Índice de Capítulo

    Mesmo que a explosão sonora tenha sido mandada especialmente para Haruki, não era possível impedir a propagação do som. Ele ecoou perfeitamente para todos os pisos e chegou aos ouvidos de todos os presentes, embora em uma potência menor.

    Como a estrutura da estação era velha, alguns escombros caíram junto com a poeira e um pequeno tremor.

    O grupo de Hana, que estava atualmente no oitavo piso, não sofreu muito impacto. Não foi diferente para o grupo do sétimo piso.

    “Mas que droga foi essa?” Isha deu um pequeno salto com o susto.

    “Uma explosão?” Stella parecia preocupada.

    “Se ela foi causada por alguém, é possível que esteja tentando soterrar todo mundo. Mas pode ter sido outra coisa também.” Ruby mantinha-se calma apesar das circunstâncias.

    “De qualquer forma, independente da Strike Down estar presente, nossa missão não mudou. Vamos descer e verificar. Se um problema maior ocorrer será culpa nossa.”

    Eles desceram para o oitavo piso, tomando cuidado para não serem vistos pelos membros da Strike Down, mas isso não seria mais possível em algum momento.

    No saguão do décimo quarto piso, três garotos arrastaram seus corpos até serem atingidos por uma onda de som que os paralisou. Eles se desequilibraram e caíram.

    “Droga! O que é isso?”

    A ID daquele cara… agora eu me lembro. Eu já ouvi falar de um dos subordinados de Yang, que podia manipular o som, Kaito pensou.

    “Espere que dê tudo certo”, Yuno disse, um pouco inseguro. Os danos que eles receberam foram bem grandes, mas nada comparado ao dano recebido por Haruki, que recebeu 185 decibéis a queima roupa. Ryuu podia ter matado ele ali, mas não o fez.

    Depois de retomarem a compostura, apoiaram Rikki em seus braços e continuaram descendo.

    A Strike Down também se moveu e correu para os pisos inferiores. Sua missão falharia se não encontrassem a fonte do sinal no rastreador. Por isso, não podiam voltar e apenas relatar um som estrondoso que os prejudicou. Descobrir a origem do som se tornou uma prioridade.

    “Vamos rápido. Se encontrarmos um inimigo vamos poder lutar”, Yui disse eufórica.

    “Se acalme, Yui.” Seguindo Yuji, todos desceram rapidamente. Em alguns minutos chegaram ao décimo terceiro piso.

    Andando cautelosamente, viram gelo derretendo pelo chão e parede.

    “Isso… foi a habilidade de alguém, né?” Hana analisava os arredores.

    “Parece que sim. Mas gelo não causaria barulho daqueles, causaria?” Migi se abaixou, pegando um pedaço de gelo que parecia um caco de vidro nas mãos.

    “Alguém estava lutando aqui, há poucos minutos.”

    Eles continuaram andando e olhando ao redor, mesmo que a iluminação fosse pouca ainda podiam ver bem, por conta dos óculos infravermelhos.

    “Tomem cuidado”, Yuji alertou. “A Ascension está aqui, com certeza.”

    Todos acenaram e ficaram em silêncio. Depois de procurarem por todos os cantos não encontraram mais nada além de pequenas manchas de sangue e pelo chão, que seguiam pelas escadas para o décimo quarto piso.

    “Parece que vamos continuar descendo”, Airi observou.

    “Não temos escolha, não é?” Migi pegou um dispositivo e o ativou. A tela mostrava um mapa do local, bem como um ponto que marcava um sinal de concentração de energia.

    “Estamos bem perto. É melhor sermos mais cautelosos. Se preparem para um possível combate.”

    “Certo”, responderam em uníssono. Do outro lado, Ruby e seu grupo observaram o desenrolar da situação e, ao comando da garota, seguiram silenciosamente os outros visitantes.

    Três organizações foram mandadas na mesma missão, com um mesmo objetivo. Se algo perigoso fosse encontrado, uma batalha pela posse era inevitável. O que deveria ter um andamento sigiloso, se tornou uma missão de sabotagem. Ruby sabia disso. Desde que apenas seu grupo sabia da presença de outro. Enquanto não fossem descobertos, estariam em vantagem.

    Cerca de 20 minutos depois do estrondo lançado por Ryuu, ele levou Haruki para os andares inferiores.

