Índice de Capítulo

    O caos da cidade cessou. Sob a luz da lua, iluminando os cristais de gelo espalhados sutilmente, agora só restava um silêncio perturbador, quebrado apenas pelo vento gélido e suave da noite. 

    Entre ruas e becos — sujos, por causa da multidão — não se via uma única alma viva, exceto por uma mulher, que vagava sem rumo, olhando para todos os lados. Sua respiração acelerada denunciava seu nervosismo. 

    Onde você está? Repetia a si mesma. Onde você está, meu querido?

    As mãos forçadas contra o peito, seus dedos finos e suaves tinham um tom vermelho por conta do frio extremo, que poderia congelar qualquer coisa a longo prazo. Era óbvio que as roupas que a mulher vestia não foram preparadas para aquelas condições. 

    Afinal, ela era a única que ficou nas ruas depois dos ataques. Por que ela tinha um motivo: durante o tumulto, separou-se de seu filho e agora o procurava incessantemente. 

    Ela não conseguia se consolar com o pensamento de que ele estaria seguro em algum lugar. Havia uma força em seu interior, obrigando-a a continuar sua busca desesperada. 

    Afinal, ele era só um garotinho. 

    No caminho da praça central, no sentido sul da cidade, algo brilhou adiante. A mulher correu até o objeto. Uma espada pequena guardada em sua bainha prateada. 

    Ela a pegou. Abraçou-a com força, como se aquilo tivesse sido tudo o que restou da criança a quem dera a luz. 

    “Varian… meu filho…”, sussurrou. 

    Pensamentos perturbadores tentaram se apossar de sua mente. Pensamentos os quais deveriam ser nada mais que delírio resultante da insegurança. 

    O vento assobiou em seus ouvidos, balançou seus cabelos bagunçados e roupas desalinhadas. Um sentimento sinistro pairou sobre ela. 

    Havia vozes em sua cabeça. Murmúrios de lamentos que não eram só dela. Definitivamente, não eram. 

    Me devolva…

    Não eram apenas sussurros em sua cabeça. 

    … Eu odeio todos…

    …Vocês me enganaram…

    Eram vívidos demais.

    Odeio todos vocês…

    Estavam cada vez mais próximos. 

    Por Nivorah!

    A mulher levantou os olhos. 

    Sua respiração congelou. Os olhos arregalados encararam algo à sua frente. O frio agora parecia o toque de mãos geladas, sem vida, líquidas, inexistentes…

    A mente da mulher foi preenchida por visões perturbadoras. Memórias que não a pertenciam, mas foram forçadas a ela. Seu corpo paralisado não pôde resistir. E então…

    Seu corpo foi dilacerado. 

    Pedaço a pedaço. Até não sobrar mais nada. 

    <—Da·Si—>

    Durante a madrugada, o castelo ainda estava acordado. Após eventos tão chocantes, não seria tão simples para a grande maioria dormir em paz, já que seus corações e mentes estavam completamente abalados.

    O átrio de visitas, por exemplo, ainda estava cheio. Mas o barulho era mínimo. Vez ou outra alguém falava um pouco mais alto e isso era tudo o que enchia o salão amplo.

    Para proteger as pessoas e amenizar o medo que eles sentiam, a segurança fora reforçada, para garantir que nenhum invasor noturno penetrasse e ameaçasse a segurança dos nobres. 

    “O que vai ser do dia do escolhido agora?”

    “Eles vão nos atacar de novo?”

    Essas é mais dúvidas circulavam entre eles, mas sem uma resposta definitiva. 

    Mais cedo, o rei tinha feito um pronunciamento, dizendo que iriam capturar os responsáveis pelo tumulto e que então poderiam encerrar aquele ciclo de comemoração em paz. E o povo se agarrou a essa ideia. 

    Vigiando de cima das galerias, estavam os agentes infiltrados no castelo — ou os terroristas, como foram classificados pelo príncipe na hora do desfile. 

    Quando o estalo do ataque da oposição se iniciou, Kaeelen não perdeu tempo em mandar soldados prenderem Sora e seus companheiros. Mas eles conseguiram fugir em meio a multidão e puderam se esconder no castelo. 

