CAPÍTULO 15 — Ecos do Controle
O clima mudou.
Olhar sério.
— James… — murmurou Rivna, aliviada e assustada ao mesmo tempo.
Pearl deu um passo para trás.
— Então esse é o famoso vice-capitão… — disse ela. — Chegou tarde.
James não respondeu.
Seus olhos estavam em Lance.
— Controle mental baseado em contato direto — disse. — Que coisa nojenta!
Lance tentou atacá-lo.
Ele ergueu a mão.
Uma barreira invisível se formou em frente a Lance.
A barreira o segurou.
James apareceu atrás dele em um piscar de olhos e o golpeou na nuca com precisão cirúrgica, deixando-o inconsciente.
Lance caiu de joelhos.
Pearl rangeu os dentes.
Silêncio absoluto.
Pearl tentou fugir.
James a encarou.
— Aonde pensa que vai?
A grama aos pés de James virou lâminas, que voam perfurando a perna de Pearl, fazendo-a cair.
— Você vai responder muitas perguntas.
O medo surge em seu rosto.
Pearl se atira para tentar beijar James.
Ao encostar em seus lábios, a mente de Pearl escuta vozes, gritos, algo que nunca viu antes.
— O que é você? — Caí ao chão assustada, olhando para James.
— Eu planejava me guardar para minha futura esposa, que droga. — Ele limpa a boca e caminha em sua direção.
Uma barreira se fechou ao redor de Pearl.
Ao fundo, sirenes da Nexus se aproximavam.
Um helicóptero chega no céu, com luzes iluminando o lugar.
Rivna correu até Lance, segurando-o com força.
— Lance!! — Rivna o balança tentando o acordar.
— Está tudo bem, Rivna, ele agora está salvo! — James chega, colocando a mão em seu ombro. — Todos vocês agora precisam de tratamento médico!
Ao longe, Jasmim observava.
— Esse show foi melhor do que eu esperava! — Ela sorri. — Aquele garoto dos raios também é muito interessante, seria ótimo trazê-lo para a Ordem!
Horas depois…
A base improvisada da Nexus ainda cheirava a metal aquecido e antisséptico. Luzes brancas demais refletiam em paredes limpas demais para quem tinha acabado de sobreviver a algo que não deveria existir. Monitores apitavam em ritmos constantes, quase irritantes, como se tentassem convencer a todos de que tudo estava sob controle.
Lance estava sentado na beira da maca, os braços estavam engessados, seus olhos lacrimejavam. Ele ainda lembrava da dor de uma batalha a qual não pôde escolher.
A imagem voltava em fragmentos, não como um sonho, mas como uma lembrança quebrada: o corpo avançando sozinho, o impulso violento, a sensação de ser empurrado por dentro. Ele lembrava do alvo. Lembrava dos rostos.
O estômago se contraiu.
— Eu senti… — murmurou, para ninguém. — Eu senti a vontade.
A porta deslizou com um sussurro suave.
Rivna entrou devagar.
Ela parou a alguns passos dele. Não se aproximou. Não por medo consciente, ela sabia disso, mas porque o corpo lembrava antes da mente.
Os olhos dela desceram para as mãos de Lance.
— Ainda dói? — perguntou, num fio de voz.
— Não é isso. — Ele respirou fundo, como se o ar estivesse pesado demais. — Eu… machuquei vocês.
Silêncio.
Rivna engoliu seco.
— Mas você parou e lutou contra o controle.
— Porque doeu. — Ele levantou o olhar, finalmente. — Porque meu corpo estava quebrando. Se não fosse isso…
Rivna deu mais um passo. Depois, outro.
— Quando você me pediu ajuda — disse ela — Eu congelei… você estava na minha frente, prestes a me atacar.
— Rivna, me descu…
— Eu sei. — Ela o interrompeu, a voz firme apesar do tremor. — Eu sei que não era você. Mas meu corpo não sabe.
Ela fechou os olhos por um segundo.
— Lance, você lembra da nossa conversa depois da nossa primeira missão em campo juntos?
