Índice de Capítulo

    Atrás de Lumian, Vijepan continuou questionando Heraberg, o clérigo da Igreja do Conhecimento: — Em um duelo legal, posso fazer algo à outra parte sem sofrer punição?

    — Sim — confirmou Heraberg.

    Os olhos de Vijepan brilharam, sentindo como se tivesse encontrado o paraíso. Ele engoliu em seco, animado.

    Glup… Ele ouviu um som parecido perto dele.

    Ele virou a cabeça e viu que o som vinha de uma mulher com longos cabelos castanhos, Julie. O “colecionador” também ficou animado, enquanto o chef canibal, Lez, lambeu os lábios. Ele já estava com fome.

    Lumian não se incomodou em assistir às performances dos outros criminosos. Ele deixou a catedral parecida com uma biblioteca e examinou os arredores. Os edifícios nesta área eram antigos, lembrando os primeiros estilos da Quinta Época, com suas colunas e arcos pesados, dando uma sensação de grandeza e simplicidade.

    Atrás da catedral havia um cemitério aparentemente infinito. Lápides ficavam em meio às árvores, com muitas sepulturas elevadas pontilhando a paisagem.

    Isso lembrou Lumian de uma linha da informação do artefato selado 0-01: “Coloque-o em um mausoléu subterrâneo com um grande número de bonecos de soldados. Construa um cemitério com mais de um milhão de cadáveres acima dele…”

    “O mausoléu subterrâneo está selando o 0-01 logo abaixo?” Assim que Lumian desviou o olhar, o céu antes ensolarado escureceu. Nuvens espessas se juntaram, e o som de trovões retumbou.

    “O clima muda tão rápido… Não é de se espantar que as informações mencionassem que Morora frequentemente enfrentava condições climáticas extremas…” Lumian suspirou enquanto olhava para longe, vendo cadeias de montanhas parecidas com feras gigantes no horizonte, bloqueando qualquer um que quisesse sair secretamente.

    Claro, isso era apenas uma metáfora, já que os moradores de Morora nunca pensaram em deixar a cidade. Lumian também sentiu uma leve relutância. O submundo de lá o chamava.

    — Precisamos encontrar um lugar para nos acomodar rapidamente, ou ficaremos encharcados — a voz de Guei veio do lado de Lumian.

    Ele também havia deixado a catedral e, como morador de Azshara, suas palavras foram bastante formais.

    — Sim — Lumian respondeu com um sorriso enquanto caminhava para a grande praça em frente à catedral.

    Guei o seguiu, olhando para trás e dizendo surpreso: — Existe um cemitério tão grande aqui?

    — Um cemitério com mais de um milhão, até dezenas de milhões de cadáveres — Lumian respondeu casualmente.

    Guei assentiu pensativamente.

    — Os livros de história registram uma realocação de túmulo em larga escala no início da Quinta Época na região de Lenburg para lidar com as consequências do Desastre Pálido. Foi movido para cá?

    — Talvez — Lumian disse enquanto cruzavam a praça. Ele silenciosamente ativou a marca preta representando a Mão Abscessada, mas não a usou de fato.

    Ele estava sentindo a localização aproximada das outras duas partes da Mão Abscessada. Para sua surpresa, ele sentiu mais de duas partes. Diferentes direções dentro da Cidade dos Exilados tiveram respostas sutis.

    “As partes do corpo da Mão Abscessada foram desmembradas?” Lumian murmurou silenciosamente.

    Ele escolheu a direção com a resposta mais forte. Depois de caminhar cerca de uma rua, ele ouviu o barulho de metal se chocando e viu dois homens lutando ferozmente com espadas afiadas enquanto uma multidão observava.

    “Duelos com fatalidades acontecem diariamente…” Lumian revisou as informações seladas 0-01. Ele não se apressou, decidindo assistir por um tempo.

    Guei fez o mesmo, aparentemente avaliando a força dos moradores de Morora.

    A luta durou dois ou três minutos, terminando com um homem de jaqueta preta sendo golpeado no peito e no estômago, com seus intestinos vazando enquanto ele convulsionava e morria.

    Uma equipe de homens e mulheres em vestes pretas, com expressões indiferentes, apareceu, arrastando silenciosamente o cadáver despido e limpando o sangue da rua, como máquinas seguindo um procedimento definido. Os espectadores se dispersaram. Um homenzinho com um boné marrom-esverdeado, sorrindo gentilmente, passou por Lumian e Guei, olhando para eles.

    — É novo aqui? — perguntou o homenzinho calorosamente.

    — Como você sabe? — Guei perguntou curiosamente.

    O homenzinho riu.

    — Você ainda tem aquele novo visual, ainda não totalmente integrado a Morora!

    Sua voz de repente ficou aguda, como se estivesse possuída por algo desconhecido. Lumian observou o homenzinho em silêncio, observando suas mudanças.

    O homenzinho acenou.

    — Haha, eu sou Worms. Vamos tomar uma bebida qualquer dia.

    Enquanto Worms caminhava por outra rua, Guei de repente falou com Lumian: — Você não sente que perdeu alguma coisa?

    — Eu notei — Lumian respondeu despreocupadamente. — Ele é rápido.

    Ele só percebeu que sua Bolsa do Viajante estava prestes a ser retirada quando Worms retirou sua mão.

    “Ele deve ser um verdadeiro Beyonder, um verdadeiro Saqueador. Aquela mudança repentina de estado provavelmente foi uma performance para distrair a atenção.”

