Índice de Capítulo

    Combo 62/100


    Os soluços de Julien reverberaram pela sala, banhados pelo brilho da lua. Jenna ficou hesitante perto da porta, sem vontade de dar um único passo à frente.

    O medo tomou conta dela — medo de que entrar confirmaria que isso era realidade e não um pesadelo terrível.

    Depois de um tempo, Jenna fechou os olhos com força e cerrou os dentes ao entrar no cômodo que servia de quarto, sala de estar, cozinha e sala de jantar de Julien.

    Curvando-se ao lado do irmão, ela o deixou chorar, sem ousar tocá-lo em seu estado de choque. Suavemente, ela falou: — Não temos muitas dívidas para quitar. Mesmo se perdermos nossos empregos atuais, podemos encontrar novos. Não há pressa…

    — Você tem uma base sólida. Deve haver outros mestres por aí que ficariam felizes em aceitá-lo…

    — A mãe queria que tivéssemos uma vida melhor, não que nos afundássemos na auto-culpa

    Jenna repetiu essas palavras uma e outra vez até que Julien, com o espírito despedaçado, se exauriu. Seu corpo enfraqueceu gradualmente, e ele caiu contra a parede perto da janela, caindo no sono.

    Finalmente, o silêncio caiu.

    Observando o rosto do irmão relaxar lentamente, seu medo e angústia desaparecendo, Jenna soltou um suspiro silencioso. Lágrimas brotaram em seus olhos e escorreram por suas bochechas.

    Depois de derramar lágrimas silenciosas por algum tempo, ela se levantou e foi até a cama de Julien. Com ternura, ela pegou o cobertor e o colocou sobre seu irmão adormecido, encostado na parede.

    Tendo feito tudo isso, caminhou cansada de volta para o outro cômodo. Era o quarto dela e de sua mãe Elodie.

    Jenna deitou-se, com os olhos vazios fixos no teto mal iluminado, refletido no luar.

    As palavras de sua mãe ecoavam incessantemente em sua mente, mas ela não conseguia se convencer.

    Talvez, além de alguns poucos afortunados, a escuridão fosse o tema dominante na vida. A luz era apenas um adorno ocasional.

    De repente, Jenna agarrou o travesseiro da mãe e o pressionou contra o rosto, seu corpo tremendo com soluços reprimidos.

    “Por que, por que a escuridão é sempre tão avassaladora, desprovida de luz?”

    “Quando o sol nascerá novamente?”

    Em algum momento, Jenna sucumbiu a um sono profundo.

    Ela acordou assustada com a comoção lá fora.

    Sentando-se, esfregou os olhos inchados e saiu apressada do quarto.

    A visão que seus olhos viram foi Julien torrando fatias de pão.

    Ele não estava tão devastado quanto na noite anterior; em vez disso, estava focado em sua tarefa.

    Os lábios de Jenna tremeram por um momento antes que ela finalmente falasse sua saudação habitual.

    — Por que você está acordado tao cedo?

    Julien respondeu com um toque de rigidez: — Ontem não jantei e minha fome me acordou.

    — Espere só mais um pouco. A torrada estará pronta em breve.

    Observando o estado do irmão, Jenna não conseguia aliviar sua preocupação.

    Se Julien ainda estivesse em meio a um colapso mental, chorando como fez na noite anterior, ela poderia se sentir desconfortável, triste e desesperada, mas não teria medo.

    Ela obrigaria seu irmão a conhecer Franca e fazer com que ela encontrasse um psiquiatra genuíno para seu tratamento.

    Mas agora, ela não tinha certeza se Julien havia realmente se recuperado ou se ele estava apenas apresentando uma fachada de normalidade.

    Se houvesse problemas não resolvidos escondidos, eles poderiam ser catastróficos quando ressurgissem!

    Jenna temia que seu irmão pudesse pular de um prédio e acabar com a própria vida logo depois de terminarem o café da manhã.

    Observando Julien cuidadosamente por um tempo, ela sentiu que seu colapso histérico havia de fato se dissipado, mas sua mente não havia retornado completamente ao seu estado normal.

    Quando Julien preparou o café da manhã, ele se moveu com agilidade e habilidade. Não houve problemas. No entanto, durante as conversas, ele parecia de madeira, rígido e lento para reagir.

