Capítulo 58: Um Banquete
Os raios brilhantes do sol iluminavam o caminho com uma luz dourada. Caminhar ali era como percorrer uma estrada pavimentada de ouro.
Naquele dia, Leylin havia trocado de roupa especialmente, vestindo um traje cerimonial formal. Pediu que Greem conduzisse pessoalmente a carruagem até a vila de Murphy.
Da mesma forma, Murphy também vestia trajes formais e segurava uma bengala preta enquanto esperava. Ao avistar Leylin, seu rosto enrugado exibiu uma expressão de alegria. “Bem-vindo, meu amigo!”
“Peço desculpas pelo pequeno atraso!” Leylin abriu a janela e disse.
“O horário combinado ainda não chegou, eu apenas saí mais cedo de propósito!” Murphy subiu na carruagem com a ajuda de seu servo. Com o estalar do chicote, Greem conduziu a carruagem rumo ao centro da cidade.
“O banquete do lorde da cidade será realizado hoje. Ele convidou você também. Afinal, como governante, ele desenvolveu curiosidade por qualquer convidado com força de verdade…” Murphy deixou a frase no ar.
“É compreensível!” Leylin respondeu. Como alguém que comandava uma cidade, procurar Leylin somente após tantos dias desde sua chegada era um tanto surpreendente.
“Está entediado?” Murphy notou a indiferença de Leylin.
“Para ser sincero, não tenho aptidão para esse tipo de interação social. Se pudesse escolher, preferiria ficar no meu laboratório de experimentos…” Leylin sorriu com amargura.
“Haha…” Murphy soltou uma risada amena. “Eu me sentia exatamente assim quando era mais jovem! Porém, você precisa aprender a aproveitar a vida, rapaz! Comparadas a experimentos insípidos, iguarias e mulheres ardentes e desinibidas podem, às vezes, conduzir você a verdadeiras emoções!”
Leylin assentiu. Essa era, na verdade, a diferença entre magistas aposentados e os recém-avançados.
Murphy não tinha mais como progredir no caminho de um Mago, então só podia direcionar seu entusiasmo para outras áreas. Já Leylin ainda possuía muitas opções, então naturalmente aproveitaria o tempo para cultivar, em vez de desperdiçá-lo com assuntos mundanos.
“Anime-se, garoto! Há vários companheiros que vou apresentar a você…” Murphy sorriu levemente.
“Será que eles são…?” Os olhos de Leylin brilharam.
“Exatamente! São acólitos como nós, e todos são mais jovens do que eu. Vocês teriam alguns interesses em comum para conversar.”
“Estou começando a ansiar por esse banquete!” Os lábios de Leylin se curvaram em um sorriso.
O castelo do lorde da cidade ficava no coração da Cidade da Noite Extrema. Ao redor, duas fileiras de homens de armas totalmente equipados com armaduras negras montavam guarda.
“Esses são os Guardas de Ferro Negro do lorde da Cidade da Noite Extrema, Visconde Jackson. Certa vez, eles derrotaram uma tropa de quinhentos homens com pouco mais de cem soldados.”
Após descer da carruagem, Murphy apresentou o local a Leylin.
Leylin olhou ao redor. Havia várias outras carruagens nas proximidades. De tempos em tempos, cavalheiros em trajes luxuosos e damas em vestidos de baile decotados desciam delas.
Murphy parecia gozar de considerável reputação naquele círculo de nobres, a julgar pelas saudações efusivas às quais respondia com satisfação. Chegavam até a conversar por algum tempo antes de seguir adiante.
Ao avistar Murphy, o guarda na porta correu para dentro imediatamente. Pouco depois, uma voz extremamente alta ecoou do interior.
“Murphy, meu amigo! Finalmente você chegou!” Acompanhando a voz, um homem corpulento de meia-idade saiu do castelo. Os nobres e soldados ao redor o cumprimentaram com respeito. Aquele, evidentemente, era o Visconde Jackson da Cidade da Noite Extrema.
A estatura de Leylin era considerada mediana na região da Costa Sul, mas este Visconde Jackson era na verdade duas cabeças mais alto do que ele. Possuía feições ocidentais clássicas, uma testa extremamente larga e costeletas notavelmente compridas.
