Os últimos quatorze dias, foram, sem dúvidas, as duas semanas mais insanas que Luke viveu em toda sua vida. Ser abduzido dentro de um ônibus, parar em outro planeta, ganhar poderes e lutar contra autômatos corrompidos… nem em seus sonhos mais mirabolantes, ele poderia imaginar algo assim.

    Claro, por mais que seus dias tivessem sido um tanto quanto repetitivos pelo fato de ele já ter adaptado uma rotina à este lugar, ele não pôde deixar de sentir o medo assombroso do desconhecido.

    Afinal, era outro planeta…

    Porém, estar sempre cercado de outras pessoas, e ter um grupo a quem se apegar, o tranquilizou bastante. Por mais que quisesse ficar sozinho por grande parte do tempo, e tivesse medo de sair para o lado de fora do hotel, Luke se sentiria ainda mais apavorado se não houvesse outras pessoas. Ou, tantas outras pessoas.

    Ele se dedicou bastante, isso é um fato. Aprendeu a combater criaturas mais fracas, emanar o rai mais rápido que a maioria das pessoas, aprender pelo menos o básico sobre cada planeta e conseguir alguns itens úteis.

    O conhecimento sobre outros planetas era, por sua vez, um dos conhecimentos mais difíceis de se obter. Luke conseguiu apenas informações básicas nas alas de ensino. Os autômatos do hotel não eram programados para ensinar mais que o básico.

    E as pessoas de outros planetas, raramente davam detalhes importantes sobre o mesmo, a não ser para pessoas de seu próprio grupo ou interesse pessoal. Tanto que, Luke sequer sabia sobre as demais astrobestas dos outros planetas.

    Enfim… ele estaria prestes a saber, talvez Damian e seu grupo tivessem informações boas. E por falar neles…

    Já estava quase chegando a hora de os encontrar novamente, e Luke estava tentando se manter um pouco confiante em si mesmo. Afinal, ele não parecia ser só mais um, ele tinha seus talentos, e talvez isso poderia ser útil.

    Ele realmente queria realizar este plano, não importava quanto tempo levaria para reviver Astrix-X, desde que ele conseguisse atravessar o portal da forma mais segura, era tudo que importava. Mesmo que eles fizessem isso até mesmo depois dela ser ressuscitada normalmente, pelo menos ainda havia uma chance de que eles encontrariam uma guilda para se vincular, a guilda de Damian e seu exército.

    Há quanto tempo Luke não se sentia tão motivado?…

    Ele realmente queria realizar seu desejo, mas não havia pressa em seu coração, a pressa é inimiga da perfeição. Ele queria fazer tudo do jeito certo, de forma organizada e proveitosa. E levar o tempo que fosse preciso para conseguir o que desejava.

    Apesar de todo o excesso de informações, Luke estava feliz, pois havia encontrado bons amigos, e se não fosse por eles, ele teria enlouquecido.

    Fazer amizade com Sam foi ridiculamente fácil, a garota não era nada burocrática, simplesmente tratava todos da mesma forma, e Luke gostou disso, afinal, era realmente um saco ter que construir toda uma intimidade ou proximidade com alguém, ele já não gostava de conhecer muitas pessoas, ter que construir um vínculo aos poucos era ainda pior.

    Kevin e Clara também eram ótimas pessoas, e em duas semanas, todos se tratavam quase como uma família, era reconfortante.

    … Pelo menos era isso que Luke sentia.

    Também havia algumas pessoas que conhecera no caminho, pessoas que não conviviam com ele todos os dias, mas que, de certa forma, Luke se apegou um pouco.

    Sean e seu grupo, Pawell, Yuri, o garoto de Dravion que o ensinou a emanar rai e até mesmo a menina da loja de itens que o presenteou com um adorno melódico. Ele gostaria de reencontrar todos eles novamente, e também gostaria de ter uma revanche com Yuri.

    Já a garota da loja… bem, Luke não deixou de pensar nela e sobre o que ela falou. Astralion era um lugar vasto, seis planetas, lugares incríveis e experiências de tirar o fôlego. A garota parecia querer experimentar essa vida, se aventurar, mas se sentia presa.

    Ela disse que precisava gostar da vida que levava, não que gostava. Luke sempre foi relativamente bom em identificar sentimentos das pessoas, e ele tinha certeza que a garota não se sentia bem com a vida que levava.

    ‘Será que eu deveria chamá-la para vir conosco?’

    Amanhã seria um novo dia, duas semanas se passaram e enfim chegou a hora de reencontrar Damian.

    Luke estava deitado em sua cama, tentando dormir, porém, sem muito sucesso. Sam dormia no mesmo quarto, e seu ronco era desnecessariamente alto…

    Então, ao se lembrar da garota da loja, ele também se lembrou que possuía um adorno melódico. Luke invocou o painel e checou a nova opção: [Música].

    Olá! qual música deseja escutar?

    Digite aqui:____________________________________

    Luke pensou por alguns segundos, e então digitou o nome sua música favorita, junto no nome da banda:

    Tocando: Why do angels cry? – MorganZ

    E então, ele pode escutar a voz do vocalista Hazel novamente, depois de semanas. Ele sentiu falta, na terra, escutar música enquanto caminhava, era seu passatempo predileto.

    MorganZ era uma banda não tão famosa, possuía uma base pequena de fãs, mas era a banda favorita de Luke. Eles eram uma banda de rock, porém, suas músicas eram melancólicas e um pouco lentas, embora existissem alguns álbuns de músicas mais pesadas. Mas não era o foco e nem o estilo principal deles..

    Uma melodia melancólica, com algumas partes mais intensas, começou a tocar. E escutando a melodia, Luke começou a se sentir sonolento…

    Antes de adormecer por completo, enquanto olhava para o teto. Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto. Um sorriso genuíno que simplesmente apareceu.

    Era tão estranho… sentir que, de certa forma, não estava mais sozinho no mundo. Depois que aquela tragédia aconteceu com sua mãe, Luke se isolou por completo do resto do mundo, de seus amigos, da universidade, e até de si mesmo…

    Era tão horrível, sentir que estava morto e vazio por dentro.

    Porém, as últimas duas semanas o fizeram sentir coisas que ele sequer se lembrava de sentir. Por exemplo, agora, ele fugia da morte, pois tinha um desejo a ser realizado. E antes, a morte era o que ele buscava.

    E tudo isso era apenas o início…

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