Índice de Capítulo

    ‘Eles não vão desistir?’

    Tristan correu o mais longe que conseguiu; mesmo assim, as vespas ainda o perseguiam arduamente.

    Para piorar sua situação, correr mais rápido do que seres capazes de voar com uma perna machucada não era uma tarefa fácil.

    Ele tentou despistá-las movendo-se entre as árvores e os arbustos, mas a nuvem de insetos não era facilmente enganada; seus sentidos eram anormalmente capazes de lidar com suas habilidades de ocultação.

    Tristan sabia que não aguentaria por muito mais tempo. O cansaço se arrastava por seus músculos, e ele começava a sentir o peso de seus movimentos.

    Ele saltou entre alguns arbustos, mas, ao pisar em um monte de folhas secas, uma coisa estranha aconteceu: ele não conseguia mais correr, parecia que algo puxava seu pé para baixo.

    Com pressa, ele abaixou a mão e afastou as folhas do chão, descobrindo a causa do seu problema: fios brancos, finos e pegajosos se espalhavam como uma teia, amarrando-o no local.

    Os fios eram elásticos e grudavam como cola.

    Tristan puxou, mas não conseguiu se soltar. Vendo as vespas se aproximando, ele não perdeu tempo. Criando uma lâmina preta, ele cortou os fios.

    Mas o que aconteceu a seguir o deixou sem palavras: uma luz branca irrompeu da teia, fazendo com que os fios cortados se reconectassem, voltando à sua forma original.

    “Maldição!” ele murmurou, irritado.

    Ele continuou tentando cortar as teias até que, de repente, uma criatura pousou em seu ombro: uma pequena aranha preta, cujo corpo estava coberto por um líquido branco estranho, parecido com cola.

    Antes que Tristan percebesse, uma teia gigante havia se formado, cobrindo uma grande área ao seu redor. Diante de seus olhos, um exército de aranhas enfrentava a nuvem de vespas que o perseguia.

    Mais aranhas começaram a pousar em seu corpo; elas eram frágeis, e Tristan não teve dificuldade em esmagá-las.

    Infelizmente, havia muitas delas; para cada uma que ele matava, mais cinco apareciam.

    Centenas de aranhas teceram suas teias ao redor dele.

    As criaturas moviam-se com uma inteligência assustadora, como se soubessem exatamente como encurralá-lo. Elas se aglomeraram ao redor de suas pernas, subiram para sua cabeça e começaram a prendê-lo com uma precisão meticulosa.

    Tristan vasculhou sua mochila desesperadamente à procura de algo.

    Ele agarrou um frasco de vidro com um líquido transparente e um cristal azul dentro. Retirando a tampa, Tristan jogou o frasco no centro das teias acima de sua cabeça.

    Seu corpo agora estava quase todo coberto por teias; as aranhas estavam prestes a envolvê-lo em um casulo. Cheio de aflição, ele começou a esfregar o cristal entre suas mãos. Retirando a essência do seu núcleo, ele levou isso para as pontas dos dedos. Concentrando-se, Tristan iniciou o processo de mudar as propriedades de sua essência natural.

    Os elétrons podiam ser facilmente removidos por meio do atrito, criando uma diferença de potencial elétrico. Se o acúmulo de cargas elétricas geradas ultrapassasse a resistência do ar, uma descarga elétrica ocorreria na forma de um relâmpago.

    Pequenas faíscas começaram a brilhar em torno das mãos dele; ele movia-se com dificuldade enquanto sentia como se tivesse sido transformado em uma múmia enfaixada.

    Ele segurou o cristal firmemente na mão direita. Reunindo sua força, ele moveu a mão lentamente, lutando contra a teia das aranhas. Apontando para a direção em que havia jogado o frasco, um relâmpago minúsculo, fino como um fio de cabelo, saiu de seu punho.

    Quando o relâmpago encostou na teia molhada, uma chama amarela com tons de laranja se espalhou rapidamente.

    Dezenas de corpos de aranhas carbonizadas caíram no chão.

    Logo, a chama se espalhou para o local onde Tristan estava, queimando a teia ao seu redor junto com um pouco de sua pele. Quando a teia enfraqueceu o suficiente, Tristan reuniu suas forças e circulou a essência pelo corpo.

    Impulsionando-se para frente, ele conseguiu escapar daquela terrível armadilha.

    Ele olhou para cima, vendo as chamas se espalharem para as folhas nas árvores enquanto as vespas e aranhas continuavam seu confronto mortal.

    Enquanto ele se concentrava na batalha acima de sua cabeça, sua distração não passou impune; alguma coisa atingiu suas costas, arremessando-o no ar.

    A coisa que o atingiu tinha uma força considerável; ele caiu no chão a alguns metros de onde estava.

