Capítulo 67
— Não… — falou Slezzy, tremulamente. Ele se ajoelhou naquela varanda logo depois, ainda observando a grande fumaça que saía de uma parte do telhado daquela escola.
Os irmãos Sam juntamente à Rayrack, também observavam a escola. Eles se mantiveram em silêncio.
Rapidamente, Sanches tomou uma atitude.
O Agente se aproximou de Slezzy e o pegou pelo seu braço direito:
— ANDE! NÃO FIQUE AÍ PARADO! NÓS PRECISAMOS IR ATÉ LÁ! JÁ! — berrou.
— Han…? — Slezzy estava em estado de choque. E seu parceiro logo percebeu aquilo.
Sanches se posicionou à frente de Slezzy, bloqueando a visão do jovem, e logo em seguida, balançou seus braços, gritando:
— RAINN! EMMELINE! ELES ESTÃO CORRENDO PERIGO! PRECISAMOS IR! SLEZZY!
Após os gritos de Sanches, o estado de choque do jovem se esvaiu lentamente.
Slezzy estava de volta a realidade.
A partir daquele exato momento, toda a sua aparência se alterou completamente, em questão de poucos segundos.
A face e o olhar daquele garoto, que antes estavam dominados por medo, agora estavam repletos de seriedade, fúria e extrema raiva.
— Se aquele desgraçado… tocar sequer em um fio de cabelo do Rainn…
— Ouça, garoto — Sanches interrompeu as palavras do jovem, que o encarava frente a frente. — Você precisa se equipar! Onde você guarda o seu armamento!?
— Está tudo em um fundo falso… debaixo do chão do meu quarto. O meu traje especial, a arma de gancho, uma submetralhadora e aquela espada.
— Ótimo. Isso é o suficiente — respondeu Sanches.
Slezzy se levantou bruscamente; logo depois, iniciou seus primeiros passos em direção ao seu quarto. Mas antes que ele pudesse sair daquela varanda, Sanches o alertou:
— Eu vou descer até o carro! Vou improvisar o meu equipamento com alguns itens que armazeno no bagageiro. Me encontre lá assim que estiver pronto, garoto! Ah, e não se atrase. Não sabemos quantos deles são.
— Certo.
O jovem tornou a caminhar, um pouco mais ágil desta vez.
Ao adentrar o quarto, Slezzy arredou a sua cama violentamente, provocando até mesmo uma leve rachadura naquele chão de madeira.
Lá, embaixo da cama, estava o fundo falso que havia citado.
Ao começar a se equipar com aqueles itens, o jovem questionou seus demônios, que estavam ao seu lado:
— Qual é o real nível de poder… daquele homem?
Haram o respondeu calmamente, provocando-o:
— Acho que você já obteve essa resposta… no dia da operação na prisão antiga, não?
— Claro…, mas eu não sou o mesmo daquele dia — respondeu, vestindo-se com a roupa especial.
Hiram se aproximou um pouco de Slezzy, antes de, também, provocá-lo:
— Mesmo com seu árduo treinamento, o seu nível de poder ainda é inferior em relação ao mascarado. Seu corpo mal se acostumou com as conjurações realizadas nas últimas batalhas. Nem mesmo a sua Gankkai está totalmente adaptada à sua evolução…
— Claro… claro… sempre o mesmo papo… — retrucou. — No final de tudo, o que realmente importa é a minha assinatura… naqueles contratos…
Os Irmãos Sam não o responderam.
Ao terminar de se equipar, Slezzy armou o fundo falso novamente e arrastou a cama de volta ao seu lugar. Em seguida, o jovem caminhou com pressa até a porta de seu apartamento. Mas antes que ele pudesse atravessá-la, Hiram o confrontou:
— Espere, Slezzy!
— Han? — retrucou o jovem. — O que você quer?
— Você pode ter uma carta na manga, no seu possível combate contra Salvador.
— Estou com muita pressa… então, por favor, não me encha o saco com esses seus truques outra vez — disse Slezzy, fechando a porta rapidamente e trancando-a logo depois.
Os Irmãos Sam atravessaram a porta, já que ambos estavam em sua forma espiritual.
Logo, um deles alertou o mentoreado, que estava prestes a descer as escadas do prédio:
— Acredite. Dessa vez, isso pode ser crucial…
Slezzy cessou seus passos, se virou, e encarou a face das criaturas, friamente.
*
Passados cerca de dois minutos, Slezzy finalmente havia descido as escadas de seu prédio.
Ao chegar no térreo da propriedade, o jovem caminhou até o carro de Sanches, que estava estacionado do outro lado da rua.
Alguns vizinhos bisbilhotavam aqueles dois, através das janelas de suas casas.
Sanches conferia algo no bagageiro de seu Mustang.
Ao chegar perto do carro, o celular de Slezzy vibrou. O jovem retirou o aparelho rapidamente de um dos bolsos daquela roupa especial.
Ele havia recebido outra mensagem daquele número desconhecido:
“Todos pensarão que é apenas um mero acidente ou um incêndio, sendo assim, apenas bombeiros e pequenas unidades do NCC serão convocados. Então, nem pense em contatar as tropas militares… a não ser que você nunca mais queira ver o rosto fofo do pequenino. Isso é entre você e eu!”
— Você é um desgraçado… — comentou Slezzy em voz alta.
“Tenho certeza de que o Corvo não está envolvido nisso. Ele não arriscaria tudo… somente por causa de uma vingança pessoal”
— Está falando de mim!? — retrucou Sanches, enquanto fechava a porta do bagageiro daquele carro. Logo depois, caminhou até a porta do motorista.
— O que? Não! É sobre o Salvador. Ele me enviou uma mensagem. Não vamos poder contar com a ajuda da FMA. Eles vão precisar descobrir sozinhos, de que isso se trata de um ataque terrorista.
— Isso não vai ser um problema. Aliás, por que demorou tanto lá em cima?
— Às vezes, esses demônios falam demais — respondeu o jovem, sorridente. Era claro que ele escondia algo, porém, Sanches preferiu não estender o assunto.
Slezzy e Sanches entraram naquele carro preto.
Antes que o agente mais velho pudesse ligar o motor do veículo, ele fez um de seus clássicos comentários convictos:
— Está tudo bem. Eu nunca dependi daqueles caras, no meu trabalho policial por essas ruas, durante todos esses anos, garoto!
Slezzy sorriu, com confiança, escondendo um pouco de sua extrema raiva. — Vamos! Está na hora de colocar ordem na casa! — concluiu Sanches, ligando finalmente o motor barulhento.

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