Em poucos segundos, a área ao redor da torre de prata ficou agitada. Os inúmeros radbats que se penduravam nela acordaram e estavam sobrevoando por cima do grupo, alguns autômatos humanóides também apareceram.

    Eles se assemelhavam muito com os autômatos que trabalhavam na cidade, tinham o corpo humanóide e uma tela no lugar da cabeça com um rosto pixelado. Mas a principal diferença entre os androides da cidade e os androides do lado de fora, era que os androides do lado de fora tinham aparência péssima.

    Vários cabos soltos e enrolados pelo seu corpo, sua lataria era enferrujada e revelava parte do seu mecanismo, o rosto formado por pixels em sua cabeça era vermelho e mudava de expressão a todo instante, e eles caminhavam de um jeito estranho, como se estivessem tentando conter impulsos violentos.

    Eram como zumbis…

    Mas, eles não eram inimigos difíceis de lidar, era bem mais fácil que as panteras, pelo menos…

    Dois deles estavam indo na direção de Luke.

    “Dois contra um? Vamos ver…” sussurrou baixinho para si mesmo.

    Ele brandiu sua espada e partiu para cima das duas máquinas, quando estava perto o suficiente, ativou o modo serpente da serpente de prata, fazendo os módulos se deslocarem, ficando conectados pelo fio negro centralizado neles.

    Ao chegar em uma distância segura dos autômatos, Luke parou. Com sua lâmina – agora flexível – ele poderia lutar sem chegar tão perto dos adversários.

    Luke balançou a espada na direção do andróide mais próximo, mirando em sua cabeça, a lâmina longa e flexível disparou no ar como um chicote, atingindo o pescoço do mesmo.

    ‘droga, preciso treinar a mira…’

    A lâmina cortou alguns cabos de seu pescoço, mas não foi o suficiente para decapitar o autômato. Enquanto isso, o companheiro dele já estava perto o suficiente de Luke.

    Ele estendeu um de seus braços na direção do garoto, na palma de sua mão havia um pequeno buraco, feito para disparar. Luke notou tarde demais…

    O disparo atingiu em cheio seu ombro, era uma espécie de plasma alaranjado que causava uma terrível dor de queimadura no local atingido. Felizmente, não era forte o suficiente para deixar uma ferida aberta.

    Luke cerrou os dentes e apertou a mão em seu ombro ferido.

    ‘cretino…’

    E então, antes que o autômato fizesse outra coisa, Luke respirou fundo…

    Ele soltou a mão de seu ombro e se concentrou no combate, e então reproduziu seu movimento favorito…

    Ainda agachado, ele apertou o botão no cabo de sua espada e fez a lâmina flexível voltar ao estado normal. Logo em seguida ele apontou a espada na direção do autômato, mirou em sua cabeça, lançou seu braço para frente com força e apertou novamente o botão no cabo da espada, deslocando os módulos outra vez.

    A lâmina disparou no ar e atingiu em cheio a tela que o autômato utilizava como cabeça, o golpe foi tão bem executado que a lâmina atravessou o “crânio” da máquina.

    Logo em seguida, ele recuou a lâmina novamente, girou seu corpo, se virou para o segundo autômato e fez a mesma coisa.

    A lâmina voou na direção de sua cabeça e atingiu o pescoço dele, que já havia sido danificado anteriormente.

    Infelizmente ele não conseguiu fazer com que o segundo golpe fosse tão preciso quanto o primeiro, afinal, era um golpe difícil, exigia equilíbrio, aplicação exata de força e uma boa mira. Mas…

    … O autômato foi decapitado e logo caiu no chão, se contorcendo antes de parar de funcionar.

    Você derrotou 2 autômatos corrompidos!

    Luke estava um pouco ofegante, mas mesmo assim, se levantou e respirou fundo, e então olhou para seu lado esquerdo e enxergou mais um bando de quatro autômatos corrompidos indo na sua direção.

    Ele suspirou e se virou para o bando de homens-máquina, brandiu sua espada e se preparou para a segunda onda…

    “Ótimo… eu estava com saudades de lutar…” disse para si mesmo.

