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    Combo 22/50

    “Se o Povo Espelhado tivesse se infiltrado em Morora, o que eles fariam?” Lumian ponderou por um tempo, colocou o livro de volta na Bolsa do Viajante e desceu as escadas para o corredor. Era hora do jantar, e o bar estava movimentado. Julie voava entre as mesas como uma borboleta, servindo bebidas e refeições aos clientes.

    Os clientes se comportaram bem; ninguém tentou agir de forma inapropriada, agarrando a bunda de Julie ou tocando seu peito.

    Eles não estavam sendo morais ou civilizados. Nenhum deles tinha as mãos limpas; aqueles que entraram em Morora eram todos criminosos endurecidos. A obediência deles era porque alguém havia cometido um erro fatal há pouco tempo: Julie estava instável ultimamente, frequentemente atordoada. Diferente de seu eu habitual, ela nem sempre conseguia evitar graciosamente mãos e braços errantes em meio às risadas e ao barulho. Uma noite, alguém encontrou uma oportunidade de dar-lhe um forte beliscão na bunda.

    A fúria e a raiva reprimidas de Julie explodiram instantaneamente. Se Lumian não tivesse intervindo a tempo, lembrando-a de que não era um duelo legal, aquele bêbado teria acabado na cozinha sem uma parte vital de sua anatomia. No final, como o bêbado recusou o desafio de duelo de Julie, depois de muita “negociação”, ele “voluntariamente” cortou a mão como um pedido de desculpas.

    Caso contrário, ele poderia ter perdido o controle e atacado o repugnante dono do bar, forçando-o a se defender. Lumian olhou para Julie, cujo rosto estava desprovido de sorrisos, e entrou na cozinha, onde Lez finalmente estava fazendo uma pausa, aproveitando seu jantar. Ele pegou um dedo caramelizado, colocou-o na boca e mastigou ruidosamente.

    Lumian suspirou baixinho e disse: — Preciso sair um pouco. Fique de olho em Julie.

    — Sem problemas — respondeu Lez, apontando para o prato com os dedos que agora faltavam.

    — Chefe, quer um pouco? Descobri um novo método de cozimento: primeiro frite e depois cozinhe no vapor em um caldo temperado por vinte minutos.

    — Não, obrigado. — Lumian se virou e saiu do Bar Carnívoro, caminhando pelas ruas escuras e sem iluminação até a Catedral do Conhecimento. Ele encontrou um canto de onde podia ver o cemitério e a entrada do mausoléu subterrâneo através de uma janela. Puxando uma cadeira de madeira, ele suspirou e deu um tapinha no encosto. 

    “A Igreja do Conhecimento está se tornando mais atenciosa…”

    Antes não havia cadeiras perto das estantes de latão.

    “Pena que não há onde descansar meus pés.” Lumian sentou-se, olhando para o cemitério através do vitral, usando o luar carmesim para observar a entrada do mausoléu subterrâneo. Segundo suas informações, Celeste, que estava de serviço no mausoléu subterrâneo há dois dias, retornaria à superfície às nove da noite.

    O objetivo de Lumian era fazer os outros acreditarem que ele estava na Catedral do Conhecimento para estudar enquanto observava a entrada do mausoléu e as atividades dos sujeitos experimentais. Seu verdadeiro propósito era simples: mascarar seu amor pelos estudos com o pretexto de observar o mausoléu e os sujeitos experimentais.

    Com essa desculpa, ele não teria que perder tempo vadiando pelo bar, bebendo e se gabando. Ele poderia terminar os livros restantes mais cedo. À luz brilhante das velas da catedral, Lumian leu por um tempo, então se forçou a levantar a cabeça e observar a entrada do mausoléu por alguns minutos. Depois de repetir isso várias vezes, ele de repente pensou em sua irmã.

    Naquela época, Aurore sempre o incentivava a estudar, mas ocasionalmente o arrastava para fora da mesa, forçando-o a olhar para as árvores do lado de fora da janela e para os pastos distantes nas montanhas. Agora, ele tinha que confiar em si mesmo. O tempo passou e o relógio da catedral tocou alto.

    Um grupo de executores vestidos de preto deixou a Catedral do Conhecimento, cruzou o cemitério e chegou à entrada do mausoléu. Logo, o grupo anterior de executores emergiu dos degraus de pedra cinza-esbranquiçada que levavam ao mausoléu, movendo-se de forma ordenada. Com sua visão de Caçador e o luar carmesim, Lumian viu que a líder era Celeste, vestindo uma túnica preta e uma venda.

    A Demônia emergiu da área de entrada lentamente e sem expressão, removendo sua venda. A fila atrás dela era longa, cada pessoa carregando uma lanterna. Naquele momento, Lumian sentiu uma sensação repentina e assustadora, como se a escuridão profunda na entrada do mausoléu tivesse ganhado vida. A escuridão engoliu instantaneamente o último sujeito experimental da fila. Lumian piscou, não vendo movimento algum na escuridão. A anomalia parecia uma ilusão.

    Franzindo a testa levemente, ele contou os membros da equipe de Celeste novamente.

