Índice de Capítulo

    O salão era iluminado por uma única janela no topo, numa das áreas mais profundas de Nevéria. 

    Era composto principalmente por pedras pálidas, que tinham um tom frio azulado. Havia padrões desenhados nas pedras, que — mais do que apenas desenhos — contavam a história do reino.

    Um silêncio inquietante pairava sobre o local.

    Entre os pilares feitos do mesmo material, havia um corredor formado por duas fileiras de pessoas cobertas com mantos brancos. E estavam todos rígidos. O silêncio mortal mostrava que estavam à espera de algo importante. 

    No final do salão, ao final do corredor, havia um estrado, e sobre ele um trono, solitário, no qual o rei sem coroa se sentaria e manteria seu reino em segurança. 

    Elira e mais três dos principais membros da oposição aguardavam silenciosamente em frente ao estrado. 

    Então, segundo depois, as enormes portas de madeira escura abriram e ele entrou. 

    Um homem alto e robusto caminhou majestosamente para dentro. Seu cabelo azulado tinha alguns fios grisalhos, o olhar afiado estava carregado de uma imponência que só um forte líder poderia ter. 

    Kaelric balançou o manto branco felpudo e então houve um estrondo.

    “Bem vindo de volta, senhor!”

    Todos ali reunidos saudaram a volta de seu líder.

    ****

    Takeda juntou sua equipe — parte dela, na verdade —, e iniciaram uma reunião de emergência em uma sala privada que lhes foi cedida por Elira. Eles precisavam discutir como prosseguir a partir dali. 

    Com a ajuda da oposição, poderiam sair imediatamente, mas ainda restava Mayck e os outros, então partir não era uma opção no momento. 

    Rider fez um breve relatório das circunstâncias que os levaram até ali. Takeda fez o mesmo. Quando terminou olhou para os outros, pensativo.

    “Então nós estamos presos aqui até tirá-los de lá, hein…”

    De certa forma sim. E se isso demorasse demais, seriam pegos no fogo cruzado entre Arden e Kaelric. 

    “Eu conversei com Elira antes, e parece que eles ainda têm contatos dentro do castelo. Disseram que algumas pessoas suspeitas tinham chegado antes de nós. Acho que pode ser M-san e Sora também”, comentou Rider. 

    Diante disso, Gunner cambaleou para perto dele, ainda sentindo a dor da ferida em sua lateral. Por sorte, não foi um golpe fatal. 

    “A gente devia pedir ajuda deles, então, não é?”

    “Se pensar bem, é o melhor, mas precisamos analisar os riscos por trás. Não podemos nos dar ao luxo de nos metermos em algo que só desperdiçaria nosso tempo e vida.”

    Takeda mexeu em seus bolsos, em busca de um cigarro, mas só achou uma carteira vazia. Com um suspiro, o colocou de volta, um pouco frustrado — tinha fumado todos antes que percebesse. 

    “Eu falei com Kaelric. Ele pediu a nossa ajuda para lidar com o rei maluco.”

    “E o que você disse?”

    “Não dei uma resposta ainda. Como eu disse, temos que analisar os riscos. Primeiro que essa briga interna parece ser perigosa, principalmente pelo fato de não sabermos para onde ela pode caminhar.”

    “Elira mencionou que o rei Arden está pensando em interferir num tipo de ritual importante, não é?”

    Yoshiro ponderou por um momento, relembrando a conversa que tiveram com a líder interina. 

    Rider confirmou com a cabeça. 

    “É. Pelo tom dela, é algo bem sério.”

    “Mas isso não é só um ritual religioso? Quer dizer, todo mundo tem suas próprias crenças, mas eu não acho que a tal Nivorah vá se importar com um sacrifico”, Sky se pronunciou, revelando seus pensamentos sobre o assunto. 

    O ponto que ela queria defender, em questão, era que talvez fosse apenas um exagero de fanáticos religiosos, assim como os que ela já viu em sua vida. 

    “Esse é um ponto interessante. Mas lembrem-se, mesmo que pareça ser uma divindade que eles criaram há muito tempo, pode realmente haver algo maior por trás.”

    Ou isso, ou a oposição não passava de um bando de fanáticos querendo manter a integridade de suas crenças. Nesse caso, precisavam ouvir o ponto de vista do rei. 

    “Mas eu não consigo acreditar que eles se arriscariam tanto assim só por uma ilusão. Deve ter algo maior no centro de tudo”, acrescentou Takeda. 

    “Isso quer dizer que…”

    “… Esse lugar esconde muito mais do aparenta. Primeiro aqueles monstros do lado de fora. Não pareciam Ninkais pelo simples fato de não terem desaparecido como normalmente.”