    Uma dor intensa percorreu seu corpo, mas ele apenas cerrou os dentes, afinal, a dor era uma velha conhecida para ele.

    Ele se levantou, um pouco tonto, e se virou para encarar seu agressor desconhecido.

    O que Tristan viu foi um enorme sapo com metade de sua altura.

    O sapo abriu sua grande boca e sua língua esticou-se, cruzando a distância entre eles em um instante.

    Tristan conseguiu desviar daquele ataque, pulando para o lado.

    Ele teve que tocar o chão usando sua perna esquerda enfraquecida, o que fez com que perdesse o equilíbrio brevemente e cambaleasse.

    A língua do sapo acertou as vespas voando atrás dele. Sua língua voltou para a boca, e ele engoliu as vespas de uma vez.

    O sapo flexionou suas pernas e, mais uma vez, pulou em sua direção. Ele estava com a cabeça virada para baixo, o que deixou à mostra seu revestimento ósseo na cabeça.

    Quando seu inimigo estava prestes a alcançar Tristan, algo estranho aconteceu. Uma coisa vinda de cima dos galhos das árvores atingiu o sapo no ar, perfurando suas costas.

    Tristan olhou para aquilo, surpreso. Ele viu um tipo de lança feita de osso empalando o sapo. Ainda no ar, o sapo foi puxado para cima por um tipo de cipó preso à lança.

    Ele piscou algumas vezes, confuso.

    ‘Que tipo de lugar é esse?’


    Naquela floresta antiga e amaldiçoada, os últimos dias de Tristan foram um desafio constante de resistência e cautela. Uma semana já havia passado desde que ele chegou nessa floresta de árvores altas e sinuosas, tomando cuidado com possíveis perigos a cada canto.

    Naquele momento, sua respiração estava rápida, mas controlada. Ele estava correndo com toda a velocidade. De vez em quando, olhava para trás e via um grupo de sete bestas do tipo javali o perseguindo sem trégua.

    Eles possuíam uma pelagem de cor laranja escura e duas presas brancas longas, tão afiadas que pareciam capazes de perfurar grandes rochas. Cada um deles mal alcançava metade do tamanho da perna de um homem adulto.

    Ele havia observado esses javalis manipularem o solo com essência vital que emanava de seus corpos, por isso sabia que eram bestas mágicas. Individualmente, não representavam uma grande ameaça para ele nem para a maioria das criaturas daquela floresta, mas, juntos, seus números e habilidades combinados eram suficientes para amedrontar até mesmo as criaturas mais ferozes daquele lugar.

    Nas memórias de Tristan, ainda estava claro o momento em que viu um urso de três cabeças — normalmente um dos predadores mais temidos daquele lugar — fugir como um gatinho assustado diante da fúria daquele grupo. Ele estava agradecido por ter visto isso antes de irritar aquele grupo acidentalmente.

    Não demorou muito para ele perceber o quão perigoso era desafiar os seres daquele lugar sem ter informações sobre suas habilidades e características.

    O som de um grunhido se aproximou dele; Tristan se abaixou bem a tempo de ver um javali atingir o local onde ele estava um momento antes.

    A besta colidiu com o tronco de uma árvore, criando um grande buraco e fazendo lascas de madeira voarem no ar.

    Outros dois javalis aproximaram seus focinhos do chão, e a terra se moveu, formando esferas que os javalis usaram para lançar em Tristan.

    Com um movimento ágil, ele desviou e usou uma árvore como escudo.

    ‘Droga, onde aquele maldito está?’

    De repente, o ambiente ao redor mudou. Uma onda de fumaça cinza rompeu as árvores e arbustos ao redor, cobrindo o lugar rapidamente enquanto espalhava uma aura imponente e selvagem. Vendo a atmosfera ficando mais densa e enevoada, os lábios de Tristan se curvaram, formando um pequeno sorriso.

    ‘Parece que o convidado principal dessa festa chegou.’

    Claro, Tristan não estava fugindo sem direção; seu alvo não eram os javalis, mas sim o dono daquele território.

    A fumaça se espalhou pelo chão e subiu até o topo das árvores; a floresta, normalmente pouco iluminada, agora estava em completa escuridão.

    Mas ele conseguiu enxergar perfeitamente quando um veado preto imponente surgiu por entre as árvores. Aquela criatura era maior que um humano adulto; sua pele continha vários pequenos buracos que abriam e fechavam liberando uma densa fumaça.

    Tristan sorriu.

    Ele pensou em como a carne de javali era terrível, a última vez que ele comeu aquilo seus dentes quase quebraram, ele precisou usar magia de Escuridão para cortar aquilo em pedaços que ele pudesse engolir.

    Tristan se perguntou que gosto a carne de um veado de fumaça teria, ele torcia que fosse muito bom.


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