Capítulo 59 - Te Abarco na Impossibilidade
— O que você pretende usar como panela ou recipiente? Essas raízes duras com certeza não podem ser comidas igual uma salada, então precisa cozinhar, não é? — Jean perguntou, andando logo atrás de Verion.
Caminhavam nas proximidades enquanto ele procurava uma coisa muito simples: uma pedra grande. O recipiente seria feito com isso.
— Quero encontrar uma pedra grande e que pareça resistente, posso abrir um buraco nela e usar como um recipiente improvisado. Depois só preciso pedir pro Jon ferver a água, ele controla o Elemento Fogo.
— É uma solução criativa, levando em conta o que temos à disposição. — Jean limpou as lentes dos óculos com a camisa, antes de colocá-los novamente. — Eu não sou geólogo ou coisa do tipo para saber qual seria uma boa pedra, essa fica por você.
Seguiram pela margem de um rio próximo, tentando encontrar o que precisavam. Algumas pequenas e médias eram facilmente encontráveis, porém Verion queria uma pedra que fosse ao menos do tamanho de sua cabeça.
“Achar isso é tão difícil assim?”
De um lado para outro por minutos e minutos e a fio, nada parecia bom o suficiente, até que Verion finalmente encontrou o que precisava com algum esforço. Levaram a pedra até o acampamento e Verion abriu um buraco esférico nela, utilizando o Vento em mesmo formato. Encheram-na de água e Jon fez o líquido ferver com suas chamas.
O Velgo terminou de cortar e picotar todos os ingredientes e os jogou na água borbulhante. Jeremiah observava aquilo com dúvidas genuínas, mas não pensou em contrariar, decidiu confiar no que Verion fazia por mais que não entendesse completamente.
As marcas roxas de Lyria no corpo do loiro estavam maiores, dominando parte do pescoço e do rosto naquele momento.
A aparência final da sopa era agradável e um tanto misteriosa, a água estava fortemente esverdeada, mas as raízes pareciam saborosas. Jeremiah utilizou um pequeno graveto para espetar uma das rodelas de bardana cozida e a comeu.
— Isso até que é bom, mas… — O loiro se arrepiou e terminou de engolir. — Essas folhas, acho que são elas que tão me dando uma sensação estranha…
— Você se acostuma rapidinho. — Jean, sentado logo ao lado, observava ele comer. — Sua dieta antes era basicamente só mingau sem açúcar e umas frutas aleatórias que você achava na floresta…
“De onde que ele tirava leite pra fazer mingau? Jeremiah sequestrou uma vaca, é?”
— Isso era só uns anos atrás! Depois que eu fui caçar uns monstros por aí comecei a ganhar dinheiro e comer melhor. Tinha até arroz na minha alimentação!
— Isso é básico… — A expressão de Jean deixava claro que ele se segurou para não falar um cala a boca. Um sorriso descontraído veio ao fim.
O loiro, após mais uma mordida que o fez repensar se valia a pena comer coisas saudáveis, notou que não viu algo depois de acordar.
— Aaah, pera ae, ô Jonas! — Apontou o galho para o rosto do guia.
— É Jon! — respondeu tão alto que Verion virou o rosto para esconder o riso baixo.
— Ih, foi mal, cara da barbicha. Você viu um disco dourado com as minhas coisas? Encontrei isso no lugar em que lutei.
— Não achei isso com sua máscara e espada, talvez tenha sumido no meio da sua briga com aquela desgraçada que atacou a vila e agora você.
“Vai ser complicado fazer o Jon aceitar a Lyria no nosso grupo caso eu convença ela… É compreensível, mas, mesmo assim, que problema chato…”
“Talvez ela tenha pego o disco, devo conseguir fazer ela devolver também se eu falar direitinho…”
Caverna do Acampamento Improvisado, 26/04/029, às 22:37.
Uma fogueira de chamas dançantes iluminava e trazia o conforto suave do calor em uma noite fria. Jeremiah e Jean dormiam próximos ao fogo, ambos em um sono profundo. Diferente deles, Jon permanecia acordado, sentado de costas contra a pedra fria do interior da caverna.