    Ainda tinha a tempestade, as montanhas que pareciam pertencer a um mundo de fantasia…

    “Lembram das civilizações antigas da fita? Essa aqui com certeza é uma delas.”

    “Você tem razão”, Rider concordou. “Então nós podemos encontrar pistas da fita aqui. Se esse é um lugar tão antigo, quer dizer que tem uma história igualmente ampla.”

    Isso se resumia a memórias de até séculos atrás. 

    Essa parte era compreensível, mas Gunner acabou se sentindo confuso com algo. Ele franziu o cenho, enquanto lutava para se manter em pé. 

    “Não, não. Esperem aí. Esse reino do ‘não sei o que’ não tá isolado do resto do mundo? Como diabos a gente encontraria algo útil aqui?”

    “Não faço ideia. Mas por que arriscar uma chance dessas?” respondeu Takeda. “De uma forma ou outra, já estamos nisso. Só nos resta seguir o fluxo e adquirir informações o suficiente. Além disso, essa coisa de divindade também não me cheira bem.”

    Takeda passou seus olhos por todo o grupo. Os três soldados que estavam ao seu lado concordaram com o que seu capitão decidiu. A equipe Beta pensou um pouco, mas também decidiram que esse era o melhor a seguir.  

    Quanto aos dois agentes da Strike Down, bem, não era como se a palavra deles fosse mudar algo naquele ponto, então eles assentiram sem hesitar.

    Takeda balançou a cabeça, satisfeito, mas lembrou que estava faltando um.

    “Aliás, onde está Viktor? Ele não estava com vocês?”

    Eles se entreolharam. Não tinha questionado a ausência do garoto até agora. Talvez tivessem se acostumado a não ter o vice-capitão com eles.

    “Já faz um tempo que ele sumiu”, disse a garota da Strike Down. 

    <—Da·Si—>

    O clima festivo sob a neve estava mais evidente do que nunca. 

    As casas e lojas da cidade exibiam tabuletas e esculturas de cristais azuis em suas portas e janelas, com flores de pétalas brancas que pareciam se perder com a neve acumulada nos rodapés. 

    A estrada de pedras também estavam contornadas pela geada em suas linhas divisórias, deixando a rua com um certo brilho chamativo. 

    Entre os transeuntes sorridentes que se preparavam para o evento próximo, estava uma figura mau humorada. Ela pisava fortemente e andava despreocupadamente, visto que era um dos procurados do reino. 

    “Bando de idiotas!”, ele resmungava torcendo o nariz, seus passos firmes eram carregados de fúria. 

    Depois de acordar após ser nocauteado por Rider, Viktor fugiu da base, xingando seus companheiros do fundo de seu coração. Ele acompanhou toda a comoção de perto, mas não se envolveu nem por um segundo. 

    Agora vagava em busca da saída do reino. 

    “Se querem ficar aí, que fiquem!”

    A tarefa parecia ser fácil no início, mas ele não tinha nenhum conhecimento do mapa da área, então se perdia completamente a cada cinco minutos de caminhada. 

    Além disso, os guardas marchando pela rua desde a manhã não ajudavam em nada; Viktor era obrigado a se esconder ou desviar deles, tomando caminhos diferentes. Por isso nunca chegava a lugar nenhum. 

    Mas, graças a isso, ele pôde conhecer bem mais do reino, embora não estivesse interessado. Por exemplo, acabou ouvindo um coral infantil numa língua que ele não entendia, mas que lhe causava arrepios na alma. 

    Lugar imundo… Tsk!

    Ele seguia caminhando, focado apenas no que estava a sua frente e por isso não percebeu quando uma figura, emergindo de um beco, puxou-o violentamente para ele. 

    “Mas que caralhos—!”

    “Cala a boca.”

    Ele estava prestes a reagir de forma escandalosa, mas parou de repente e ficou em silêncio — melhor — foi silenciado. 

    Era um garoto de cabelos pretos e olhos castanhos, coberto por um manto também preto. Ele acenou com a cabeça para fora do beco; dezenas de guardas marchando. 

    “Melhor evitar perseguições desnecessárias”, disse.

    Viktor bufou. Então se virou para o garoto, que tinha a sua altura, e lançou um olhar afiado. 

    “E quem é você?”

    “Nem agradece… Ah, que seja. Acho que isso é demais pra você.” Mayck coçou a nuca com um olhar afadigado.

    De tanta gente que ele poderia encontrar, tinha que ser logo ele. 

    Sua cabeça já estava cheia e ainda teria que lidar com aquele cara… Isso só poderia ser piada ou provocação de algum ser superior. 

