Índice de Capítulo

    Tristan, Yue e Jaeng estavam andando pelo túnel sombrio. Eles passaram alguns minutos procurando, mas não acharam nada de incomum.

    Tristan colocou a mão na boca, escondendo um bocejo. Seu rosto demonstrava tanto tédio quanto ele era capaz de expressar.

    De repente, ele ficou em alerta ao ouvir um barulho vindo de trás. O som alto de uma voz masculina ecoou pelo túnel silencioso.

    Ele olhou para trás e viu Jaeng no chão.

    “O que foi? Você está bem?” Yue perguntou, com um pouco de preocupação na voz.

    Caído no chão e esfregando o joelho, Jaeng respondeu: “Não é nada demais, acho que tropecei em algo.”

    Yue se aproximou para ajudá-lo a se levantar, enquanto isso, os olhos de Tristan vagaram para algo um pouco atrás de Jaeng. Ele estreitou os olhos e perguntou a si mesmo: “O que é isso?”

    Ele se aproximou cautelosamente e, observando de perto, viu algo de formato estranho no chão.

    Aproximando sua mão direita do objeto preso no solo, esfregou o dedo indicador na superfície áspera daquilo.

    “Parece que é feito de madeira”, pensou ele.

    O formato estranho do objeto o lembrava vagamente de algo, então decidiu puxá-lo para ver o que era.

    Com pouco esforço, ele levantou aquela coisa de aparência peculiar.

    A superfície da peça era esbranquiçada, com manchas escuras de sujeira. Tinha duas estruturas pontiagudas e algumas cavidades. Seu formato era alongado e um tanto triangular. Na parte de baixo, havia dezenas de entalhes parecidos com dentes.

    Tristan reconheceu aquele formato como o de um crânio de algum animal. Algo que também chamou sua atenção foi outro objeto, feito de madeira preta, com entalhes que lembravam as escamas de uma cobra, saindo de um buraco de um globo ocular e entrando no outro.

    “Por que tem uma estatueta de um crânio aqui? Espera… eu já não vi algo parecido antes?”

    Enquanto tentava lembrar-se de algo, Yue se aproximou e perguntou:

    “O que você está segurando?”

    “Jaeng tropeçou nisso. É uma estatueta de algum animal”, ele respondeu.

    Ele viu uma expressão de nojo aparecer no rosto infantil dela.

    “Isso é uma cobra saindo do crânio de uma vaca? Eca, por que essa coisa sinistra está aqui?” disse ela.

    Tristan deu de ombros. “Talvez algum grupo de jovens rebeldes tenha decidido dar uma festa aqui ou pode ser parte de algum ritual maligno.”

    Jaeng, que já havia se levantado, perguntou confuso: “O que um crânio de boi tem a ver com festas?”

    Antes que Tristan pudesse responder, Yue interveio. “É um crânio de vaca, não de boi.”

    Jaeng retrucou: “Como você sabe a diferença?”

    “Bem, eu cresci em uma fazenda”, ela respondeu, dando de ombros. Voltando-se para Tristan, ela disse: “Você vai continuar segurando essa coisa? E se for realmente amaldiçoado?”

    “Esse tipo de coisa é muito rara. Quais as chances de encontrar algo assim em um lugar como este?” Embora dissesse isso e soubesse da dificuldade e raridade de criar esse tipo de item, ele sentiu um pouco de apreensão.

    Ele jogou a estatueta para trás, por cima do ombro.

    “Vamos embora, não temos muito tempo a perder”, disse Yue.

    ***

    De volta à procura por rastros dos mineradores, eles passaram por diversos túneis procurando aleatoriamente. Sem a visão apurada de Tristan, já teriam se perdido há muito tempo.

    Yue e Jaeng tinham expressões deprimidas, parecendo perder as esperanças.

    Mas então ouviram a voz de Tristan.

    “Ei, olhem isso aqui”, disse Tristan, apontando para o chão.

    Yue e Jaeng olharam para ele, confusos e curiosos.

    “Achei pegadas, pegadas de pessoas descalças. É recente”, ele disse.

    “Os mineradores devem estar perto! Vamos!” disse Yue animadamente.

    Tristan seguiu os rastros, guiando seus companheiros enquanto se moviam com pressa.

    Depois de alguns minutos passando por vários túneis, Tristan detectou um movimento.

