Capítulo 19 - Coragem
Clara não estava o esperando do lado de fora, ele olhou para os lados afim de encontrar a garota, e não a viu.
“Onde ela se meteu?” sussurrou baixinho para si mesmo, com uma leve carranca em seu rosto.
Havia inúmeras pessoas se locomovendo para todos os lados, encontrar Clara, que utilizava do mesmo traje que a maioria das pessoas e não tinha nada tão notável em sua aparência, seria bem difícil.
Luke bufou e permaneceu de pé ao lado de fora da barraca, esperando a garota. Poucos minutos se passaram, e de repente, sentiu alguém apertar seu ombro.
‘Clara?’ pensou.
Mas não, não era ela, Clara não tinha uma mão tão pesada…
Luke se virou lentamente para trás, e se deparou com duas figuras. Um rapaz alto que parecia um pouco mais velho que ele, tinha o corpo forte e segurava uma presa negra.
O outro rapaz – que estava atrás dele – era bem alto, porém, bem magro e portava duas presas negras.
Ambos olhavam para Luke com sorrisos maliciosos e com certo desdém, eram como lobos olhando para uma pequena lebre.
Luke engoliu seco e respirou fundo, suas mãos tremiam por debaixo da capa.
‘Coragem, Luke!’
E então ele disse baixinho, sua voz trêmula e falha:
“P-posso ajudar?…”
O rapaz forte que segurava o seu ombro, sorriu sarcasticamente, e envolveu seu braço no pescoço de Luke. Sua voz grave:
“Ah, mas é claro que pode! Meu colega e eu, precisamos de uma graninha, mas não estamos com muito tempo para ficar fazendo missões, entende? Então quando te vi, pensei que você poderia ajudar com alguns salis…”
Ele aproximou seu rosto do rosto de Luke enquanto levantava sua adaga e deslizava sutilmente a ponta de sua lâmina na barriga do garoto. A sensação era desesperadora, Luke começou a se sentir tonto, e sua respiração acelerou.
Eram ladrões, algo comum neste lugar, muito comum. Mas ele precisava do dinheiro que havia juntado para comprar novos equipamentos, porém, se ele não entregasse o dinheiro para o ladrão, ele provavelmente morreria.
Então era só matar o ladrão, certo? Mas como? Como se mata uma pessoa? Ele teria coragem de fazer isso? Bom, mesmo se tivesse, ele precisaria ativar o painel, ir ao inventário e invocar sua espada. E só isso levaria cerca de três segundos, a ponta da faca em sua barriga não iria demorar nem um para perfurar seu corpo.
Luke engoliu seco e não olhou para o rosto do ladrão, mas seu semblante era de medo. Ele disse baixinho, com sua voz trêmula:
“D-de quanto… você precisa?…”
O parceiro do ladrão riu:
“Haha! Só passa logo a droga do dinheiro todo, moleque! E é bom deixar seu painel visível, porra!”
Luke concordou repetidas vezes com a cabeça enquanto levava sua mão em seu ouvido para ativar o painel no DPJ, e então algo aconteceu….
click
Um pequeno estralo, Luke reconheceu o som imediatamente, era o som que a pistola de Clara fazia quando era destravada. Então ele olhou para o lado, e viu de perto pela primeira vez o rosto do ladrão que estava o ameaçando com a faca enquanto mantinha seu braço em volta de seu pescoço.
E encostada em sua cabeça, estava a pistola de Clara, a garota estava logo ao lado, com o rosto sombrio. E sua voz mais ainda:
“Larga.” disse, enquanto lançou um olhar para a faca na barriga de Luke.
O ladrão engoliu seco e deixou a arma cair no chão. Seu companheiro fez o mesmo.
“Tire suas mãos dele.” disse novamente, enquanto pressionava um pouco mais sua arma na cabeça do ladrão.
… Até Luke se assustou.
Os dois levantaram as mãos, rendidos. E o mais forte – que estava fazendo o assalto – se distanciou com passos lentos para trás.
Clara suspirou e perguntou:
“Você está bem? Eles te machucaram?”
Luke apenas concordou com a cabeça.
“S-sim, eu estou bem… foi só uma ameaça.”
O ladrão magro engoliu seco, e disse:
“S-senhorita, nós só esta-”
“Cala a boca! Vocês tem dez segundos para desaparecerem!” Clara gritou, apontando novamente a arma para ambos os ladrões.
