Capítulo 46 - Beleza e honra.
Um milhar de pingos caía lentamente pelo nublado céu outonal. Eram trazidos pelo vento frio, pela lateral da encosta do pequeno monte que a estrada contornava. Uma agradável garoa, se comparada à chuva que os impedira de continuar sua marcha no dia anterior.
Do outro lado, podia-se ver pradarias e bosques sendo cobertos pelo véu fino da chuva constante, até a paisagem sumir na escuridão cinza distante.
Eduardo esfregou com a mão o rosto molhado, limpando os olhos e o nariz entupido. Um gesto inútil que repetira várias vezes. Se perguntava quando finalmente chegariam ao castelo dos Freive, ou em qualquer outro lugar que servisse de abrigo.
Fazia três dias que não via alma viva que já não estivesse entre eles. Além de também não encontrarem vilas, fazendas ou telhados que os protegessem do tempo. Por dois dias dormiram ao som de trovoadas distantes, e na noite anterior não fecharam os olhos, sendo regados pela chuva implacável.
E então pela manhã, como nos outros dias, continuaram seu caminho, arrastando-se pela lama atrás de sir Alóis, que ia a frente em seu garanhão.
Além das pernas dormentes, seus músculos tremiam com o frio. O traseiro o incomodava devido ao tempo passado em cima da cela. Mas o pior eram seus olhos. As pálpebras pesadas ameaçavam se fechar enquanto tentava não dormir em cima da cela, com medo de escorregar e terminar caindo no chão.
Medo que Lohan não compartilhava, balançando de olhos fechados ao movimento de seu cavalo. Dormindo mesmo com os pingos gélidos tocando-lhe o rosto.
Mesmo não nutrindo simpatia pelo escudeiro, Eduardo obrigava-se a admitir sua proficiência em algo que ele próprio quase não suportava.
Mesmo assim, imaginava estar melhor que a maioria dos outros homens na coluna que os seguia, a qual fazia o penoso caminho a pé no chão lamacento e escorregadio, sob chuva e sol.
Caio estava entre eles.
Eduardo perguntou a sir Aloís se o amigo poderia também ir a cavalo junto deles, recebendo uma pronta recusa do cavaleiro. Por causa disso, também se recusou a montar, até que Caio o mandou parar de estupidez e aproveitar as oportunidades.
Lohan irritantemente se uniu a ele nisso, e os dois persuadiram Eduardo até que sua paciência se esgotasse.
Isso fazia mais de uma semana. Tempo esse em que aprendeu a guiar o cavalo de forma quase decente, embora não ousasse dar mais do que um trote nele. Ouvira histórias sobre homens ficando tetraplégicos em acidentes com aqueles animais e fazia o possível para não agitá-lo.
Não que parecesse precisar. O corcel dado a ele por sir Alóis parecia sempre tranquilo e composto. Nobre. Mais do que Eduardo sonhava em se sentir.
Ouviu um bocejar à sua esquerda e rapidamente suspirou em desânimo.
Lohan abriu seus vibrantes olhos verdes e se deu o inútil trabalho de limpar a água do rosto, tal como Eduardo fizera antes. Estalou o pescoço e olhou em volta.
— Ah, enfim chegamos! — Sorriu, passando a mão no cabelo molhado.
Eduardo olhou para frente, onde a curva se completava, dando-lhes visão do que havia além daquele monte.
Sob a chuva estava um vale repleto de campos cortados por rios. E no centro dele, escondidas em meio ao manto da chuva, distantes formas pontudas que se elevavam ao céu, cercadas por grandes muralhas escuras.
Os homens começaram a se animar à sua volta, acelerando o passo e esporeando os cavalos.
— Finalmente estou mais uma vez em minha casa — declarou Lohan, lembrando a Eduardo do sobrenome do escudeiro loiro.
Freive. O nome de um nobre, pensou.
Desceram pelo caminho do vale passando pelos rios, que Eduardo percebeu tratar-se de canais escavados que faziam a água escorrer entre os campos.
