Capítulo 64
No segundo andar, os militares haviam dominado quase toda a redondeza do centro protegido, onde ainda se escondiam o Corvo e seus últimos subordinados.
— Vamos avançar ao meu comando! — afirmou Roy, em seu rádio. — Atenção! SE PREPAREM!
Após as últimas rajadas disparadas pelos capangas, o Capitão ouviu o barulho do recarregar daquelas armas poderosas.
Imediatamente, Roy realizou a última ordem da batalha, aos berros:
— AVANÇEM! JÁ!
Após o comando, todos os agentes que cercavam o centro protegido, saíram de trás da onde se escondiam, prosseguindo até se encontrarem frente a frente com os mafiosos.
Porém, foram surpreendidos.
Uma grande corrente de ar afastou todos para longe dali; chegando a até mesmo arremessar os militares mais próximos.
Um feixe surgiu logo depois.
Os agentes tiveram sua visão conturbada, temporariamente, devido à forte luz.
O Capitão Roy avançou sem qualquer medo.
Ao chegar lá, apenas as armas daqueles mafiosos estavam ali; entre os destroços que utilizaram para se esconder durante o combate.
— DROGA! — resmungou o Tenente.
— Como!? Como eles fizeram isso? Nós os tínhamos na palma da mão! Não é possível! — reclamou um dos militares.
— Que grande merda… — comentou Sanches.
Logo, o Agente foi tomado por uma grande preocupação, ao presenciar Shane, que carregava Slezzy em suas pequenas costas, descendo das escadas que levavam ao terceiro andar da indústria.
O agente partiu em direção ao menino espadachim, que logo se derrubou no chão, devido ao peso do corpo de Slezzy.
— Ele precisa… de uma ambulância…! — comentou Shane, ofegante.
— O que houve lá em cima!? — perguntou Sanches, em baixo tom para que os outros militares não o escutassem.
— Depois… comentamos sobre isso…, mas, por agora… salve esse cara…
*
No topo do estacionamento acoplado à grande indústria abandonada, Yuki e Saith ainda encaravam Edward.
Saith apontava firmemente o seu rifle, enquanto Yuki energizava um pouco de Arché Superior sobre seu corpo totalmente embranquecido.
Já Edward, apenas segurava sua grande foice, com muita confiança.
Eles conseguiam ouvir dali; o barulho emitido pelos serviços de emergência que se aproximavam do local, desde um caminhão de bombeiros até ambulâncias.
— Parece que a minha hora chegou! — afirmou o homem de terno.
— Han!? — retrucou Saith, dando um passo à frente. — Você acha mesmo que vai escapar assim!?
Yuki interrompeu o passo do atirador, colocando a mão sobre o braço do mesmo.
— Sim. Ele vai.
— Yuki!? — Saith estava completamente confuso.
— Vá por mim… eu já presenciei o poder desse homem. Nessas condições, não teríamos como alcançar a velocidade que essa foice pode proporcioná-lo, além de que nosso objetivo principal já foi completo. Conseguimos acabar com o maior império do crime que atormentava essa cidade.
Edward posicionou sua foice de maneira agressiva, manejando-a com seu braço.
— Corra bastante, Edward Darrim, mas não se esqueça do Arco de Vallond! Você não vai se esconder para sempre! — concluiu o pequeno gênio, sorrindo.
Após aquele comentário, Edward realizou um rápido golpe com a sua foice, riscando-a no chão; criando um grande feixe de luz em torno de si, semelhante ao que Corvo havia utilizado para escapar a alguns minutos atrás.
Passados alguns segundos, o homem de terno havia desaparecido juntamente à fumaça.
— Arco de Vallond? Você sabe que só dois por cento de todos os mentoreados conhecem esse termo, não é!? — indagou Saith.
— Mas é claro que sim. E infelizmente, Edward não é tão burro assim para ficar por fora desse assunto.
Yuki e Saith notaram que os militares se reuniam no solo daquela construção, em meio aos carros de serviços de emergência.
— Você vai descer? — perguntou o atirador.
Yuki demorou um pouco para respondê-lo:
— Não. Essa invasão já está saturada pra mim.
— Nas próximas semanas… os jornais só falarão disso… e o nome em destaque, como sempre, será do General ou do governador…
— Isso pouco importa. Eu gosto de manter o anonimato — respondeu o pequeno gênio. — Vamos embora. Agora, preciso realmente descansar.
*
No solo da indústria abandonada, em campo aberto, os militares se reuniam para receber atendimentos médicos.
Roy e Sanches corriam até uma das ambulâncias, carregando Slezzy, que estava com cada braço em torno do pescoço de cada um daqueles dois.
No caminho, eles perceberam que os militares carregavam os corpos de seus parceiros mortos, para fora da grande construção.
Ao finalmente chegarem em uma das ambulâncias vazias, colocaram o jovem sobre uma maca.
Slezzy, logo foi atendido por uma dupla de enfermeiros.
— Se afastem! — ordenou um dos enfermeiros, enquanto analisavam o corpo do garoto, superaquecido.
— Capitão… — era a voz de Kine. Ela se aproximava da ambulância. — Você sabe que…
— Não! — sussurrou Roy.
Kine o encarou com grande medo.
Porém, o Capitão se agachou e a abraçou logo em seguida, fortemente:
— Escute… já chega de poderes do Arché Superior por hoje… olhe ao seu redor, pequena garota… todas essas pessoas que até hoje estavam trabalhando ao nosso lado, naquele imenso campo da FMA, agora estão mortas por causa desses poderes demoníacos.
Uma lágrima escorreu de um dos olhos da garota.
— Precisamos levá-lo ao hospital! — afirmou um dos enfermeiros. — Vamos partir em um minuto!
O Capitão se levantou e foi ao encontro do jovem, para observá-lo naquele último minuto. Sanches estava ao seu lado.
Um pequeno sussurro saía da boca do jovem, em baixíssimo tom.
— Ouça… Ele está falando alguma coisa! — afirmou Sanches.
O Capitão, curioso, aproximou seu ouvido direito, perto da boca de Slezzy, com muita cautela. Logo depois, ele compreendeu aquelas palavras:
— Por que…? Capitão…? Por que recusou minha entrada, na FMA…? Eu provei o meu valor…
Um dos enfermeiros afastou Roy do jovem, movendo aquela maca para dentro do carro de ambulância, logo em seguida.
— Nós já aplicamos algumas seringas que aumentarão a resistência do paciente, até a sua chegada no hospital! Ele terá o melhor tratamento possível! — concluiu o enfermeiro, fechando a porta traseira do carro.
A ambulância finalmente partiu, em direção à pequena rodovia perto dali.
Roy ainda estava chocado com as palavras do garoto desacordado.
— O que ele estava dizendo? — perguntou Sanches.
— Eu… não consegui compreender… — Roy preferiu omitir aquilo. Os dois passaram a observar a ambulância que levava o jovem embora.

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