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    — O que você ainda tá fazendo aqui parado? O trabalho tá feito, então cai fora. Não atrasa meus negócios. — Enquanto Adam examinava seu próprio estado pela última vez, foi interrompido por Weber. — Anda logo e vai embora. E não esquece de pagar as parcelas do empréstimo. Nesta sociedade movida a dinheiro, se você ficar com a reputação de mau pagador, vai ter dificuldade pra fazer qualquer coisa. Ah, e não esquece de trazer umas lembrancinhas do Porco Desvairado da próxima vez!

    — Valeu, chefe.

    Nos três dias que Adam passou com Weber, percebeu que ele havia feito um negócio muito justo. Não só cobrou um preço bem competitivo, como também não instalou nenhuma peça supérflua em seu corpo.

    Durante todo o processo, Adam foi poupado de qualquer gasto desnecessário.

    Claro, mesmo assim, ainda estava afundado em dívidas.

    O empréstimo que havia feito, de menos de 2.000.000, seria pago em 30 parcelas, e em cada uma delas, ele teria que pagar mais 100.000 só de juros. Isso significava que, todo mês, teria que arranjar tempo para pegar ao menos uma missão relativamente perigosa só para cobrir o pagamento.

    “Mal acordei, e já virei escravo!”

    Ao sair da loja, Adam não tinha outro destino em mente, então decidiu voltar direto para a academia.

    Quando saiu para a rua, avistou um enorme holograma 3D projetando a figura de um humano, era uma propaganda em realidade aumentada.

    A figura no anúncio media mais de cem metros de altura e fazia uma descrição empolgada do Plano de Imigração para Marte. Segundo ele, Marte possuía recursos ilimitados, sendo um lugar muito melhor para viver do que a Terra, onde os recursos estavam praticamente esgotados.

    Adam ficou olhando o anúncio por um bom tempo, e uma sensação de absurdo cresceu dentro dele.

    Logo em seguida, surgiu outro anúncio gigante que declarava:

    — A fim de conceder imortalidade a toda a raça humana, a implementação da versão 12.0 do Metaverso está em pleno andamento! Tudo o que você precisa fazer é carregar sua personalidade e suas memórias… e você viverá para sempre no Metaverso, em sua totalidade. Você poderá se reunir com seus entes queridos e estar com seus amigos pela eternidade. Você pode até matar dragões gigantes, ou vestir armaduras intergalácticas e…

    Bem quando Adam encarava o anúncio distraidamente, um jovem passou resmungando enquanto carregava uma maleta de conserto de próteses:

    — Esse maldito sistema é o motivo de eu estar gastando todo meu dinheiro pra sustentar minha vó! As taxas são caras demais! Estão cobrando uma fortuna só pra quem tá lá dentro viver uma vida normal… e se você não pagar, eles bloqueiam todos os dados da personalidade! No anúncio, parece tão bonito, falam de reencontrar os entes queridos pra sempre, mas eu tô gastando tanto pra sustentar os mortos que mal consigo sobreviver! Dinheiro, dinheiro, dinheiro, todo mundo só pede dinheiro!

    O jovem suspirou enquanto se afastava. Parecia ter emoções demais reprimidas dentro de si, e não sabia como extravasá-las.

    Aquilo deveria ser uma tecnologia para conceder imortalidade, mas estava se tornando um fardo gigantesco para os vivos.

    Adam observou enquanto o jovem desaparecia na distância e, de repente, foi tomado pela sensação de que ele era apenas mais um quadro em branco.

    “Marte, imortalidade, promessas de riqueza… Tudo isso são apenas ferramentas dos ricos para enganar os outros. Iscas tentadoras… e perigosas.”

    Enquanto Adam ainda estava imerso em seus próprios pensamentos, alguém se aproximou do fim da rua. Assim que Adam voltou o olhar para a figura, percebeu que todos os transeuntes ao redor haviam desaparecido. Em seguida, olhou para cima e viu que o holograma publicitário também havia congelado por completo.

    “Estão invadindo meu mundo psíquico!”

    Adam já não era mais um novato completo, e entendeu na hora o que estava acontecendo ao analisar rapidamente a situação.

    O homem no fim da rua continuava se aproximando, e à medida que se aproximava mais, Adam conseguiu distinguir suas feições.

    Era um homem de meia-idade, usando roupas de caubói, com dois revólveres presos à cintura. Tinha uma barba espessa que combinava perfeitamente com sua expressão casual e despreocupada, parecia ter saído direto de um faroeste.

    Enquanto Adam observava o caubói, outra pessoa também começou a se aproximar, vinda do lado oposto da rua.

    — Ei, Caubói, quem encontrou ele primeiro fui eu!