Viu dezenas de camponeses com chapéus de aba larga trabalhando em meio a chuva fina, realizando a cega. Alguns ergueram a cabeça ao vê-los, acenaram sendo respondidos por sir Alóis, que acenava em resposta, e então voltaram a sua ocupação.
À medida que avançavam, o castelo se engrandecia à sua frente, e Eduardo pôde vê-lo com mais detalhes.
As torres eram feitas de grandes pedras de diferentes tons de vermelho, postas em padrões espirais crescentes, com a fundação escura, tornando-se em vinho, indo para o vermelho carmesim e então laranja, findando em tetos circulares cobertos de telhas douradas no topo.
As muralhas seguiam padrão semelhante, porém começando cinza no ponto mais baixo e escurecendo até o negro no topo das ameias. Bandeiras com serpes vermelhas sacudiam ao vento em cima de cada torre. Um fosso cercava toda a construção, transbordando de água.
A comitiva parara em frente ao grande portão negro da entrada, que abriu-se lentamente enquanto a ponte baixava ao som de madeira rangendo e cordas apertando-se.
Estranhamente, Eduardo sentia o estômago inquietar-se enquanto via a grande passarela de madeira baixar entre eles e o arco de pedra que dava passagem para o interior da fortaleza. Pensou em histórias que vira e ouvira, de reis, príncipes e cavaleiros. Donzelas e bruxas. Ainda que pudesse dizer isso antes, apenas naquele momento compreendeu que aquilo era um castelo de verdade.
Atravessaram o fosso, desmontando e entregando os cavalos para os cavalariços no outro lado.
Eduardo entregou o seu a um rapaz de barriga inchada, um pouco mais novo do que ele, com sardas no rosto redondo, e viu-o desaparecer em meio ao movimento entre os que chegavam e os que os recepcionavam.
Abrigou-se da chuva junto a um dos estábulos.
Se viu confuso, sem saber o que fazer ou onde ir, estando inclinado a seguir os homens a cavalo para seus alojamentos ou sair do castelo juntar-se ao resto dos soldados da infantaria acampando do lado de fora. Esperava encontrar Caio e meio a eles.
Passou os olhos pelo pátio do castelo vendo as carroças entrarem pelo portão. Carmen entre elas. A garota tinha os cabelos envoltos em um lenço vinho para protegê-los da chuva e do vento. Ela desceu, olhando ao redor de si, encontrando os olhos de Eduardo. Estavam longe, mas ele percebeu a mudança em sua postura ao vê-lo.
Começou a andar em sua direção e Eduardo pensava em por onde poderia sumir rapidamente. Isso até alguém o puxar pelo ombro.
— O que está esperando? Ande, pois o sir e meu pai esperam — afirmou Lohan, com um sorriso convencido.
Eduardo nunca se sentira tão aliviado em ver o importuno escudeiro, fingiu não ver Carmen, deixando-se ser arrastado para onde quer que Lohan o levasse.
Entraram por uma enorme porta de madeira e ferro com a serpe vermelha empalada, símbolo dos Freive, gravada com cores vivas na madeira marrom.
Caminharam por um estreito corredor, que abria em uma câmara repleta de finas colunas douradas, verdes e vermelhas, contornadas por serpentes com asas de alto a baixo. Estavam posicionadas próximas às paredes, em pares opostos um ao outro.
No espaço entre cada uma das colunas estavam quadros de diferentes homens de aparência elegante. Alguns mostravam apenas o busto, outros posavam em corpo inteiro. Outros eram representados em cima de cavalos de guerra, ou em armaduras de placa, douradas, prateadas ou cor de vinho, segurando grandes espadas e lanças, embora um ou outro segurasse um livro ou um pingente de asas semelhante ao que Eduardo recebera de Thierry.
Algumas pinturas pareciam mais desbotadas e mal cuidadas do que outras, o que dava a Eduardo a impressão de serem mais antigas.
— Magnífico, não? — comentou Lohan, percebendo a atenção que Eduardo dava aos quadros. — Quarenta gerações de senhores Freive estão nessa parede — completou em seu costumeiro tom orgulhoso, que Eduardo entendia agora o motivo.