    De qualquer forma, ele decidiu colocar as cartas na mesa e se apresentar novamente, já que, sem a máscara, Viktor não o reconheceu. 

    Depois de se revelar como vice-capitão M, o garoto apenas lançou um olhar afiado, que não passou despercebido por Mayck, mas ele decidiu ignorar. 

    Então perguntou:

    “E quanto a vocês? O que aconteceu?”

    Ele tinha uma ideia por ter ouvido do rei e dos outros residentes do castelo sobre parte da situação deles, mas não sabia sobre os detalhes, então era bom ficar atualizado. 

    “Estão todos juntos”, foi só isso o que ele disse. 

    “Onde exatamente?”

    “Não sei. Eu não faço ideia. Se você também vai ficar para ajudar esses merdas, vá se encontrar com eles”, bufou. 

    Viktor parecia estar de extremo mau humor e lidar com gente assim era um pé no saco. Mayck estava quase dando as costas para o colega. 

    Se não fosse isso, eu nem chegaria perto. Mas o que ele quer dizer com “também vou ficar”?

    Era uma afirmação esquisita. Ele nem tinha dito nada. Se fosse deduzir o significado dessas palavras, o fato de Viktor estar irritado e sozinho significava que ele se separou do resto por não concordar com alguma coisa. 

    E pelo pouco que eu sei dele… Deve ter decidido sair depois de uma decisão que ele considerou absurda. Nesse caso…

    “Do que você tá falando? Eu quero ir embora desse lugar.”

    Não era mentira. Eram seus pensamentos genuínos. 

    Viktor parou por um segundo. Nesse segundo, Mayck viu seu rosto se iluminar. 

    Então ele cuspiu e riu de canto. 

    “Finalmente alguém sensato, hein.”

    Mayck franziu o cenho. Como havia pensado. Então o jovem falou tudo.

    “Aqueles incompetentes empáticos decidiram se meter na briga dos reis idiotas. Pensei que você estaria ao lado deles, mas parece que não é tão estúpido quanto.”

    Tanto faz

    “Quanto menos a gente se envolver, melhor. Então, onde eles estão? Precisamos reunir todo mundo e ir logo.”

    Mayck o apressou. Não tinha sido fácil sair do castelo sem ser visto, então ele não podia perder tanto tempo para voltar. 

    Viktor concordou em levá-lo até os outros. Pensando consigo mesmo que tinha conseguido alguém para o seu lado. Agora, podiam convencer os outros a largar a estúpida ideia de bancar os heróis. 

    <—Da·Si—>

    Após a reunião, Sky saiu sozinha pelo local solitário. Seus olhos vagavam pelas estruturas gélidas e um sentimento estranho a possuiu. 

    Não eram coisas como mal pressentimento, nem nada do tipo, mas uma sensação que só quem já abraçou a solidão entenderia. Aquela sensação fria, mas calorosa; assustadora, mas reconfortante. 

    Não era exatamente um vazio, ao mesmo tempo que parecia faltar algo. 

    Mas aquela Sky sabia o porquê de estar se sentindo assim. 

    Eu estava sozinha naquele dia também.

    Estava escuro, chuvoso. Os relâmpagos iluminando seu corpo coberto de sangue — não só dela, mas também do assassino que invadiu sua casa. A garota estava prestes a ceder, mas alguém segurou sua mão e a salvou. 

    Uma linda garota de cabelos azuis como o céu estrelado e olhos cintilantes. 

    E agora eu dependo tanto dela…

    Apenas alguns dias longe dela e a abstinência de sua amiga estava subindo à cabeça. 

    Ugh… Eu tenho que me concentrar.

    Ela balançou a cabeça para os lados, tentando dispersar aquela sensação que não era bem vinda. Foi quando alguém a chamou. 

    “Mm? Você é do grupo dos forasteiros… Sky, certo?”

    Lyara se aproximou lentamente, puxando em sua memória. 

    “Você é Lyara-sa— Lyara, correto? Obrigada por nos ajudar.”

    Por força do hábito, Sky acabou usando honorífico Achando que fosse deixar a mulher confusa, ela rapidamente corrigiu. 

    “Não, não. Eu que preciso agradecer. Seus amigos foram de grande ajuda.” Ela tinha um sorriso tranquilizante nos lábios. “A propósito, ouvi que você eliminou vários corrompidos sozinha. Isso é impressionante.”

    “Ah, não. Eu estava acompanhada. Nós só fizemos o que precisávamos. Não dava para saber que teríamos ajuda tão rápido.”

