CAPÍTULO 9 — O Peso do Orgulho
O impacto da chegada de Rays ainda ecoava no chão rachado.
Draven e Rays se encaram, olhando fixamente um para o outro, esperando quem vai dar o primeiro ataque.
Ele passou os olhos por Lance e Katsu caídos, respirando com dificuldade, e sorriu de lado.
— Vocês deixaram esse cara causar tudo isso?
Rays coloca a mão em seu bolso e pega um chiclete.
Draven fica confuso, Rays olha com deboche enquanto masca o chiclete.
Ele faz uma bolha; após ela explodir, o nariz de Draven começa a sangrar.
— De novo, eu não vi esse ataque! — questiona, enquanto se afasta.
Raios a envolver o corpo de Rays.
Em velocidade, aparecendo na frente de Draven.
Rays girou o corpo e, com um chute, cortou o ar como uma lâmina, atingindo-o antes mesmo que ele pudesse reagir.
Draven continua na defensiva, observando Rays.
“Não estou com um bom pressentimento…” — Rays pensa, hesitante.
Rays se lançou para frente, girando no ar. O chute desceu com força suficiente para rachar o chão.
Draven reage.
Ele esquiva e prepara um gancho poderoso contra Rays, que para o soco com os pés.
— Essa distância é perfeita! — fala, enquanto sobe no braço de Draven.
Raios percorreram sua perna no instante do chute. O impacto veio antes do som, seguido por um estalo seco no ar.
— CHUTE RELÂMPAGO!
Draven é jogado para longe, enquanto Rays mostra um sorriso confiante.
— Aceita um chiclete?
— Moleque desgraçado.
Rays avança com um salto curto, gira o corpo e acerta um chute lateral. O raio explodiu no impacto, lançando o inimigo para trás.
— Agora eu entendi seus golpes! — Draven sorri.
Rays avançou mais uma vez.
O corpo se moveu como um raio.
Girou no ar e o chute desceu envolto em eletricidade.
Draven desviou.
Rays não recuou. Saltou outra vez, acelerando com um estalo elétrico, acertando um segundo chute mais forte.
Nenhuma reação.
O sorriso cresceu. A guarda caiu.
Então, Draven atacou, surgindo pelas costas de Rays.
— Como você chamava esse chute? Lembrei, CHUTE RELÂMPAGO!
O chute não vinha com raios, mas a potência e força eram absurdas, fazendo Rays voar mesmo com a guarda alta.
— O que foi isso?
Ele fica confuso, sem conseguir criar em sua mente uma explicação para o que acabou de acontecer.
— O que foi milagre, nunca sentiu o próprio chute? — Draven debocha.
— Isso foi uma cópia barata com sorte! — Ele riu. — Até me assustou um pouco.
Rays girou rápido, bloqueando por instinto. O choque elétrico percorreu seus braços quando os corpos colidiram. Ele sorriu, sentindo a vantagem.
— Você é forte… — disse. — Mas não o bastante.
Rays acelerou.
Os raios envolveram suas pernas enquanto ele atacava em sequência: chutes rápidos, giros curtos, impactos explosivos. Cada golpe vinha acompanhado de um estalo elétrico, o ar vibrando ao redor.
Draven recuava.
Sempre no tempo certo.
Sempre no ângulo certo.
Os raios se intensificaram, envolvendo as pernas. Rays seguiu com tudo, o chute vindo aberto, poderoso, feito para finalizar.
Dessa vez, Draven se moveu igual.
O mesmo giro.
Ao mesmo tempo.
O mesmo ângulo.
Rays arregalou os olhos no último instante.
— Hã?
Os golpes colidiram no ar.
O impacto ecoou seco, diferente da explosão elétrica de antes. A força bruta atravessou a guarda de Rays como se o raio nem existisse.
Ele foi lançado para trás.
Rays rolou no chão e se levantou rápido, confuso.
O choque fez Rays recuar pela primeira vez.
O sorriso diminuiu.
Os raios percorreram seu corpo, ainda mais, estalando de forma agressiva. Ele partiu para uma sequência rápida, pressionando, forçando espaço, tentando quebrar o ritmo.
Cada ataque era observado.
Cada erro, anotado no corpo.
— Você é rápido — disse Draven. — Mas é previsível.
Rays avançou com raiva.
O orgulho falou mais alto.
Ele abriu a guarda para um golpe mais forte, confiando que o impacto resolveria.
Draven atacou.
Um passo curto.
Um giro mínimo.
O mesmo movimento de Rays, só que melhor.
O golpe acertou em cheio.
O raio apagou-se no instante do impacto.
Rays foi lançado para trás, rolando pelo chão. O ar fugiu de seus pulmões. Tentou se levantar rápido demais, mas o corpo não respondeu.
O sorriso confiante e orgulhoso.
Já não era mais visto.
Era como lutar contra o próprio reflexo.
Ele tenta mudar o padrão. Saltou mais alto, acelerou com raios, girou de forma diferente.
Draven observou.
Outro golpe.
Depois, outro.
Cada um usando o próprio estilo de Rays contra ele.
Rays já estava ofegante quando se preparava para mais um avanço.
Um golpe que ele não pôde ver.
Ele bloqueou, mas o impacto atravessou seus braços. Ele caiu de joelhos.
— Não é possível… — murmurou.
O chiclete caiu da sua boca.
— Essa é mais difícil de replicar! — sorriu Draven, com o braço machucado.
“Aqueles golpes invisíveis são numa velocidade supersônica.” Tentar outro desses pode ser perigoso; só alguém com talento mesmo para usar algo assim” — Draven pensa, suportando a dor.
Rays rosnou e se levantou à força.
— Então, esse é seu poder, né? Só meus ataques podem me derrotar mesmo.
— Que poder? Eu não tenho poder — disse, calmo. — Só tempo suficiente para observar.
— Do que você está falando?
— Os poderes das pessoas vêm da “essência da sua alma”! Mas, nesse mundo, menos de 0,1% das pessoas podem chegar à sua “essência física”!
— O que é isso? Nunca ouvi falar!
— Não é exatamente um poder; é o humano, ultrapassar o limite físico, poder se igualar aos que têm poderes. Meu corpo alcançou essa essência e, com isso, posso replicar os movimentos que aprendo!
— Isso não tem sentido! — murmurou Rays.
Rays forçou o corpo a se erguer, os raios voltando de forma instável. Avançou mais uma vez, mesmo sabendo que estava errado.
Draven o derrubou ainda mais rápido.
— Não adianta, mesmo com seus raios, eu posso ver todos os seus movimentos!
Rays sentiu o mundo girar antes de o corpo tocar o chão.
O raio se apagou.
Rays cerrou os dentes, sentindo o peso da derrota esmagar mais do que qualquer golpe.
Ele não tinha perdido por falta de poder.
Tinha perdido porque lutou sozinho.
Para alguém que sempre ganhou sozinho, isso doía mais do que qualquer golpe.

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