Índice de Capítulo

    Eram 21:30. Mayck espreitava pelos becos, em busca de seus alvos.

    Ninguém sabia o motivo, mas os Ninkais atacavam apenas durante a noite, o que era um alívio. Se eles sentissem fome durante o dia, tudo iria ser revelado e a bagunça seria maior.

    “Estranho. Não encontrei nenhum até agora. Ontem eu achei dois, 5 minutos depois de sair de casa.”

    Mayck utilizou um dispositivo e subiu para o telhado de uma casa, para ter uma melhor visibilidade.

    “Se eu chegar mais no centro, perto da estação, eu devo encontrar algo.”

    A situação estava preocupante. Pior que achar os Ninkais, era não achá-los.

    Mayck foi pulando pelos telhados, tomando cuidado para não ser visto e fez todo o trajeto até a estação.

    “Se Nikkie estivesse aqui seria mais simples”, ele afirmou, olhando para a distância entre o pequeno edifício em que estava e o telhado da estação. “Que seja.”

    Ele aproveitou as pequenas diferenças na estrutura e tentou escalar.

    Com sucesso, ele chegou em cima.

    Ele suspirou aliviado e se recompôs. Quando olhou para trás, perdeu o equilíbrio por um momento.

    “Oh, droga.”

    Seu coração quase parou quando viu a altura em que estava.

    Melhor continuar.

    Ele andou até a parte em que pudesse ver os trilhos.

    “Acho que posso descer daqui.”

    Os trens estavam parados, então não havia risco de ter alguém além dos guardas por lá.

    Ele fez a mesma coisa que tinha feito quando subiu e ficou em pé nos trilhos.

    “Certo. Vamos ver o que temos pra hoje”, ele disse enquanto se alongava.

    Se preparou e saiu em disparada, correndo com seus olhos focados apenas no que tinha a sua frente, para não tropeçar.

    “Mamãe…”

    No meio dos trilhos, uma criança estava sentada e chorando.

    “O quê?!”

    Mayck parou bruscamente e observou atentamente. O susto foi bem grande, mas logo ele se recompôs e tentou ler a situação.

    Só tinha algo que ele podia fazer, então respirou fundo e se aproximou da criança.

    “Ei, o que você tá fazendo aqui a essa hora?” Perguntou gentilmente.

    “Ela disse que ia me proteger, mas foi embora.”

    A criança aparentava ter entre 4 e 5 anos.

    O garoto se abaixou e apoiou o joelho no chão.

    “Você sabe onde mora?”

    “Eu… não sei”, ela falava em meio a soluços.

    Não faz sentido ter uma criança aqui. Isso… pode ser o trabalho de uma ID. Talvez uma ilusão ou quem sabe uma habilidade que pode transformar o corpo do usuário…

    “Você… vai me ajudar?”

    “Huh?”

    A criança levantou sua cabeça e olhou em seus olhos.

    “Você vai me abandonar também?”

    A voz dela ficou distorcida, mas não foi isso o que fez Mayck cair para trás e quase ter um treco.

    Aquela criança… era ele.

    “Quem… é você?”

    “Não pode dizer? Mesmo olhando para um espelho?”

    Mayck olhou para trás e lá estava Alana.

    “Você decidiu esquecer tudo. Mas logo logo, tudo vai voltar e você não vai mais poder fugir”, a criança falou.

    Ela começou a andar em direção a ele. E conforme andava, parecia que um bug estava ocorrendo.

    “Você é muito mal, irmãozinho.”

    O garoto pequeno desapareceu e um monstro saltou sobre Mayck, vindo pela direita.

    Sem muito tempo para reagir, ele deitou no chão e a criatura passou por cima dele, parando do outro lado.

    Um Ninkai? Quer dizer que essa ilusão é obra dele?

    Se levantou e se posicionou, com sua espada pronta para ser sacada.

    Esse deve ser um novo tipo. Eu nunca tinha ouvido falar de um Ninkai que pode fazer ataques de ilusão.

    A criatura deu um rugido fraco. Sua boca se abria em quatro partes. Em sua cabeça havia três olhos e possuía garras afiadas.

    Ela emitia um odor de planta morta misturado com o cheiro de uma floresta abafada.

    É melhor eu dar um jeito nele. Se a habilidade de criar ilusões me pegar de novo, eu não sei como sair dela.

    O monstro soltou um rugido e avançou, Mayck desviou para o lado e, com a espada já desembainhada, deu um corte horizontal na lateral da criatura e recuou alguns passos.

    Droga. Parece que eu realmente preciso de técnica de espada para derrubar essa coisa, ele pensou, vendo que não houve efeito.

    “Eu vou ter que mudar minha abordagem.”

    A criatura investiu outra vez.

    O garoto esperou ela se aproximar e deu um salto por cima dela.

    Ela se assemelhava a um cachorro, mas não era grande o suficiente. Tinha no máximo, 1,50 de altura e 1 metro de comprimento.

    O monstro rugiu outra vez e da sua boca saiu um pó escuro e fedido.

