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    Combo 04/50

    Lez não perguntou o porquê. Ele subiu as escadas, encontrou um pedaço de pano vermelho e pendurou-o na entrada do Bar Carnívoro. Lumian então se sentou no bar recém-reconstruído, saboreando o rosbife temperado e marinado com pão macio e delicioso.

    Com o passar do tempo, mais e mais clientes entraram no Bar Carnívoro. Lez montou uma barraca de madeira do lado de fora com um novo cardápio e preços correspondentes.

    É claro que esse não foi o principal motivo do fluxo de clientes. O principal motivo eram os preços incrivelmente baixos no menu. Afinal, não havia dono para ficar com uma parte.

    Os clientes chegaram com uma sensação de ceticismo. Eles não tinham muita fé no bar sob a nova propriedade, verificando repetidamente se os preços eram reais, se havia custos ocultos e se as porções e a qualidade da comida eram como anunciadas. Esse ceticismo surgiu por ser frequentemente enganado pelos comerciantes inescrupulosos de Morora.

    Aqueles comerciantes tinham razão, no entanto: — Fomos exilados aqui por crimes sérios. Você não pode esperar que façamos negócios honestos, pode? Além disso, o Código de Residentes de Morora não proíbe preços falsos ou produtos inferiores, e os executores não vão verificar a higiene da cozinha.

    A maioria dos clientes estava brava, mas impotente. Os comerciantes com quem eles conseguiam lidar já tinham sido eliminados. Os restantes eram poderosos demais para confrontar. Eles muitas vezes se arrependeram de não manter alguns comerciantes administráveis ​​para garantir a qualidade dos alimentos e preços justos por meio de supervisão regular.

    Às vezes, matar não era a melhor solução.

    — Se eu tivesse entendido isso, não teria sido exilado para Morora! — Um homem na casa dos quarenta expressou sua opinião enquanto segurava uma cerveja com espuma branca.

    Seu olhar continuou se voltando para Julie, agindo temporariamente como a barman, na esperança de chamar sua atenção com suas palavras e comportamento. Os preços baixos os atraíram, mas a bela barman os fez ficar para mais uma bebida.

    Lumian espetou um pedaço de carne perfeitamente assada, saboreando a combinação dos temperos secretos de Lez e a carne macia. Ele se perguntou se, depois de deixar Morora, deveria fazer com que Ludwig se tornasse um chef de cozinha.

    Não se pode desperdiçar o talento de um Chef!

    Depois de terminar o almoço, Lumian pegou um copo de bebida forte e andou pelo salão como dono do bar, juntando as peças da situação atual em Morora, segundo diferentes clientes. Pouco tempo depois do estabelecimento desta Cidade dos Exilados, surgiu uma divisão de classes, baseada principalmente no poder.

    Hoje, os Beyonders controlavam firmemente todas as posições-chave em Morora, mantendo recursos como comida, carne, vegetais, laticínios, vários minerais, produtos de fábrica, canais de vendas e lojas de rua. Criminosos comuns sem poderes sobrenaturais só podiam servi-los, trabalhando em fazendas, minas, ranchos, fábricas, etc. Os mais abastados eram empregados; os mais desfavorecidos eram quase escravos.

    Para esses criminosos comuns, o maior sonho era ganhar a confiança de um Beyonder poderoso e receber características de Beyonder sobressalentes como recompensa após um duelo. Era exatamente isso que a Ordem da Cruz de Ferro e Sangue sonhava, Lumian refletiu com uma risada após retornar ao seu assento no bar.

    Como ex-membro da Ordem da Cruz de Ferro e Sangue, ele frequentemente zombava da “pregação” e dos “rituais” estranhos, mas isso o ajudou a entender a ideologia central da Ordem da Cruz de Ferro e Sangue: Eles queriam estabelecer um mundo onde os Beyonders não se escondessem mais, mas ganhassem status por meio do poder.

    Morora parecia incorporar essa visão.

    Lumian estava prestes a terminar sua bebida e procurar um lugar tranquilo no andar de cima para estudar quando notou Gusain, o cavalheiro, entrando no bar.

    “Você veio rápido… Alguém está observando este lugar?” Lumian brincou com seu copo.

    Gusain sentou-se ao lado dele, tirou a cartola e se dirigiu a Julie, que usava uma blusa branca, colete preto e uma gravata escura com um pingente único, — Um Lanti Proof.

    Em Morora, as bebidas mais populares eram cerveja de centeio, Lanti Proof e vinho tinto.

    Lumian tirou papel e caneta de sua Bolsa do Viajante e começou a desenhar no balcão do bar. Gusain esperou até que Julie lhe entregasse o Lanti Proof, tomou um gole e então sorriu.

    — Você tomou sua decisão mais rápido do que eu esperava.

    — Não quero ficar preso — Lumian respondeu com um significado oculto: sua verdadeira intenção era não querer ficar em Morora por muito tempo, enquanto Gusain interpretou isso como se ele não quisesse permanecer sob o domínio da Igreja do Conhecimento.

    — Essa é uma escolha que todas as pessoas fortes fazem. Águias não se misturam com pardais — elogiou Gusain.

    Lumian, ainda desenhando, riu.