    Sky chacoalhou as mãos, como se tivesse desconcertada pelo elogio. Mas, na realidade, ela era do tipo que gostava disso e se gabaria com o menor deles. 

    Não que ela fosse demonstrar isso na frente de alguém que ela acabou de conhecer. 

    “Aliás, o que é isso?”

    Sky olhou para as mãos de Lyara. Ela estava carregando uma caixa grande, feita de madeira, mas que parecia resistente demais para ser isso. 

    Lyara respondeu sem hesitar, abrindo a caixa. 

    “Esses são explosivos de nheria. Ou como eu costumo chamar: esfera apaga soldados.”

    Havia dezenas de pequenas esferas brancas com pequenos círculos azuis no centro. 

    E então ela disse:

    “Elas explodem numa onda altamente carregada de nheria, que pode inutilizar as viseiras e as armaduras dos guardas por alguns minutos, colocando mais energia do que eles aguentam.”

    Era perfeito para emboscadas ou para fugas e também eram a arma principal de Lyara. 

    “São como granadas de concussão…” Sky sussurrou, olhando profundamente para os objetos. Se não fosse por sua aparência incomum, ela facilmente os confundiria.

    “Huh?”

    “Ah, não é nada. Eu só estava pensando alto.”

    “Entendi. Quer ver como elas funcionam?”

    Depois que a garota concordou, foi arrastada para uma outra área da base. 

    Diferente das demais, esta era aberta, e podia ser usada para o teste de equipamentos — não precisavam se preocupar em serem encontrados, já que ela ficava do outro lado de uma das montanhas. 

    “Veja. Basta fazer isso.”

    Lyara pegou uma das esferas e tocou em cima do círculo azul por alguns segundos. Quando ele brilhou, ela o arremessou para longe, então a esfera se desfez em um pulso brilhante que irrompeu para todas as direções. 

    Depois disso, não havia resquícios de que algo fora jogado ali. 

    “Incrível.” Sky olhou maravilhada. “Nem ao menos derreteu a neve.”

    “Hmm-hmm. É como eu disse. Ela é baseada em nheria, então não deixa rastros. Por isso é perfeita.”

    Uau. Essa é uma tecnologia que nem a Black Room conseguiu alcançar. Esse reino é incrível de várias formas. 

    Sky tinha brilhos nos olhos. Claro, aquilo não era tão impressionante por si só, mas o fato de ter sido criado num lugar que não se desenvolveu como no mundo do lado de fora das barreiras era o que o tornava realmente interessante. 

    Lyara esboçou um sorriso calmo.

    “Isso te deixou mais tranquila?”

    “Huh?”

    Sky voltou-se a ela com um olhar confuso. 

    “Você parecia meio tensa antes. Mas parece estar mais relaxada agora.”

    “Eh? Você consegue dizer isso?”

    “Eu meio que tenho esse talento de descobrir como as pessoas se sentem apenas vendo em seus olhos”, gabou-se. 

    Sky deu uma risada. Então ela só tinha a levado até ali para fazê-la relaxar. Quanta gentileza. 

    “Eu estou bem. Obrigada. Só estava um pouco preocupada… Afinal de contas, não faço ideia se Sora está bem.”

    “Ela é uma amiga importante?”

    Sky assentiu.

    “A única.”

    Dava para entender o apego. Era justificável — estavam juntas desde pequenas e se conheciam com a palma da mão.

    Lyara deu um aceno de cabeça satisfeito. 

    “Entendi. É natural que se sinta assim”, disse ela. “Mas não se preocupe. Segundo a nossa rede de informações, tem um grupo vivendo no palácio há um tempo. O rei disse que são visitantes do sul, mas nós temos certeza que são os integrantes que restam do seu grupo. Sora deve estar lá.”

    “Sério? Isso é ótimo!”

    O rosto da garota se iluminou. Ela podia dizer que estava aliviada com a notícia. E embora não pudesse ter certeza, apenas aquilo era suficiente. 

    De repente, alguém chegou correndo, ofegante. 

    “Lyara!”

    “Huh? O que aconteceu?”

    “É que… os forasteiros… eles…” O homem parou com as mãos nos joelhos. Sua condição parecia desesperadora. Ele parecia ter corrido muito até ali. 

    “Espera. Recupere seu fôlego e então diga calmamente.”

    O homem fez isso e respirou profundamente. 

    “É que tem dois forasteiros. Um deles é o que saiu e parece que ele voltou com outro, mas a situação não está muito boa, eles estão discutindo com Kaelric.”

    “É sério?!”

    Sky ouviu atentamente. Com essa descrição, ela só conseguia lembrar de uma pessoa. Uma que, com poucas palavras ou ações, poderia causar uma enorme confusão. 