    Agora não podiam andar livremente. Até mesmo nesse momento de silêncio, corriam um alto risco de serem visados pelos guardas que estivessem em patrulha. 

    “Argh… Como que as coisas chegaram nesse ponto?” Masaki suspirou, deslizando pela parede e sentando-se no chão. 

    “De convidados de honra a procurados perigosos. Que belo roteiro”, queixou-se Koji ao lado de seu amigo. 

    Tudo mudou tão de repente para eles, que nem ao menos puderam trocar suas roupas. 

    As garotas também tinham seus problemas. 

    “Meu cabelo tá fedendo à fumaça.”

    “A minha roupa também tá toda empoeirada.”

    Ambas mexiam sem parar nas respectivas peças enquanto se lamentavam. Aqueles banhos quentes foram realmente preciosos. 

    “Mas mudando de assunto. O que vamos fazer agora, Sora-san?”

    “Mm. O vice-capitão sumiu e a gente não tem nenhuma pista. Não é melhor sairmos do castelo e procurar Takeda-san e os outros?”

    Eles pensaram que era a melhor solução. Com as revelações, deixaram de ser bem vindos ali. Mas não seria assim desde o início? Afinal, foi graças a Eirlys que os confundiu e os recebeu de braços abertos. 

    “Seria sim a melhor coisa, mas…” Sora ainda olhava para as pessoas inseguras lá embaixo. “Eu nem sei onde eles estão.”

    “Hah… Isso é terrível.”

    “A gente precisa tomar uma decisão logo. Não vamos conseguir nos esconder por muito tempo. Se sobrevivermos até amanhecer, ótimo.”

    “É. A gente pode simplesmente sair quando todo mundo estiver mais calmo. Não é, Sora-san, o que acha?”

    Uma das garotas, Ayame, fez a pergunta à líder provisória, mas não obteve respostas. Afinal, ela estava lá, imersa, concentrada. Os olhos firmes em algo lá embaixo. A atenção do grupo voltou-se a ela e ficaram todos com interrogações. 

    Mas sem se importar, Sora apenas levantou-se apressadamente e saiu. 

    “Eu tenho que fazer uma coisa. Não sejam pegos”, disse ela antes de sumir pelas escadas. 

    “Sora-san?” A outra garota, Satsuki, chamou por ela, mas era tarde. 

    ****

    Havia uma pessoa entre os nobres. Cobrindo seu rosto com um capuz, ela escondia seus cabelos prateados brilhantes, e olhos azuis inconfundíveis, esperando não ser vista por ninguém. 

    Cuidadosamente, ela perguntava sobre as pessoas ao redor dela, verificando se estavam bem. No fim, ela conseguiu concluir que havia poucas pessoas feridas e ninguém com sequelas graves. O ataque da oposição tinha sido realmente apenas para evitar que as pessoas ficassem nas ruas após o sol se pôr. 

    Ela suspirou, aliviada. 

    Que bom. Parece que hoje ainda podemos descansar. 

    Isso servia de consolo, por ora. Mesmo assim, apenas pensar nisso não era o suficiente. As pessoas tinham feições sombrias, rostos pálidos e os poucos pais presentes sorriam apenas para confortar suas crianças. 

    E isso tinha sido só o começo de algo maior. Eirlys sabia bem disso. 

    Todos os passos que deram até agora, eram nada mais que a preparação para o palco onde ela não passava de uma figurante; ela e todos naquele salão. 

    Um choro rompeu o silêncio do átrio. Gemidos baixos, desamparados.

    Eirlys voltou os olhos para a fonte — um garotinho encolhido no canto da parede. Seus sussurros quase inaudíveis repetiam, como um disco arranhado:

    — Mãe… Onde você tá…?

    Ela sentiu o impulso de ir até ele. Mas não podia. Não agora. Era uma fugitiva, e havia soldados demais por perto.

    Seu coração apertou. 

    Para seu alívio, outras crianças se aproximaram do pequeno. Ele não ficou sozinho.

    Eirlys então percebeu algo.

    Mesmo no meio do medo e da perda, ainda existiam mãos estendidas. Ainda havia bondade. E eram essas pessoas que mereciam ser salvas do destino que se aproximava.

