de bixo é esse?

    — A pele dele tá ficando transparente, Ken. Consegue ver as veias dele? — Satoshi apontou.

    — Realmente… Não tinha notado isso antes.

    A criatura avançou rapidamente e de forma imprevisível realizou um movimento ligeiro onde lançou seus braços para me agarrar e em seguida se projetou para frente na tentativa de abocanhar meu pescoço.

    Esquivei rapidamente do agarrão quando saltei para o lado, e me agachei abaixo da criatura quando se lançou para me morder.

    Me levantei rapidamente e utilizei a força de minhas pernas e do fluxo para em um movimento rápido atingir o estômago da criatura curvada com meus punhos.

    — Por que essa merda tá focando em você? — Koda perguntou enquanto me observava e atravessava o rombo feito na parede.

    — Cara, eu simplesmente não sei. Só me ajuda com esse cara aqui, logo! — falei enquanto me afastava da criatura.

    O barulho e bagunça do lado de fora da casa atraiu a atenção da vizinhança e dos civis que passavam na rua, e pouco a pouco as pessoas se reuniram como formigas e formaram um grande tumulto.

    — Koda, lide com a multidão, eles não podem ficar aqui! — exclamei para Koda.

    A criatura olhou aos arredores e parou. Seus olhos passearam rapidamente pela multidão e logo após alguns instantes se fixaram em mim novamente.

    O monstro berrou. O grito distorcido dele ecoou pelo lugar e ensurdeceu a multidão que se afastou com o barulho. O fluxo foi capaz de reduzir as ondas sonoras, porém aquilo ainda me deixou desnorteado.

    A criatura se bateu novamente. Ela gritava e se golpeava de novo e de novo enquanto tremia e me olhava com olhos vazios e assustadores.

    — De… Devo… — a criatura assustadoramente tentou pronunciar palavras com dificuldade.

    — Devolva!!! — a criatura berrou em uma onda que fez o solo tremer e a multidão gritar e se espalhar enquanto Koda tentava apaziguar e evacuar as pessoas dali.

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