Clara queria componentes novos para sua pistola, a arma possuía um encaixe de componente que ficava situada na parte de cima da mesma, permitindo mudar seu tiro. Caso colocasse um componente de gelo, suas balas congelariam o inimigo, caso colocasse um componente explosivo, suas balas explodiram, e assim por diante…

    Ela não possuía nenhum outro componente a não ser o original da pistola, que era o de plasma, que por sinal, recarregava sozinho, então ele não acabava.

    Após uma caminhada, os dois encontraram a loja que estavam procurando, uma loja de itens. Eles poderiam muito bem ir em algum vendedor ambulante ou em alguma barraca, mas, geralmente, eles vendiam tudo mais caro para quem era iniciante, e quando era barato, a qualidade era péssima.

    Portanto, ambos optaram por um estabelecimento oficial e documentado pela torre central. Administrado por humanos, mas era mais confiável.

    A porta dupla de vidro se abriu sozinha quando ambos se aproximaram, o estabelecimento possuía um ar frio e puro que os pequenos andróides flutuantes soltavam, era organizado, com diversas prateleiras contendo inúmeros itens, dos mais inúteis até os mais úteis, como radares de sangue, granadas-radar e itens que ajudavam na qualidade de vida.

    Havia alguns funcionários auxiliando clientes, enquanto outros estavam limpando alguns itens, havia também os que estavam no balcão atendendo clientes.

    Os olhos de Clara brilhavam, ela olhava para todas as prateleiras com o olhar de uma criança impressionada.

    “Nossa! Eu já disse que amo lojas?”

    Um sorriso sutil apareceu nos lábios de Luke.

    “Percebe-se.”

    Uma funcionária se dirigiu até os dois jovens. Era uma mulher adulta, possuía cabelos curtos e olhos puxados, era uma asiática. E o uniforme que utilizava, era diferente do resto dos funcionários, seu uniforme era preto, enquanto o dos outros eram brancos.

    Ela cumprimentou os dois, e sorrindo, disse:

    “Olá, bem vindos! como posso ajudá-los?”

    Clara sorriu de volta e apertou a mão da mulher. Luke apenas levantou uma a mão e a cumprimentou em silêncio, curvando sua cabeça ligeiramente.

    “Eu quero alguns componentes pra colocar nela.” disse Clara, enquanto mostrava sua pistola.

    A mulher deu uma olhada na arma e apontou para os fundos do estabelecimento.

    “Você pode encontrar alguns lá, mas tem certeza que quer só isso, mocinha? Por que não dá uma olhada na loja toda? Vai que você encontra algo que precisava e nem sabia que precisava.”

    Clara sorriu sem graça e coçou a nuca.

    “Eer… sabe, é que eu estou com pouco dinheiro e eu tenho uma lista de coisas para comprar, mas o meu amigo aqui…” apontou para Luke, e prosseguiu:

    “… Bom, enquanto você me mostra os componentes, ele pode dar uma olhada no resto da loja, vai que ele encontra algo interessante.”

    Luke suspirou e apenas concordou com a cabeça:

    “É… pode ser.”

    A mulher sorriu.

    “Ótimo, qualquer dúvida, só chamar um funcionário, tá?”

    Luke assentiu, e Clara se dirigiu para os fundos da loja com a funciona. Luke ficou sozinho.

    A loja era um lugar interessante, era grande e tinha dois andares, havia muita coisa para explorar. Não era uma loja tão grande quanto a maioria das outras, mas havia muita coisa interessante. Então, Luke começou a caminhar e foi até às prateleiras do lado esquerdo, onde havia alguns itens que pareciam ser úteis para o dia a dia.

    Chegando lá, ele se deparou com algo que sequer sabia que existia, mas seus olhos brilharam.

    Era um adorno melódico, um objeto quase minúsculo, em formato de anel, que ao instalar no DPJ, permitia que ele exercesse a função de tocar músicas.

    Bom, pelo menos era o que dizia na caixa.

    Todos os itens ficavam em caixas, mas não era possível furtar, pois eram itens pertencentes a outros abduzidos que o vendiam,eles estavam apenas invocados para ficar nas prateleiras. Mas caso alguém roubasse, o dono do item poderia simplesmente o desconjurar.

    ‘A Sam vai adorar isso, e eu também.”

    E então, ele pegou dois pacotes contendo um adorno cada. E virou-os em seu verso para procurar o preço, mas não encontrou.

    ‘Quanto isso custa, hein?’

    Ainda com os olhos no objeto, ele caminhou para o lado, em direção ao balcão para perguntar o preço. Mas, ele acabou de esbarrando em algo.

    Luke caiu no chão, e logo na frente dele, uma garota também.

    ‘Droga!’

    Ele rapidamente se levantou e ajudou a garota a se levantar também, ela parecia estar segurando vários itens que também caíram no chão.

    Ela ajustou seu cabelo e olhou para Luke.

    Era muito bonita, parecia ser quase da idade de Luke, mas talvez um pouco mais jovem, cerca de dezoito anos.  As maçãs de seu rosto eram altas, seus olhos eram puxados e escuros, mas eram grandes. Seu cabelo era castanho claro com uma mecha mais clara na franja, que parecia ser natural. Sua pele oliva era delicada assim como seu corpo, e possuía uma pinta debaixo do olho esquerdo.

    Ela colocou as mãos na boca e se assustou um pouco.

    “Oh, me desculpe! Eu estava distraída e acabei não te vendo e… ah, que vergonha!”

