Índice de Capítulo

    Combo 12/50

    Franca foi até o espelho de corpo inteiro e colocou o brinco de prata Mentira na orelha esquerda. Sua pele imediatamente ficou semitransparente, e pequenos tentáculos de carne pareciam crescer por baixo dela. Esses tentáculos de carne se contorceram e se moveram, juntando-se novamente. Em apenas vinte a trinta segundos, Franca se transformou na aparência que Lumian usava para se disfarçar de Aurore.

    Depois de se ajeitar um pouco, ela alisou seu cabelo loiro e olhou para seu reflexo, dizendo: — Aurore é realmente linda… Mentira é incrível, ela consegue fazer tudo isso.

    — Você nunca usou Mentira antes? — Jenna, que estava por perto, perguntou confusa.

    Ela se lembrava de Franca usando-o mais de uma vez.

    Franca riu e explicou: — Já faz um tempo. Só estou me sentindo nostálgica. Além disso, depois de me tornar uma Demônia do Prazer e usar a Mentira para ajustar minha aparência, não ousei fazer isso de novo. Com medo de me apaixonar por mim mesma e me perder na minha própria beleza.

    — Agora eu acabei de fazer um pequeno ajuste no rosto de Aurore, e ela está tão linda. Uma beleza natural como ela tomando o caminho da Demônia, eu não consigo imaginar o quão deslumbrante ela se tornaria. Mentira e Demônia, elas são uma combinação perfeita, mas é muito fácil se perder, preferindo viver em mentiras do que encarar a verdade.

    Vendo Franca ainda capaz de brincar, Jenna silenciosamente deu um suspiro de alívio e assentiu com um sorriso. — Para nós, Demônias, Mentira é o veneno mais delicioso.

    Franca murmurou em concordância e se virou novamente para o espelho de corpo inteiro para ajustar sua altura.

    Antes de sair, ela olhou para Jenna e perguntou pensativamente: — Você precisa de mais alguns bons atos para digerir completamente sua poção de bruxa, certo?

    — Sim, se eu depender de performances semelhantes às anteriores, levará tempo e repetição — respondeu Jenna, sabendo o que Franca estava prestes a dizer.

    Assim como sempre fazia, Franca estava prestes a transmitir alguma experiência de vida, não, de digestão. Com a beleza realçada de Aurore, Franca sorriu.

    — Eu acho que seus atos negligenciaram o aspecto de magia negra de uma Bruxa. Pense nisso, a magia negra não é uma parte essencial de muitas lendas de Bruxa? E muitas dessas lendas provavelmente foram deixadas por Bruxas de verdade. Você poderia tentar encontrar um canalha, alguém que merece ser enforcado, coletar seus cabelos e carne, e como uma Bruxa, prever sua ruína. Usar magia negra para atormentá-lo diariamente até que morra.

    Jenna ponderou por um momento. — Posso tentar.

    “Mas… Espero que você se tornar uma Demônia do Prazer mude as coisas…” Franca suspirou interiormente, mas manteve o sorriso, puxou o capuz, saiu pela porta e desapareceu nas sombras do corredor. A reunião presencial agendada foi na Rue Belfort, nº 06, na Avenue du Boulevard, uma mansão de quatro andares com jardim, localizada em uma área luxuosa. Apesar de sua opulência, sempre foi alugada por 15.000 verl d’or por ano, tendo abrigado duques, banqueiros e diplomatas.

    Agora, não havia inquilinos de longa data e o local foi alugado temporariamente por uma semana pelo organizador do encontro, o Professor. Passando pelo jardim iluminado por lampiões a gás e contornando uma fonte com estátuas, Franca chegou à entrada da mansão, onde estava colocada uma mesa com um livro de assinaturas. Essa era a forma mais simples de verificação de identidade para evitar que algum estranho de Trier entrasse.

    Franca lembrou-se das anotações de Aurore, imitou a caligrafia e assinou “Trouxa” com uma inclinação deliberada. Foi como se um olhar invisível tivesse permanecido no livro de registro de entrada por dois segundos. Silenciosamente, a porta da mansão se abriu e Franca entrou. Ela diminuiu o passo, lembrando-se seriamente dos maneirismos da Trouxas das reuniões da Sociedade de Pesquisa dos Babuínos de Cabelo Encaracolados.

    Franca, altamente profissional em sua interpretação de papéis, havia usado adivinhação por sonhos para recuperar aquelas memórias enterradas. Agora, rapidamente capturou o estilo de andar de Aurore. Ela encurtou os passos e aliviou os movimentos da cintura. A sala de estar da mansão era aconchegante, com decorações vermelhas e amarelas trazendo um aconchego indescritível.

    Oito membros da Sociedade de Pesquisa dos Babuínos de Cabelo Encaracolados estavam disfarçados como estavam na Nação da Noite Eterna para indicar suas identidades. Alguns estavam sentados na área do sofá, bebendo e conversando, enquanto outros jogavam dardos em um canto.

    O professor, usando uma máscara de borboleta preta, saiu do sofá com um coquetel de laranja na mão e se aproximou de Franca.