    “Seria um desperdício matar alguém tão talentoso. Yang-san vai gostar muito quando eu o levar”, disse carregando o garoto em seu ombro. Um ‘bip’ veio de seu bolso.

    “Ryuu! Onde é que você está? Yang nos mandou cuidar da entrada e você saiu pra brincar com um Ninkai? Que porra você está pensando?” Uma voz exasperada saiu de um aparelho.

    “Relaxe, Kanemi. Graças a isso encontrei intrusos. Eu peguei um, e tem mais três indo até aí.”

    “Você deixou três escaparem? Que inútil.”

    Uma veia saltou da testa de Ryuu.

    “Bom, de qualquer forma, pare-os, antes que eles encontrem uma entrada.”

    “Quem você pensa que eu sou? Vou fazer o que me der vontade.” Kanemi encerrou a conexão.

    “…” Ryuu encarou o aparelho por alguns segundos e o arremessou no chão.

    “Você tá brincando comigo? Vai se ferrar Kanemi. Só porque possui dois elementos base, acha que é o fodão?” O homem bateu o pé no chão, deixando seu ódio em relação a seu companheiro extravasar. Em seguida soltou um suspiro.

    “É melhor eu ir andando”, concluiu e continuou seu caminho, sem notar um certo grupo à espreita.

    A Strike Down o alcançou rapidamente e começou a seguí-lo com cautela. Logo após se moverem, a Black Room também se moveu. Em uma perseguição dupla, eles continuaram se em frente sem notarem um ao outro, até chegarem no décimo sétimo piso.

    Embora estivesse tudo quieto após as pequenas confusões acabarem, o único caminho para o último piso estava inacessível. Chegar lá pela escada era um sonho.

    “Ué? Eu vim por aqui quando subi… porque ela está caída?” Ryuu expressou em seu rosto, sua confusão e coçou a cabeça. Ele tinha certeza de que subiu por ali.

    Vendo que não havia escolha, ele se preparou para procurar outra forma de descer. Quando se virou, um punho atingiu seu rosto e o desequilibrou.

    “Te peguei”, Haruki falou e se jogou para frente fazendo Ryuu cair.

    “O quê!?”Os dois caíram juntos indo do décimo sétimo para os trilhos do último andar. Eles se machucaram um pouco no momentos do choque, mas nada que os prejudicasse tanto.

    “Droga! O que foi isso?” Ryuu se levantou lentamente com dores nas costas.

    “Parece que deu certo. Que bom”, Haruki falou com um sorriso, também se levantando.

    “Você tinha planejado isso? Desde quando?”

    “Idiota. Acha que vou revelar meus truques pra você? Até aqui deu tudo certo.” Ele olhou para cima e viu seus três companheiros mandando um joinha, e imitou o gesto.

    Voltando seus olhos para Ryuu, ele levantou a mão.

    “Temperature break.”

    O gelo se concentrou ao redor deles e formou uma caixa, os isolando.

    “Dessa vez eu vou dar um jeito em você. Já descobri qual é a sua ID. Mesmo se eu não puder evitar que você a use, ao menos vou impedir que você use seu elemento base.”

    “Oh, descobriu qual é? Interessante”, disse com um sorriso.

    “Pois é. Essa caixa é feita de gelo seco. Se você não sair daqui logo, vai morrer asfixiado. Ah! E só pra lembrar, aqui tem uma espessura de dois metros.” Haruki levantou o indicador direito no meio da explicação.

    “Acha que me venceu com isso? Eu posso matar você usando um certo número de decibéis. E em um lugar fechado como esse, vai ser bem prejudicial.”

    “Não se preocupe. Se eu morrer aqui, a GSN vai mandar reforços, aí você já era.”

    “Hmm… Parece que você tem muita coisa planejada.”

    “Nem muito. Eu só tentei ser um estrategista. Mas eu não tenho mais nada além disso.”

    “Que pena. Então você está em xeque-mate.” Ryuu abaixou a cabeça e sorriu, esperando por algo.

    “Huh? Como assim?” Haruki teve um mal pressentimento. Uma luz veio do lado de fora e limpou a caixa de gelo como se não fosse nada. O garoto só pode ver o gelo o grande cubo sendo estilhaçado.

    “Essa é a criança que te deu trabalho, Ryuu? Que patético.”

    “Não seja desrespeitoso com seu veterano. Isso pode quebrar nossa equipe.”

