Capítulo 25 - Fim do dia
…
“Você o que?!” Clara perguntava para Kevin, irritada.
“Calma, Clara, eu não a incentivei em nada! Ela que quis lutar, fala pra ela, Sam!” Kevin retrucou.
Sam sorria desajeitada, enquanto coçava a nuca. Luke estava ajustando os curativos em sua cabeça, e então, ela respondeu:
“Olha… eu realmente queria muito lutar, eu só não imaginava que ia levar uma surra, haha… mas o Kevin não me incentivou em nada, foi realmente uma decisão minha.”
Clara suspirou, nervosa.
“Ele não incentivou, mas deveria ter impedido ao invés de apostar na sua derrota! Kevin, eu já te disse para parar com essa coisa de apostas, você vai acabar ficando sem amigos.”
Kevin sorriu.
“Sem amigos, é? Até parece que você teria coragem de me deixar sozinho, e além disso, quem te ajudaria a procurar pelo Dae? Que por sinal, é meu querido irmão.”
Clara revirou os olhos.
“Hmpf, mas eu não retiro nada do que eu disse, já te falei que esse lance de apostas é perigoso. Além disso, você foi cruel com a Sammy.”
“Relaxa, Clara. Eu realmente fui ingênua em lutar contra pessoas mais experientes que eu, foi arrogância a minha. Eu mereci a pancada.” Sam respondeu.
Luke lançou um olhar para Kevin, sua voz baixa:
“Quanto você ganhou?”
“Atualmente, tenho três mil setecentos e noventa e três salis na conta.” Kevin respondeu, sem hesitar.
Sam e Clara ficaram visivelmente surpresas quando Kevin disse o valor. Afinal, nenhum deles sequer tinha chegado em quatro dígitos na conta ainda.
Luke ficou pensativo, até dizer:
“Se juntarmos tudo o que temos, podemos comprar pelo menos uma armadura ou arma para cada um. Somos quatro, então teremos aproximadamente uns cinco mil…”
Clara concordou.
“É o mínimo que o Kevin pode fazer por nós.”
Kevin pensou um pouco e lançou um olhar sério para Luke.
“Tá, digamos que eu esteja disposto, mas o dinheiro continua sendo meu. E provavelmente vamos ficar quase zerados quando ele acabar…”
Clara estava prestes a brigar com Kevin novamente, até que Luke disse baixinho.
“Eu posso te dar uma informação privilegiada, que envolve… ir para Dravion.”
Sam lançou um olhar de surpresa para Luke, e Kevin travou o olhar nele, semicerrando os olhos, e então disse:
“Para chegar em Dravion, basta derrotar a astrobesta Astrix-X, atravessar o portal, e pronto. Não tem muito segredo, todos sabem disso.”
Luke balançou a cabeça.
“Estou falando de trazê-la de volta à vida antes do tempo.”
Kevin ficou em silêncio por alguns segundos e perguntou:
“Olha, não que eu esteja duvidando de você, Luke, mas como você saberia de uma informação dessas?”
Luke ficou em silêncio, desviou o olhar e ficou um tanto relutante em dizer, mas finalmente falou:
“Quando Sam e eu fomos abduzidos, acabamos surgindo nos campos corrompidos. Fomos salvos por uma pessoa que nos apresentou seu grupo, e passamos a primeira corrolune lá. Logo depois, o líder do grupo nos disse que tinha um plano para reviver Astrix-X antes da hora, mas que só contaria se fizéssemos parte do grupo que ele estava montando, ele nos deu duas semanas para voltar lá e provar que estamos aptos para isso.”
“É verdade. “ Sam confirmou.
Sam era horrível em mentir, e ela ter confirmado isso, fez com que Kevin e Clara ficassem apenas em silêncio ao invés de rir da cara deles ou duvidarem.
“E por que esse cara confiaria um plano tão absurdo desses em dois recém abduzidos que não conseguem fazer nada além de matar alguns robôs fracos?” Kevin perguntou.
Luke disse:
“É que, obviamente, o plano não envolve só a gente. Eles querem reviver e matar Astrix, então eles vão precisar de uma legião de pessoas para isso. Nós fomos apenas convidados, mas sequer temos garantia de que vamos conseguir.”
Kevin fez uma expressão de dúvida.
“O que os impede de apenas enfrentar Astrix e atravessar o portal, como todo mundo faz?”
Luke respondeu:
“O primeiro motivo, é que eles já tentaram antes, mas o portal se abre apenas por um minuto, e os sobreviventes da batalha, lutam para atravessá-lo pois ele é bem pequeno. Realizando esse plano, ele poderia facilmente colocar seu grupo e ele como prioridade e atravessar, afinal, todos na batalha seriam subordinados e companheiros liderados por eles.”
Ele fez uma pausa e prosseguiu:
“E o segundo motivo, que é só teoria minha, é que ele pode recrutar todas essas pessoas para sua guilda, e se tornar um grande líder.”
Kevin assentia lentamente enquanto pensava, e então disse:
“Faz sentido… e você só fala isso agora? Por que não disse antes?”
“Eu já ia falar disso com vocês hoje, na corrolune, só adiantei o processo.” respondeu.
A boca de Kevin se curvou ligeiramente.
“Então o que você me ofereceu em troca, já era algo que você estava planejando me dar?”
“Sim.” respondeu.
Kevin riu.
“Haha! Está tudo bem, relaxa, eu não sou tão chato assim, eu só estava brincando. Vamos dividir o dinheiro.”