    Finalmente um combate de verdade, com criaturas de verdade, e não aqueles autômatos inúteis e propositalmente fracos do Hotel Stella.

    ***

    Sam estava combatendo uma pantera-radar prateada, a criatura saltou na sua direção, e então a garota ergueu o seu espadão e bloqueou o ataque da fera, logo em seguida avançou para dar um ataque pesado. Porém, a besta foi mais rápida e desviou a tempo, se jogando para trás.

    Sam parecia gostar mais de utilizar armas grandes, porém, devido ao peso do espadão, sua velocidade fora consideravelmente reduzida.

    Mas a arma não era ruim, era um grande espadão negro que, em tamanho, era igual ou maior que a própria Sam, sua lâmina se curvava à ponto de se parecer com uma garra.

    Ela respirou fundo, apertou o cabo da garra obscura, esperou até que a pantera avançasse em direção à ela novamente e disparou na direção da fera ao mesmo tempo. Quando estavam prestes a se chocar, Sam reuniu todas as forças para equilibrar seu corpo e frear.

    E então ela efetuou um golpe horizontal pesado na criatura, a lâmina do espadão, trabalhando junto com a física, fez com que ela simplesmente partisse a besta no meio com um único golpe.

    A pantera não havia freado, ela continuou em alta velocidade e permitiu que a garra obscura deslizasse brutalmente pelo seu corpo.

    Mas a fera era bem pesada, enquanto ela passava o corpo pela garra obscura, Sam acabou perdendo o equilíbrio e cambaleou, caindo sentada no chão.

    Ela respirou fundo e olhou para frente enquanto se levantava rapido, e então viu mais uma pantera e um autômato indo em sua direção.

    “Haha! Isso vai ser divertido!” um grande sorriso apareceu em seu rosto enquanto seus olhos brilhavam olhando para as criaturas.

    Normalmente, esse tipo de coisa não se comemorava…

    ***

    Kevin estava lutando contra um autômato, mas estava perto demais da torre, então alguns radbats que estavam sobrevoando a área o atacavam constantemente.

    Ele estava com uma expressão de raiva em seu rosto, afinal, lutar contra pequenos inimigos voadores era algo que ninguém gostava.

    Kevin utilizava duas presas negras como armas, uma em cada mão. Ele correu na direção do autômato que estava perto dele, o androide tentou efetuar dois disparos contra o jovem enquanto ele corria, mas Kevin conseguiu desviar dos dois e alcançou o homem de lata.

    “Lento demais.” disse, com um sorriso enviesado surgindo em seu rosto.

    Ele fincou as duas lâminas na cabeça do androide, uma em cada lado. A criatura estremeceu e caiu no chão, derrotada.

    Mas não havia tempo para comemorar, dois radbats estavam voando em alta velocidade na direção de Kevin. Ele conseguiu desviar de um, mas foi atingido pelo outro, que se agarrou em seu braço e preparou suas presas para mordê-lo, o veneno que essas criaturas possuíam era bem forte.

    “Droga, sai!”

    Ele fincou a lâmina de uma das adagas na boca da incômoda criatura, que se contorceu um pouco e logo depois caiu no chão, o braço de Kevin ficou levemente ferido, pois o morcego havia fincado suas garras nele. Por sorte, o veneno vinha de suas presas…

    Já o outro, quando estava prestes a atingir Kevin, foi acertado por um pequeno projétil azul e brilhante ainda no ar. Clara estava lá, com sua arma em mãos.

    “Viu como eu sou boa de tiro?” ela disse, enquanto sorria triunfantemente.

    Kevin olhou para ela e sua carranca se foi, ele também sorriu.

    “Haha… nada mal!” respondeu.

    Clara havia derrotado dois autômatos também, ambos com um tiro na cabeça, armas de longa distância eram realmente uma benção…

    ***

    Enquanto isso, Sean, Zaina e Nicollo pareciam ter capturado todos os radbats necessários, e agora estavam ajudando no combate contra as criaturas terrestres.