Continuaram seu caminho entrando em uma antecâmara repleta de bustos brancos com rostos de mulheres, delicados e belos.
Lohan parou em frente a um de uma mulher de rosto redondo e um pequeno sorriso gravado na pedra.
— Aqui estão minha mãe e a mãe de sua mãe. “Gravamos nossos homens em quadros para preservar sua memória e honra, e as mulheres em pedra para preservar sua beleza”, meu avô disse-me isso uma vez. Creio que um dia antes de cair da escada e fraturar a bacia. Bem, o que acha?
Eduardo olhou para o rosto no busto, erguendo uma sobrancelha.
Havia algo a dizer nessa situação?
Pensou em outro rosto, quente e macio, com um sorriso como borboletas voando através das flores de um jardim.
— É bonito, mas ainda prefiro olhar para uma mulher de verdade.
Olhar e tocar.
Lohan riu.
— Deveras, temos o mesmo pensamento — Voltou a andar, ignorando o restante dos bustos.
Entraram em outro salão, mais amplo e alto, com colunas vermelhas da grossura de troncos de árvore subindo até o teto feito com pedras da mesma cor, encaixadas em padrões de “z”. Três candelabros de ouro com quatro anéis sobrepostos, com chamas acesas em cada um, iluminavam o lugar.
Um tapete vermelho dourado seguia reto da entrada até o fundo do salão, onde um trono de pedra verde escura estava acima de meia dúzia de degraus, ante o qual sir Alóis se ajoelhava.
E sentado no cadeirão, estava um homem de tez pálidas e cabelos e barba cor de areia. Vestia um hábito marrom que cobria todo seu corpo, com fios dourados na manga e na gola. Coloridos anéis cristalinos ornamentavam seus dedos.
Acima dele estava desenhada a grande serpe atravessada por uma lança.
— Pai, a ti retorno — declarou Lohan, aproximando-se com passos confiantes.
Eduardo parou na entrada observando o que acontecia, observando o lugar para o qual foi arrastado. Lohan gesticulou para que o seguisse. Eduardo suspirou, pensou em sair, mas não o fez, uma vez que já havia chegado até ali.
Quatro pessoas estavam em pé ao lado do cadeirão, ao redor de sir Alóis. Olharam para Lohan e então para Eduardo, e Eduardo para eles.
Viu uma mulher usando um grosso casaco de pele marrom e branco estava à sua esquerda. Tinha cabelos negros encaracolados que Eduardo tomou por azuis em um primeiro olhar, que se perdeu completamente quando ele vislumbrou seus olhos. Azul, vermelho, amarelo, rosa. As cores pareciam dançar na parte que deveria ser branca como bandos de pássaros pleno vôo. Tal qual o senhor em seu caldeirão, ela também ostentava diversos anéis em seus dedos.
Do outro lado do cadeirão havia alguém que aparentava ser um monge, vestindo algo que parecia um hábito religioso amarelo com. Sua cabeça raspada dava-lhe a impressão de velhice que o rosto jovem e o olhar vívido não transmitiam. Um medalhão com duas asas douradas reluzia em seu peito.
Cercando os três estavam dois homens rígidos com posturas semelhantes às que Eduardo se acostumara a ver nos soldados mais antigos de sir Alóis. Porém notou neles uma altivez que não via em outros homens.
Um usava um gibão negro, com um cinto prateado refletindo a luz dos candelabros acima. Seus cabelos grisalhos pareciam ter sido oleados e jogados para trás, ressaltando a testa branca com pequenas manchas de idade. Seus olhos saltaram sobre Eduardo quando ele e Lohan se aproximaram do trono.
O outro era um homem corpulento de olhos azuis escuros e rosto cevado com suínas descendo até o queixo. O corpo era apertado por uma brigantina cor de vinho, cobrindo uma blusa cinzenta que cobria seus braços por inteiro. Seus cabelos eram pretos e aparados em um formato que ressaltava a calvície em andamento no topo de sua cabeça. Tinha um olhar frio quando sua atenção estava em sir Alóis, e ainda mais frio quando a mudou para Eduardo.