    Luke ficou com silêncio por um momento, com sua expressão confusa. Ele levantou os dois braços e tentou acalmar a garota.

    “E-ei, está tudo bem, relaxa, eu que não estava olhando para frente.”

    E então se abaixou e começou a recolher os itens que caíram. A garota também se abaixou e começou a os recolher de forma apressada.

    Luke engoliu seco, sua consciência pesada, eles terminaram de recolher os itens e os seguravam em suas mãos.

    “Ei… se eu tiver quebrado alguma coisa, eu pago, tá bom?” disse Luke.

    A garota balançou a cabeça em negação.

    “Não, não se preocupe, não é culpa sua!”

    Ela fez uma pausa e logo em seguida se virou para Luke novamente.

    “Ah, que cabeça a minha! Nem te perguntei se você precisa de ajuda.”

    Com o susto, até mesmo Luke tinha se esquecido do que estava fazendo, então ele apontou com a cabeça para os adornos musicais na prateleira.

    “Ah, está tudo bem, eu só estava dando uma olhada nisso awui.” apontou para os adornos melódicos.

    A garota sorriu quando viu os itens.

    “Ah, são cinquenta salis, cada um.”

    Luke engoliu seco, se sentiu quase apunhalado no peito só ouvir o preço.

    ‘Cinquenta? Isso nem é útil para combates ou para o cotidiano, malditos empreendedores!’

    Não era de se impressionar também, óbvio que as coisas que causavam entretenimento e diversão seriam mais caras.

    A garota percebeu o silêncio de Luke e sorriu sem graça.

    “É… é caro, né? Eu já falei para minha mãe que não acho esse preço justo, mas ela nunca me escuta.”

    Luke olhou para a garota novamente, a observando bem, ela era bem similar à funcionária que o atendera quando chegou com Clara na loja.

    “Ah, sua mãe é dona desse lugar?” perguntou.

    A garota começou a caminhar pelo corredor e se sentou em um banquinho pequeno perto de uma prateleira vazia, e começou a realocar os itens, ela respondeu:

    “Em parte, sim, ela e alguns sócios compraram este lugar há alguns anos.”

    Isso era algo raro de se ver, até hoje, Luke não havia conhecido ninguém que fora trazido para Astralion junto de sua família, ainda mais parentes tão próximos.

    Ele ainda segurava alguns itens e se ajoelhou ao lado da garota, ajudando-a colocá-los na prateleira.

    “Ei, não precisa fazer isso, pode deixar que eu faço.”

    Luke a ignorou e continuou colocando item por item.

    “Você gosta de trabalhar aqui?” perguntou.

    A garota pensou por alguns segundos…

    “Bem, eu não sei, eu preciso gostar…” respondeu.

    Luke franziu a testa.

    “Como assim?”

    “Se eu não gostar, minha vida vai ser um tédio, pois eu trabalho aqui todos os dias, e um dia vou acabar herdando a parte da minha mãe neste lugar, então eu tenho que me esforçar, sabe?” respondeu, com desânimo na voz.

    Após alguns segundos de silêncio, Luke disse:

    “Também tenho certos problemas em fugir da zona de conforto, mas as vezes… as vezes pode ser até divertido.”

    Ela sorriu com tom irônico.

    “Meu problema não é esse, minha mãe… é meio controladora, sabe? É complicado.”

    Luke entendeu, sem dúvidas, ela não gostava deste lugar, mas não tinha muitas opções e provavelmente cedia às pressões de sua mãe.

    Os dois ficaram em silêncio por um tempo, terminando de colocar tudo nas prateleiras, então ambos se levantaram. A garota sorriu.

    “Obrigada, foi de grande ajuda.”

    Luke sorriu, sem graça.

    “Não precisa agradecer, eu que te derrubei, afinal… Enfim, acho que já vou indo.”

    Ele acenou em despedida para a garota e se virou, após alguns segundos de silêncio, a jovem estendeu sua mão e disse.

    “Ei, espere!”

    Luke se virou.

    “Sim?”

    A menina retirou seu DPJ do ouvido e o entregou para Luke. Ele era normal, era como um fone sem fio, branco, Porém, possuía um pequeno anel brilhante e alaranjado que o circulava, um adorno melódico.

    Luke ficou surpreso e olhou para a garota.

    “Por que está me dando isso?”

    A franziu o cenho e sorriu logo em seguida.

    “Eu não entendi nadinha do que você falou, haha!”

    Ela estava sem o DPJ e não tinha a tradução automática, Luke sorriu, enverginhado, então retirou o seu, e entregou para ela.

    Ambos trocaram seus DPJ e os ajustaram em seus ouvidos.

    “Desulpe por isso, mas enfim, por que está me dando seu DPJ?” Luke perguntou.

    “Não sei, apenas aceite. Eu posso ter um desses de graça mesmo.”

    Luke ficou sem palavras por um instante.

    “Obrigado!”

    A garota sorriu.

    Logo, uma voz surgiu de trás de Luke.

    “Ei, Zero, já podemos ir agora?” Era a voz de Clara.

    Luke já havia decidido que somente pessoas próximas saberiam seu nome, portanto, ele preferia que o chamassem de “Zero” em público, por mais que no início fosse difícil, e algumas pessoas como Pawell e o grupo de Sean já sabiam de seu real nome também.

    “Vamos.”

    Ele se virou para a garota da loja.

    “Tchau, até mais, obrigado novamente!”

    A garota sorriu e acenou.

    “Espero te ver de novo, volte sempre!”

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