    Com um leve sorriso nos lábios, ela disse: — Vamos conversar primeiro, colocar a conversa em dia sobre os eventos recentes, depois podemos beber, jogar jogos de tabuleiro, cantar e jogar cartas. O que você acha?

    “Ótimo!” Se as reuniões presenciais fossem apenas para negociar itens e trocar conhecimento místico sem nenhum entretenimento, qual o sentido? Uma das razões pelas quais Franca estava disposta a comparecer era que fazia um tempo que ela não se divertia com seus “compatriotas” — ensinar Lumian e Jenna a entender completamente certas coisas era muito problemático.

    Franca puxou graciosamente um banco alto e sentou-se ao lado do Professor, lançando um olhar para rostos familiares como Tabela Periódica e Isótopo, imaginando se havia algum membro escondido da Ordem Ascética de Moisés.

    — Trouxa, você está estabelecida em Trier? — O membro da equipe da Academia com uma tabela periódica pintada no rosto perguntou curiosamente a Franca.

    Franca conteve seu lado excessivamente ativo, mostrando apenas um pouco para combinar com o comportamento habitual de Trouxa, sorrindo enquanto respondia: — Por enquanto, sim. Mas considerando a situação de Trier, não pretendo ficar muito tempo. Posso me mudar em breve.

    Ela sutilmente lembrou aos seus “compatriotas” que Trier era perigosa, como viver em um vulcão ativo que poderia entrar em erupção a qualquer momento.

    — Por que você diz isso? — O Professor perguntou com entusiasmo a pergunta que Franca esperava.

    Franca curvou os lábios em um sorriso e apontou para o chão. — Encontrei algumas coisas no Submundo de Trier que me fizeram pensar que grandes perigos estão se formando abaixo. Eles podem irromper a qualquer momento.

    — Como o Povo Espelhado? — perguntou o Professor, pensativo.

    Franca assentiu gentilmente. — Sim.

    Ela não disse muita coisa; era confidencial e, mesmo que dissesse, outros poderiam não acreditar sem evidências. Professor, Isótopo e outros ficaram em silêncio, ponderando algo. A Professora Associada e outros jogando dardos retornaram para a área do sofá, levando a conversa para outro lugar.

    Durante a troca, Franca foi mais ativa do que Lumian, entendendo muitos códigos e familiarizada com muitas coisas, sem medo de cometer erros ou perder memes. O Professor olhou para ela, satisfeito. — Parece que você se recuperou do incidente da Reunião da Mentira, voltou ao seu estado normal, não tão silenciosa quanto antes, basicamente apenas observando.

    “Hum…” Franca de repente sentiu que poderia ter errado. Não que seu disfarce de trouxa fosse ruim, mas bom demais. Se Lumian retornasse, os membros da Academia certamente se perguntariam por que ela parecia pós-traumática novamente.

    Não dá para dizer que ela se machucou de novo, certo?

    A mente de Franca correu, rapidamente encontrando uma razão. — Na verdade, não me recuperei completamente. Algumas feridas podem nunca sarar. Mas conversar com todos agora mesmo me fez sentir como se estivesse de volta ao passado.

    A Professora Associada expressou sua compreensão. Ela estava prestes a dizer mais quando seu rosto, não coberto pela máscara de borboleta preta, de repente se contorceu de dor, seus olhos esbugalhados como se estivessem suportando grande agonia. Ela se abaixou, segurando a cabeça.

    Franca fez uma pausa, examinando rapidamente os outros, notando o Professor, Isótopo e Tabela Periódica com reações semelhantes. Apenas dois membros não-Feiticeiros não foram afetados.

    “Ah, eu também sou uma Feiticeira agora…” Franca imitou as reações deles, relembrando a dor do seu ritual de avanço, exibindo um estado semelhante a uma dor de cabeça.

    Depois de dois ou três minutos, o Professor se endireitou e exalou lentamente.

    O membro não-Feiticeiro, cujo codinome era Griffin, perguntou: — O que aconteceu com vocês?

    Então, uma percepção atingiu Griffin. — O deus maligno Sábio Oculto estava injetando conhecimento novamente?

    A Professora Associada no saco de papel pardo riu amargamente. — Sim.

    — Em formato de transmissão? Pensei que fosse pessoalmente — Griffin se maravilhou.

    — Ambos acontecem. — Tabela Periódica massageou a cabeça, dirigindo-se a Franca e aos outros: — Vocês notaram que o Sábio Oculto tem injetado conhecimento com mais frequência desde aquela tempestade terrível?

    — Sim. — Tabela Periódica assentiu solenemente.

    Vendo os Feiticeiros concordarem, Franca também assentiu. Ela ponderou: “Essa anomalia poderia estar relacionada ao Mestre Celestial? Quando o selo da Quarta Época de Trier foi brevemente aberto, alguns poderes vazaram, deixando o já insano Sábio Oculto ainda mais louco?”

    Franca sabia que a “tempestade aterrorizante” se referia ao momento em que o Projeto Albergue abriu brevemente o selo da Trier da Quarta Época.

    Apoie-me

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 98.18% (11 votos)

    Nota