Capítulo 54 – Sombras sobre a Ilha das Sereias
Tradução: Hiro
A aparição de um peixe falante! A criatura, sem demonstrar medo algum de X, nadou até seu rosto. Com listras brancas sobre um corpo vermelho, sua aparência lembrava bastante aquele peixe famoso de um filme. Após refletir, X respondeu:
“Sim, estou ouvindo… Por acaso você é um espírito?”
Espíritos! X já havia visto um cervo que falava. Não um cervo comum, mas um que se tornara espírito após receber a energia de uma árvore antiga. Por isso, imaginou que aquele ser também poderia ser um.
Vrrrm!
O peixe girou seu corpo.
“Uau, então você realmente me ouve! Desculpe, mas não sou um espírito. Sou apenas um peixinho comum! Mas sou tão informado sobre as novidades da região quanto qualquer espírito. Se cair nas minhas graças, só tem a ganhar!”
A capacidade de comunicação parecia ter aumentado mesmo. Estava conversando com um simples peixe.
‘Informado sobre as novidades da região?’
Nesse caso, era possível que ele tivesse informações sobre as sereias. Mas algo o intrigava. X assentiu e perguntou:
“Não tenho nada contra me aproximar, mas… garoto, você disse que algo ruim aconteceu, não foi? Pode me dizer o que isso significa?”
“Isso mesmo, um problema grave! Você precisa fugir rápido!”
“Fugir?”
Será que algum monstro mais perigoso estava surgindo? Nesse caso, X não tinha motivo para fugir. Nem sequer usara todo seu poder contra o Carniceiro do Abismo. Ele calculou mentalmente.
‘Se eu usar a Postura do Urso aqui, ficarei ainda mais forte.’
Se aparecesse algo mais poderoso que o Carniceiro, seria bem-vindo. Só o item que a criatura liberara já possuía efeitos extraordinários. Sem mencionar que, sendo de nível alto, daria muita experiência.
“Garoto, eu sou mais forte do que pareço.”
“Mais forte? Mesmo assim, sozinho não vai dar conta.”
“Por acaso, haveria vários desses surgindo?”
Campeões do Abismo! X imaginou que criaturas assim pudessem atacar em grupo. Ele perguntou com expectativa, mas o peixinho balançou a cabeça de forma adorável.
“Não. Cuidar de vários animais de estimação desse tipo não é nada fácil. É por isso que o problema é grave! Se Si-hawk vir esta cena… Ugh, vai ser um verdadeiro pandemônio!”
“…Animal de estimação? Isso?”
“Isso! O Carniceiro do Abismo. Era um animal de estimação que Si-hawk criava!”
Aquele Carniceiro do Abismo aterrorizante era um animal de estimação? Que notícia absurda! Então X havia acabado por matar o bichinho de estimação de um tal de Si-hawk. Sentindo-se culpado, ele lamentou:
“Pois então, por que soltar uma criatura dessas…”
X também criava Yong-yong, um dragão filhote. Como alguém que também tinha um animal de estimação, embora não soubesse quem era Si-hawk, parecia adequado pedir desculpas. Ele questionou:
“Mesmo que ele tenha me atacado primeiro, sinto muito. Mas, garoto, onde vive esse Si-hawk? Quem é ele? Preciso encontrá-lo para pedir desculpas.”
“Você ficou louco? Si-hawk não é alguém bom, de forma alguma!!”
“Não é alguém bom… Então o que ele faz?”
Diante da pergunta, o peixinho se aproximou. Colando-se à orelha de X, sussurrou com uma voz miúda:
“Si-hawk é o líder da Aliança dos Tritões. O líder daqueles tritões violentos e cruéis! Sem mencionar sua força, não existe peixe no mar capaz de rivalizar com sua crueldade!”
Aliança dos Tritões! X ouvira falar das sereias com Sioras, mas tritões eram algo novo. Porém, a explicação do peixinho foi suficiente. Provavelmente, os tritões eram uma raça violenta em contraste com as sereias. O peixinho olhou para o Carniceiro do Abismo que afundava nas profundezas.