    Será o ataque de ilusão?

    Não era. A vista de Mayck se escureceu e ele não conseguia ver nem suas próprias mãos.

    Que merda.

    Ele se pôs em posição e se concentrou, tentando descobrir de onde ela viria.

    Eu acho que posso ativar minha ID. Claro, se eu aguentar o que vai vir depois… Que seja.

    Seu poder foi ativado e ele sentiu a presença do monstro em suas costas.

    “Te peguei”, ele afirmou e brandiu a espada, fazendo um corte certeiro na cabeça da criatura, que se dividiu ao meio.

    “… Caracas.”

    O garoto ficou boquiaberto ao ver o corpo do monstro, após a fumaça se dissipar.

    “Ele não é forte, só é irritante. De qualquer forma, eu preciso levar um pouco do sangue dele para a Black Room.”

    Ele retirou, do bolso, uma seringa e fincou-a no corpo do monstro, que cheirava a carne podre.

    “Esse é um dos piores trabalhos do mundo. Fala sério.”

    Mayck olhou o relógio em seu celular, que marcava 22:15.

    Ainda tenho tempo. Talvez eu possa me encontrar com Nikk-

    Um som estranho, que parecia vir de uma árvore sendo cortada, interrompeu seus pensamentos.

    “O quê?!”

    Olhou para a direita, tentando descobrir a origem do som e viu um par de pequenas luzes vermelhas.

    “Isso é…”

    Mayck forçou a vista, mas logo que descobriu o que era, recuou e rangeu os dentes.

    “Por que logo agora?”

    Uma criatura bípede, com dois longos chifres na cabeça e focinho de cachorro se apresentou na escuridão.

    “Um Ownerless dog, né? Que merda.”

    O ser bizarro deu um passo à frente e o garoto deu um passo para trás.

    Um Ninkai classe problema. Ele também não chega a ser forte, mas… ele anda em matilha.

    Como esperado, um grande número de silhuetas, um pouco maiores que Mayck, começaram a se mostrar e a rosnar.

    Até agora, eu só lutei com um grupo desse uma vez e eu estava acompanhado. Droga… que péssimo cenário.

    O rosnado das criaturas ficaram mais intensos e todas avançaram de uma vez.

    Mayck cerrou os olhos e ativou sua ID.

    Mesmo que a dor venha depois, é melhor do que ser mordido e devorado por essas coisas.

    Com a ativação da ID, suas habilidades vieram à tona e os movimentos do Ninkai ficaram muito lentos.

    A habilidade em questão, era diferente da observação, que parava tudo por cinco segundos. Ela era como uma habilidade natural dos olhos e se ativava juntamente com eles.

    O garoto não esperou e brandiu a espada, cortando os sete Ninkais em sua presença.

    Como eu esperava. A pele deles é bem rígida. Não vai ser tão fácil assim de cortar. Isso se eu não fizer aquilo.

    As criaturas avançaram outra vez, seguindo Mayck como se ele fosse apenas um pedaço de carne que podia se mover.

    O som ambiente de gafanhotos cantando a noite, foi substituído pelos rosnados e dos Ninkais e o choque da lâmina de Mayck contra suas presas afiadas, que tentavam pegá-lo a todo custo.

    Isso não vai acabar bem se continuar assim.

    Ele tentava encontrar uma solução enquanto esquivava das constantes investidas dos monstros.

    Parece que eu não tenho escolha.

    Largou a katana e correu na direção de um deles, que também vinha contra ele.

    Com sua ID ativada, ele conseguiu ser mais rápido e desviou da mordida, encostando sua mão no ventre da criatura.

    “Delete.”

    A esfera de eletricidade, que se formou entre a mão de Mayck e o corpo do Ninkai, explodiu, criando uma forte onda de choque que fez as pedras dos trilhos serem arremessadas, junto com ele.

    Um já foi. Mas, nesse ritmo, ainda vai ser difícil, então, agora eu vou com tudo.

    Voltou ao seu lugar original, já que os monstros pararam de se mover por causa da onda de choque, e pegou sua espada, empunhando-a com apenas a mão direita horizontalmente.

    “Eu vou acabar com vocês.”

    Tomando a decisão, Mayck começou a correr e as criaturas seguiram o exemplo.

    O garoto manejou a espada em um corte horizontal e teve sucesso, decepando o primeiro com quem teve contato.

    Sem parar para respirar, ele imbuiu sua essência de ID nos receptores da espada, que eram pequenas pedras azuis embutidas na lâmina, e várias faíscas auxiliaram nos cortes.

    O segundo e terceiro vieram e um corte diagonal de cima para baixo finalizou a vida de um e depois de um giro, o segundo corte abateu o próximo.

    Restam 3…

    Os restantes atacaram em conjunto.

    Dois avançaram e o último ficou parado, carregando algum tipo de habilidade com a boca aberta.

    “Eu não vou deixar.”

    Mayck correu e, no momento em que se aproximou dos dois agressores, deslizou pelo meio deles e se levantou em seguida, continuando a correr.