Ele fez uma pausa e prosseguiu:
“Mas essa história toda é verdade mesmo? Vocês realmente vão sair amanhã? São duas semanas desde que chegaram, né? Enfim, isso ainda me parece suspeito demais”
Luke concordou com a cabeça.
“Sim, é tudo verdade e nós vamos. Bom, pelo menos eu vou. E sobre ser suspeito ou não, qual o problema de apostar na sorte?”
Kevin sorriu enquanto se colocava de pé.
“Bom argumento o seu, mas não sei se estou afim. Talvez Clara esteja?”
Clara deu de ombros.
“Eu não sei… se você for, eu vou.”
“Veremos…”
…
A corrolune estava chegando, todos estavam na frente do hotel stella. Após saírem do bar da lua, foram até uma loja de equipamentos de iniciantes e intermediários, juntaram todo o orçamento que tinham e compraram armaduras novas.
Armaduras eram uma grande prioridade em Automatuz, os iniciantes passavam semanas juntando salis para conseguir comprar uma. Era um item indispensável, às vezes, até mais que comida…
Cada armadura dos quatro custou em torno de mil e duzentos salis, não foi tão caro quanto uma armadura profissional, mas também não eram armaduras simples demais. E elas também não possuíam encantamentos, eram versões inertes.
Em Automatuz, haviam itens que possuíam encantamentos poderosos e únicos, estes eram chamados de itens singulares. Porém, haviam suas versões que possuíam a mesma aparência e nome, só que sem o encantamento original. E essas versões eram chamadas de versões inertes. E eram bem mais baratas.
Essa regra sempre estava mais presente em armas ou armaduras.
…
Luke finalmente estava se sentindo mais confortável, no início do dia, utilizava apenas um traje inicial, sem nenhum manto ou capa por cima, e sem armadura alguma.
Agora, por debaixo de sua capa escura, ele utilizava uma armadura leve e robótica, feita de placas negras assimétricas e alguns pequenos fios negros que estavam organizados por debaixo das placas. A armadura era leve e não tinha problemas com mobilidade. E no centro do peitoral, havia um encaixe redondo e vazio. Mas Luke não sabia ao certo a função dele.
O nome de sua armadura era: “Sombra do vigilante”.
Sam conseguiu trocar suas duas armaduras – a antiga, e a usada que comprara de Nioc – e uma serpente de prata, mais mil e duzentos salis por uma armadura com um encantamento nível 1 de força.
A armadura era muito parecida com suas duas antigas, na verdade, parecia uma versão evoluída das duas. Porém, ela possuía um brilho vermelho sutil por dentro de suas placas brancas e lisas, além de ter se ajustado bem melhor no corpo dela, não prejudicando sua mobilidade. Caso ela não tivesse trocado alguns itens junto com os mil e duzentos salis, ela pagaria cerca de quase três mil por ela.
O encantamento de aumento de força, ajudaria muito Sam a conseguir manejar a garra obscura com mais facilidade.
O nome de sua armadura era: “Legião pálida”.
Kevin e Clara compraram a mesma armadura, pois agradou a ambos. Era uma armadura negra e minimalista, suas placas eram resistentes e flexíveis, além de serem bem ajustadas umas nas outras. Era tão leve que nem parecia que estavam utilizando uma armadura.
Seu nome era: “Gatuno da noite”.
Por terem comprado tantas armaduras, o dono da loja os presenteou com roupas de sua escolha.
Luke escolheu um casaco preto e largo, suas mangas eram largas e apertadas no pulso. Também veio acompanhada de uma calça preta e confortável, e uma bota preta de cano alto.
Sam escolheu uma camiseta preta bem justa, um colete preto com detalhes vermelhos e uma calça do mesmo estilo. Que vinham com duas botas, uma vermelha e outra preta. Sam, ao contrário de Luke, não era nada minimalista.
Kevin escolheu um sobretudo preto com algumas pelugens brancas, uma camiseta branca, uma calça preta e um par de botas escuras também.
E Clara escolheu um suéter laranja com listras brancas que parecia ser feito de crochê. Uma camiseta branca, um shorts branco e um par de tênis brancos.
…
Quando todos estavam prestes a se separar e ir para seus quartos, Luke levantou a mão e olhou para Kevin e Clara.
“Vocês tem certeza que não vão querer ir conosco?”
“Onde fica este lugar?” perguntou Kevin.
“É um acampamento que fica perto dos campos corrompidos, sabe aquela base radiante que não fica muito longe da cidade? Apenas siga em direção à ela, depois que você andar por cerca de dois quilômetros na direção dos campos corrompidos, você verá um acampamento na distância, em uma área com algumas montanhas pequenas. Estaremos lá.” Luke respondeu.
Kevin assentiu e olhou para Clara.
“Você quem sabe, se você quiser ir, então iremos.”
“Amanhã decidimos e conversamos melhor, deixe que Luke e Sam vão primeiro, sabemos o caminho então podemos chegar lá.” respondeu.
Luke assentiu.
“Certo, mas não demorem. E mesmo se vocês não forem, Sam e eu voltaremos para a cidade, então vamos nos ver novamente.”
Sam concordou e disse:
“Isso aí! Mas eu espero realmente que vocês vão. Enfim, eu estou com muito sono, adeus Kel, Tchau, Clarinha!”
E então ela deu um abraço em cada um.
Então todos se despediram e foram em direção aos seus quartos, Kevin deixou com que Sam dormisse em seu quarto que dividia com Luke, já que ambos sairiam bem cedo.
Amanhã era o dia…

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