Lance recobra a consciência, ele olha para os lados e percebe que está dentro de uma espécie de caminhão e vê seus braços amarrados.

    — Para onde você está me levando? — Ele encara o homem misterioso.

    — Olha, você acordou! Desculpa, não nos apresentamos, meu nome é Ghast! — Ele estende a mão.

    Lance o encara desconfiado.

    — Não preciso me apresentar para você!

    — Qual o nome dele, Jasmim? — Ele olha para Jasmim.

    — Lance!

    — Nossa, que nome legal… Lance Shelford! — Ele afasta as faixas pretas em seu rosto e mostra um de seus olhos.

    — Como você sabe meu sobrenome?

    — Esses olhos vermelhos brilhantes são uma genética única dos Shelford! E já enfrentei alguns antigamente…

    Lance se contorce tentando se soltar, mas falha.

    Tenta usar sua gravidade, mas seus ossos do braço estalam.

    — Acho melhor você se comportar.

    — O que você quer comigo?

    — É bem simples, na verdade, seu poder é forte e quero acompanhar de perto. — Ghast coloca a mão no queixo enquanto olha para cima.

    — Você acha que vou me juntar a lixos como vocês?

    — Seu moleque fedelho! — Jasmim grita com raiva, mas se senta após Ghast levantar o braço.

    Ele ri.

    — Acho que você não entendeu, Lance… Ou você vem agora e me entrega seu poder ou vai sofrer da pior forma possível! — Ghast se aproxima de Lance e olha no fundo de seus olhos.

    Lance paralisar, sente um arrepio na espinha.

    Um carro em velocidade se aproxima por trás do caminhão.

    Uma luva é jogada pela janela do carro, e a mão é levantada. 

    O ar começa a pesar, todos os presentes sentem um arrepio.

    Ghast abaixa sua cabeça junto enquanto puxa junto a de Jasmim e Lance.

    Um corte rápido e seco é realizado.

    Partindo metade do caminhão e cortando a cabeça do motorista.

    — Quem é o outro louco?

    Ele coloca Jamim no ombro, pega Lance pelas cordas e salta do caminhão.

    De dentro do carro, a porta se abre e Arthur pula, seguindo Ghast.

    Pulando pelos tetos de carro em carro, criando uma confusão no trânsito, carros batendo, buzinas e acidentes, mas isso não os para, apenas são coisas irrelevantes para a situação.

    Eles chegam a um ferro-velho.

    Ele coloca Jasmim e Lance no chão, virando-se para Arthur, que caminhava lentamente em sua direção.

    — Acho que não nos apresentamos corretamente… — Ghast estende sua mão.

    — Não quero ser apresentado a um demônio!

    A pressão do ambiente todo muda.

    — Engraçado, aquele que se chamava de “Rei do mundo”, que enfrentou deuses, está me chamando de demônio? Nem fiz nada de errado! Ainda…

    Arthur para no meio do caminho, aquela frase traz memórias antigas em sua mente.

    “Ele sabe do meu passado? O quanto?” — Ele pensa, mas não se deixa abalar.

    Arthur olha para Lance e a saída, tentando criar uma rota de fuga rápida e prática.

    — Não vai dar certo! Por que não foca em mim primeiro?

    — Pelo que estou vendo, infelizmente isso vai ter que acabar em violência.

    Erguendo uma barra de ferro que estava no chão para cima.

    A barra começa a vibrar, uma pressão diferente percorre o ar.

    Um corte vai na direção de Ghast, que no último segundo pula para o lado desviando.

    Após olhar para trás, o corte cortou ao meio uma pilha de 5 metros com carros.

    — Acho que essa batalha vai ser difícil e perigosa…

    Arthur tira sua outra luva.

    Ghast caminha lentamente em direção a Arthur com os braços abertos.

    — Por que o “Rei do mundo” veio fazer em um ferro-velho? Tudo isso para salvar um garoto?

    — Que tipo de pai eu seria se abandonasse meu próprio filho?

    Lance brilha os olhos ao ouvir isso.

    Pois seu pai nunca foi de demonstrar o afeto com palavras.

    — Pai, por favor, me ajuda! — Lance grita com os olhos em lágrimas.

    Arthur acena com a cabeça e fecha seus punhos, concentrando o olhar em Ghast.

    — Entendi, é muito bonita essa relação paterna que não pude ter, infelizmente! — Ghast fala com um tom de deboche.

    — Não vim aqui para saber da sua vida medíocre! 

    Arthur lança mais um corte, dessa vez na horizontal.

    Ghast se abaixou a tempo, mas tem o chapéu cortado.

    — Eu gostava daquele chapéu…

    Se aproximando com velocidade e aproveitando a brecha, Arthur acerta uma joelhada, jogando Ghast para trás.

    Com um giro no ar, ele consegue se equilibrar e cair em pé.

    “Abaixei a guarda…”

    — Então, acho que é inevitável. Terei que lutar com “Arthur, o deus da guerra”! — Ghast começa a se alongar e estalar o pescoço. — Ou melhor, “Zargon, o rei do mundo”.

    “Zargon? Do que ele está falando? Quem é esse cara?” — Lance pensa enquanto olha para Arthur.

    Que estava paralisado ao ouvir o nome.

    Por um segundo, todo o cenário em sua frente some.

    Ele vê sangue e mais sangue rodeado de corpos e gritos.

    Ao dar um passo para trás, ele recobra a consciência e volta à realidade em sua frente.