    — Agora, você precisa me convencer de que tem um futuro promissor. Não vou ficar com perdedores.

    — Eu incitei dezenas de tumultos e não fui pego pela Igreja do Conhecimento. Isso não é motivo suficiente? — Gusain tomou um gole de seu Lanti Proof.

    Lumian balançou a cabeça.

    — Na minha cidade natal, há um ditado: ‘Uma andorinha só não faz verão.’ Isso significa que um único evento não pode prever uma estação. Fazer julgamentos precipitados com base em incidentes isolados não é sensato.

    — Do que você precisa ser convencido? — Gusain inclinou a cabeça.

    Lumian riu em resposta.

    — Passe no meu teste.

    Gusain parou por um momento e depois riu.

    — Normalmente, não seria nossa organização testando novos membros para ver se eles são qualificados. Como isso se tornou o contrário?

    — Depende da força e importância do novo membro, não de experiências passadas — disse Lumian, com uma expressão sugerindo que ele não precisava deles para causar problemas… ele poderia formar sua própria equipe.

    Gusain bebeu seu Lanti Proof e então disse: — O que você quer que façamos?

    Lumian permaneceu em silêncio até terminar seu esboço e então empurrou o papel para Gusain.

    — Encontre essa pessoa.

    O desenho era de Albus Médici.

    Embora as habilidades de desenho de Lumian não fossem altas, seu controle preciso como Caçador, sua profunda memória do sujeito e reconstrução mental tornaram a imagem de Albus Médici vívida, capturando sua aura agressiva e desagradável.

    — Ele? — Gusain perguntou, confirmando enquanto segurava o desenho.

    Lumian assentiu levemente.

    — Seu nome verdadeiro é Albus Medici. Não sei se ele está usando um pseudônimo em Morora.

    — Medici… — Gusain repetiu o sobrenome suavemente.

    Ele dobrou o desenho, colocou-o no bolso e pegou sua bebida.

    — Você pode nos testar, mas precisamos testar você também.

    — Você deve provar suas capacidades.

    — Matar o dono original deste bar não é o bastante? — Lumian sorriu. — Ou você quer duelar comigo?

    Gusain, mantendo seu comportamento cavalheiresco, balançou a cabeça.

    — Reconhecemos sua força. Agora precisamos testar outros aspectos.

    Lumian, segurando seu copo, virou-se para Gusain, esperando que ele explicasse melhor. Gusain olhou ao redor, seus olhos pousando na irresistivelmente charmosa Julie por um momento.

    Baixando a voz, ele disse: — O controle da Igreja do Conhecimento sobre Morora depende de algo no mausoléu subterrâneo do cemitério. Nosso objetivo final é invadir e tomar o controle dele.

    — É muito perigoso. Encontramos um lugar parecido para treinar nossos membros. Seu teste é entrar naquela área subterrânea coberta de neblina, superar os desafios e chegar ao local marcado.

    “O objetivo ainda é 0-01?” Lumian pensou por alguns segundos e disse: — Tudo bem, quando começamos?

    — Hoje à noite — Gussin terminou seu Lanti Proof, pagou e saiu do Bar Carnívoro.

    Lumian olhou para Julie, percebendo que ela estava lidando com os clientes de forma educada e reservada, aparentemente alheia à conversa dele com Gusain.

    “Heh…” Lumian sorriu interiormente, pousou o copo e subiu as escadas.

    Trier, Quartier de la Cathédrale Commémorative, Apartamento 702, Rue Orosai, nº 09.

    — Jenna deve voltar depois de amanhã, certo? — Franca murmurou, parada perto da janela da sala, um pouco melancólica e temerosa.

    Seu rosto alternava entre luz e sombra contra a noite profunda e as luzes da rua, como um sonho encantador. De repente, ela viu o Penitente Baynfel, vestido com vestes clericais pretas e parecendo um cadáver carbonizado, emergir do vazio, segurando uma carta.

    “Uma carta? Quem está escrevendo para Lumian? Hmm, a aparição de Baynfel aqui significa que os mensageiros não podem localizar Morora, mesmo aqueles com contratos especiais…” Franca aceitou a carta com um sorriso educado.

    — Obrigada.

    Baynfel assentiu, virou-se e desapareceu na noite do lado de fora da janela. Franca suspirou e murmurou: — Eu queria construir um relacionamento e pedir que você me apresentasse a um mensageiro…

    Ela levantou a mão direita e sentiu um cheiro misto de pó, perfume, grama, flores e especiarias na carta.

    “Uma carta de uma mulher?” Franca, confiada por Lumian, murmurou enquanto abria a carta e a lia.

    “Não tenho certeza se devo chamá-lo de Monsieur Louis Berry ou Monsieur Lumian Lee.”

    “Por meio de Rhea, mergulhei no círculo místico de Matani, aprendendo muito sobre o misticismo e percebendo que não sou fraca, apenas inexperiente e incapaz de demonstrar isso. Sério.”

    “É claro que também percebi a distância entre nós e quão vasto é o mundo além de Matani.”

    “Estou disposta a ajudar seu amigo e espero que você cumpra sua promessa.”

    “Amandina.”

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