CAPÍTULO 16 — Calmaria
A sala de treinamento estava mais silenciosa do que o normal.
Os cinco estavam reunidos, ainda com marcas visíveis das missões recentes, não apenas no corpo, mas no olhar. Lance permanecia encostado na parede, braços engessados. Rivna sentava-se próxima a Yara, as mãos inquietas. Katsu observava o teto, distraído. Rays mexia no celular, fingindo desinteresse.
A porta se abriu.
O homem que entrou não parecia apressado.
Alto, postura reta, cabelos escuros. O olhar era frio, mas não arrogante, era o olhar de alguém que já viu coisas demais para se impressionar fácil.
— Então… — disse ele, cruzando a sala com passos firmes. — Vocês são o grupo caótico da 3ª divisão da Nexus.
O homem sorriu de lado.
— Meu nome é Klaus Miyamoto! É um prazer conhecer vocês.
Todos ficam surpresos.
— Miyamoto? Do lendário espadachim Musashi, e capitão da 10ª divisão? — falou Katsu, surpreso.
— Isso mesmo, na verdade ele é meu pai!
— Após a última missão de vocês, a qual se esforçaram e infelizmente tiveram algumas lesões, trouxemos novidades a vocês! — James surge nas costas do grupo, animado e sorridente com a notícia.
Klaus cruzou os braços.
— A divisão investigou o caso dos despertares artificiais! — Ele fez uma breve pausa. — Descobrimos que vem através de uma garota chamada Jasmim.
Rivna sentiu um arrepio percorrer a espinha.
— Fiquem tranquilos. — continuou. — Não vim interrogar ninguém hoje.
James deu um passo à frente.
— Pelo contrário. — disse ele. — Vocês estão dispensados.
Silêncio.
— Dispensados? — Katsu repetiu.
— Três dias. — James completou. — Descanso oficial. Sem missões. Sem relatórios. Sem treinos.
Rays riu, incrédulo.
— Isso é uma brincadeira?
Klaus balançou a cabeça.
— Não. É uma necessidade. Pessoas quebradas tomam decisões ruins.
Lance respirou fundo. Não sabia o quanto precisava ouvir aquilo até aquele momento.
— Aproveitem. — Klaus concluiu. — Quando voltarem… as coisas vão ficar mais complicadas.
A cidade parecia diferente fora dos muros da Nexus.
Menos pesada.
O grupo caminhava lado a lado, sem pressa, comentando banalidades. Rays insistiu em escolher o filme, um erro que ele se recusava a admitir.
— Isso é um romance? — Yara perguntou, olhando o cartaz.
— É ação emocional. — Rays respondeu sério.
— Isso não existe.
No cinema, os cinco sentaram-se próximos. Pipoca passou de mão em mão. Risadas baixas surgiram em momentos inesperados. Até Lance, depois de um tempo, relaxou os ombros.
— Lance, como você está com gesso nos braços, quer que eu dê pipoca na sua boca? — Katsu fala, se aproximando de Lance.
— Não precisa! — responde nervoso.
— Claro que precisa! — Katsu coloca a pipoca na boca de Lance.
O grupo ri com a situação, Lance sem conseguir impedir. Rivna está preocupada, Rays está tentando segurar Katsu.
Por alguns minutos…
Não havia vilões.
Não havia ordens.
Não havia medo.
Só jovens tentando ser normais.
Quando o filme terminou, saíram comentando as cenas mais exageradas, discutindo finais alternativos e reclamando do preço do refrigerante.
Foi ali, na calçada iluminada, que Lance parou de andar.
— Ei… — ele disse, meio sem jeito.
Todos olharam.
— Esse fim de semana… é o aniversário do meu pai. — continuou. — Vai ter um almoço em casa. Nada grande. Mas…
Ele hesitou.
— Eu queria que vocês fossem.
Houve um segundo de silêncio.
Depois, Katsu sorriu.
— Comida de verdade?
— Caseira.
— Então é claro que eu vou.
Yara assentiu.
— Acho que a gente merece um dia normal.
Rays deu de ombros.
— Se tiver bolo, estou dentro.
Rivna olhou para Lance. Havia algo diferente no convite. Algo importante.
— Eu vou. — disse ela, com um pequeno sorriso.
Yara olha para Rivna de lado, que fica corada.
— Se tiver bastante refri, eu vou também!