— Ele reclamou bastante enquanto comia, mas comeu tudinho — disse baixinho, Verion, apontando para o recipiente improvisado onde esteve a sopa.
— O loiro falastrão parece querer se recuperar logo, e foi isso que você prometeu com esse ensopado estranho. Ele levou a ideia de se recuperar bem a sério… só isso.
O caçula dos Velgo estava deitado sobre um amontoado de folhas carmesim, ansioso para que todos caíssem no sono. Queria sair sozinho para explorar a região e tentar encontrar Lyria. Acreditava que Jon não apoiaria essa ideia de maneira alguma e tentaria o impedir, mas era a única maneira de fazer a marca roxa parar de se alastrar por Jeremiah. A falta de uma ação e tomada de atitude poderiam custar muito.
O olhos do guia pesavam com o sono que logo o derrubaria. Apesar da sonolência pesada, permanecia atento para qualquer coisa. Tinha noção de que não existia chance de sobrevivência caso Circe atacasse, mas não deixava de querer revidar. Era parte imutável de sua mentalidade, tentar lutar mesmo que a vitória fosse impossível.
Verion fingiu dormir para abaixar a guarda de Jon, fazendo-o acreditar que não precisaria se preocupar com o garoto vagando sozinho por aí na noite profunda. Não era a intenção, mas ele acabou caindo no sono de verdade ao mesmo tempo que o guia.
Adormeceu tão profundamente, por algumas horas, que babou na sua cama improvisada de folhas. Acordou e esfregou os olhos, espreguiçando-se e bocejando. Os pensamentos estavam desconexos, confusos e embaralhados pela sonolência. O calor constante e reconfortante do fogo gradualmente o despertou.
“Ai, caramba…”
“Sair de perto do fogo vai ser tão ruim agora…”
— Mhmm — grunhiu baixinho, resmungando como uma criança manhosa que não queria ir à escola.
Forçou suas mãos contra o chão, apoiando-se para levantar do montinho de folhas carmesim. Dormiu com a cabeça em cima do próprio braço, e sentia uma dormência incômoda por isso. Afastando o restinho do sono persistente com algumas batidas leves nas bochechas, olhou ao redor. Jean, Jeremiah e Jon dormiam aquecidos pelo fogo, sem indícios de que acordariam tão cedo.
“Todo mundo aqui tem nome com J… Estranho.”
Respirou do ar quente das proximidades da fogueira uma última vez antes de acelerar o passo, deixando a caverna para trás. Não carregava a bolsa dada por Mark naquele momento, não seria necessária ou útil para o que faria a seguir. A brisa gélida da noite preenchia seus pulmões, trazendo uma sensação de tranquilidade leve.
O uivo suave dos ventos, junto ao som do farfalhar das folhas, deixavam-no alerta enquanto fazia seu percurso sem planejamento. Meramente caminhava dentre as árvores e rios, olhando para os lados e para cima, sem nem saber exatamente a razão de olhar para cima. A luz da lua tornava tudo visível o suficiente, evitando que tropeçasse ou caísse em um buraco aleatório.
— Lyria? — chamava com uma preocupação evidente na voz, queria verdadeiramente encontrá-la. Precisava vê-la outra vez, tanto por seus sentimentos quanto a tristeza e isolamento dela, quanto também por precisar ajudar Jeremiah e querer que Lyria fizesse parte de seu plano contra os inimigos que tinha.
Concentrado no som dos arredores, sua mente foi limpa de qualquer pensamento, dando lugar a um foco afiado. Quando se deu conta, ao contornar mais um rio, avistou uma coisa estranha. Uma árvore estava tomada de roxo. A coloração forte parecia viva, quase que pulsante. Seus pés, velozes sobre a margem, levaram-no até mais perto.
Sua concentração se quebrou quando percebeu que arfava, quase sem ar pela tensão súbita de acreditar que aquele era o momento. Precisava convencê-la de qualquer forma, precisava fazer isso para mudar parte de seu destino para sempre. O coração palpitava mais e mais conforme se aproximava.
