Luke olhou para o horizonte, algumas tendas podiam ser vistas de longe, formando um pacato acampamento entre algumas pequenas montanhas, as montanhas e o chão não eram mais feitos de lixo e sucata, o solo era de um cinza escuro e não havia terra nem plantas por perto.

    “Finalmente… Vamos antes que outra pantera radar apareça.”

    Sam olhou confusa para ele.

    “Pantera radar? Porque esse nome?”

    “Quando explodi elas, uma notificação apareceu naquele painel, lá estava dizendo que matei quatro panteras radar. Então provavelmente é o nome oficial delas. Inclusive, até ganhei um item, olha!”

    Luke abriu o painel, foi na aba de inventário e encontrou uma pequena lâmina negra que se assemelhava com as presas lâminadas que as panteras possuíam. Porém, estava em um estado muito melhor do que as que costumavam ocupar a boca daquelas criaturas. Sua lâmina era negra assim como o cabo. Se parecia muito com uma faca de caça.

    Presa negra: A presa de uma criatura vil e sedenta por sangue.

    [ Invocar | Transferir | Descartar ]

    Luke clicou na opção de invocar, o painel desapareceu e instantaneamente a presa negra se materializou na sua frente, flutuando no ar, esperando que ele a pegasse.

    Sam ficou surpresa.

    “Uau… Será que esse lugar é tipo um jogo? Tem itens, monstros, sistemas…”

    Luke deu de ombros, analisando a presa negra antes de pegá-la.

    “Bom, parece bastante… Sinceramente, eu não esperava que esse tipo de coisa acontecesse fora da ficção.”

    Ele não demorou muito para pegar a adaga, quando ele finalmente a tocou, sentiu um calafrio percorrendo por todo seu corpo, seu coração disparou por um momento em êxtase, um pequeno impulso violento tomou conta do seu ser por um momento, sentiu uma certa confiança em si mesmo…

    Ele segurou a adaga por cerca de dez segundos, os impulsos que invadiram seu corpo o forçaram a dar um sorriso um tanto quanto sádico contra sua própria vontade.

    Depois de alguns segundos, os impulsos foram diminuindo e Luke conseguiu segurar a adaga normalmente, sem sentir nenhuma sede de sangue ou algo parecido.

    Uma notificação apareceu em seu painel.

    Efeito caçador: a cada vítima que abater utilizando essa arma em corrolune, sua sede de sangue crescerá juntamente de sua força.

    “Uh…”

    Sam olhou confusa.

    “Luke? Está tudo bem?”

    Ele guardou a presa negra e olhou para Sam.

    “Estou bem, foi um efeito da adaga.”

    Ele olhou para o acampamento novamente e em seguida se virou para Sam.

    “Não temos tempo pra ficar conversando aqui fora. Vamos para o acampamento agora.”

    Ele começou a andar em direção ao acampamento, porém, Sam estava andando um pouco curvada e mais lenta que ele. Notando isso, ele se aproximou dela e olhou para as costelas.

    “Está doendo? Foi por ter corrido muito?”

    Sam estava com os olhos semicerrados e pressionando a mão na região das costelas.

    “Sim… Acho que foi a ansiedade do momento também. Mas eu consigo andar, está tudo bem.”

    Luke foi até ela e colocou seu braço em volta de seu pescoço enquanto ele a segurava com o outro.

    “Vamos.”

    “Obrigada… Eu acho que acabei ficando um pouco sedentária nos últimos tempos, hehe…”

    Luke deu um sorriso leve.

    “Relaxa, eu te garanto que eu sou bem pior, só consegui correr muito porque a bebida que Elliot me deu aumentou minha energia, mas sinto que o efeito já está passando.”

    Os dois foram andando juntos até o acampamento o mais rápido que conseguiam, a Lua vermelha já havia aparecido por completo no céu, banhando tudo com luz carmesim. De certa forma, era até que bonito de se ver.

    Eles finalmente chegaram ao acampamento, não havia ninguém em nenhum lugar, em nenhuma das tendas. Mas, uma tenda em específico chamou a atenção de Luke, uma que ficava mais isolada, a única que ficava conectada em uma montanha.

    “Ei, Sam, eu acho que é aquela.”

    Sam assentiu.

    “Sim, vamos até lá para ver.”

    Os dois começaram a caminhar em direção à tenda. Porém, enquanto andavam, Luke sentiu que havia algo estranho, algo se aproximando…

    …Mas antes de se virar para ver, ele sentiu o fio de um aço gelado encostando em seu pescoço. Era uma lâmina semelhante a de Elliot, que agora estava encostada em seus pescoços, havia alguém atrás deles segurando a lâmina.

    Luke engoliu seco e começou a levantar as mãos, como se estivesse sendo rendido, Sam fez a mesma coisa.

    A pessoa que estava atrás deles, deu um chute fraco nas pernas dos dois, sinalizando para eles andarem para frente.

    Luke estava tremendo.

    “E-ei… Nós acabamos de chegar, não temos nada.”

    A pessoa não respondeu, apenas continuou conduzindo os dois, ainda com a lâmina em seus pescoços. Porém, ele estava os levando na mesma direção que eles já estavam indo, a tenda misteriosa no fim do acampamento.

    Sam notou isso e franziu o cenho, ela lançou um olhar de soslaio para Luke e disse baixinho:

    “L-Luke, não é aquele seu amigo?…”

    Ela começou a virar a cabeça para trás para ver quem era a pessoa que os guiava, mas a pessoa não permitiu, ele apenas segurou a cabeça de Sam e continuou os levando.

    Luke respirou fundo e sua voz sussurrou calmamente:

    “Sam, não é o Elliot…”

    Eles apenas continuaram caminhando rendidos até a tenda. Entrando lá, o lugar estava completamente vazio. Havia uma cortina que servia como uma porta que os levava para dentro da montanha, a tenda estava posicionada exatamente em um grande buraco que servia como uma espécie de caverna.

    Eles seguiram caminhando, ainda rendidos pela pessoa misteriosa por dentro da caverna escura e fria. Depois de alguns minutos, eles conseguiam ver uma luz fraca e dançante na distância, era como uma fogueira.

    Chegando lá, a pessoa que estava os rendendo retirou a lâmina que ameaçava seus pescoços e permaneceu atrás deles em silêncio, Luke se virou lentamente para olhar o indivíduo.

    Era um rapaz de cabelos longos e avermelhados que caiam em cascata até suas costas, possuía a pele pálida como alabastro e os olhos eram verdes como esmeraldas. Ele utilizava uma armadura branca, parecia robótica, nela havia coisas parecidas com telas na região do peitoral e nas ombreiras circulares. O material no qual ela era feita se assemelhava ao mesmo material branco que também formava a granada-radar. O rapaz estava imóvel, tinha um semblante vazio e estava o encarando de volta.

    “Q-quem é você?…” Luke perguntou.

    O belo rapaz não respondeu, mas na mesma hora, uma voz misteriosa surgiu dos fundos da caverna.

    “Me perdoem se a abordagem de Taylor foi grosseira, é só o jeito dele de lidar com invasores…”

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