    De relance, viu uma silhueta se afastando. Havia algo de familiar naquele cabelo cor de céu noturno, e naquele rosto sereno — apesar da inquietação.

    “Sora?”

    Antes que pudesse pensar, já estava seguindo a garota para fora do átrio e do castelo.

    ****

    Após procurar por um tempo, Sora aproximou-se de um estojo estreito, rígido, enterrado na neve acumulada em vários pontos da praça central. 

    Ela se abaixou. Sabia o que era aquilo e também a quem pertencia. Suas mãos hesitantes limparam um pouco da geada e revelaram alguns tons avermelhados estendidos no chão sob o fino tapete branco. 

    Suas mãos estremeceram, ela mordeu os lábios. 

    Antes de se aproximar de Eirlys, Sora ouviu os lamentos de Varian. E entendeu que eles se separaram no meio do tumulto. Com um mal pressentimento, ela decidiu sair para procurá-la.

    E o que encontrou foi isso. As evidências estavam ali. E embora não fossem suficientes para provar, também não eram o suficiente para negar o que aconteceu. 

    Então ela ouviu passos se aproximando suavemente. Eles pararam em suas costas. Ficou silencioso.

    Ainda encarando a arma sem fio, Sora moveu os lábios.

    “Aquele menino… eu conheci ele há uns dias”, disse ela, já sabendo quem estava ali. 

    A princesa atrás dela hesitou por um momento. Então respondeu:

    “Ele é filho de um dos capitães da guarda real. Normalmente, ele é bem cheio de energia. Essa foi a primeira vez que o vi tão deprimido.”

    “Eu imagino…”

    “…”

    “…”

    Um silêncio denso emergiu entre elas. O vento assoviou em seus ouvidos, retirando o capuz da princesa e balançando seus cabelos brancos com força. 

    Então Sora falou:

    “Parece que alguma coisa a arrastou por aqui. O que você acha?” Ela virou-se para Eirlys, que desviou os olhos para o chão. 

    “Se ela ficou aqui fora a noite…, então eu temo que tenham sido eles… Não. Só pode ter sido.”

    Ela recebeu um olhar confuso, então continuou:

    “Conforme eu aprendi, a interrupção do festival durante a noite é para purificar a terra para o segundo dia. Os servos de Nivorah vagam pela cidade, e então limpam o que estiver no caminho, para livrar as pessoas de qualquer culpa.”

    Mas, talvez, até isso fosse mentira, Eirlys pensou, já que tudo o que ela sabia se mostrou falso até aquele momento. 

    “‘Servos de Nivorah’? Acho que essa entidade é só um monstro sanguinário. M-san estava certo no fim”, Sora se pronunciou. “Essa tal limpeza, não deve passar de um genocídio que talvez não tenha nem mesmo um motivo.”

    “…”

    Então ela se levantou e encarou Eirlys.

    “Eu tô um pouquinho surpresa. Você não está agindo com os outros”, um sussurro quase inaudível.

    “Mm?”

    “Você está bem com isso? Mesmo sabendo que somos forasteiros?”

    Então era sobre isso. Havia um brilho esperançoso no olhar da garota. Era como o último resquício apenas esperando para se dissipar com a próxima resposta da princesa. 

    Eu imaginei, pensou, vendo o olhar de Eirlys cair e sua expressão se escurecer um pouco. Talvez ela só tivesse se esquecido por um momento. 

    “É como o seu irmão…”

    Sora não se esqueceu de como Kaeelen os olhou quando anunciou sua sentença. Um olhar de repúdio. Cheio desdém — impossível de imaginar naquele rosto. 

    Ela continuou:

    “Ele disse que somos terroristas… Mas isso não é verdade…”

    Tudo o que disseram sobre nós está errado. Era o que ela queria dizer. Mas estava mesmo errado? Não chegavam a ser terroristas, mas o mundo a qual pertenciam não era um mar de rosas. 

    Havia muito sangue nas mãos de todo mundo.

    Ela ficou cabisbaixa. 

    As palavras que tentou dizer foram alteradas assim que saíram de sua boca, como se coração e mente tivessem decidido seguir por caminhos diferentes. 