E ele viu o que esperava.
Lyria sentada no lado oposto da árvore, cabisbaixa e portando uma foice repleta de sangue seco, advindo da luta com Jeremiah. Antes que pudesse expressar qualquer coisa, viu o olhar aflito e imediatamente sentiu um arrepio. A foice em questão de um segundo foi apontada para seu pescoço.
— O que você quer comigo?! — A voz raivosa e trêmula fez Verion dar um passo para trás, sem deixar de olhar nos olhos dela.
— Q-quero conversar com você, por favor, me ouve! — Encostou a mão fechada contra o peito, respirando fundo. — Sei que você não quer me matar, Lyria, então abaixa a foice, por favor…
Sob a luz do luar, abruptamente os olhos dela se encheram de lágrimas, a expressão se contorcendo em uma mistura de sentimentos tão volátil que Verion por um momento duvidou do que acabava de dizer. De um segundo para outro, a foice foi arremessada brutalmente à direita. O garoto apenas ouviu o som altíssimo de dezenas de árvores sendo cortadas e arrebentadas, resistindo ao impulso de olhar para o lado. Os pássaros nas proximidades levantaram voo e se afastaram, indo rumo ao horizonte.
— Eu não te quero perto de mim! Não quero te machucar ou matar outras pessoas! — Puxou a visita indesejada pela gola da roupa, encarando profundamente.
— Não foi você que fez aquilo na vila, e não vou me cansar de repetir isso enquanto eu estiver vivo — Verion respondeu sem piscar ou desviar o olhar. Apesar de estar tomado por um nervosismo que se embrenhava em cada parte de si, não queria transparecer de maneira alguma.
— Você me irrita… Como consegue me olhar desse jeito?! É minha culpa sim tudo que aconteceu naquela vila! Não fui capaz de manter o controle do meu próprio corpo e a maldita da Circe causou toda essa desgraça para vida dos outros. — Os dedos, pressionados fortemente, pareciam estar prestes a rasgar as vestes de Verion. — Sou uma assassina imperdoável…
— Pode ser que tenha mesmo perdido o controle, mas ela quem desejou fazer essas coisas, ela quem praticou essas coisas, ela que não tem remorso algum por ter feito essas atrocidades! Não faz sentido se culpar por algo que te forçaram a fazer. — Verion segurou suavemente no braço dela. — O corpo é seu, mas não era você no comando, a Lyria que eu vi naquela caverna em Harlon nunca faria isso.
De um instante para o outro, o garoto foi ao chão com força, jogado contra a terra de gramado baixo. Quando abriu o olhos, que fechou pelo reflexo da dor, observou a figura de tinta colocar ambas as mãos sobre o rosto enquanto as folhas vermelhas das árvores balançavam logo acima em sua visão.
— Tudo que queria quando fui embora da caverna era encontrar algum jeito de conter Circe e impedir que ela tome o controle outra vez… Queria que ela parasse de incomodar e eu pudesse conhecer esse mundo, conhecer algo diferente daquele vazio frio da prisão em que fiquei trancafiada naquele livro maldito. Mas, mesmo querendo achar algo para impedi-la, não tenho ideia do que poderia ser, não tenho certeza do que fazer…
Ela continuou: — Eu vi com meus olhos o que existe após a morte: um destino tão terrível que não consigo me perdoar por ter deixado que Circe tomasse posse do meu corpo e fizesse essas coisas… Pessoas inocentes que nunca deveriam sofrer agora devem estar imersas em uma agonia tão imensa que faz meu tempo presa parecer uma trivialidade imbecil de se reclamar sobre… Queria ter a coragem de enfrentar aquele inferno e acabar com a minha própria vida para livrar o mundo dessa deusa cruel, a levando comigo. Mas talvez eu seja só uma covarde de fato e não consiga fazer isso.