Lance respirou aliviado.
Naquele momento, Lance sente pela primeira vez o orgulho de ter ganhado seus poderes e entra na Nexus. Pois pode fazer grandes amigos.
No dia seguinte, eles se dividem para fazer compras.
O shopping estava cheio.
Luzes fortes, música ambiente e o som constante de pessoas conversando criavam um contraste estranho com a rotina da Nexus. Para eles, aquele lugar parecia quase… outro mundo.
— Então — Yara, olhando em volta —, o que se compra para o pai do Lance?
— Algo que não exploda. — Rivna respondeu. — Já é um bom começo.
— Lance falou que ele não é complicado. Gosta de coisas simples.
— Todo mundo diz isso. — Rivna comentou. — Ninguém é simples de verdade.
Katsu parou em frente a uma loja de artigos domésticos.
— Que tal isso?
Ele apontou para um conjunto de copos.
— Você quer dar copos para o pai dele? — Rays perguntou.
— Copos bons. — Katsu se defendeu. — Copos sobrevivem a tudo.
— Diferente de você. — Rays provocou.
Depois de algumas discussões inúteis, acabaram entrando em uma pequena loja de presentes.
Rivna caminhava entre as prateleiras com cuidado, tocando os objetos como se estivesse com medo de quebrá-los.
— Isso. — Ela disse, parando diante de uma moldura simples de madeira. — Podemos colocar uma dos dois.
— Ele vai gostar! — Yara concordou. — Agora, roupas.
Yara liga para Rays e Katsu.
— Achamos o presente! Agora devemos ir atrás de roupas?
— Eu estou bem assim. — Rays respondeu, apontando para si mesmo.
— Na rua, eu acho uns 10 que nem você, Rays, espero não precisar repetir! — Yara provoca.
— Que ofensa gratuita.
Katsu e Rays entraram em uma loja de roupas.
— Rays, a Yara com você parece não ser tão tímida…
— É porque desde os 15 anos estamos treinando na Nexus, ela é a única em quem confio! — Ele olha para Katsu de canto. — Pelo menos até antes…
O grupo se encontra na mesma loja de roupas. Se cumprimentam e conversam sobre as roupas. Katsu procura uma roupa, mas não consegue se decidir. Rivna entra no provador com mais de 20 vestidos diferentes.
Yara empurrou Rays para dentro de um provador.
— E você também. Principalmente você.
— Larga do meu pé! — Rays reclamou.
Katsu acha um conjunto de roupas interessantes e corre para o provador. Saindo depois, usando uma camisa simples, escura, bem ajustada.
— Hm… — Yara avaliou. — Você ficou… normal.
— Isso é bom ou ruim?
— Eu vou pegar outro conjunto para você!
Katsu faz caretas desanimado.
Rays saiu logo depois, com uma jaqueta mais clara.
— Eu sei. Eu sei. — disse ele. — Estou incrível.
— Você está aceitável. — Rivna corrigiu, enquanto passava com mais vestidos.
Depois de várias tentativas, finalmente Katsu e Rays estavam com roupas agradáveis.
— Vocês são mais complicados que crianças!
“A Yara fica tão linda quando se preocupa…” — Katsu pensou, corado.
— Yaraa!! Me ajuda aqui… — Rivna grita.
— Levem suas roupas para o caixa!
Yara corre e entra no provador de Rivna. Ao chegar, se assusta com o número de vestidos no provador.
— Por acaso isso é outra loja?
Elas conversam, e Yara ajuda Rivna a decidir qual roupa usar.
Depois de 10 minutos, elas saem do provador.
— Obrigado, Yara, não conseguia me decidir. — Rivna sorri.
— Rivna, o que é essa outra sacola? Não vi você abrir no provador para usar.
— Essa é a que peguei para Lance! — fala, envergonhada.
Yara sorriu sozinha.
— Os meninos estão esperando no caixa.
Na saída, sacolas nas mãos, o clima era leve.
— Engraçado. — Katsu comentou. — A gente quase parece um grupo normal.
— Não se acostume. — Rays respondeu. — Isso é raro.
— Podemos agradecer por você e Lance estarem só o pó! — Rivna brinca e o grupo ri.
As pessoas do shopping olhavam para o grupo, que se destacava pelos corredores, se perguntando quem eram aqueles jovens.

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