    Kanemi, o homem que conversou com Ryuu anteriormente, se aproximou.

    “Fique quieto. Você caiu numa armadilha dessas e precisou da minha ajuda. Que belo veterano você é”, Kanemi zombou.

    “Bom, que seja. Vamos acabar com isso aqui.”

    Vendo a situação, os três garotos restantes pularam e se agruparam com Haruki, se preparando para mais uma batalha.

    “Droga. Eu me sacrifiquei só pra aumentar o número de inimigos”, Rikki reclamou, cuspindo no chão.

    “Foi mal. Nem tudo sai como planejado.”

    “Eu ao menos fico feliz que minha transferência de pensamento tenha servido de algo”, Yuno se consolou.

    “Pois é. Talvez a culpa de tudo dar errado seja minha…” Kaito parecia bastante abalado com a falha inesperada. Os quatro garotos suspiraram.

    “E vocês? Vão ficar aí em cima só observando ou vão se juntar a festa?”

    “Do que ele tá falando?”Haruki observou a pergunta de Ryuu, que foi direcionada a outro grupo de pessoas.

    “Eh?! Tinha alguém atrás da gente?”Sem outra escolha a não ser se revelar, ou foi o que pareceu para Yui, ela pulou, fazendo uma entrada triunfal.

    “Eu tentei me esconder, mas parece que você é bem esperto”, ela disse quando chegou ao chão.

    “Você só se escondeu porque foi obrigada.” O restante do grupo chegou.

    “Que? Strike Down? O que estão fazendo aqui?”

    “Nós gostaríamos de fazer a mesma pergunta.”

    “Não precisamos dizer nada a vocês”, Rikkie exclamou.

    “É mútuo. Então poderiam, por favor, não nos atrapalhar?” Airi mostrou certa hostilidade para com os membros da GSN.

    “Como é?! Vocês se metem no nosso meio e ainda querem nos dar ordens?”

    “Ei, ei. Se acalmem por favor. Certo? Rikki.” Haruki tentava amenizar a situação para que não se estendesse. “Ei, Strike Down. Tenho uma proposta. Por que não damos uma trégua até nos livrarmos desse dois? É uma boa, certo?”

    “Nós não precisamos de vocês. Vamos derrotá-los sozinhos.” Yui entrou na discussão. Se eles parassem para cuidar deles sozinhos, os membros da GSN poderiam completar sua missão sem mais problemas. Mas Yui não entendia essa lógica, pois era cegada por sua vontade de lutar.

    “Fique quieta idiota”, Yuji a repreendeu. “Eu entendo as circunstâncias, então vamos cooperar. Mas só até terminarmos com esses dois.”

    “Okay.”

    Enquanto discutiam, Ryuu e Kanemi observavam impacientes.

    “Já terminaram? Se sim, poderíamos começar logo?” Kanemi perguntou.

    “Desculpe fazê-los esperar. Agora, sem mais delongas…” Com o fim da frase, todos se prepararam para o combate.

    Ryuu e Kanemi de um lado e a aliança Strike Down e GSN do outro. Eram 9 pessoas contra duas. Claramente uma desvantagem. Mas nenhum dos lados se importava com isso.

    Os dois da Ascension se mantinham confiantes, e podiam. Afinal, eram subordinados diretos de Yang, conhecido por ser um dos mais poderosos de todas as organizações, cujo poder o levou para mais próximo do topo.

    “Bem, bem. Vamos começar de uma vez.” Um show de brilhos radiantes se iniciou e a escuridão que pairava no local se dissipou.

    Haruki e Yuji foram primeiro. Com suas armas desferiram golpes contra Kanemi que, antes de ser atingido, tirou duas lâminas de suas costas. Ele revidou os golpes e se defendeu dos ataques consecutivos de espada e adagas que vinham contra ele.

    O restante do grupo se dividiu com Rikki e Yui no ataque contra Ryuu. A garota usava uma foice que emanava um brilho no tom de rosa e desferiu golpes incansáveis no seu oponente. Rikki quase não tinha chance de atacar.

    Estando em desvantagem, Ryuu só podia desviar.

    Acima deles, a Black Room apenas observava o show de luzes e o choque entre as lâminas.

    “Até a GSN está aqui?” Stella ficou surpresa.

    “Isso é uma vantagem. Vamos deixá-los se destruírem e vamos até o objetivo.”

    “Usando seus inimigos desse jeito… como você é fria, Ruby-chan.”