    Esse segundo homem vestia roupas de ninja, com duas lâminas presas às costas, e o rosto totalmente coberto, tornando impossível distinguir seus traços.

    Sua voz era profunda, e havia um poder psíquico formidável emanando de todo o seu corpo. Todos os prédios altos e arranha-céus por onde passava se despedaçavam como espelhos quebrados em seu rastro.

    O Caubói caiu na risada ao ouvir aquilo.

    — Você acha que isso aqui é brincadeira de criança, Oni no Hanzou? Não dá pra simplesmente gritar ‘é meu’ como se eu fosse uma moeda caída no chão!

    Então, ele assobiou para invocar um poderoso garanhão, montando em seu dorso no exato instante em que o cavalo galopou a partir do nada.

    — Se quiser roubar essa missão de mim, então vamos ver se suas facas kunai são mais rápidas ou se minhas balas resolvem primeiro!

    — Foi você quem pediu por isso! — Oni no Hanzou bufou com frieza, inclinando o corpo para frente num ângulo agudo e atingindo velocidade máxima num piscar de olhos.

    Tudo o que Adam viu foi um borrão passando diante de seus olhos antes que o ninja já o tivesse ultrapassado. Logo em seguida, o borrão começou a se multiplicar enquanto corria, de um virou dois, dois viraram quatro e, em pouco tempo, toda a rua estava tomada por seus clones.

    “Que diabos está acontecendo aqui? Eles estão numa missão pra me caçar? Será que foi encomendada por quem comprou meu corpo?”

    Estava claro que aqueles dois eram assassinos extremamente formidáveis, e Adam não fazia a menor intenção de ficar ali pra assistir à luta. O que mais queria era fugir o quanto antes.

    No entanto, assim que tentou sair, foi atingido nas costas por uma bala que lembrava um feixe de laser. A bala não causou nenhum ferimento, mas a luz restritiva que irrompeu do projétil o deixou completamente imóvel.

    Depois de paralisar Adam com aquele disparo, o Caubói puxou outro revólver num movimento relâmpago e disparou uma sequência veloz de tiros.

    Mas, em vez de mirar nos clones de Oni no Hanzou, todas as balas foram disparadas para o céu.

    Imediatamente, uma mudança ocorreu no céu: nuvens negras cobriram metade da rua, e então balas começaram a cair como chuva.

    Brrrrm!

    Com a tempestade de balas, tudo naquela seção da rua coberta pelas nuvens escuras foi reduzido a pó, incluindo as lojas, o pavimento, as luzes de neon, e cada um dos clones também foi eliminado. Ao mesmo tempo, a outra metade da rua começou a ondular violentamente, como a superfície de um lago sob uma tempestade torrencial.

    Adam jamais tinha visto adaptadores tão poderosos, e ficou pasmo diante de tamanha força destrutiva. As capacidades do Caubói superavam até mesmo as da anomalia espantalho no auge de seu poder.

    Contudo, seu oponente também era formidável.

    Depois que todos os clones de Oni no Hanzou foram destruídos, ele emergiu subitamente da sombra debaixo da barriga do cavalo de guerra do Caubói, e então suas duas lâminas foram lançadas no ar como relâmpagos, tentando cortar tanto o cavalo quanto seu cavaleiro ao meio.

    O cavalo relinchou em pânico antes de ser dividido em dois pelas lâminas, mas o Caubói saltou para o alto do dorso da montaria e evitou o golpe, então disparou uma saraivada de tiros contra a sombra abaixo.

    Dessa vez, as balas tinham ainda mais força, e cada uma delas explodiu como um projétil de canhão ao atingir o chão, devastando toda a área, inclusive destruindo seu próprio cavalo.

    No entanto, após ser despedaçado pelas explosões, um novo cavalo surgiu no céu como uma fênix renascida das chamas, e o agarrou no ar bem quando ele começava a cair.

    — Aka Oni, vá!1

    A voz de Oni no Hanzou soou no ar, e logo depois, seu corpo começou a se expandir e se deformar lentamente, em meio à fumaça e poeira que subiam dos destroços. Em instantes, um samurai meio humano, meio oni, com o corpo todo vermelho e uma máscara demoníaca no rosto, emergiu dos escombros.

    Assim que apareceu, Aka Oni soltou um rugido furioso, e então brandiu uma clava envolta em chamas escaldantes contra o Caubói no ar.

    O Caubói puxou as rédeas da montaria, e marcas de cascos surgiram sob o cavalo de guerra enquanto ele começava a galopar pelo céu, subindo a uma altitude mais alta para escapar do golpe aterrador.

    1. Aka Oni em Japonês traduz, aproximadamente, para Ogro Vermelho.[]
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