    “Eu vou pegar você primeiro.”

    Quando a distância estava curta o suficiente, ele saltou.

    “Delete”, exclamou, caindo com a espada na vertical.

    O corte foi muito rápido para os olhos acompanharem.

    A habilidade foi cessada e, dois segundos depois, o corpo do Ninkai se dividiu ao meio.

    Os outros que ficaram para trás, desapareceram como a fumaça, após bater um vento forte.

    “Como eu pensei, você era o cabeça, né?”

    Eles são problemáticos. Para derrotá-los de uma só vez, tem que matar o principal, que origina toda a matilha.

    Com a derrota total daqueles monstros, Mayck caiu sentado no chão; sua ID já tinha sido desativada, mas sua cabeça parecia explodir por um momento e ele quase perdeu a consciência.

    A cada vez… fica mais forte… merda!

    “Eu quero ir embora…” Levou seus olhos para o céu.

    Era noite de lua crescente. O vento balançava as pequenas plantas ao redor dos trilhos.

    “Acho que por hoje já deu. Provavelmente tem outras equipes de outras organizações por aí, então não preciso cuidar de tudo sozinho. Vou embora.”

    Mayck se levantou e guardou a espada na bainha em suas costas.

    “Já está de saída?”

    “Hum?” Ele se virou para ver quem havia acabado de chegar.

    “Estávamos te observando. E até que você consegue lidar com alguns Ninkais. Meus parabéns.”

    Uma das cinco figuras falou e bateu palmas.

    “Obrigado, eu acho. Mas quem são vocês?”

    “Apenas um grupo voluntário de passagem. Não pretendemos te atrapalhar”, ela disse, por fim.

    A presença delas não o incomodou, já que ele estava de saída.

    “Bom, então eu estou indo.”

    Mayco começou a andar de volta pelos trilhos até a estação e o grupo desconhecido o observou sair.

    |×××|

    Embora fosse tarde da noite, certas concentrações de pessoas ainda se mantinham acordadas, andando pela cidade. Mesmo sendo pequenos grupos que se viam uma vez ou outra.

    Os Ninkais não se mostravam aos montes, mas eles sempre estavam atrás de alimento, então sempre sairiam à noite.

    Mayck decidiu ir até a base de operações da Black Room, onde entregaria o sangue que coletou do monstro mais cedo.

    Ele não levou muito tempo para chegar, pois haviam vários atalhos até lá.

    No laboratório, estavam Nikkie, Mayck e Zero, junto com Kihon, realizando os testes necessários.

    “Realmente. Já houveram relatos de portadores que quase foram mortos após uma ilusão”, o pesquisador-chefe falou, digitando algumas coisas em um computador.

    “Como era a aparência dele mesmo?” Zero perguntou a Mayck, enquanto olhava para o monitor, que mostrava alguns parâmetros.

    “Bom, ele era um quadrúpede, a boca se abria em quatro partes e tinha três olhos, assim como garras afiadas.” O garoto se lembrava da imagem que pode enxergar da criatura.

    Kihon pegou essas informações e os outros pesquisadores as passaram para o computador e uma imagem foi projetada por IA.

    “Será que isso se aproxima?”

    “Provavelmente é algo desse tipo. Estava escuro, então não dá pra dizer com toda certeza”, Mayck analisava a imagem e comparava com suas memórias.

    “De qualquer forma, vamos mandar essas informações para a Strike Down e deixar a divulgação com eles.” Zero anunciou. “Eu gostaria que você continuasse pesquisando sobre essa criatura”, solicitou, por fim.

    “Claro. Farei o que puder.”

    Os três deixaram a sala e seguiram até outro local, já que ainda tinham coisas a serem feitas.

    “E quanto ao arquivo? Já identificaram?”

    “Estamos trabalhando nisso. O time de descriptografia está com um pouco de dificuldade. Apesar de ser um arquivo antigo, ele está bem seguro.”

    “Entendi. Vocês têm alguma ideia do que seja?”

    “No momento não. Como foi achado em uma base antiga da Ascension, pode ser muitas coisas”, Nikkie respondeu.

    Muitas coisas… se reduzir isso para Ascension, só posso pensar em coisas feitas para destruir.

    “Mas falta pouco para conseguirmos descriptografar aquilo. Dependendo do que for, nós vamos manter segredo das outras organizações.”

    Zero abriu a porta da sala de comando.

    “Aqui tá movimentado como sempre”, Mayck falou, com base na visão de várias pessoas digitando em teclados e falando coisas difíceis de entender.

    Os monitores mostravam vários tipos de informações diferentes, que mudavam vez ou outra.

    “Então, como está indo?”

    “Estamos perto, senhor. Devemos ter resultados em alguns minutos.” Um homem se pronunciou sem tirar os olhos da tela.

    Como ele disse, em cerca de vinte minutos, a descriptografia foi realizada.

    “Conseguimos, senhor. Vamos expandi-lo no monitor principal.”