    — O que você sabe sobre esse nome? — Arthur, com um olhar frio, encara Ghast.

    — Só falo se me vencer… Você pode ter tudo o que quiser, seu filho e respostas.

    O ambiente muda, se torna pesado com a sensação de que a morte está à sua volta.

    Cortes percorrem ao redor, cortando carros e sucatas.

    — Então vamos começar nossa luta!

    Ghast avança primeiro.

    O chão de metal afunda sob o passo.

    O primeiro soco vem pesado.

    Arthur bloqueia… e o impacto o arrasta meio metro para trás, rasgando o metal sob seus pés.

    — Não vai contra-atacar, rei?

    Arthur olha de relance.

    Lance ainda está no chão.

    Muito perto.

    O segundo golpe vem em arco.

    Arthur levanta o braço para cortar, mas trava o movimento no meio.

    A lâmina de vento que se formava se dissipa antes de nascer.

    Ele gira o corpo e deixa o ataque passar…

    O punho de Ghast atravessa a lataria de um carro atrás dele como papel.

    Arthur responde com um corte horizontal.

    O corte divide dois carros ao meio.

    Mas não acerta Ghast.

    “Os ataques dele parecem limitados…” — Ghast pensa enquanto avança de novo.

    Com chute no abdômen.

    Arthur bloqueia, mas não pode absorver o impacto totalmente sem ser lançado.

    A pilha de sucata atrás dele desmorona com o impacto.

    Faíscas.

    Poeira.

    Lance cobre o rosto.

    “Eu preciso ajudar de alguma forma… mesmo que como suporte!” — Lance olha para os seus braços. — “Mas mal tenho força para me mexer direito e nem usar meu poder…” 

    Arthur reaparece entre a fumaça.

    Sua respiração pesa.

    Ele não pode usar ataques amplos.

    Não pode errar o ângulo.

    Ghast percebe.

    — Isso já está tão entediante! — Ele olha para Lance. — Entendi…

    E então muda a direção do próximo ataque.

    Não em Arthur.

    Mas no chão.

    O impacto levanta uma onda de metal retorcido na direção do garoto.

    Arthur desaparece.

    Surge entre Lance e a sucata.

    Bloqueia.

    O choque percorre seus braços.

    A pressão o força a dobrar os joelhos por um segundo, que estalam.

    Nessa abertura, Ghast já está ali.

    — Acho que sua idade já chegou!

    O soco atravessa sua guarda e o lança contra a carcaça de um ônibus destruído.

    O ferro dobra ao redor do corpo dele.

    Silêncio.

    — Pai!

    Arthur não responde.

    Ele corta o metal ao redor como se fosse papel, limpando tudo em volta.

    Lance se joga no chão mais uma vez quando o impacto dos cortes faz a pilha de sucata ao lado tremer.

    Um pedaço de metal passa girando sobre sua cabeça.

    Arthur vê.

    O corte que ele havia preparado se dissipa antes de nascer.

    “Droga… me deixei levar pela raiva.”

    Ele recua meio passo, mudando o ângulo do corpo.

    “Se isso continuar aqui… eu vou acertá-lo.”

    — Cuidado para não acertar o filhinho…

    A voz vem atrás.

    Arthur vira o rosto.

    O punho de Ghast acerta sua face e o arrasta contra a lataria de um carro destruído. O metal amassa com o impacto, mas Arthur não cai.

    Ele permanece de pé.

    Respiração pesada.

    — Acho que você vai falhar em salvar o filhinho, do mesmo jeito que fez com sua esposa… — Ghast provoca.

    Então, sua mão se move. 

    Ele olha para Ghast, enquanto seus olhos vermelhos brilham.

    — O que você falou? 

    A pressão no ar mudou.

    Ghast involuntariamente deu um passo para trás e o faz olhar para o seu pé surpreso.

    “Por que eu recuei?”

    Arthur gira sobre o próprio eixo e avança.

    Sua mão passa de raspão pelo rosto de Ghast.

    O metal sob seus pés afunda.

    Por um instante, o ar ao redor vibra.

    A bandagem no rosto de Ghast se tensiona…

    E então se rasga.

    Ghast sente o perigo, consegue se afastar.

    Quando cortes em seu rosto se formam e o sangue começa a pingar pelas bandagens. 

    Ghast arregala os olhos.

    Ele força o corpo para trás, se soltando antes que a pressão aumente.

    Salta. 

    Aterrissa vários metros adiante.

    Ghast cobre o rosto com as mãos.

    Arthur avança.

    O soco seguinte atinge o peito de Ghast como um impacto de aço.

    O corpo dele é lançado contra o portão do ferro-velho.

    O metal cede com um estrondo.

    — Você não vai longe! — Arthur avança mais um passo. — Melhor se render antes de morrer!

    Ghast permanece curvado por um instante.

    Respira.

    E então ri baixo.

    — Admito… não esperava isso.

    Ele retira lentamente as mãos do rosto.

    Agora cobertas de sangue.

    — Acho que com você… Posso usar isso!

    O chão atrás de Arthur treme.

    Correntes negras irrompem do solo como serpentes.

    Arthur gira o corpo.

    Um corte.

    Dois.

    Três.

    O aço se parte antes de tocá-lo.

    — Correntes? — Ele ajusta a postura. — Então esse é o seu poder?

    Mais surgem.

    Dessa vez, de todos os lados.

    — O que você acha, rei? — Ghast ergue o olhar. — Vamos elevar o nível?

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