— Lembro sim, você estava muito mal com o que aconteceu.
— Eu tive outra crise na hora, não conseguia pensar em nada claro… — ela aperta seus dedos. — Mas… ver você lutando contra si mesmo… trouxe minha consciência de volta.
Lance baixou a cabeça.
Rivna respirou fundo. Ela se aproximou de vez e se sentou ao lado dele.
— Você virou a prova de que também posso lutar contra os meus medos e dores que me controlam, para que eu possa ser útil e ajudar os meus amigos!
Ele a encarou, surpreso.
— Não vai ser fácil, mas eu vou tentar! — Rivna dá um sorriso descontraído.
— Não anula o fato de que eu quase te machuquei.
— E não machucou. — Rivna pousou a mão sobre a dele, firme. — Porque, mesmo controlado, você escolheu parar, escolheu lutar e assumir o controle.
Katsu e Yara chegam na sala.
— Lance, meu amigo, desculpa por ter machucado você! — Katsu falava enquanto chorava.
— Tá tudo bem, Katsu. Desculpa se também te machuquei.
— Isso não foi nada, você conseguiu resistir bastante ao controle.
Lance vê os braços e o corpo de Katsu enfaixados.
— O que aconteceu com seu corpo? Isso foi minha culpa?
— Na verdade, isso foi mais culpa minha… — Katsu abaixa a cabeça e olha para seu corpo. — Meu corpo teve queimaduras de 2º grau, criadas pelo meu poder…
Todos na sala ficam surpresos ao ouvir.
— Mas agora está tudo bem, e novamente me desculpa por tudo! — Ele se curva, pedindo perdão.
Lance olha para Yara.
— Me desculpe também, Yara, por ter machucado você.
— Está tudo bem, Lance, o importante é que todos estamos bem! — fala, desviando o olhar para os lados.
“Mesmo com a dor que esse poder me traz, fico feliz por conhecer todos vocês” — Lance pensa enquanto sorri.
Yara olha para Rivna, sentada ao lado de Lance.
Rivna percebe e olha para ela sentada ao lado de Lance, seu rosto fica vermelho e ela se levanta envergonhada.
Lance estranha, mas permanece em silêncio.
— O que vocês acham de assistirmos algo? Podemos ir ao cinema! — Katsuo fala empolgado.
— É uma ótima ideia, também posso participar?
Rays chega na sala, com uma muleta.
— Claro, Rays, você também faz parte do grupo e é nosso amigo!
Eles conversam e riem juntos, enquanto planejam seu passeio ao cinema.
Ainda dentro da base da Nexus, em um andar subterrâneo.
A cela era simples. Vidro reforçado, paredes nuas, luz constante.
Pearl estava sentada no banco, as pernas cruzadas, o rosto limpo demais para alguém que tinha causado tanto estrago. Não havia algemas visíveis. Não havia pânico.
Havia curiosidade.
James entrou com passos medidos.
— Confortável? — perguntou.
— O suficiente — respondeu Pearl, sorrindo de leve. — Não é a primeira vez que fico presa a expectativas.
James não reagiu.
— Você sabe o que fez.
— Sei. — Ela inclinou a cabeça. — E você sabe que eles fariam o mesmo se pudessem.
— Não. — James se aproximou do vidro. — Eles não tirariam a escolha de alguém.
Pearl levantou a cabeça encarando o vidro.
— Aquele garoto — continuou Pearl. — O que resistiu. Lance, não é?
James não respondeu.
— Acho que entendi o porquê de ela o querer… — O sorriso dela se afinou.
James arregalou os olhos e entrou dentro da cela. Ele se aproximou de Pearl e a encarou nos olhos.
— De quem você está falando?
— Não vou falar!
— Não precisa, já sei de tudo! — James se vira com um sorriso.
— Sou só o começo. A Nexus vai cair!
— Então terei que impedir! — Uma voz firme chega.
— Há quanto tempo, Klaus! — fala James, surpreso.
Surge um homem com a postura firme, olhar frio e duas espadas em suas costas.

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