    Zaina era de longe, a melhor combatente entre eles, sua velocidade era impressionante e ela estava exterminando as criaturas como se não fosse nada. As lâminas flexíveis dançavam violentamente pelo ar em todas as direções, cortando tudo que se aproximava da temível guerreira.

    Ela utilizava duas serpentes de prata, sua maestria com essa espada era algo de se invejar, Luke a observava constantemente para tentar extrair algum conhecimento.

    ‘Ela é incrível…’ pensou, enquanto uma expressão de surpresa bem sutil aparecia em seu rosto.

    Nicollo, por outro lado, estava utilizando magia, provavelmente uma que o permitia controlar armas.

    Ele sequer saía do lugar, ele invocou algumas adagas do inventário e as controlava com a mente de alguma forma, duas presas negras voavam no ar enquanto giravam em alta velocidade, e mais duas ficavam perto dele caso precisasse de proteção. Toda criatura que ousasse chegar perto, tinha seu núcleo perfurado em um piscar de olhos. E a todo instante, pequenas carcaças de radbats caiam do céu, todos mortos pelas lâminas voadoras.

    Por fim, Sean estava lidando com as panteras, ele utilizava uma lança prateada e mecanizada que possuía uma lâmina laranja e brilhante, sua maestria em combate era impecável, lutava calmamente, com movimentos leves e sutis, mas altamente mortais. Não importava o número de inimigos que ele precisava enfrentar de uma vez, ele fazia isso com calma e letalidade, chegava a ser assustador. Apenas caminhava entre os monstros enquanto os matava com golpes simples e letais, sua calmaria o fazia parecer muito mais perigoso que as criaturas descontroladas ao seu redor.

    ***

    Depois de um tempo, a batalha na torre finalmente chegou ao fim, o lugar estava malcheiroso devido ao óleo que vazava dos corpos das máquinas, cada um deles havia derrotado pelo menos dez criaturas, Luke estava descansando, ainda ofegante, sentado sob uma pilha de corpos de panteras e autômatos que ele mesmo matou.

    Sam se aproximou e se sentou atrás dele, os dois se apoiando nas costas um do outro.

    “Oi, Sam, você está bem?” disse, com sua voz calma e cansada.

    Sam riu, então disse:

    “Uh… “bem” é uma palavra muito forte, e você?”

    “Acho que vou viver.” um sorriso fraco apareceu em seu rosto.

    “Eu vi o que você fez, foi maneiro.” Luke disse, olhando para o corpo da primeira pantera que Sam matou e partiu no meio em um único golpe.

    Sam sorriu e coçou a nuca.

    “Valeu, mas para falar a verdade, é muito difícil lutar com esse espadão, pesado pra caralho.”

    “Ué, então use uma espada comum.”

    Sam negou com a cabeça.

    “Nah, leve demais.”

    Os dois ficaram em silêncio por um tempo, até que Sam disse:

    “Acha que Damian vai nos aceitar em seu grupo?”

    Luke demorou alguns segundos para responder:

    “Eu não sei, nós conseguimos evoluir rápido, embora ele tenha falado que força não era tudo que importava, ainda tenho tenho minhas dúvidas. Bom, a gente sequer sabe o que ele está planejando ainda.”

    Sam assentiu com uma expressão neutra.

    “Bom, se ele não nos quiser em seu grupo, por mim não tem problema, não dependemos dele para ir ao segundo planeta.”

    O que era verdade, várias pessoas conseguiam atravessar o primeiro portal mesmo estando sozinhas e sem grupo, mas um grupo fazia toda diferença. Luke e Sam já tinham decidido que desafiariam a astrobesta quando ela fosse renascer, afinal, ir para Dravion o quanto antes, ajudaria muito.

    Eles conseguiriam itens melhores, ficariam mais fortes e poderiam fazer missões mais complexas em Automatuz para conseguir mais dinheiro, muitas pessoas faziam isso.

    “Tem razão, mas seria bom ter um grupo.” Luke respondeu.

    Sean se aproximou deles, ele estava com o mesmo semblante calmo e sereno.

    “Vamos voltar à cidade agora, não podemos passar a corrolune aqui. Nossa tarefa foi concluída. Vocês foram muito bem!”

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