Nenhum deles disse nada em desaprovação, mas Eduardo percebeu a perplexidade com que o cavaleiro os olhava.
Lohan fez uma pequena mesura, inclinando a cabeça e Eduardo, sem ter real certeza de como deveria agir, se inclinou, imitando o que viu em filmes e séries sobre a idade média.
Levantou o rosto fixando o olhar no do homem sentado no trono. Percebeu que os olhos dele eram os mesmo verdes de Lohan, porém mais afiados e difíceis de encarar. De repente Eduardo pensou se deveria mesmo encarar um senhor nobre, porém não desviou a vista.
Os olhos do homem mudaram dele para Lohan. Sua boca se apertou antes de abrir.
— É de mau tom aparecer quando não o chamei — disse ele com uma voz áspera.
— Queria vê-lo, afinal tenho muito a te contar das minhas viagens — anunciou Lohan.
— Tenho certeza que sim. E estarei disposto a ouvir tudo e um pouco mais, quando o chamar — O nobre senhor olhou para Eduardo. — E quem é este que o acompanha.
— Sou… — Eduardo dizia quando Lohan o interrompeu.
— Este é um companheiro de armas meu com quem desejo ter a meu serviço — declarou Lohan, sem pestanejar.
Eduardo olhou para ele, franzindo as sobrancelhas.
— Que conversa é essa? — perguntou.
— Não te disse? Ah, creio que não, pois assim decidi quando tu me derrotaste em nosso duelo de lanças. Ainda sinto o lugar onde fui atingido — Lohan pôs uma mão abaixo do braço, sorrindo como se a memória do momento o alegrasse.
— Quem é este para ferir o filho de um conde? — perguntou o homem gorducho de brigantina.
— Não foi porque eu quis, ele vive me pedindo revanches e mais revanches — Eduardo tentou se justificar.
— Silêncio! — gritou o homem. — Pela qualidade do que veste e do que falas, tem sangue de plebeus nas veias. Nunca deveria sonhar em cruzar espadas com o filho de sua graça. Foste tu tão displicente para permitir isso, Belanger? — disparou contra sir Alóis, que continuava ajoelhado em silêncio.
— Acalma-te, Beaufy. Não há motivos para duvidar das capacidades de sir Alóis. Ao menos sem deixá-lo dar-nos uma explicação — disse o homem de cabelos oleosos.
O homem de cabeça raspada tossiu de forma seca, limpando a boca com um lenço branco bordado com flores rosas. A mulher permanecia impassível, olhando para as próprias unhas com seus olhos coloridos.
— Silêncio! — ordenou o nobre senhor, fazendo a voz ecoar pelo salão.
Eduardo se inquietou, tomado por uma desconfortável surpresa ao ouvi-lo. De repente se viu de volta aos dias em que ainda era repreendido pelos pais por desobedecê-los.
— Não dei permissão para que falasse, sir Beaufy. Nem tão pouco dei-lhe autoridade para fazer juízo entre meus vassalos, sir Viera. Quanto ao rapaz que acompanha meu filho, desejo saber o que faz pensar poder se dirigir a mim de forma tão rude — bravejou o conde, fazendo o homem corpulento de enrijecer e o de cabelos brancos coçar a garganta. Sir Alóis tomou a palavra.
— Perdoe-o, meu senhor, pois não sabe como se portar ante sua Graça, tão pouco deveria estar aqui.
— Eu o trouxe, pois desejo-o ao meu lado — declarou Lohan, interrompendo a fala do cavaleiro.
— Peço perdão por esse também — Sir Alóis olhou para Lohan e então de volta para o chão. — Ainda que me confiastes a guarda de vosso próprio filho para servir-me como escudeiro, pouco êxito tive para que ele desenvolvesse algum bom senso.
Lohan virou-se para Alóis com os olhos revoltados e o beiço dobrado.