    “Certo.”

    Zero foi até a cadeira do comandante e se sentou. Mayck e Nikkie ficaram em pé, ao seu lado.

    O arquivo foi mostrado na grande tela. Tratava-se de um vídeo.

    “Iniciem.”

    O vídeo foi reproduzido e continha no canto inferior direito, uma informação, datada de cerca de 30 anos atrás.

    Uma silhueta toda coberta com roupas pretas apareceu e começou a falar.

    “Eu sou o ex-chefe do departamento de operações. Digo ‘ex’ por que recebi uma subtração, após me opor a um dos planos dos superiores da Ascension. Decidi gravar esse vídeo, porque morrerei em breve por conta do meu excesso de uso da ID. Quero que esse vídeo seja visto o mais rápido possível, pela Strike Down ou outra organização ou pessoa que preze pelo bem do mundo e dos nossos irmãos humanos. É sobre o projeto ‘The fake human’. Investigando mitos e lendas de todos os países e culturas, um homem chamado Yin, cujo paradeiro e origem eram desconhecidos, propôs a criação de um ser superior, que pudesse controlar todos os fenômenos naturais e sobrenaturais. Para isso, era necessário algum tipo de catalisador e passaram dez anos estudando meios de fazer isso acontecer…”

    O vídeo de repente começou a chiar e acabou, sem mostrar o restante do conteúdo.

    Todos ficaram em silêncio por alguns segundos, sem expressar qualquer tipo de reação.

    O que foi isso?

    “Isso é tudo?” Zero perguntou, voltando a si.

    “Sim, senhor. Esse é todo o conteúdo.”

    “Onde este arquivo foi encontrado?” Nikkie indagou para os membros do time de decodificação.

    “Em um cartão de memória, senhora. Ele foi encontrado pelo time Alpha, na uma base de uma cidade litorânea.”

    “Certo, chamem eles até aqui”, Zero ordenou.

    A equipe assentiu, e contatou imediatamente o tal time responsável por levar o objeto.

    “Zero, o que é esse vídeo?” Mayck direcionou sua atenção ao homem no comando.

    “De acordo com a data, isso deve ser algo de antes de Yang assumir o cargo de chefe do departamento de operações. O maior problema é que o homem mencionado foi morto dez anos atrás, no mesmo ano que Yang subiu ao seu local atual.”

    “Então, quem é esse homem?”

    “Pode ser que ele seja Jin, conhecido por ser um líder justo. Ele odiava envolver civis nas lutas de portadores. Isso é tudo o que sabemos. A Strike Down é a única que estava ao lado da Ascension por mais tempo, então eles devem ter mais informações sobre.”

    “Então se mostrarmos esse vídeo para eles podemos conseguir alguma coisa, não?”

    “É aí que tá o problema. Não queremos contar com a Strike Down para isso. Eles são uma organização antiga, mas não temos ideia do que querem realmente e além do mais, um dos líderes dele já foi um membro da Ascension.”

    “Um dos líderes? Como assim?”

    “Eles são uma organização, que diferente de nós, atuam no mundo inteiro. E para isso, cada país tem uma sede com sete lugares de cada país”, Nikkie tomou a frente.

    “Hmm…”

    Mayck acabou ficando um pouco inquieto com o conteúdo do vídeo. O que Jin queria falar? O que era o tal ‘The fake human’?

    A porta se abriu e um grupo de cinco pessoas adentrou a sala.

    “Senhor Zero, nos chamou?” Uma garota de cabelos rosa e uma máscara típica da Black Room falou.

    “É sobre o que vocês trouxeram. Não havia mais nada no local?”

    “Fala do cartão de memória? Nós não encontramos nada além dele”, um outro garoto respondeu.

    Esse é o time Alpha? Ele pensou olhando para o grupo. Uma coisa que lhe chamou a atenção, era o fato de todo o grupo ter um cabelo de cor diferente. Pensando bem, eu não encontrei nenhum time além do Delta. Será que tem até o Ômega?

    “Essa parece ser só uma parte de todo o conteúdo. Pode ser que tenham outros cartões por aí.”

    Zero se levantou.

    “Todos prestem atenção. Uma nova missão será iniciada. Quero que informem para todos os times. Será uma tarefa em segredo das outras organizações. Vamos averiguar as bases da Ascension no Japão e tentar encontrar o restante do vídeo.”

    “Sim, senhor.”

    Todos os presentes, com exceção de Mayck, assentiram, como um só grupo, o que deixou bem claro o quão unificada é a Black Room.

    “M-san, eu preciso de você nisso.”

    “Claro, claro. Farei o que puder.”

    “Começará em três dias. Se preparem, porque ao mesmo tempo que procuram, estarão lutando contra os Ninkais e outros portadores que encontrarem no caminho. A Ascension sumiu. Se não tivermos alguma informação sobre o que planejam, será nossa derrota, então façam o seu melhor.”

    “Sim, senhor.”

    Após o pequeno discurso, todos saíram da sala para descansarem e começarem os preparativos no dia seguinte.