    “Me desculpe por termos enganado você”, disse ela. “Nós não tínhamos a intenção…”

    “Eu sei.”

    Eirlys a cortou friamente. Sora levantou os olhos, surpresa e o que viu não foi uma expressão de raiva ou coisa do tipo, mas um olhar carregado com de ternura e um pouco de arrependimento.

    “Eu sei… Sei porque fiz a mesma coisa.”

    “Você…?”

    “Uhum. Eu já sabia sobre vocês quando chegaram. Elira me disse para ajudar vocês, já que poderiam ser aliados valiosos.”

    Eram pessoas que vieram de fora das barreiras, algo cuja existência era incerta para a princesa.

    E por isso ela ficou surpresa. Como seriam essas pessoas? E se elas fossem malvadas?, pensava, enquanto traçava o caminho até a sala do trono. 

    Mas quando os viu, sentiu seu coração bater forte: eles poderiam ajudá-los. 

    “Eu enganei meu pai, dizendo que vocês eram meus convidados de honra, mas, na verdade, eu só queria usar vocês para salvar meu reino. Sou eu quem deveria estar se desculpando aqui. Devido ao meu egoísmo, puxei vocês para o mesmo abismo em que me encontro.”

    Ela fechou seu manto, como se quisesse se esconder. 

    “Eu tentei tudo o que podia, mas, no final, não consegui convencer meu irmão nem impedir meu pai… Eu falhei de forma vergonhosa.”

    O breve silêncio entre as duas durou vários segundos, até que Sora o quebrou. Segurando seu braço esquerdo, lhe custava fazer contato visual com a garota à sua frente. 

    “Isso… tá errado. Eu ouvi que todos — exceto a oposição — estavam do lado certo. Que o reino estava em perigo com a nossa presença. Por um momento, eu pensei que ele tinha razão”, disse ela. Então levantou a cabeça e largou o braço, olhando para Eirlys com firmeza. 

    “Mas isso está errado. Você também se esforçou em silêncio, mesmo com tanta pressão… Você seguiu por um caminho que ninguém mais queria. Você se esforçou do seu próprio jeito, Eirlys. E isso é motivo de orgulho.”

    Afinal, Kaeelen não passava de uma marionete. Foi isso o que deu a entender no encontro anterior entre ele e Sora; suas palavras não eram condizentes com os fatos.

    Não com os que ela conhecia. 

    “Eu quero ajudar você. Não quero ver as pessoas se ferirem. Eu tenho certeza, que mesmo não parecendo, deve existir um caminho. Não é?”

    Eirlys olhou nos olhos de Sora. Aquela pequena fagulha agora queimava de forma intensa. Suas palavras não estavam sendo ditas da boca pra fora — ela tinha certeza do que estava falando.

    Nada estava perdido ainda. 

    Seus olhos brilharam, marejados. A princesa olhou para a neve cintilante sob seus pés. 

    Eu me esforcei…?

    Realmente fiz tudo o que podia?

    Até onde se lembrava, só tinha tentando entender o que estava acontecendo à sua volta. Ela já tentou conversar com sua família, mas nunca conseguiu trazer o assunto à tona. 

    Ela compartilhou informações com a oposição, esperando que houvesse alguma mudança. Mas, no fim, foi chamada de traidora. 

    Suas lágrimas caíram no chão.

    “Eu… eu não sei… Durante todo esse tempo, me senti abandonada. Eu não queria deixar transparecer o quão abalada fiquei quando minha mãe foi levada… Era um momento feliz para todo mundo. Eu não queria que tudo ficasse pesado à minha volta.”

    Mas Eirlys não era a única que estava sofrendo. Ela tentou esconder, mas tanto seu pai quanto seu irmão estavam com os corações igualmente feridos. 

    “Meu pai decidiu destruir Nivorah… Até recentemente eu pensei que ele tinha sucumbido à loucura por causa da perda, mas não era isso… Nivorah é um monstro que aprisiona as pessoas e nos força a nos sacrificarmos. Independente de quem seja. E minha mãe foi uma delas.”