Lyria finalizou com a voz embargada: — Tudo que quero de verdade é poder viver o que você vive, Verion. Pessoas te amam e te admiram, te dão o afeto que me foi negado durante toda a minha existência. Queria pelo menos saber como é a sensação de alguém gostar de mim de verdade, se importar comigo ou pelo menos me tratar como uma pessoa e não uma aberração e uma assassina. Quero poder viajar por esse mundo e conhecer novas pessoas, conhecer novos lugares e saber o que existe para além daquele cinza obscuro do livro. Infelizmente acho que isso é impossível e estou fadada a morrer sozinha… Nunca vou ser feliz, nunca, nunca…
— Não é impossível, sempre existe uma chance pra tudo! — retrucou de imediato, levantando-se do chão.
— Verion, me escuta… Não quero te ver morrer por minha culpa, de todas as pessoas que podem existir nesse mundo, você deve ser a que menos merece esse sofrimento. A morte é o pior dos destinos, e se eu estiver ao seu lado será um destino ainda mais inevitável. — Lyria deu alguns passos para trás, removendo as mãos do rosto que guardava uma expressão dolorosa. — Só deixe com que me afaste daqui, continuar para ainda mais longe e sumir da sua vida.
— O que há de tão assustador assim na morte? Como tem tanta certeza desse sofrimento?
— Já expliquei isso… eu vi o que está para fora da vida. Circe tentou me jogar no Domínio Divino dela, uma área fora da existência e lá…
Algo aconteceu. Algo terrivelmente errado.
A voz se distorceu, tornando-se um emaranhando de ruídos incompreensíveis.
“Puta que pariu… Ela sabe das mesmas coisas que o Aurelius de algum jeito?”
“Lembro das memórias da Circe na época em que ela saiu do controle de Aurelius, aquela praga de olho roxo que flutuava atrás dela e censurava a realidade… Essa coisa está aqui com a gente agora?!”
“Ela sabe de algo tão importante quanto o segredo completo do que Circe esconde? Ou essa manifestação estranha só quer evitar ao máximo que os humanos saibam disso agora?”
Verion paralisou com as dúvidas, enquanto Lyria colocava a mão direita no próprio pescoço com uma expressão assustada. A garota de tinta ergueu a mão livre num reflexo rápido e a bateu contra o nada ao lado, revelando uma monstruosidade oculta na realidade. Um olho roxo flutuava de forma ameaçadora; sempre esteve ao lado a vigiando, mas ela somente notou quando foi impedida de falar o que desejava.
Com as mãos, agarrou aquela anormalidade existencial e apertou, apertou furiosamente até estourar. Uma explosão de sangue cinzento espalhou-se pelo gramado e por seu vestido empoeirado, respingando ao pés de Verion. Tentou repetir o que queria dizer… e nada saiu outra vez.
— Argh… tudo só fica mais bizarro na minha vida — resmungou Verion, encarando o líquido cinza afundando no solo.
— Eu que deveria estar falando isso… — Deu um suspiro pesado, que soou quase como um rosnado. — Não faço ideia do motivo de não conseguir falar disso, mas só acredite em mim: o que existe depois da morte é pior do que tudo que possa imaginar. E não desejo isso para alguém bom como você, Verion. Preciso me afastar ao máximo para não deixar que Circe rasgue todos os seus sonhos.
“Isso não faz sentido…”
— Lyria, você disse que queria alguém que se importasse contigo de verdade. — Apontou para o próprio rosto. — Eu me importo, se não me importasse não estaria indo atrás de você tanto assim. Só quero te ver feliz e deixando essa culpa estranha de lado… Não vou conseguir ficar em paz enquanto eu não te deixar em paz, ou pelo menos tentar. Você repete e repete toda hora que sou uma pessoa boa. E se não quer que eu morra, acredito que seja por achar que sou merecedor de viver essa tal felicidade de ser admirado, que tanto você inveja em mim. Na mesma intensidade que você acredita que sou uma pessoa boa, merecedora da vida e alegria, sinto que você também é, Lyria… É isso que quero que entenda. Sua vida não é menos valiosa que a minha, não importa o que pense sobre si.