    Mayck decidiu ir para casa e o fim de semana se passou, chegando a segunda-feira novamente.

    Acordou pela manhã e foi para a escola como todos os dias, embora com mais sono que o normal.

    “Você está me ouvindo?” Haruki chamou o garoto, que estava olhando perdidamente pela janela ao seu lado.

    “Huh? Sim, estou ouvindo.”

    “Você nem deve lembrar do que eu falei.”

    “Lembro sim… do que era?”

    “O que eu disse?” Ele suspirou. “Cara, você tem viajado desde hoje de manhã. O que tá rolando?”

    “Não é nada. Não se preocupe com isso. Eu só dormi um pouco tarde.” Ele falou bocejando.

    Haruki não se convenceu só com isso, então continuou a questioná-lo.

    “Você tem certeza? Porque dorme tarde todo dia? Depois reclama quando eu jogo meus jogos durante a noite inteira e esqueço meu dever de casa.”

    “Diferente de você, eu cumpro todas as minhas obrigações. Então não venha se comparar comigo. Eu tenho o direito de dormir um pouco tarde.”

    “Hmmm…”

    Haruki o olhava com incredulidade, mas logo a professora entrou na sala e a conversa teve que ser encerrada. No entanto, Haruki tentou retomá-la quando as aulas acabaram.

    “Ei, espera. Tem realmente algo estranho com você. Mesmo que estivesse morrendo de sono, você sempre repreendia as piadas que eu fazia.”

    “Relaxa cara. Não tem nada de errado.” Mayck desviou o assunto. “Eu estava pensando em visitar o clube de kendō. Quer vir comigo?”

    Sob a proposta, Haruki parou no meio do corredor.

    “Eu disse. Eu sabia que tinha algo errado. Você nunca gostou de clubes. Quem é você realmente?” Ele exclamou e apontou o dedo.

    “Tudo bem, eu vou dizer a verdade.” Mayck parou e abaixou a cabeça, andando até seu amigo. “Na verdade, eu estou passando por uma crise de identidade. Eu sou um antigo samurai japonês que reencarnou nesta terra, mas perdeu todo o conhecimento que tinha.”

    “Isso é mesmo um problema… Vamos até o clube de kendō.” O garoto saiu correndo.

    Acho que exagerei…

    “Mayck? O que aconteceu?” Chika se aproximou.

    “Haruki está um pouco animado demais hoje. Estamos indo para o prédio dos clubes. Quer ir junto?”

    A garota deu um passo para trás e fez uma cara assustada.

    “Quem é você?”

    “Tá falando sério?”

    Os dois seguiram Haruki para o prédio dos clubes e chegaram na sala utilizada pelos alunos que praticavam kendō.

    Haruki abriu a porta animadamente.

    “Com licença!”

    Ele fez um grande esforço, mas a sala estava vazia.

    “Não há ninguém, né?”

    “Talvez eu deva tentar outro dia.”

    “Não, espere. Eles devem estar no ginásio.”

    Haruki puxou Mayck e os três seguiram para o local onde o garoto acreditava que os alvos estariam, mas não havia ninguém lá, a não ser o clube de vôlei e tênis de mesa.

    “Talvez eles tenham cancelado as aulas de hoje.”

    “Pois é.”

    Haruki se agachou e ficou desenhando no chão com o dedo.

    “Essa era minha única chance de ser útil…”

    “Ei, calma aí. Eu posso vir amanhã.”

    “Nã-não é culpa sua, Yukimura. Quem iria imaginar que eles não teriam atividades hoje.”

    Os dois tentaram consolar o amigo que, se sentia o mais inútil do mundo.

    “Enfim, eu vou ficar por aqui. Até amanhã.” Chika acenou e entrou no ginásio.

    Como eram do mesmo clube, Haruna, Rika e Hana também estavam lá.

    Após vê-las, Mayck acenou levemente e elas retribuíram.

    “Bem, eu vou para a sala do clube de futebol… até amanhã”, o garoto falou, e saiu, desolado.

    “Sim, até amanhã.”

    Com toda essa correria, eles ainda não haviam notado o céu escurecendo.

    Nossa. Parece que vai começar a chover, observou, enquanto passava pelo portão da escola.

    A operação começa hoje. Eu fiquei realmente curioso sobre o assunto daquele vídeo. Parece que algo grande vai acontecer.

    Mayck navegava em seus pensamentos. Esteve assim desde a noite anterior. Aparentemente, todos os problemas vieram à tona, e o garoto foi forçado a pensar em como resolver cada questão.

    Ele andava olhando para o chão e não notou que começou a chover. O dia ficou bem quente durante a tarde, logo, era óbvio que a chuva cairia para refrescar o clima.

    “Ah, que droga. Eu estou sem guarda chuva.”

    Mayck colocou sua bolsa sobre sua cabeça e correu, procurando abrigo.

    Parou embaixo de um ponto de ônibus e se sentou, na intenção de esperar a chuva, que aumentava cada vez mais, amenizar.