Jackson deu em Murphy um abraço firme. “O pequeno Jackson tem perguntado por você o tempo todo!”
“Eu também sinto falta daquele sujeito esperto. Ele é um dos mais inteligentes entre todos os meus alunos!” Murphy afirmou.
“Esse é um bom amigo meu que veio de longe, Sire Leylin Farlier!” Murphy apresentou Leylin ao Visconde Jackson.
“A Cidade da Noite Extrema dá as boas-vindas a você!” Jackson mediu Leylin de cima a baixo, abriu os largos ombros e lhe deu um abraço.
O sorriso de Leylin ficou um tanto rígido, mas ele o disfarçou rapidamente.
Naquele exato instante, estava completamente distraído pelas informações exibidas pelo Chip de I.A.
Jackson. Força: 7,9, Agilidade: 4,5, Vitalidade: 6,3, Força espiritual: 3,5. Estado: Saudável. Este humano é considerado perigoso; recomenda-se enfaticamente que o Hospedeiro mantenha uma distância de 50 metros desta pessoa.
“Esses atributos só podem pertencer a um Grande Cavaleiro!” As pupilas de Leylin se contraíram.
“A vitalidade dos Grandes Cavaleiros é extremamente elevada. E, após ativação e estimulação constantes de sua energia vital interna, eles ultrapassaram o gargalo que limitava a maioria dos humanos. Além disso, também desenvolveram uma leve resistência a feitiços de rank 0.” Leylin recordou uma descrição que havia lido anteriormente.
“Muito bem! Você também deve ser um Cavaleiro, não?” O Lorde Jackson ficou levemente surpreso com a força de Leylin e passou a olhá-lo com mais simpatia.
“Avancei há pouco tempo, e estou longe de me comparar ao senhor!”
Leylin respondeu com humildade e ordenou ao Chip de I.A.: ‘Chip de I.A.! Mostre-me uma simulação de um combate entre mim e este lorde da cidade, Jackson.’
Beep! Estabelecendo parâmetros, inserindo dados, simulando cenário de batalha, prevendo resultado…
Uma grande tela de luz piscou continuamente, e os resultados apareceram: [Simulação de batalha concluída. Além de 50 metros, taxa de vitória do Hospedeiro: 89,8%. Entre 20 e 50 metros, taxa de vitória do Hospedeiro: 58,7%. Abaixo de 20 metros, taxa de vitória do Hospedeiro: 33,9%!]
‘Como esperado, o poder físico dos Grandes Cavaleiros é verdadeiramente impressionante. Eles conseguem cobrir a distância antes que um magista consiga lançar um feitiço. Se o magista1não tentar se manter fora de alcance, estará em desvantagem!’
A expressão de Leylin não se alterou enquanto caminhava ao lado de Murphy para dentro do salão do castelo.
Era evidente que o grande salão havia sido decorado para a ocasião. O piso de mármore era tão polido que refletia as figuras das pessoas que transitavam sobre ele.
Um enorme candelabro dourado pendia do centro do salão. Estava densamente coberto de velas acesas que reluziam através dos cristais coloridos ao redor, emitindo uma luz multicolorida.
Na lateral do grande salão, uma orquestra de músicos vestindo casacas de cauda executava uma melodia lenta e agradável.
A área era preenchida por mesas compridas cobertas com toalhas brancas. Sobre elas, travessas de ouro e prata exibiam frutas variadas e carnes assadas. Ao lado, havia frascos e jarras de prata, que emanavam o forte aroma de vinho.
Bem no centro, um vasto espaço aberto onde muitos nobres valsavam ao som da música.
“Parece um baile com um bufê ao lado!” Leylin assentiu.
“Vá se divertir! Preciso cumprimentar alguns velhos amigos!” Murphy disse a Leylin.
“Fique à vontade!” Leylin assentiu com a cabeça. Em seguida, pegou uma taça de vinho de uva e sentou-se em um sofá próximo.
Pouco depois, avistou Murphy acompanhado de várias mulheres sedutoras em trajes reveladores. Eles até entraram em um pequeno cômodo lateral, o que o deixou sem palavras.