“E não precisa se desculpar também. Ele solta essa criatura de vez em quando, mas ela também sofria muito com Si-hawk… Morrer pelas suas mãos foi provavelmente mais feliz para ela.”
Pelo que o peixinho dizia, Si-hawk e a Aliança dos Tritões deviam ser realmente perversos. X, entendendo a situação, comentou:
“O fato de o Carniceiro do Abismo estar por perto significa que Si-hawk e a Aliança também estão nas proximidades, certo? Este é o território deles?”
“Não, a região dos tritões fica bem longe daqui.”
“Mas então, por que o Carniceiro estava aqui?”
Diante da questão, o peixinho observou os arredores. Batendo suas pequenas nadadeiras, respondeu:
“Vamos conversar enquanto fugimos. Não sei quando os tritões descobrirão que o Carniceiro sumiu. Não quero ser pego no meio dessa confusão!”
De fato, o peixinho sabia de muitas coisas. Talvez tivesse informações sobre a Ilha das Sereias. Além disso, X queria evitar conflitos com tritões cuja força desconhecia. Decidiu seguir o peixinho e continuar a conversa.
“A propósito, nunca vi um peixe como você!”
“Hm? Eu não sou peixe. Vim da terra. Sou humano.”
“Eu sabia! Desconfiava! Minha mãe me contou sobre humanos, criaturas terríveis! Usam redes e anzóis afiados para nos atormentar.”
A consciência de X pesou. Até há pouco tempo estava pescando, e não conseguiu responder.
Gloop gloop!
Mas o peixinho riu ao olhar para ele:
“Mas você parece uma pessoa legal. Afinal, conseguimos conversar, não? Nem tentou me capturar. Gostei de você, amigo humano!”
“É… é?”
Se visse o inventário de X repleto de Culinária Celestial feita de frutos do mar, jamais diria isso! De qualquer forma, o peixinho parecia ter gostado dele.
“A Aliança dos Tritões está expandindo seu território. Já dominaram a região onde viviam e capturaram o Campeão daquele mar, o Carniceiro do Abismo.”
“São fortes, então.”
“Não é apenas força! Os tritões são lutadores natos. Neste oceano, não há peixe capaz de enfrentar a Aliança dos Tritões.”
Tritões! Diferente das sereias, pareciam ser uma raça especializada em combate. O peixinho estremeceu ao explicar, arrepiado só de lembrar. X então calculou sua avaliação sobre os tritões.
‘Um contra um, consigo lidar, mas se forem muitos, ficarei em desvantagem. E eles nunca agem sozinhos.’
Eram criaturas astutas. O peixinho dissera que eram gênios da caçada em grupo. Uma perseguição cruel que atormentava a vítima até o fim! O peixinho completou sua explicação:
“Por isso é melhor fugir, entendeu?”
“Sim, entendi. Mas tenho uma curiosidade.”
“Pode perguntar! Sei de muitas coisas.”
Evitar o confronto com a perigosa Aliança dos Tritões. Com essa decisão, o único objetivo restante para X era a Ilha das Sereias.
“Por acaso sabe onde fica a Ilha das Sereias?”
“Ilha das Sereias? Você tem negócios lá?”
“Mais ou menos… Por que, é uma pergunta difícil?”
Bloop bloop!
O peixinho engoliu água em choque.
Vrrrm!
Recuperando a compostura, respondeu:
“O motivo de a Aliança dos Tritões ter deixado sua região e vindo para estes mares… é porque o alvo deles é a Ilha das Sereias!”
O objetivo da Aliança dos Tritões era a Ilha das Sereias? X lembrou-se das palavras de Sioras.
—As sereias certamente precisarão de sua ajuda.
“Mestre, você sabia disso!”
Surgira uma oportunidade perfeita para conquistar a confiança das sereias. Provavelmente, ao impedir a invasão dos tritões, poderia estabelecer laços de amizade com o povo do mar. X tentou acalmar o peixinho:
“Calma. Garoto, você sabe onde fica a Ilha das Sereias?”
“S-Sei… Mas você não ouviu o que eu disse? Os tritões são perigosos! Especialmente você, que matou o animal de estimação de Si-hawk! Se sentirem o cheiro de sangue…”
“Garoto, eu disse que sou mais forte do que pareço.”