    “Parece que vai levar um tempo…” reclamou, exalando um suspiro. Pegou o celular e começou a olhar suas redes sociais.

    Mesmo que eu não fale com ninguém do Brasil, eu ainda venho deixando meu português em dia. Tenho até duas contas em casa rede social. Uma pro Brasil e uma pro Japão. Talvez eu acabe tendo uma crise de identidade real.

    Depois de alguns minutos, uma garota chegou correndo para se abrigar da chuva no ponto de ônibus.

    Sendo educada, ela inclinou a cabeça levemente, o cumprimentando e Mayck fez o mesmo.

    Os dois ficaram em silêncio e esperaram, mas nada da chuva passar.

    Dava a entender que a chuva estava gostando de vê-los naquela situação. O uniforme do garoto estava molhado, mas nada comparado a situação da garota, que tinha seu cabelo e uniforme completamente encharcados, como se ela tivesse pulado em um rio.

    Seu cabelo rosa estava quase colado em seu rosto, onde as gotas de água deslizavam sem parar.

    Vendo a situação dela, ele pensou que deveria fazer alguma coisa. Tirou de sua bolsa um pequeno lenço e o ofereceu a ela.

    “Se você não se importar, pode usar isto.”

    “A-ah, muito obrigada”, ela agradeceu com uma doce voz. Pegou o lenço e, gentilmente, passou por seu rosto.

    “Eu irei levá-lo para casa e vou lavar ele Assim, posso te entregar limpo, tudo bem?” Ela perguntou desviando os olhos timidamente.

    “Tudo bem. Eu agradeço.”

    “Sou eu quem deveria agradecer. Muito obrigada.”

    Após isso eles ficaram em silêncio de novo. Porém, algo inquietava a garota.

    “E-ei.”

    “Sim?” Mayck respondeu e olhou em seus olhos.

    “Por acaso… nós não nos encontramos a alguns dias? Sabe, no sábado, em Shibuya.”

    Nos encontramos… Ah! Ele se lembrou do passeio que fez com aquela extrovertida que o assustava só de lembrar.

    “Você é a amiga da Suzuki-san, não é?”

    “Sim, sou eu.” Ela acabou ficando feliz.

    “É uma grande coincidência nós vermos de novo por aqui.” Mayck olhava seu uniforme, mas não reconhecia a escola. “Você não estuda na Naoetsu, certo?”

    “Não. Eu estudo em uma escola feminina e eu tenho que pegar o trem até lá”, falou com um pequeno sorriso.

    “Isso… parece cansativo.”

    “Sim.” Sorriu novamente.

    Eles começaram a conversar animadamente e, foi tão agradável que, quando se deram conta, a chuva havia passado.

    “É melhor irmos, antes que a chuva volte.” A garota se levantou.

    “Você tem razão. Então, até mais.”

    “Até mais.”

    Eles acenaram e pegaram caminhos opostos.

    “Espere.” Ela o parou. “Eu ainda não falei meu nome. É Saori Nakamura. Prazer em conhecê-lo.”

    “O prazer é meu.”

    Como uma última saudação, ela inclinou a cabeça e se virou, seguindo seu caminho.

    Mayck fez o mesmo, mas por um momento olhou para o céu.

    Acho que vai chover ainda. Talvez eu nem saia de casa hoje.

    Enquanto ele olhava para cima, um relâmpago iluminou os céus e em poucos milésimos, Mayck teve a impressão de ter visto uma face acima das nuvens.

    Deve ter sido minha imaginação.

    |×××|

    Mesmo que a chuva tenha voltado mais forte e os trovões estavam mais evidentes, um carro abordou Mayck no meio do caminho.

    “O que foi?”

    “Você já sabe a resposta” Nikkie afirmou.

    “Peraí aí, quer dizer que eu também vou ter que ir agora?”

    Ela balançou a cabeça.

    A operação para encontrar os outros cartões de memória já estava em andamento e a presença dele era necessária.

    “Só meu deixe mandar uma mensagem.”

    “Vá em frente.” A mulher autorizou.

    O garoto pegou seu celular e mandou uma mensagem para Takashi, afirmando que não estaria em casa a noite.

    “Ele vai me dar bronca, sabia?”

    Ela não deu importância e fechou o vidro do veículo, sinalizando para ele entrar pelo outro lado.

    Droga…

    Após adentrar o automóvel, eles partiram em viagem.

    Haviam três pessoas no carro. Mayck, Nikkie e o motorista.

    Entre o banco traseiro e os dois dianteiros, tinha uma placa de vidro escuro, que os separava.

    Os dois estavam lado a lado.

    “Então, Nikkie-chan, não parece que vamos para a base de sempre, né?”

    “Eu não me chamo Nikkie-chan e, sim, não estamos indo para a base de sempre.” alegou, sem mover seus olhos para o garoto.

    “Entendo.”

    Ele ficou um pouco inconformado com a resposta, mas não expressou seus sentimentos.