Verion, um tanto trêmulo e com os olhos cheios de lágrimas, continuou: — Quero que seja minha amiga, quero te levar para conhecer coisas novas e viajar comigo e meus amigos… Sei que parece absurdo e irreal pra você alguém te aceitar tanto e querer seu bem depois de tudo que viveu, mas estou falando a verdade… Sei que tudo isso está doendo, sei que é um inferno existir nesse mundo, mas quero te ver aproveitando as coisas boas que sei que existem. Vai ser difícil, mas em algum momento as coisas vão melhorar, seu coração não vai mais doer do jeito que sinto que está doendo agora.
— Por que fazer tudo isso por alguém que não conhece nem há uma única semana? — Lyria perguntou, sentindo uma angústia violenta queimar em seu peito, como se fosse explodir.
— Por que eu sou filho do meu pai… — Abriu um sorriso e deixou de tentar conter as lágrimas. — Cresci pra ser esse tipo de pessoa e vou ser até o final, não importa o que aconteça. Acho que é esse o legado que meu pai iria gostar que eu levasse adiante… Vem comigo, por favor.
— Mas… e se a Circe retomar o controle? — Seu olhar explicitava seu desespero, queria viver tudo aquilo que lhe foi oferecido, porém parecia incerto demais.
— Precisamos ser realistas… Circe consegue se teletransportar por aí usando a Definição do Enigma, de Ni. Nada garante que ela não possa aparecer perto de mim a qualquer momento, mesmo que você vá para o outro lado do mundo. É completamente inútil tentar fugir. Então, já que isso não muda nada no fim, fica comigo, por favor… — Verion estendeu a mão para ela. — Mesmo que pareça que tudo vai dar errado, quero tentar encontrar um jeito de resolver essa situação e te libertar dela! Vai ser mais fácil com nós dois juntos, então isso é o melhor.
— Isso tudo parece estranho… — Sua voz saiu quase como um suspiro, fraca e quebrada. — Meu coração ainda dói em pensar que você pode morrer…
Lyria se deitou de lado no baixo e gélido gramado, focando-se em respirar para preencher seus falsos pulmões. As lágrimas negras de tinta escorriam dos olhos semicerrados e seus lábios tremiam. Arranhava a terra com as unhas, sem qualquer razão além de querer extravasar o turbilhão em sua cabeça.
— Aceita minha proposta, mesmo que pareça impossível para você? Quer conhecer esse mundo e as maravilhas dele comigo?
—…Sim, quero, quero… — respondeu com uma voz esperançosa e cansada. Ela fechou os olhos como quem queria descansar há um longo tempo e abriu um sorriso fraco, feliz, enquanto mais lágrimas desciam pela pele e iam de encontro ao solo.
— Vai ficar tudo bem, pode acreditar em mim. Vamos dar um jeito de fazer sua nova vida ser incrível. Você merece tudo de bom que esse mundo tem a oferecer. — Verion sentou ao lado dela, com um sorriso tranquilo no rosto.
“Aah, eu não consigo parar de chorar…”
Inesperadamente, o garoto viu uma mudança em Lyria acontecer quando ela sentiu o conforto do apoio verdadeiro pela primeira vez. Os cabelos obscuros como breu ganharam um fraquíssimo tom rosa, e a pele ganhou um pouquinho de uma cor mais natural, diminuindo a palidez fantasmagórica.
“Esse tom de rosa é da Circe… A aparência dela no passado, seu corpo real.”
Ponto desconhecido na floresta, 27/04/029, às 07:52.
O sol cintilava forte no horizonte, como costumeiramente fazia, e o canto de alguns pássaros preenchia a atmosfera silenciosa da floresta. Dentre o som do canto das aves, o som de passos suaves fez-se evidente.
— Bom dia — disse Verion, a voz suave e amigável.
— Hmm? — Lyria abriu lentamente os olhos e teve a visão do garoto sorridente lhe estendendo uma bela rosa vermelha.
— É um presente.
— Obrigado… — Ela pegou, um tanto sem reação, mas logo sorriu.

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