    Eirlys não conseguia superar isso. Esse pensamento a atormentava de tal maneira que tudo o que ela queria era chorar até suas lágrimas secarem. 

    “Eu poderia ter feito mais…”

    “Eirlys…” 

    Sora não sabia o que responder. Ela não sabia sobre isso. Mas se o que aconteceu com a antiga rainha foi o mesmo que aconteceu com a mãe de Varian, então ela conseguia entender a dor daquele momento. 

    Seu peito pulsava, como se o coração não pudesse suportar tanto peso.

    “Então você está conseguindo entender seu pai?”

    Alheio a tudo isso, uma voz chegou aos ouvidos das duas. Era Mayck. Ele se aproximou, vindo do lado leste. 

    “M-san?”

    As garotas olharam para ele.

    “Depois de tudo, você consegue entender um pouco mais sobre ele?” 

     Eirlys secou suas lágrimas com as mãos. 

    “Sim… Eu consigo entender. Posso sentir todo o ódio que ele depositou em Nivorah, sabendo da verdade durante todos esses anos. Deve ter sido sufocante”, afirmou ela, erguendo sua cabeça com os olhos e rosto avermelhados. “Mas eu não posso deixar ele continuar com isso. Mais pessoas podem morrer e nenhuma delas sabe a realidade que nós enfrentamos.”

    O olhar no rosto da princesa agora estava diferente. Estava brilhando. A escuridão que tinha antes fora completamente apagada. 

    “Isso é bom”, disse Mayck, sorrindo levemente. “Então vamos.”

    “Eh? Pra onde?”

    Sora franziu o cenho. O garoto chegou sem nenhuma explicação e já estava planejando partir. 

    “Eu estava pensando… Se são os servos que vêm buscar o escolhido para ser um novo servo, então eles devem estar todos no mesmo lugar.”

    “Você quer dizer… Na montanha de Nivorah?”

    Eirlys olhou para além do imponente castelo ao norte. Sora fez o mesmo. Mayck confirmou com a cabeça. 

    “É melhor irmos até o monstro antes que ele venha até a gente. Além do mais, eu já disse que tinha um plano, não disse?”

    As duas garotas ainda tinham olhares perplexos em seus rostos. Elas não entendiam até onde o garoto pretendia ir. 

    Então ele olhou para elas novamente e respirou fundo. 

    “Ei, Sora. Eu falei antes que não me importava com esse lugar e que não queria me envolver nos problemas dele, e mesmo agora… eu não me livrei realmente dessas ideias.”

    “M-san…”

    “O que a gente tá querendo enfrentar não é como um Ninkai de classe pesadelo ou outros agentes problemáticos. É algo muito maior. Numa escala que não consigo nem definir. Todo mundo tá correndo um sério perigo de vida e tanto Arden quanto a oposição sabem bem disso.”

    Sora apertou os punhos. Ela já estava pronta para arriscar a própria vida quando disse que lutaria por Nevéria. Mas agora ela estava revendo suas decisões.

    Nessa luta, incontáveis vidas poderiam ser perdidas, incluindo a dela. Isso era assustador. 

    Mayck continuou:

    “Eirlys, você já decidiu o que vai fazer?”

    A garota ponderou por um momento. Ela mordeu o lábio inferior, mas logo acenou com a cabeça. 

    “Sim. Eu quero encontrar minha mãe mais uma vez, assim como a mãe de Varian.” Ela se virou para Sora, pegou suas mãos e levantou na altura do peito. “Sora, me desculpe. Eu quero pedir sua ajuda. Para proteger o máximo que eu posso de Nevéria, preciso de você.”

    A garota abriu bem os olhos, aflita. Ainda havia emoções conflitantes em seu peito. Era assustador. Mas ela não podia recuar agora. 

    “Tá. Pode contar comigo”, disse com um sorriso determinado. 

    A princesa retribuiu com um sorriso radiante. 

    Ficou decidido. Eles entrariam na montanha de Nivorah. E lá, encontrariam o fim de tudo.

    Quanto a como, não era um problema. Quando questionado, Mayck revelou que nunca devolveu o anel para Arden — não o verdadeiro. Ele havia trocado a pedrinha brilhante por um dos receptores que tinha em sua espada. 

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