Capítulo 10 - Missão
Após levar uma breve bronca de Kevin, Luke estava caminhando com seus amigos até a C.A.E para encontrar o grupo que os contratou.
Era uma caminhada de no mínimo dez minutos pela grande cidade de Automata. Até hoje, Luke não havia se acostumado com o ambiente extremamente futurista e com automóveis voadores passando por eles a todo instante.
Mas seus olhos brilhavam quando ele conseguia ver uma STELLARYS 33, aquela moto voadora era considerada por muitos como um verdadeiro luxo, era escura como a noite, tinha um visual simples com detalhes de prata, e deixava seu icônico rastro azul quando passava silenciosamente em alta velocidade.
Após andarem por mais um tempo, eles haviam finalmente chegado na base da C.A.E.
A central de aventureiros e exploradores era o lugar onde diversos grupos se juntavam para fazer expedições, desafios aleatórios e tarefas pagas. O lugar era um enorme prédio branco e quadrado com duas grandes janelas azuis verticais e paralelas. Havia um enorme pátio que inúmeros exploradores de todos os lugares de Astralion se reuniam.
Após entrarem no prédio, Kevin os guiou até uma sala de espera e por lá ficaram alguns minutos. Luke foi diretamente para a mesa onde estavam alguns petiscos e Clara foi junto.
“Ainda bem que eles trazem comida da terra pra cá, esse lugar é tão doido, não é?” disse Clara, enquanto pegava alguns docinhos sem nem mesmo olhar para Luke.
Luke assentiu.
“Verdade, é um lugar exótico, definitivamente…”
Clara concordou.
“Eu gostaria de viver aqui, sabe? Eu tenho, sim, meus desejos que eu gostaria de realizar, mas eu viveria facilmente em Automatuz.”
Luke ficou pensativo por um tempo, até que Clara perguntou:
“E você, Luke? O que você pensa em fazer?”
Luke passou alguns segundos em silêncio até que respondeu baixinho:
“Eu quero fazer meu pedido, portanto, não posso ficar em Automatuz.”
Clara ficou por alguns segundos em silêncio e estava sorrindo com leveza enquanto ainda surrupiava alguns docinhos, ela respondeu, mas sem olhar para Luke, ela já havia se acostumado com a falta de contato visual dele.
“Você quase nunca fala sobre você, está sempre distante… você deve me achar um porre, né?”
Luke olhou para ela e negou com a cabeça.
“Claro que não! Me desculpe se te fiz pensar nisso, mas eu só acho que eu não tenho coisas muito interessantes a dizer sobre mim, não tem muito segredo, sabe? Sou só um cara.”
“De todos nós, você é o que mais se empenhou desde o primeiro dia, nem parece ligar tanto para o lugar em que está. Está pegando pesado consigo mesmo desde que te conheci, você deve querer muito esse desejo… você é uma pessoa interessante, Luke..”
Luke soltou uma pequena risada.
“Aí, Clara, é só perguntar que eu te falo o que é, não precisa de toda essa cerimônia, meu desejo é-”
Clara interrompeu Luke, colocando o dedo na frente de sua boca fazendo o sinal de silêncio.
“Não, não vai falar nada, não assim.”
Luke franziu o cenho.
“O que eu fiz de errado?”
Clara sorriu e apontou para trás.
“Veja, acho que o nosso grupo chegou.”
Olhando para trás, Luke viu que três pessoas haviam chegado na sala e estavam conversando com Kevin, que apontava para ele, Sam e Clara. Um dos homens, o que parecia ser o líder, era um homem alto, aparentava ter uns quarenta anos, tinha a pele escura, não tinha cabelos e utilizava uma armadura branca semelhante a de Taylor, só que um pouco menos robusta. Ela ficava debaixo de um poncho esfarrapado laranja e preto.
Luke e Clara foram até eles.
“Clara, Luke, Sam, esse aqui é o Sean.” disse Kevin, apontando para o homem à sua frente.
O homem alto se virou para os três e os cumprimentou acenando com a mão:
“Espero que trabalhemos bem em equipe, essa é a minha:”
Ele apontou para outras duas pessoas logo atrás dele. Uma era uma mulher que tinha por volta de vinte e sete anos, tinha a pele oliva, o cabelo quase raspado e várias cicatrizes de corte no pescoço, possuía olhos castanhos profundos e utilizava uma armadura de prata -algo raro, que provavelmente conseguiu no Norte – e um grande cachecol escuro.