— Lohan, cala-te até eu mandar — ordenou o Conde, voltando-se mais uma vez ao cavaleiro ajoelhado. — Conheço a natureza de meu filho, assim como tuas capacidades, sir Alóis. Não creio que faria um julgamento errado. Agora diga-me, quem é este? — perguntou, olhando para Eduardo.
— Um jovem valente que encontrei na vila próxima da floresta de Gauss. Se mostrou um lanceiro bem adequado, mesmo alegando ter pouco treinamento. E demonstrou tal habilidade, matando dois ursos carmins. Além de tudo isso, é um protegido de sir Thierry.
A menção ao nome de Thierry pareceu afetar fisicamente quem ouvia.
O homem corpulento ajeitou o cinto, dando um passo para o lado e estreitando os olhos. O monge apertou seus lábios, com um ensaio de uma expressão irritada passando por seu rosto. A mulher de olhos coloridos pareceu ter sua atenção atraída de suas unhas para os três que permaneciam de frente para o cadeirão. O homem de cabelos brancos lambeu os lábios e abriu a boca.
— “Elwes” — comentou ele.
O conde inclinou-se em seu honroso assento, apoiando os braços nos apoios laterais. Encarou Eduardo.
— Diga teu nome, rapaz — exigiu saber.
— Me chamo Eduardo.
— Recebeu treinamento de sir Thierry?
— Apenas por alguns dias.
O conde Freive franziu as sobrancelhas.
— “Um lanceiro competente que matou dois ursos carmins” você afirma, sir Alóis?
— Atesto, pois o testei em duelo, assim como o jovem Lohan quando eu não estava olhando.
O homem corpulento fungou, porém nada falou.
— O suficiente para ser homem de meu filho? — perguntou o Conde.
— Em verdade, eu tencionava torná-lo meu, vossa graça — declarou sir Alóis.
O conde alisou a barba loira, com uma expressão pensativa.
— Diga-me, rapaz, é verdade que mataste dois ursos Carmins? — questionou.
— Eu dei os últimos golpes, mas haviam outros ajudando — respondeu.
O conde tirou a mão do rosto, olhando para a mulher de olhos coloridos. Ela assentiu com um elegante sorriso em seus lábios finos.
— Tanto meu cavaleiro e súdito, quanto meu filho e herdeiro reconhecem e desejam sua força, por mais simples que sua pessoa pareça. Mas o que deseja, rapaz? — perguntou a Eduardo, que demorou alguns segundos para entender. O que fez um silêncio se arrastar além do que parecia aceitável.
Eduardo mais uma vez não sabia o que dizer. Encarou os olhos verdes do conde, e percebeu que não desejava mentir para olhos tão sérios. Tentou encontrar a confiança para responder e apenas abriu a boca, deixando-a falar.
— Vossa graça — iniciou imitando o cavaleiro —, desejo apenas cumprir minhas obrigações e ir para casa — respondeu, com o máximo de sinceridade que podia exprimir.
O conde riu, soprando pelo nariz. Olhou para a mulher que novamente maneou a cabeça positivamente.
— Todos devemos realizar nossas obrigações — disse. — Logo terei de partir e realizar a minha, então vá e cumpra sua, servindo a quem desejar. Importa-se de ter o rapaz como seu escudeiro, sir Alóis? Necessito de meu filho ao meu lado no baile dos Genêvile — sorriu um sorriso quase gentil.
— Como sua graça deseja — respondeu prontamente o cavaleiro, curvando a cabeça.
O homem corpulento chamado Beaufy sorriu como que satisfeito.
Eduardo não notou muitas reações do careca de hábito religioso, ou do homem de cabelos oleosos. A mulher o encarava com toda a intensidade que apenas aqueles olhos, que pareciam uma mistura de tintas derramando-se uma sobre a outra, pareciam ter.
— Pois bem então — O conde olhou na direção de Lohan, que permaneceu surpreendentemente quieto por tempo demais. — Os dois, estão dispensados, deixem-nos! — ordenou e Lohan rapidamente curvou a cabeça e virou-se para a porta.
Eduardo pensou por meio segundo e então o seguiu, percebendo os passos mais pesados do que antes.

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