    À frente dele, uma forma humanoide começou a se materializar na escuridão. À medida que ele se aproximava, mais formas apareciam e se tornavam mais nítidas.

    Corpos magros, roupas esfarrapadas, descalços e feridos. Tristan não tinha dúvidas de quem eles eram.

    “São os mineradores. Nós os encontramos”, disse ele para Yue e Jaeng.

    “Conseguimos!” comemorou Jaeng.

    Yue acelerou, ultrapassando os outros dois e chegando primeiro aos mineradores. Treze pessoas estavam tremendo, encostadas na parede da caverna.

    “Vocês estão bem? Viemos resgatá-los!” ela disse, tentando acalmá-los.

    Ela percebeu que eles começaram a tremer mais, ficando cada vez mais assustados; alguns ficaram pálidos e olharam para ela com pânico nos olhos.

    “Calma, viemos ajudar vocês. Não precisam se assustar.”

    Eles balançaram a cabeça freneticamente, tampando a boca com as mãos.

    Alguns apontaram para cima e depois colocaram as mãos nos ouvidos, jogando-se ao chão, desesperados.

    Quando Yue olhou para cima, viu apenas escuridão; sua lamparina não iluminava tão alto. Mas, prestando atenção, ouviu algo: o bater de asas e outro som que lhe parecia estranhamente familiar, embora não conseguisse reconhecer de imediato.

    Ela se concentrou e então percebeu por que o som lhe era familiar:

    “Isso é… chuva?”

    Tristan, aproximando-se de Yue, notou que ela encarava algo acima fixamente e decidiu olhar na mesma direção. Viu então algo estranho saindo de um buraco no teto do túnel.

    A coisa parecia estar voando, mas não era sólida; era como se seu corpo fosse um fluido. Gotas de um líquido gosmento e espesso caíam e depois retornavam, fundindo-se novamente com o corpo do monstro.

    Com dois pares de asas membranosas e duas orelhas pontudas, Tristan achou que aquela criatura lembrava morcegos.

    “É líquido? Morcegos líquidos? Que tipo de monstro é esse?”

    Eles não eram muito grandes, com o tamanho aproximado de um antebraço de um homem adulto, mas o que assustava Tristan era a quantidade deles.

    “Droga, Yue, recue, afaste-se daí!”, gritou Tristan.

    Dezenas de monstros-morcegos avançaram em direção a Yue e aos mineradores, girando como se fossem um redemoinho.

    Yue olhou para o enorme redemoinho que quase cobria todo o teto; às vezes parecia ser uma coisa só, e não dezenas de monstros-morcegos assustadores. Eles eram rápidos, mas ela era muito mais, podendo sair dali com facilidade. No entanto, ela sentia que não poderia fazer isso, pois sabia que, se fosse embora, nada impediria aquelas criaturas de massacrar as pessoas inocentes atrás dela.

    “Fui eu que os atraí, tenho que resolver isso!”

    Rapidamente, soltou sua lamparina e pegou sua espada.

    [Passos da Brisa Celestial]

    [Corte Alado]

    Sua essência se espalhou por todo o corpo e ao redor de sua espada, transformando o ar ao redor em um poderoso vento que circulava ao seu redor. Ela conseguiu usar as duas técnicas ao mesmo tempo, mas sabia que não tinha tempo suficiente para fundi-las perfeitamente.

    Talvez atraídos pelo barulho, ela viu o redemoinho gosmento focar nela e avançar em sua direção.

    Quando estavam prestes a colidir, ela apontou a lâmina para trás, apertou o cabo da espada com força e então moveu os braços para cima, girando em direção ao redemoinho que descia com todo o poder que tinha.

    Tristan viu os ventos de Yue, parecendo um ciclone amarelo, colidirem com os monstros estranhos. Por um breve momento, parecia que ambos disputavam o domínio do lugar. O vento de Yue cortou parte do redemoinho, criando uma grande abertura; muitos morcegos foram lançados longe pelos ventos dela.

    Mas ainda havia muitos mais.

    As criaturas se uniram novamente, e os ventos de Yue começaram a enfraquecer.

    Pela expressão no rosto dela, ele sabia que estava usando toda a essência que conseguia, mas isso não parecia suficiente.

    O redemoinho de monstros quebrou o ciclone de vento.

    “YUE!” Ele gritou.

    Tristan viu o corpo de Yue ser engolido pela maré de monstros.

    “NÃO!”

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