“Dez, nove, oito…”
E então os dois simplesmente correram o mais rápido que conseguiram e sumiram em meio a multidão que sequer parecia se importar com isso.
Clara se certificou de que os dois meliantes fugiram e guardou sua arma novamente, ela respirou fundo e…
… Caiu sentada no chão, com suas mãos em seu rosto, estava com uma expressão assustada e transpirando, deixou sua pistola cair no chão, ao seu lado, e começou a respirar de forma acelerada.
“Nossa, isso foi assutador, que medo! Tomara que eles não venham atrás de mim depois!” ela disse, com a voz chorosa
Luke franziu a testa, e uma expressão bem forte de confusão surgiu em seu rosto. Como ela conseguiu mudar de personalidade tão rápido? Para começar, ele nunca tinha visto Clara tão séria, nem em seus pensamentos mais distantes ele poderia imaginar que ela intimidaria dois ladrões e os fizesse fugir com o rabo entre as pernas.
E quando ambos viram as costas, ela cai no chão e começa a tremer de medo… pelo que ela mesmo acabara de fazer?
Ela se lavantou lentamente, fechou os olhos e fez uma técnica de respiração para se acalmar, e olhou para Luke, que a encarava como se acabasse de ver um fantasma.
Ela sorriu e coçou a nuca.
“Ah, foi mal por ter te deixado sozinho, Luke. Eu pensei que você demoraria mais, e aí eu fui comprar algo para comer em uma lojinha aqui ao lado.”
Em suas mãos havia uma sacola cinza feita de tecido.
Luke engoliu seco.
“Acho que o mais me deixou assustado nem foi ter sido deixado sozinho… o que foi aquilo?”
Clara suspirou e deu dois tapinhas no ombro de Luke enquanto fazia uma expressão calma.
“As vezes precisamos fingir que temos coragem.”
Ela fez uma pausa e acrescentou:
“Eu também estava morrendo de medo, mas se eu não fizesse nada, eles iriam roubar o dinheiro que você suou para conseguir, ou te matariam, e minha consciência ia pesar.”
Luke manteve seu olhar no rosto da garota, e respirou fundo…
… Um sorriso simples apareceu em seu rosto.
“Obrigado, Clara, me desculpe por ter te colocado nessa situação.”
Clara negou:
“Não, não peça desculpas, eu que te deixei sozinho, e se eles tivessem assaltado nós dois juntos, quem iria pegá-los de surpresa? Haha!”
E então ela colocou a mão na sacola e tirou algo de dentro. Era um pequeno pote branco e circular, com um desenho simples de uma montanha com o pico nevado. Dentro do pote…
… Sorvete de baunilha.
Ela o entregou para Luke.
“Você disse que gostava, comprei para você.”
E logo em seguida, ela pegou um sorvete de menta, com o mesmo pote.
Luke olhou surpreso para ela, e um grande sorriso apareceu em seu rosto.
… Isso era raro.
“Obrigado, Clara! Você se lembrou!”
“Hehe, sim, enfim, acho que você tinha falado sobre uma sorveteria chamada Avalanches, certo? Espero ter acertado.”
Luke concordou:
“Sim, você acertou em cheio!”
Provavelmente, Clara comprou os sorvetes em uma loja específica de sorvetes e gelados. Não era apenas no hotel que eram vendidas as comidas do mundo do real, por toda a cidade havia diversas lojas separadas para isso também, todas controladas por autômatos.
A diferença entre as lojas da cidade e a praça de alimentação do hotel, era que, como eles possuíam uma estadia grátis no primeiro mês, eles não precisavam pagar por comida lá dentro. E na praça de alimentação, não havia separações, era simplesmente ir ao autômato atendente, e pedir o que desejava e comer.
Já na cidade, havia lojas separadas, havia a loja de gelados, de lanches, de pratos, de bebidas… e ficavam espalhadas por todo o lugar.
“Então, vamos visitar a loja de itens?” Clara perguntou, apontando para a distância.
Ela sequer sabia para onde estava apontando, apenas apontou.
Luke concordou, ainda com o semblante feliz.
“Vamos.”
Então ambos começaram a caminhar.
“Bela capa, gostei.” Clara comentou.
Luke sorriu enquanto abria seu pote de sorvete.
“Obrigado, eu também achei bonita.” respondeu

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