    O grupo esperou por alguns segundos. Quando a batalha esquentou, eles se estreitaram pelos cantos e seguiram na direção de onde Kanemi tinha vindo, adentrando o túnel.

    |×××|

    Keize era muito grande para passar sem ser visto, então foi ordenado a se manter vigilante a qualquer mudança que ocorresse.

    Ruby e o restante tinham a suspeita de que havia algo abaixo dos trilhos.

    “Isha, verifique mais uma vez.” A garota assentiu e fez o procedimento. Os resultados foram uma grande concentração de pessoas abaixo deles.

    “Tem cerca de vinte. Provavelmente um tipo de sala.”

    Enquanto conversavam, Stella acabou tocando em um círculo na parede que reagiu a isso.

    “Oh~, encontrei algo interessante. Ruby-chan, venha aqui.”

    Ruby se aproximou dela para analisar o achado.

    “Isso é um tipo de sensor?” O círculo emitia uma fraca luz vermelha.

    “Talvez possa ser um leitor de ID.” Flame afirmou. “Existem alguns deles nas salas de segurança, certo?” O garoto se referia aos antigos sistemas de segurança, onde somente pessoas com IDs cadastradas poderiam acessar certos locais.

    “É possível. Então quer dizer que não vamos poder ativá-la sem alguém cadastrado…”

    Um outro obstáculo surgiu. Não parecia haver outras passagens, portanto, o grupo foi forçado a pensar no que fazer.

    “Por que não destruímos a parede? Pode ser que tenhamos uma chance”, Stella sugeriu com um sorriso como se tivesse tido uma ideia brilhante.

    “Você é burra? Nós estamos tentando completar a missão sem chamar atenção e você quer explodir a parede?” Isha a repreendeu com um olhar de superioridade.

    “Eles já estão fazendo barulho mesmo. Qual é o problema?” A loira fez beicinho.

    “Não é uma má idéia. Até você pode pensar, né?” Flame zombou da garota, que rangeu os dentes.

    Depois de pensar um pouco, Ruby chegou a uma conclusão.

    “Se tivéssemos um usuário de eletricidade, poderíamos destruir os circuitos rapidamente. Mas isso não vai ser possível.”

    “Então o que a gente faz?” Stella perguntou.

    “Tem algo que podemos fazer. Não posso garantir que vai dar certo, mas sempre é bom arriscar. Eu preciso de vocês dois, Isha e Flame. Quero que usem seus elementos base para esfriar e esquentar o sensor rapidamente.”

    Eles acenaram e fizeram o que lhes foi mandado, começando por Isha.

    “Flash frost.” Em um passe de mágica, uma placa de gelo surgiu sobre o sensor. “Pronto. Essa minha habilidade resfria em 20 graus negativos. É o suficiente?”

    “Provavelmente. Sua vez Flame.”

    “Hum, fazer o quê? Flare burning.” Com um movimentos das mãos, uma chama de 1000 graus derreteu o gelo em poucos segundos.

    Ao ver aquilo, Isha estalou a língua e Flame deu um sorriso e pôs as mãos na cintura.

    Ruby se aproximou do sensor e pôs a mão sobre ele. Não houve nenhuma reação, o que queria dizer que não estava mais funcionando.

    “Parece que deu certo.” A garota ia sair, mas de repente um círculo apareceu abaixo dela e se abriu.

    “Ruby-chan?!” Stella gritou ao ver sua líder desaparecer no buraco. “Onde isso vai dar?” Eles se aproximaram e observaram a profundidade.

    “Só tem um jeito de saber.” Isha chutou Stella e a garota sumiu, deixando um eco de sua voz.

    “Eeeeh!?” Isha pulou em seguida.

    “Que deselegante.” Flame foi atrás. Uma pilha humana se formou no fundo de um tubo de vidro.

    Eles caíram em um saguão e se depararam com vários olhos direcionados a eles.

    “Quem são vocês?!” Um homem armado perguntou.

    A porta do tubo se abriu e eles saíram.

    Imediatamente se levantaram e se prepararam para o combate.

    “Parece que estragamos tudo.” Flame suspirou.

    “De certa forma…” Ruby concordou. “Não há o que fazer agora. Vejam.”