    Isso convenceu Jenna de que seu irmão havia reprimido não apenas seu colapso e suas anormalidades, mas também seus pensamentos e sua alma.

    “Fuuu… Ainda preciso encontrar um psiquiatra de verdade…” A visão de Jenna ficou turva mais uma vez.

    Em pouco tempo, Julien terminou de torrar o pão e foi até um vendedor próximo para comprar um litro de leite relativamente fresco.

    Enquanto Jenna mordiscava seu café da manhã, ela fingiu indiferença e olhou para o irmão.

    — Não consegui dormir ontem à noite e me senti desanimada. Quero ver um psiquiatra. Você não parece estar melhor. Gostaria de vir comigo?

    Após uma breve pausa, Julien respondeu: — Preciso procurar emprego.

    Uma onda de tristeza tomou conta de Jenna mais uma vez.

    O irmão dela não questionou sua busca por um psiquiatra.

    As pessoas neste bairro relutavam em consultar até mesmo um médico comum, muito menos um psiquiatra, para tratar problemas mentais.

    A maioria deles desconhecia a profissão do psiquiatra e não acreditava ter quaisquer problemas psicológicos.

    Considerando que consultar um psiquiatra genuíno pode exigir uma consulta, Jenna não insistiu no assunto. Após alguma contemplação, ela falou encorajadoramente: — Acho que você deve escolher seu empregador e mestre com cuidado desta vez. É normal não encontrar um emprego em poucos dias. Pode levar uma semana, ou duas, ou até mesmo um mês.

    — Quando chegar a hora, nós dois teremos uma renda. Talvez possamos quitar a dívida restante em um ano. Eu certamente não consigo fazer isso sozinha. A renda de uma cantora de bares não é estável. Eu nunca sei quando minha popularidade pode diminuir.

    Por um lado, Jenna pretendia aliviar a pressão sobre seu irmão com antecedência, para que ele não desmoronasse novamente devido à incapacidade de encontrar um emprego logo. Por outro lado, ela enfatizou sua importância, assegurando-lhe que não conseguiria fazer isso sozinha. Ao confiar em sua responsabilidade, ela buscou fortalecer sua vontade de sobreviver e evitar quaisquer pensamentos repentinos de suicídio.

    Jenna, que nunca havia considerado tais detalhes no dia anterior, não pôde deixar de refletir sobre questões semelhantes hoje.

    Depois de estabilizar repetidamente a condição de Julien, ela viu seu irmão partir para o ponto de encontro no Quartier du Jardin Botanique, onde as fábricas procuravam funcionários e davam oportunidades.

    Depois de um breve descanso, Jenna saiu do nº 17 da Rue Pasteur, ainda se sentindo um pouco cansada, e seguiu em direção à Rue Saint-Hilaire, que ficava bem próxima.

    O plano dela era caminhar vagarosamente em direção à Rue des Blouses Blanches. Isso coincidiria com o despertar de Franca, permitindo que ela persuadisse Franca a marcar uma consulta com um psiquiatra genuíno.

    Perdida em seus pensamentos enquanto passava pelo cruzamento, o olhar de Jenna passou por o espaço vazio, avistando um artigo de jornal exposto em uma banca próxima: “Membro do Parlamento Hugues Artois enfatiza tratamento imparcial da explosão da Fábrica Química da Boa Vida”.

    Intrigada, Jenna foi atraída pelas palavras, instintivamente se aproximando e pegando o jornal para ler rapidamente as notícias.

    “O membro recém-eleito do parlamento, Hugues Artois, acredita que é injusto difamar os donos de fábricas apenas com base em acidentes. Nem os donos de fábricas, que geram inúmeros empregos e contribuem com impostos para o país, devem enfrentar a falência após sofrerem um acidente. Tais circunstâncias resultariam em uma onda de falências, aumento das taxas de desemprego e uma nova onda de protestos e tumultos.”

    “Hugues Artois expressou seu compromisso de não esquecer os feridos e mortos na explosão. Ele pretende estabelecer um novo fundo de bem-estar público para ajudar os proprietários de fábricas a cobrir uma parte da compensação do acidente, permitindo que as fábricas continuem operando. Os responsáveis ​​pelo acidente arcarão com o peso de seus pecados por meio do aumento da criação de empregos e das contribuições fiscais.”