    A chuva havia se acentuado e era quase possível ver o vento que empurrava a água com força.

    A estrada estava escura, portanto os relâmpagos iluminavam tudo, a cada vez que se exibiam.

    Que chuva… Espero que não tenha nada do lado de fora.

    Ele estava preocupado que houvessem roupas secando ou algo que poderia ser estragado pela chuva.

    Se tivesse, ele estaria em grandes problemas. Quando seu pai chegasse, iria dormir dentro de pouco tempo, por estar muito cansado. Mas isso não quer dizer que seria a mesma coisa se houvesse, por exemplo, um lençol tomando banho na chuva.

    Ele acabou ficando preocupado com isso a viagem inteira.

    “Chegamos.” Nikkie indicou, após o carro parar.

    Ela abriu a porta ao seu lado e desceu. Mayck fez o mesmo e, quando saiu, notou que estavam em uma espécie de pátio sem nenhuma iluminação que não fosse a do veículo e o que tinha lá fora era apenas uma estrada deserta.

    “Isso é…”

    “Esse é o ponto de encontro. Pode parecer que não, mas aqui é o ponto perfeito, já que ninguém sairia nessa chuva para vir até um lugar como esse em passeio. Agora, vamos.”

    Você até pode estar certa…

    O garoto decidiu não questionar e a seguiu. Parecia que o motorista não iria acompanhá-los.

    No pátio, havia alguns pilares que seguravam o telhado e como era um lugar antigo, ele estava em péssimas condições. Mayck não pôde ignorar a existência de goteiras, que estavam por toda a parte e escombros, caídos do teto.

    Ninguém, em sã consciência, guardaria um carro aqui.

    Em um certo ponto, Nikkie abriu uma porta de madeira. Ela estava em maus estados, mas pode-se dizer que era o que estava mais utilizável naquele local.

    “Os outros times já estão aqui. Então, comporte-se”, ela avisou o olhando.

    Ela tá me encarando… ah! Eu tô sem máscara.

    Ele levantou a mão e pôs o objeto no rosto, em um piscar de olhos, o manto preto substituiu seu uniforme molhado.

    “Onde isso estava?”

    “Eu não sei. Só sei que, quando preciso dele, ele aparece.”

    Embora ainda tivesse dúvidas sobre isso, a garota ignorou e adentrou a sala, onde os outros times os esperavam.

    Ao entrar, Mayck foi recebido pelos olhares desconfiados de todos os presentes, então ele acabou ficando desconfortável com isso, mas não demonstrou seus sentimentos e manteve-se quieto.

    Olhou ao redor e encontrou quem ele esperava que estivesse lá. O time Delta.

    Então Chika saiu voando da escola, né? Miyabe-san também.

    Chika tinha ficado no clube, quando Mayck saiu da escola. E embora ele tenha saído primeiro, ela ainda conseguiu chegar mais rápido.

    Em meio às conversas paralelas dos outros grupos, Zero saiu do meio da multidão e se aproximou de Nikkie.

    “Agora que vocês chegaram, vamos dar início.”

    “Certo”, ela assentiu. “Pessoal, façam silêncio.”

    Sua voz elevada fez todos se calarem e Zero deu um passo a frente.

    “Todos vocês sabem o porquê de estarem aqui. Agora, vamos rever nossos objetivos. Primeiro, essa missão é de tempo indeterminado. Então foquem-se para cumprir o objetivo o mais rápido possível. Segundo, vocês são as equipes designadas para essa tarefa, por isso não precisam se preocupar tanto com os Ninkais. Os outros times cuidarão deles. Vamos dar início nela agora. Como forma de cuidar disso de maneira mais fácil, cada time será enviado para uma prefeitura.”

    Ele mostrou um aparelho parecido com um tablet.

    “Verifiquem suas posições nos dispositivos. Não sabemos onde todas as bases estão, portanto, vocês estarão passando um tempo no local designado até que possam dizer com certeza absoluta que não há instalações pela área.” Zero acenou para Nikkie, para ela completar a orientação.

    “Vocês têm quinze minutos antes de iniciarem. Usem esse tempo para esclarecer dúvidas ou realizar alguma manutenção. Isso é tudo.”

    “Sim, senhora.”

    Terminadas as instruções, as conversas entre os times recomeçaram. Mayck se limitou a observá-los, sem querer se meter com ninguém.

    Afinal de contas, qual é a minha tarefa?

    Zero não tinha dito nada especialmente para ele. Por conta disso, ficou um tanto perdido, sem saber o que fazer.

    Será que eu falo com ele? Ou eu espero ele vir falar comigo?

    O garoto deixava seu lado introvertido brilhar.

    Quero ir pra casa.

    “M-kun.” Stella chegou e agarrou o braço dele. Quando percebeu, ele viu a equipe de Chika se aproximando.

    “Oh, o time Delta. Como tem passado?”

    “Com essa operação de repente, as coisas acabaram ficando corridas de mais”, Chika se pronunciou sobre o que estava acontecendo.