“Zaina.” disse a mulher.
E o outro era um homem mais baixo, por volta de trinta anos, tinha o cabelo castanho amarrado em um coque, uma barba rala e um semblante gentil no rosto, utilizava várias camadas de roupas escuras e não possuía o braço direito.
“Oi! Eu sou o Nicollo.” disse, sorrindo.
Ambos cumprimentaram Luke e seus amigos. Sean prosseguiu:
“Como vocês já devem saber, devemos ir até a torre de prata, nosso contratante nos deu a missão de trazer dez radbats derrotados para ele.”
Luke franziu o cenho.
“Dez redbats mortos? Por que diabos esse cara quer dez radbats mortos?”
“Vai ver ele é tipo aqueles caras que colecionam bichos mortos e deixam de decoração na casa.” disse Sam.
Sean soltou um sorriso.
“Creio que será divertido trabalhar com vocês. Bom, não me pergunte o motivo pelo qual ele quer isso, Pawell sempre foi um cara estranho.”
Luke ainda não tinha se trombado com um radbat, ele sabia que eles eram criaturas voadoras de pequeno porte que se assemelhavam com morcegos, do tamanho de uma bola de futebol. Eram fracos, mas sempre andavam em hordas, o que fazia com que a maioria das pessoas odiassem sua existência, era muito chato lidar com eles.
“Já ouvi dizer que esses bichos são um pé no saco.” disse Kevin.
Sean se virou para Kevin.
“Chegaremos lá ainda na puranoite, eles costumam descansar neste horário, só precisamos ser rápidos, não será difícil.”
Então Sean entregou algumas bolsas para Luke e Kevin, e outros itens para Clara e Sam. Afinal, a função dos novatos era sempre a mesma, carregar coisas…
Luke estava começando a detestar isso.
***
Já fazia quase duas horas desde que saíram da cidade, a torre de prata não estava tão longe. Luke não estava conversando muito durante o trajeto, pois estava emanando o rai.
Ele tentava deixar seu rai ativo pelo máximo de tempo que conseguia. Isso lhe dava algumas dores de cabeça constantes e um sono excessivo na maior parte do tempo, mas era só questão de costume.
Ele já estava treinando muito ultimamente, fazia missões durante uma parte da puranoite para conseguir salis e mais experiência, reservava algumas horas para descansar, explorar o hotel e raramente explorar a cidade. E separava seis horas da corrolune para treinar. Sendo três horas para treinar o físico e técnicas de combate, e três horas para treinar o rai. As outras seis horas eram dedicadas ao sono.
Quem recomendou esse modelo de treino para ele, fora um jovem de Dravion que estava no hotel, já fazia alguns dias desde que Luke não o via.
Luke raramente quebrava sua rotina, quando não havia missões para fazer, ele passava mais tempo com Sam e às vezes com Kevin e Clara quando eles também não faziam nada. E quando todos eles iam para alguma missão em que ele não participava, ou quando estavam ocupados, Luke aproveitava para ir à biblioteca do hotel e ler alguns livros sobre sobrevivência e utilidades.
Enquanto caminhavam…
Sean era um homem calmo e amigável, mas Luke estava começando a achar estranho um certo comportamento vindo dele.
Desde que eles saíram da cidade, Sean encarava Luke de tempos em tempos. Luke percebeu isso e não pode deixar de sentir um desconforto.
‘Eu fiz algo?’
Mas ele ficou receoso em perguntar na frente de todos. Porém, Sean finalmente quebrou a tensão, ele se virou para Luke e perguntou:
“Ei, garoto, você…”
No mesmo instante que Sean se virou para Luke, algo aconteceu…
… No espaço vazio no caminho à frente deles, algo começou a se materializar, quatro formas triangulares azuladas e holográficas surgiram na frente deles, pareciam se embaralhar e dançar até formarem uma espécie de losango grande que flutuava no ar. Um pequeno painel apareceu debaixo da forma, e algumas letras formando padrões indiscerníveis começaram a se organizar até formar uma frase.
[ Olá, desafiante! Gostaria de realizar o desafio aleatório?
Recompensa: 50 Salis!
Condição: Derrote uma pantera-radar sem tomar danos.]
Luke sorriu triunfante enquanto invocava sua granada-radar.
“Finalmente, vou poder testar aquilo!”

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