Nunca vira uma criatura que não tremesse ao ouvir o nome da Aliança dos Tritões e de Si-hawk. Será que todos os humanos eram assim tão corajosos? O peixinho suspirou:
“Tudo bem, vou te guiar. Mas se os tritões te encontrarem, eu finjo que não te conheço. Ainda não quero morrer!”
Swoosh!
O peixinho seguiu em direção à Ilha das Sereias, escondida nas profundezas. X o seguiu rapidamente. Um encontro inesperado e um desenrolar surpreendente.
‘Preciso impedir a invasão da Aliança dos Tritões.’
Um objetivo que certamente não seria fácil. Mas quanto maior a dificuldade, maior a recompensa. Certamente conseguiria! X, ardendo em determinação, avançou rumo à Ilha das Sereias.
Na Ilha das Sereias, o rosto do capitão da guarda, Gapis, estava sombrio. Ele acabara de receber um relatório de um peixe batedor.
‘Aliança dos Tritões… Então pretendem mesmo invadir a Ilha das Sereias!’
O objetivo da Aliança dos Tritões era óbvio. A Pérola Gigante no centro da ilha. Ela formava uma barreira que protegia todos os seres dentro dela. Com a Pérola Gigante, invadir a superfície — o objetivo final dos tritões — deixaria de ser uma tarefa difícil. A sombra no rosto belo de Gapis aprofundou-se.
‘Mas o que devo fazer?’
Sereias não são uma raça especializada em combate. Mesmo com números semelhantes, dez sereias não conseguiriam derrotar um único tritão. Além disso, por características da espécie, 70% da população era feminina. Uma expressão de determinação surgiu no rosto de Gapis.
“Mesmo que eu morra, protegerei esta ilha.”
Com seu tridente e elmo dourado, Gapis equipou-se e liderou os soldados. Mesmo chamados de soldados, mal passavam de cem. Um número similar ao dos tritões.
“Reforcem a vigilância nas águas vizinhas! Ao primeiro sinal de algo suspeito, reportem imediatamente!”
A derrota talvez fosse inevitável. Mesmo assim, o cargo de capitão da guarda exigia que desse o melhor de si até o fim. Gapis abriu bem os olhos. A paisagem bela da Ilha das Sereias surgiu diante dele. Pacífica, repleta de sorrisos, transbordando felicidade… E aquela ilha estava em iminente crise! Ele cerrou os lábios com força.
‘Só saberemos o resultado após a batalha.’
Ele firmou sua resolução. O medo é o maior inimigo. Recordou-se das palavras de seu pai, que também fora capitão da guarda em sua infância. Mas até ele perdera a vida para os tritões. O conflito interno de Gapis intensificou-se. Então, um soldado se aproximou. O pânico estava estampado em seu rosto.
‘Finalmente chegou a hora?’
Gapis assentiu para o soldado. Com a respiração ofegante, o soldado falou:
“C-Capitão Gapis! Um humano! Um humano apareceu!”
“…Humano, não tritão? Não estaria confundindo as coisas?”
“Não, senhor! Confirmei claramente. Não tem barbatanas no rosto, nem mãos ou pés afiados, nem dentes pontiagudos. É definitivamente um humano!”
Gapis não pôde evitar o espanto. Como um humano teria encontrado a Ilha das Sereias, e como teria conseguido prender a respiração até chegar aqui? Então veio uma informação ainda mais inacreditável:
“Esse humano está acompanhado por um peixe. Segundo ele, o humano derrotou o Carniceiro do Abismo, o animal de estimação de Si-hawk que estava nas redondezas!”
“O Carniceiro do Abismo… sozinho?”
“Sim, senhor! E há algo mais importante…”
Gulp!
O soldado engoliu em seco antes de continuar:
“O humano disse que quer nos ajudar a defender a Ilha das Sereias contra o ataque da Aliança dos Tritões!”
“I-Isso é verdade?”
Um guerreiro capaz de derrotar o Carniceiro do Abismo sozinho! E esse guerreiro queria ajudar na defesa da ilha? Pela primeira vez, um brilho de esperança iluminou as feições de Gapis.

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