CAPÍTULO 11 — Flores Que Nascem do Ódio
Os reforços da Nexus chegam ao local da luta, o atendimento médico é prestado aos garotos. Lucian é preso, e quando procuram por Draven, seu corpo havia sumido.
O clima de vitória agora vira preocupação.
A dor vinha em ondas.
Draven respirava com dificuldade, apoiado contra a parede fria do prédio abandonado. O sangue ainda escorria pelo canto da boca, quente demais para ser ignorado. Cada músculo gritava para que ele parasse ali mesmo.
Mas ele não podia.
Não, depois de tudo.
— Aqueles garotos desgraçados, se não fossem esses poderes, eu teria acabado com todos! — murmurou Draven.
— Por que essa raiva toda?
A voz surgiu suave, quase curiosa.
Draven ergueu os olhos com esforço. A figura diante dele não parecia uma ameaça.
Não havia pressa em seus movimentos, nem hostilidade em seu olhar. Apenas alguém observando, como se aquele momento já fosse esperado.
— Quem é você? — rosnou, tentando se levantar.
Ela se aproximou um pouco mais.
— Alguém que sabe quando uma luta ainda não terminou!
Draven riu fraco.
— Então, veio terminar o serviço?
— Não! — respondeu ela. — Vim impedir que você morra antes da hora.
Ela se agachou à sua frente. O olhar desceu para os ferimentos, analisando com cuidado.
— Seu corpo aguenta mais do que eu imaginava — disse. — Talvez seja de família.
Draven congelou.
— Então você é aquela garota misteriosa? Foi você que fez aquilo com o meu irmão?
O sorriso dela foi quase imperceptível.
— Seu irmão não despertou por acaso, Draven. Você sabe disso.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Ela se levantou.
— Meu nome é Jasmim.
Algo naquela forma calma de falar fez o estômago de Draven se revirar mais do que a dor.
— O mundo está mudando — continuou ela. — Mas não do jeito que a Nexus acredita.
Ela se afastou, deixando para trás apenas o eco de suas palavras.
— Descanse. Ainda vou precisar de você.
Na sala de reuniões da Nexus, o clima era o oposto.
Telas exibiam mapas, gráficos e nomes. Muitos nomes.
— Mais de 20 novos presos pela Nexus, que antes não tinham poder algum, despertaram poderes de repente!
— O que deixa tudo ainda mais estranho é que, depois de 48 horas, o poder dessas pessoas sumiu! — disse James.
— Algo não está fazendo sentido. Como alguém pode ter poderes temporários? Nunca vimos isso.
— Primeiro, a notícia de algo que tira poderes, que a 1ª divisão ainda não respondeu nada! E agora, algo que cria poderes temporários? — murmurou.
— Não é um fenômeno… Alguém está por trás disso!
No centro da cidade.
Uma jornalista encarava o copo vazio à sua frente.
O bar estava cheio, mas ela nunca se sentiu tão sozinha.
— Sempre a mesma coisa — disse para ninguém em particular. — Promessas… e desculpas.
Ela virava mais um copo.
Depois, mais outro copo.
O homem com quem conversava desviou o olhar. Outro, igual aos anteriores.
— Você escreve bem — disse uma voz atrás dela.
A jornalista virou-se, surpresa.
A garota tinha cabelos escuros, olhar atento e um sorriso gentil demais para aquela hora.
— Leio seus textos — continuou. — Você sempre fala informações precisas, é impressionante!
— E ninguém liga para elas! — respondeu a jornalista, amarga.
Jasmim inclinou a cabeça.
— Por que você acha isso?
Ela olha para Jasmin, surpresa.
— Meu nome é Pearl!
Elas caminharam juntas por alguns minutos. Conversaram. Riram. Compartilharam frustrações.
— Cansei de ser descartável — disse Pearl, a voz trêmula. — Cansei de ser trocada, usada.
Pearl estava frustrada porque, pela terceira vez, mais um namorado seu a traiu.
— Não importa o quanto eu tente e me esforce, eles sempre me trocam e fico sozinha!
Jasmim parou.
— Você já pensou… — disse, devagar. — Como seria se, por uma vez, eles fossem obrigados a não te largar?
Pearl arregala os olhos.
— Obrigados?
— Mas saiba que para tudo que você deseja, existem consequências!
Jasmim estendeu a mão.
— Nada muda se você não quiser.
Pearl olhou ao redor. A rua estava vazia. Silenciosa demais para aquela hora. O barulho distante da cidade parecia abafado, como se estivesse vindo de muito longe.
Ela respirou fundo.
— E o que você quer em troca?
Jasmim sorriu um pouco mais.
— Um favorzinho. Quando eu pedir.
Depois disso, apertaram as mãos.
Não houve explosão.
Não houve vento.
Nada se moveu.
Por um instante, Pearl sentiu apenas um calor estranho subir pelo braço. Algo rápido. Quase imperceptível.
Pearl olha para os lados, confusa.
— Foi isso? — perguntou,
Jasmim soltou a mão.
— Às vezes, o poder que não anuncia quando chega — respondeu. — É o mais perigoso!
Horas depois, Pearl estava sentada novamente em um bar.
Em uma mesa próxima, um grupo de homens olha de longe.
— Que mulher bonita! Acho que ela seria ótima para me fazer companhia hoje! — um dos homens sorri.
— Haha, eu duvido. Da última vez, teve uma garota que chorava atrás de você!
— Ela é tão bonita, não a vai machucar! — os homens brincam, enquanto bebem.
O homem se aproximou. Sorriso fácil. Conversa vazia.
Ela não pensou muito.
Aproximou-se.
O beijo foi rápido.
Quando se afastou, algo estava errado.
O homem piscou várias vezes. O sorriso sumiu.
— Desculpa… — disse ele, de repente. — Eu… eu fui um idiota a vida inteira.
Ela recuou.
— Pelo quê?
Ele engoliu seco.
— Por não perceber você antes.
Ela riu, nervosa.
— Você nem me conhece.
— Eu sei — respondeu ele. — Mas eu deveria.
Pearl sentiu um arrepio.
— Será que realmente funcionou?
— Você merece mais — continuou ele. — Eu faria qualquer coisa.
Pearl sentiu o coração acelerar.
— Qualquer coisa? — perguntou, testando.
Ele assentiu, submisso.
Pearl olhou para os outros homens à mesa.
Eles riam, alheios.
— Vamos ver até onde isto pode ir!
Ela se aproximou do seu ouvido.
— Quero que ataque eles até desmaiarem!
O homem obedeceu.
Ele se levantou sem hesitação.
Sem reclamar.
Avançou para cima de seus amigos e começou a atacá-los, enquanto Pearl olhava distante.
Ela percebeu que não era apenas um pedido.
Aquilo não era justiça.
Não era vingança.
E o pior…
Era controle.
Ela não sabia se queria parar.
Draven despertou com o corpo menos pesado.
Jasmim estava à janela, observando a cidade.
— Eles estão começando a perceber — disse ela, sem se virar. — Mas já é tarde.
— O que você quer? — perguntou Draven.
Ela sorriu.
— Justiça! — respondeu. — É o que a “Ordem” quer!
O nome desce como uma agulha em Draven.
— E você será o meu cavaleiro! — Jasmin sorri.
Alguém decidiu que mereciam poder.
E o mundo, sem perceber, começava a ser escolhido.

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