    “Rapidamente, ele concluiu: Uma pessoa está desaparecida… e uma lanterna…”

    Lumian observou a equipe de Celeste até eles retornarem à Catedral do Conhecimento. Perto da escada, Celeste virou a cabeça ligeiramente, olhando na direção de Lumian. Lumian cruzou a perna direita sobre o joelho esquerdo, recostando-se na cadeira e calmamente encontrando o olhar dela. Ele sentiu que Celeste provavelmente havia notado sua observação. Isso significava que ela provavelmente ainda mantinha alguma autoconsciência.

    “Ufa, não preciso me preocupar com Julie perdendo o controle por enquanto…” Lumian suspirou baixinho, observando Celeste e os executores desaparecerem na escada. Ele estava preocupado que os problemas de Celeste pudessem fazer com que Julie perdesse o controle antes que eles estivessem totalmente preparados.

    Isso interferiria nos estudos dele!

    Lendo por mais um tempo, Lumian notou o Arcebispo Heraberg de Morora patrulhando as estantes de latão. Pensando por alguns segundos, ele falou enquanto Heraberg se aproximava: — Vossa Graça, eu tenho uma pergunta.

    Vestido com uma túnica branca simples com fios de latão, Heraberg sorriu gentilmente.

    — Pergunte à vontade.

    Segurando seu livro, Lumian perguntou sinceramente: — Os tabus do mausoléu parecem alvejar nos vivos. E se um morto-vivo ou uma criatura imortal entrar?

    Heraberg lançou um olhar profundo para Lumian e sorriu. — Os mortos devem permanecer em sono eterno. O que você acha?

    “Quer dizer que um morto-vivo cairia em sono eterno ao entrar no mausoléu? Como esperado, 0-01 tem características de morte e escuridão… Então, não posso explorar nenhuma brecha na máscara de ouro da família Eggers…”

    Lumian suspirou com pesar. — Eu também acho.

    Heraberg, com seu cabelo e barba brancos, falava como um professor. — Enquanto estuda, lembre-se de cuidar da sua saúde e de se manter mentalmente afiado. Não fique acordado até tarde lendo. Mantenha seu ritmo habitual.

    “O q- Ele está preocupado que eu vá me degradar e sucumbir à corrupção inerente dos livros? Precisa controlar a taxa de corrupção?” Lumian ponderou, então se levantou e respondeu, — Sim, Vossa Graça.

    Ele imediatamente colocou o livro em sua Bolsa de Viagem e deixou a catedral sob o olhar de aprovação de Heraberg. Ao atravessar a praça do lado de fora, Lumian viu Julie saindo suavemente pela porta lateral da catedral, parecendo relaxada.

    “Verificando a situação primeiro, hein…” Lumian a observou desaparecer em outro beco, voltando para o Bar Carnívoro.

    Ao se aproximar do bar, ele ouviu um grito de dor e agonia não muito longe.

    “O que Julie fez?” Lumian riu para si mesmo. 

    “Se estou mal, corto um dedo. Se estou bem, corto outro. Ela não consegue encontrar outro hobby?”

    Felizmente, havia exilados suficientes em Morora. Ainda assim, Lumian sabia que a presença deles havia triplicado o número de mortes diárias desde que chegaram. Eles não poderiam ficar muito tempo, ou o reabastecimento dos exilados não seria suficiente, e Morora enfrentaria uma crise de escassez. 

    O bar estava fechado. Lumian foi atrás do balcão, serviu-se de um copo de licor e bebeu lentamente, como se esperasse por algo.

    Depois de um tempo, Julie apareceu na porta com uma camisa e saia, suas bochechas ainda coradas. Ela olhou para Lumian e sorriu. — Chefe, você estava me esperando?

    Ela brincava com um objeto gelado e ensanguentado na mão.

    Lumian tomou um gole de Lanti Proof e perguntou: — Você sabe meu nome?

    Julie se aproximou do balcão, balançou a cabeça e sorriu. — Só sei que você é meu chefe.

    — Celeste, como executora, deveria saber os nomes de todos os moradores de Morora — disse Lumian diretamente.

    A expressão de Julie mudou um pouco, então ela suspirou e sorriu. — Mas ela disse que Louis deve ser um nome falso.

    — Não acredito que você não pediu para alguém de fora investigar minha verdadeira identidade — disse Lumian, inclinando-se no balcão e tomando um gole de sua bebida.

    Julie fez beicinho, sem responder diretamente, apenas dizendo: — Não importa.

    — Verdade. — Lumian assentiu com um sorriso. — Peguei uma Pessoa Espelhada do Subterrâneo de Trier que me disse que seus companheiros foram a Lenburg para encontrar Morora. Agora, novas informações sugerem que eles podem estar aqui.

    O sorriso de Julie desapareceu, substituído por um olhar sério. Lumian terminou seu Lanti Proof, pousou o copo e subiu as escadas. Julie ficou em silêncio por um tempo e depois saiu do Bar Carnívoro. 

    Em uma casa vazia em Morora.

    A Demônia colocou um anel de ouro cravejado de pedras azuis e sentou-se diante de um espelho de meio corpo. O reflexo oscilou ligeiramente, mostrando algumas mudanças.

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