Glartak caiu de costas contra o tronco de uma árvore grossa, respirando como se tivesse acabado de nadar contra a corrente de um rio selvagem. A perna ainda latejava, a carne dilacerada pela mordida do lobo. O gosto metálico de sangue preenchia sua boca, mas não era o bastante para abafar o som que começou a ecoar dentro de sua mente.

    Notificações. Muitas, uma após a outra, como sinos impessoais anunciando um veredito.

    < Você aprendeu uma nova magia. Gostaria de nomeá-la? >

    Glartak ergueu os olhos, ainda arfando. A cena do olho do lobo implodindo, o som úmido, a morte imediata… aquilo não era apenas poder. Ao contrário do Campo Gravitacional que era força bruta espalhada, uma pressão constante que pesava sobre tudo dentro de uma área, tornando corpos mais lentos, movimentos mais difíceis e o chão um inimigo silencioso. A Implosão, por outro lado, não esmagava — ela colapsava. Não havia área, nem peso gradual, apenas um único ponto onde a gravidade se tornava absoluta, puxando tudo para dentro de si por um instante fatal. Uma dominava o espaço; a outra executava o alvo. Era destruição pura, concentrada em um único ponto.

    Um sorriso cansado curvou seus lábios.

    — Implosão. — sussurrou.

    < Magia nomeada: Implosão >

    A notificação seguinte brilhou diante de sua visão, seca e definitiva.

    < Você criou três usos de magia com sucesso. Como recompensa, +10 pontos de magia concedidos. >

    Glartak arqueou a sobrancelha, surpreso.

    — Você é inconsistente… — murmurou para o sistema. — Mas, se é para me tornar mais forte, aceito.

    Seus músculos ainda tremiam pelo esforço, mas um calor diferente percorreu seu corpo. O reservatório de poder se expandira novamente.

    < Pontos de Magia: 25 >

    Dez ao se tornar Monarca.
    Cinco, fruto de seu treinamento solitário.
    E agora, mais dez, arrancados à beira da morte.

    Era como se o próprio sistema tivesse prazer em recompensar sua teimosia em sobreviver.

    O silêncio da floresta foi quebrado por um uivo profundo. Glartak ergueu os olhos e encarou o lobo sobrevivente. As presas ainda estavam manchadas de seu sangue, mas agora não havia fome ali. Apenas submissão.

    O goblin monarca se ajeitou, apoiando o corpo dolorido contra o tronco.

    — Que nome dar para você, hein?

    Ele refletiu por alguns segundos. Nomes tinham peso. Não eram apenas sons; eram correntes invisíveis que amarravam destino, identidade e obediência. Por fim, deixou escapar um som grave, carregado de autoridade:

    — Freddie.

    < Subordinado nomeado: Freddie >

    O lobo ergueu o focinho para o céu e soltou um uivo que reverberou por toda a floresta. O som era selvagem, mas não ameaçador. Era um juramento. Glartak sentiu algo diferente naquele instante: um fio invisível, uma conexão mental pulsando entre os dois. Ele não apenas entendia a fera — ele podia sentir suas intenções, como ecos instintivos que atravessavam sua mente.

    — Então, Freddie… — murmurou, deixando o cansaço pesar sobre ele. — Caçaremos juntos.

    O silêncio retornou, quebrado apenas pela respiração pesada do goblin e pelo bater ritmado do coração da fera ao seu lado. Foi nesse instante que, pela primeira vez em muito tempo, Glartak decidiu olhar seus próprios números.

    A janela brilhou diante de seus olhos:

    Nome: Glartak

    Raça: Goblin Monarca

    Habilidades:

    Sombra Predatória → evoluiu para Caçador Silencioso

    Arremesso Preciso

    Domínio Cruel

    Sangue Impiedoso

    Regeneração Bruta → evoluiu para Regeneração Instintiva

    Aura Soberana → Sua presença impõe respeito e terror. Inimigos mais fracos têm chance de hesitar. Aliados próximos tornam-se mais resistentes ao medo e efeitos de controle.

    Corpo do Monarca → Seu corpo foi aprimorado. Força e resistência aumentam permanentemente.

    Magia Bruta

    Implosão

    Pontos de Magia: 1/25

    Regeneração de PM: 1 ponto a cada 25 minutos
    Subordinados: 3

    Glartak respirou fundo e analisou seus Pontos de Magia restantes. Um único ponto pulsava como uma brasa fraca, insuficiente para qualquer coisa além de manter sua consciência alerta. Ele estava vazio. Vulnerável. Se outro predador surgisse naquele instante, não haveria truque, nem magia salvadora. Apenas dentes, garras… e Freddie.

    Com cuidado, forçou o corpo a se mover. O apoio no tronco da árvore foi substituído pelo solo úmido, frio sob suas mãos. Cada movimento arrancava um grunhido baixo de sua garganta, mas ele persistiu. Precisavam sair dali. Permanecer próximo ao cadáver do lobo morto era um convite aberto ao desastre.

    Freddie se levantou imediatamente, acompanhando-o sem hesitação. O lobo aproximou-se o suficiente para que Glartak sentisse o calor de seu corpo, oferecendo apoio instintivo, quase imperceptível. Não era submissão cega. Era cooperação.

    — Vamos encontrar um lugar melhor — disse Glartak, a voz rouca, mais ordem do que pedido.
    A floresta pareceu reagir à sua presença enquanto avançavam lentamente. Insetos silenciaram por instantes. Pequenos animais fugiram entre os arbustos. A Aura Soberana se espalhava de forma sutil, não como um rugido, mas como um aviso constante: algo perigoso estava passando.

    Após alguns minutos de caminhada dolorosa, encontraram uma formação rochosa parcialmente coberta por raízes grossas e musgo. Não era uma caverna propriamente dita, mas oferecia abrigo visual e uma rota de fuga razoável. Suficiente para descansar. Suficiente para sobreviver à noite. Glartak encostou-se à pedra fria e finalmente permitiu que o peso do corpo cedesse por completo. O cansaço não pediu permissão — tomou-o. Seus pensamentos começaram a desacelerar, mas não desapareceram.

    Ele percebeu que o poder bruto não o salvaria sempre. Controle, sim. A Implosão havia funcionado, mas apenas porque o risco fora ignorado no calor do combate. Se tivesse errado o tempo, se tivesse gasto pontos demais alguns segundos antes, se o lobo tivesse resistido por um instante a mais, não haveria aprendizado algum — apenas um cadáver. Pontos de magia eram um recurso finito, mensurável, que precisava ser tratado como tal. Gastá-los sem cálculo era o mesmo que lutar vendado. A partir daquele momento, Glartak decidiu que cada uso teria um propósito claro: controle primeiro, execução depois. Treinaria para reduzir custos, testaria limites fora de combate e jamais entraria em uma luta real sem saber exatamente quanto podia gastar. Sobreviver não dependia de ter mais poder, mas de saber quando e como usá-lo.

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