‘Tão velho e ainda quer se exibir de invencível. Será que ele ainda dá conta?’
“Importa-se se eu me sentar ao seu lado?” Justamente quando Leylin estava tendo tais pensamentos indecorosos, uma voz elegante soou ao lado dele.
Leylin ergueu o olhar e viu uma jovem dama vestindo um vestido púrpura. Seus cabelos dourados caíam até os ombros como uma cascata; a pele era de um branco leitoso.
Olhando ao redor, Leylin percebeu que não havia mais ninguém perto dele. Leylin era bastante atraente e cuidava bem de sua aparência, o que naturalmente atraía algumas jovens damas.
“Claro, não me importo!” Leylin sorriu levemente e pôs-se a conversar animadamente com a jovem.
Para ele, a combinação das memórias de uma vida passada com as memórias do antigo dono deste corpo tornava a tarefa de fazer uma garota feliz algo fácil.
Pouco depois, a jovem estava completamente fascinada pelas histórias inventadas de Leylin.
“Haha… Haha, correndo nu pela rua? Ele realmente fez isso?” A jovem perdeu completamente a elegância anterior; riu quase escandalosamente, sem qualquer resquício de sua delicadeza de antes. Isso atraiu muitos olhares curiosos das pessoas ao redor.
“Desculpe interromper, Leylin! Mas nossos amigos chegaram!”
Murphy, seguido de perto por várias damas nobres com quem havia acabado de se entreter vigorosamente, aproximou-se. Surpreendentemente, seus trajes continuavam extremamente alinhados e arrumados, o que deixou Leylin bastante chocado.
“Certo, preciso ir!” Leylin fez um gesto de impotência e levantou-se do sofá.
“Mas… Senhor! Depois de conversarmos por tanto tempo, ainda não perguntei seu nome!” A jovem bateu na própria testa.
“Leylin Farlier. Pode me chamar apenas de Leylin!”
“Eu… eu sou Alicia. Minha casa fica na Rua Principal Cecelia, 34. Será sempre bem-vindo para me visitar!”
“Haha, quem diria que você faria tanto sucesso com as damas!” Depois que se afastaram, Murphy provocou Leylin.
“É apenas uma jovem que gosta de ouvir histórias. Eles chegaram?” Leylin perguntou.
“Estão todos aqui. Siga-me!”
Murphy disse, e conduziu Leylin até um pequeno cômodo ao lado do salão de dança.
Havia vários acólitos já esperando dentro. Leylin conseguia perceber que as ondas de energia deles os classificavam como acólitos de nível 1 ou nível 2.
Murphy obviamente detinha a posição mais elevada naquele círculo. Quando entrou, todos os acólitos se levantaram para recebê-lo.
“Muito bem!” Murphy varreu o olhar pelo recinto. “Permitam-me apresentar um novo companheiro! Leylin, ele veio do oeste…”
Após a apresentação de Leylin, ele não pôde deixar de perguntar a Murphy: “Uma reunião assim não causaria problemas?”
“Sem preocupações. Jackson mantém alguns Homens-Fera, e os narizes deles são mais sensíveis que os de um cão. Ele já sabe de nossas identidades há muito tempo. Acontece que nenhum de nós menciona isso abertamente!”
Um acólito com acne respondeu, pegando uma jarra de prata e bebendo de vez em quando.
“Oh! Mayflower, minha Mayflower!” Naquele momento, a respiração ofegante e pesada de um homem soou.
“Oh! Querido! Tão quente, tão bom!” O gemido murmurante de uma mulher seguiu-se logo depois.
Parecia haver um casal em paixão ardente no cômodo ao lado.
Linhas negras se formaram no rosto de Murphy. Ele prontamente agitou a mão, e uma tênue membrana de energia envolveu o cômodo, isolando o barulho do mundo exterior. “Isso foi um acidente, um acidente!” Seu rosto envelhecido refletia constrangimento como poucas vezes.
Leylin quis desmaiar, e uma voz ecoava repetidamente em sua mente. ‘Certo! Eu realmente não deveria ter esperança alguma neste grupo de acólitos. São todos apenas um bando de inúteis que perderam completamente a motivação e a prudência!’
- termo novo, no original está “magicians”[↩]

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