    Os três foram para o salão imediatamente.

    <—Da·Si—>

    Algum tempo antes. 

    Mayck e Viktor seguiram sorrateiramente pela multidão de pessoas na rua, se esgueirando entre becos e vielas de acordo com o mapa mental do vice-capitão da Strike Down. Até que finalmente chegaram à entrada para a segunda base da oposição. 

    Bastante comum e desinteressante aos olhos de terceiros, era como a entrada de uma pequena casa no subúrbios do reino, entre duas casas maiores. 

    Havia uma pessoa vigiando o local, um homem, que imediatamente os impediu de seguir. 

    “Com licença, precisam de algo?”

    “Eu sou o Viktor. Meu grupo está aí dentro.”

    Aquele tom de voz autoritário e aquela atitude irritante… O homem não pôde não reconhecer que era aquele garoto que fugiu há algum tempo. 

    Claramente exasperado, ele soltou um suspiro. 

    “Então decidiu voltar? Quem é esse aí do seu lado?”

    “Ele faz parte da equipe. Dá pra sair da frente?”

    O vigia olhou para Mayck nos olhos, e ele retribuiu com um pequeno aceno, então foram permitidos a entrar. 

    Depois dali, desceram escadas e enfrentaram um corredor extenso, escuro e frio, iluminado apenas por tochas azuis em ambos os lados.

    Então alcançaram as portas de madeira escura e Viktor entrou sem hesitar. Ele provavelmente estava pensando que seu novo aliado seria um fator crucial para fazer os outros mudarem de ideia. 

    É nossa chance. 

    Eles foram recebidos por vários olhares surpresos, atraídos pela entrada repentina e descortês. 

    Viktor na frente com um olhar afiado e Mayck atrás, querendo nunca ter encontrado o garoto. 

    “Você voltou—? E esse é…”

    “M”, disse Mayck, tomando a frente. 

    “M-san?!”

    Embora surpresos, os membros de seu grupo sentiram uma imediata sensação de alívio e alegria por vê-lo bem, quanto os outros olhavam com curiosidade. 

    “Você está sem a máscara. Cansou dela?”

    “Não… eu perdi”, o garoto respondeu ao capitão, enquanto imaginava o sermão que receberia de Nikkie quando voltassem. 

    “Ei, ouvimos que Sora e os outros estão com você. Eles estão bem?” 

    “Sim. Estão todos bem. Não se preocupem.”

    Mayck deu uma boa olhada ao redor. 

    Então essa é a oposição que Viktor mencionou?

    Provavelmente era. Mas antes que pudesse confirmar por si mesmo, Viktor atraiu a atenção de todos quando levantou a voz.

    “Ei. Esqueça isso agora. Tem coisas mais importantes, não é?”

    Ele olhou para Mayck com o mesmo olhar feroz, esperando que o garoto tomasse alguma atitude. 

    Quanta ousadia, ele pensou, mas estava correto; não tinham tempo a perder.

    Mayck fitou o capitão, então disse, com um tom sério. 

    “Capitão Takeda. Me desculpe por ser repentino, mas como já estamos todos reunidos, não acha que já é hora de ir embora?”

    “O que isso significa?”

    “Não me faça repetir, por favor.”

    Takeda piscou brevemente. Ele sabia sobre o que o garoto estava falando, mas ainda queria ouvir seus motivos. 

    “E porque acha isso?”

    “Achei que deveria ser óbvio. Nós já perdemos tempo demais aqui. A tempestade, a separação… Tudo isso foram só contratempos. Não tem mais porquê enrolamos tanto.”

    Mayck falou logicamente. Claro, suas palavras eram reais, ninguém poderia dizer o contrário.

    Mas antes que Takeda respondesse, Rider se adiantou:

    “Espera, espera. M-san, o que vocês têm feito no castelo?”

    “Fomos confundidos como visitantes e acabamos hospedados por lá, embora aquele rei desagradável tivesse outros planos.”

    “Então você deve saber o que está acontecendo, certo?”

    “?”

    Mayck inclinou a cabeça e franziu o cenho, com uma expressão de duvida. Diante disso, Rider contou sobre a oposição e o que eles estavam tentando fazer. Disse sobre o ritual, o evento e o que o rei poderia estar tramando, colocando o futuro do reino em risco. 

    Rider imaginava que, sabendo da verdade, Mayck poderia compreender e se aliar à causa. 

    Mas, ele apenas soltou um suspiro exausto.

    “Eu sei disso”, respondeu após alguns segundos de silêncio. “Mas, e daí?”

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