    “Eu imagino que sim.”

    “Então, M-kun, o que você acha de participar com a gente? Tenho certeza que vamos conseguir fazer tudo bem rápido.” Apesar de ser uma ideia bem óbvia, ela estava animada com isso.

    “Eu não sei. Zero não disse ainda qual é a minha tarefa…” Mayck olhou para a novata do time.

    Ela evitava contato visual e parecia muito nervosa, correndo os dedos indicadores entre si.

    Eu sei como você se sente, ele acabou dando um sorriso de empatia, por baixo da máscara.

    “Você conseguiu lidar com dois subordinados diretos de Yang. Pode ser que Zero tenha algo diferente pra você”, Isha declarou.

    “É uma opção. Afinal de contas, vocês ficaram com qual área?”

    “Parece que nós vamos ficar aqui em Tóquio mesmo.”

    “Ao menos não ficarão longe de casa. Pode ser que eu acabe ajudando vocês alguma hora.”

    “Sim. Quando isso acontecer contamos com você, M-kun.”

    “Bom, embora fosse bom ficar aqui conversando, nos temos outra coisa pra fazer ainda. Então estamos indo. Até mais”, Chika falou e se despediu.

    Stella também acenou e o time Delta se retirou.

    “Acho que vou até onde Zero e Nikkie estão. Não quero ficar sendo encarado aqui.”

    Mayck não aguentou a pressão e correu após o time Delta, se juntando aos superiores da Black Room.

    Eles estavam conversando, mas Mayck não pôde ouvir sobre o que era.

    “Ei, qual o meu objetivo aqui?”

    “Ah, Ma… M-san. Eu estava te esperando. Era sobre isso que eu queria falar.”

    Ele quase disse meu nome. Que descuidado.

    “A missão que eu tenho pra você é do jeito que você gosta. Vai ser nos bastidores. Eu vou te dar permissão para usar os outros times e tentar encontrar onde a Ascension está escondida.”

    “Uma missão difícil pra quem quase não sai de Tóquio…”

    “Você vai dar um jeito. Além disso, você tem um trato com alguém, não é?”

    “Então você já sabe?”

    “Eu sempre soube. Mas não podia fazer nada.”

    “Eu vou aceitar essa resposta por enquanto, mas depois pense bem na desculpa que vai me dar.”

    “Tudo bem por você, Nikkie?”

    “Sim. Embora eu tenha minhas ressalvas sobre a ajuda dele.”

    Com a incredulidade da garota, Mayck sentiu vontade de mandar ela cuidar de tudo sozinha, no entanto, ele escolheu a opção de ficar quieto.

    O tempo passava e os times ficavam atentos para o início da missão. A chuva não havia parado, mas, segundo Zero, era o momento perfeito para isso.

    Mesmo que para se locomover pelo Japão era mais fácil pegar os trens, naquela tempestade não haveria pessoas na rua e assim poderiam utilizar as habilidades dos portadores para eles correrem pelo país.

    Zero olhava atentamente para o relógio e com 5 minutos restantes, todos saíram da sala e se espalharam pelo pátio, revisando suas areas designadas e ativando o GPS, no caso, aqueles que não sabem qual direção pegar.

    Ao todo, a Black Room conta com 24 times de cinco pessoas, que foram divididos na metade. Como não seria o suficiente para cobrir cada prefeitura, nas 8 regiões do país, Zero tomou a liberdade de misturar e dividar cada equipe.

    Assim, de um total de 120 membros, Zero retirou 100 e dividiu em pares, o que resultou em 50 times. Cada par foi mandado para as 47 prefeituras e acabou sobrando três pares, os quais foram retirados da operação e mantidos como reforços. No final, 94 membros foram mobilizados.

    Para cuidar dos Ninkais, haviam as outras organizações, então não era necessário tantos times para lidar com eles, por isso dividir todos não era um problema. E, para não chamar a atenção mandando tantos times para longe, enviam duplas seria mais eficiente e discreto.

    Quando os cinco minutos chegaram ao fim, Zero deu a ordem final.

    “Agora, dou início à Operação Primavera. Dispensados.”

    Imediatamente todos partiram do maneira que julgaram melhor. Seja indo de táxi, trem, ônibus ou mesmo a pé. A maior operação do ano teve início.

    “Acho que eu deveria começar também. Poderia me ajudar, Nikkie-san?”

    “Parece que não tenho escolha. Vamos.”

    “Até mais, Zero.”

    “Boa sorte aos dois.”

    Mayck e Nikkie retornaram para o veículo e partiram, com destino à base da Black Room.

    Ué? Zero não vai com a gente?

    O garoto notou que não havia nenhum outro meio de voltar que não fosse correndo, já que o único automóvel presente era o que ele estava.

    Bom, ele deve dar um jeito.

    Quando chegaram na base…

    “Vocês demoraram.”

    Como? Como esse cara já está aqui?

    Mayck foi perplexo olhando para o líder da Black Room sentado em sua cadeira confortável e uma xícara de café nas mãos.

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