    — Por que você não o expôs se notou? Com ​​medo de retaliação? — Guei não entendeu a reação de Lumian.

    — Eu queria ver o que ele faria — Lumian respondeu com um sorriso, mãos nos bolsos, seguindo lentamente a rota que Worms havia tomado.

    Guei observou suas costas por um tempo, então decidiu encontrar um lugar para ficar primeiro.

    Uma vez fora da vista de Lumian e Guei, Worms acelerou o passo, disparando por vários becos em uma rota tortuosa.

    Depois de confirmar que havia se livrado de possíveis perseguidores, ele parou em um beco isolado e tirou uma bolsa preta escura de moedas de dentro de suas roupas.

    Era a Bolsa do Viajante de Lumian.

    — Haha, esses novos tolos são tão descuidados. Vamos ver o que tem dentro… — Worms enfiou a mão na Bolsa do Viajante.

    Sua expressão mudou ligeiramente, cheia de intensa surpresa.

    Ele conseguia “ver” o valor da bolsa, sentindo muitos itens com espiritualidade dentro, mas não esperava que fosse um item espacial raro, contendo o que parecia ser uma sala pequena.

    “Que surpresa agradável…” Worms arrancou um dos itens.

    O que seus olhos viram foi um cadáver meio decomposto, azul-escuro e inchado, pingando pus vermelho-amarelado.

    Thud!

    Worms recuou, deixando o meio-cadáver cair no chão.

    “Oqu-” Seu rosto ficou horrorizado.

    “Quem carrega um cadáver meio decomposto por aí? E um cadáver altamente decomposto!”

    “Mesmo em Morora, repleta de inúmeros assassinos, essa é a coisa mais estranha! Não é de se admirar que ele tenha sido exilado aqui!”

    Firmando-se, Worms enfiou a mão na Bolsa do Viajante novamente e tirou um pedaço de couro branco e liso.

    Ele não conseguia tirar os olhos dele, como se estivesse olhando para a pele de um amante dos sonhos.

    Ele rapidamente notou algumas palavras pretas no couro que não reconheceu.

    “Parecem ser palavras que podem desencadear poderes Beyonder. Esta pele deve ser muito valiosa. Eu deveria copiá-la e encontrar alguém para decifrá-la sem levantar suspeitas,” Worms pensou em deleite, acariciando o couro, sem querer soltá-lo.

    De repente, ele sentiu sua garganta coçar.

    Coff, coff, coff!

    Ele começou a tossir cada vez mais violentamente. Em segundos, tossiu tão forte que parecia que seu coração iria se despedaçar.

    Pfft!

    Worms cuspiu um bocado de sangue.

    “Isso não está certo! Como eu fiquei tão doente de repente?” Worms, vagamente entendendo, jogou o couro no chão. Mas sua tosse continuou, ainda mais violenta. Enquanto tossia, ele pensou em uma maneira de se salvar: 

    “Aquele cara colocou um couro tão perigoso no bolso, ele deve ter preparado uma cura… Sim, deve haver uma!”

    Worms enfiou a mão na Bolsa do Viajante novamente.

    Primeiro ele tirou um broche cinza-esbranquiçado em forma de relâmpago. Um relâmpago espesso, branco-prateado, desceu repentinamente das nuvens acumuladas, atingindo-o.

    Estrondo!

    O trovão ecoou, e Worms caiu, seu corpo carbonizado e se contorcendo. Já gravemente doente, o raio o deixou à beira da morte.

    “Como… como pude ser atingido de repente… por um raio… Eu, eu…” A visão de Worms escureceu, sua confusão e arrependimento persistiram enquanto ele fechava os olhos.

    Ele logo parou de respirar.

    Cerca de dez segundos depois, Lumian entrou no beco, caminhou até Worms, olhou para seu corpo e balançou a cabeça com um sorriso.

    — Mexer nos pertences dos outros é muito perigoso.

    Após uma pausa, Lumian suspirou com pesar.

    — Eu queria te seguir e entrar em contato com os Beyonders de Morora. Você me decepcionou. E você nem chegou aos itens mais perigosos.

    Enquanto falava, Lumian pegou a Bolsa do Viajante, colocando os itens de volta em sua forma comprimida: o broche Fúria do Mar, a pele humana da Demônia do Desespero e o meio-cadáver da Mão Abscessada.

    — Acho que ser uma alma generosa é tudo o que você pode fazer — murmurou Lumian, extraindo 537 sassen de ouro de Worms.

    Isso era cerca de 2863 verl d’or.

    Guardando o presente generoso, Lumian esperou que a característica de Beyonder de Worms se manifestasse.

    Cerca de dois minutos depois, uma equipe de executores vestidos de preto entrou no beco. O líder olhou para Lumian sem expressão e disse: — Você o matou?

    — Não, ele foi atingido por um raio. Talvez ele tenha feito muitas coisas ruins — Lumian respondeu com um sorriso, explicando seriamente. — Ele era um ladrão e roubou minhas coisas, então eu o persegui até aqui.

    Os executores olharam para Lumian como se estivessem verificando sua veracidade.

    Depois de um momento, o líder assentiu. — Você pode ir embora.

    Lumian não se moveu, sorrindo enquanto dizia: — Os pertences dele deveriam ser meus, certo?

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 94.29% (14 votos)

    Nota