    “Ele declarou ainda sua intenção de propor um projeto de lei na Convenção Nacional, fomentando um ambiente mais favorável para empreendedores. Isso envolveria demissões simplificadas de trabalhadores e empregados não qualificados, bem como indenizações mais justas por acidentes.”

    Naquele momento, os ombros de Jenna tremeram inesperadamente.

    Ela riu, seu corpo tremendo por um longo período.

    Depois de um tempo, ela largou o jornal e continuou sua jornada.

    Sem que ela soubesse, Jenna chegou à Rue Saint-Hilaire e à parcialmente destruída Fábrica Química da Boa Vida.

    Enquanto olhava para o tanque de metal danificado, pensamentos sobre sua mãe, Elodie, inundaram sua mente mais uma vez.

    Ela sempre arrodeava àquela estrutura icônica ao entrar na fábrica.

    Poucos minutos depois, com a visão turva, Jenna avistou um rosto desconhecido, mas vagamente familiar.

    Era uma mulher vestida com um vestido surrado que disse a Jenna: — Depressa, vamos para a Avenue du Marché. O membro do parlamento está oferecendo um banquete de condolências e estendendo convites. Talvez possamos obter alguma coisa!

    — Um banquete de condolências? — Jenna perguntou, perplexa.

    A mulher assentiu entusiasticamente.

    — Sim, de fato! Sua mãe também ficou ferida na explosão, você não lembra? Nós nos conhecemos na enfermaria.

    — Aquele membro do parlamento chegou ao hospital há apenas meia hora. Haverá um banquete de condolências mais tarde!

    — Hugues Artois? — Jenna deixou escapar instintivamente.

    — Exatamente, exatamente. É ele — afirmou a mulher, agarrando o braço da atordoada Jenna e apressando-se em direção ao gabinete do membro do parlamento na Avenue du Marché.

    Meia hora depois, elas chegaram ao prédio cáqui de quatro andares.

    Muitas pessoas vestidas como mendigos faziam fila para inspeção, aguardando a entrada no salão.

    Jenna, usando um vestido azul-acinzentado simples, deixou o cabelo cair naturalmente sobre os ombros, sem nenhuma maquiagem.

    Ela se juntou ao fim da fila e gradualmente foi avançando.

    Quase quinze minutos depois, finalmente chegou a vez dela.

    Uma mulher de uniforme azul-escuro iniciou a inspeção, começando pela cabeça de Jenna e prosseguindo até suas botas.

    Após confirmar a ausência de quaisquer itens perigosos, a mulher a orientou a se registrar e verificar sua identidade antes de entrar no salão de banquetes.

    Auberge du Coq Doré, Quarto 207.

    Lumian lançou um olhar surpreso para Franca, que havia aparecido na porta, e exclamou: — Você chegou cedo de novo hoje.

    Franca, ainda vestindo blusa, calças claras e botas vermelhas, agora estava vestida com um conjunto diferente.

    Ela zombou e retrucou: — Estou apenas preocupada que você e Jenna possam concordar externamente, apenas para assassinar a secretária do Membro do Parlamento, Rhône.

    — Sou visto como um indivíduo tão imprudente aos seus olhos? — Lumian perguntou.

    — Sim, — respondeu Franca sem hesitação.

    Ela até pensou em adicionar a palavra “a maioria”, mas quando se lembrou de um Povo da Fúria que havia encontrado em uma cidade litorânea, sentiu que Lumian não poderia ser categorizado como um.

    Dando um suspiro de alívio, ela continuou: — Já que você não agiu impulsivamente, Jenna deve estar segura. Vou visitá-la e avaliar se ela precisa de alguma assistência em casa.

    Assim que Franca concluiu sua declaração, passos apressados ​​ressoaram lá embaixo, se aproximando.

    Lumian e Franca, posicionadas na porta, viraram suas cabeças para contemplar Jenna, vestida com um vestido azul-acinzentado simples, seu cabelo desgrenhado, correndo em aflição. Ela soluçou e proferiu: — Meu irmão, meu irmão enlouqueceu! Ele se tornou um lunático.

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