    Todos olharam na direção apontada pela garota. Uma caixa de vidro guardava uma grande pedra vermelha, que parecia ter mais de 5 quilos. O aparelho que eles tinham em seus bolsos dispararam loucamente, insinuando que o que eles buscavam estava bem a sua frente.

    Com um aceno, Ruby comandou seus companheiros ao ataque. Com o objetivo ao alcance de seus dedos, eles se mobilizaram e começaram a atacar.

    Mas os guardas do local não deixariam barato. Quando os primeiros soldados foram derrubados com socos e chutes, eles apontaram suas armas e começaram a disparar.

    A equipe da Black Room saiu na vantagem e em poucos minutos, neutralizou todos os guardas e os pesquisadores correram para tentar salvar a pedra.

    “Não deixem eles fugirem. Peguem o objeto, mesmo que precise matá-los.” As palavras da garota carregavam uma certa frieza. No entanto, seus companheiros não questionaram e fizeram o que lhe tinha sido ordenado.

    “Desculpe, mas são ordens da líder.” Flame derrubou um dos pesquisadores e pegou a caixa. Ele estava prestes a levá-la, mas alguém o parou.

    “Opa, opa. Não podem mexer nisso, viu?” Um garoto de cabelos brancos se mostrou e todo o grupo voltou sua atenção a ele.

    “E quem é você?”

    “Meu nome é Shiro e estou aqui para proteger o controle.”

    “Controle? Fala dessa pedra?” Isha se posicionou.

    “Opa, vieram roubar o controle e nem sabem o que é? Vocês não tem jeito, hein.”

    “Não importa. Ele virá conosco. E não tenho a intenção de deixar você nos impedir.”

    “Isso é um problema. Então… vocês morrem aqui.” Sob a ameaça, Shiro levantou as mãos e coisas como fios se prenderem aos corpos de três dos soldados caídos. Ele movia os dedos e as marionetes humanas atacavam como se estivessem fazendo por conta própria.

    “Um marionetista? Que droga”, Isha reclamou desviando de um chute vindo de um dos bonecos.

    “Se acalmem. Podemos cuidar disso.” Ruby encorajou o time.

    Flame foi obrigado a recuar com a caixa de vidro. Já que ela era pesada, não poderia lutar livremente, a não ser que alguém segurasse-a por ele, o que não era o caso.

    Ruby, Stella e Isha tomaram as rédeas da batalha e mandaram o garoto recuar. A missão já estaria completa se não fosse a interferência de Shiro.

    “Vocês são teimosos. Yang vai ficar uma fera se deixarmos o Controle Espacial na mão de vocês.”

    “Por que não nos conta o que é esse Controle Espacial? Talvez nós possamos desistir de levá-lo.” Ruby fez uma proposta para o garoto que parou por um momento.

    “De verdade?”

    “De verdade.” Shiro apertou os olhos e abriu a boca. “Então, o Controle Espacial é… Espera, vocês não vão me enganar.”

    Isha estalou a língua e defendeu um soco da marionete. O garoto pode ver através da mentira de Ruby, mas quase foi enganado. Ele rapidamente começou a mover suas mãos e as marionetes respondiam com ataques físicos, das quais as três garotas desviavam facilmente.

    “Apenas fiquem quietas e morram!” Ele gritou impaciente.

    “Desculpe, mas não podemos atender seu pedido.”Ruby contra atacou um dos soldados com um chute giratório, o atirando contra a parede. Em seguida, Isha estendeu a mão e congelou os outros, para que Shiro não pudesse os mover.

    “Com isso acabou. Até mais garotinho.” A líder da equipe afirmou e, seguindo o exemplo, Stella e Isha viraram de costas para saírem do local. Flame estava a espera delas um pouco mais distante.

    “…Acha que vou deixar vocês irem assim? Vocês congelaram meus brinquedos, mas e daí? Essa não era minha ID completa.” O ar pesou. Shiro apontou seu dedo para Isha e de repente a garota fez uma estaca de gelo, mirando a caixa nas mãos de Flame.

    “Devolvam agora!” Ele exclamou e a estaca foi em direção a Flame, que por reflexo tentou desviar.

    Mas por um erro de cálculo, a estaca atingiu sua mão e a caixa se chocou contra a parede, libertando o Controle Espacial.

    Como se não estivesse nos seus planos, Shiro esboçou em seu rosto um sorriso assustado.

    Vendo a reação do garoto, Ruby notou algo estranho. A pedra começou a emanar um brilho.

    “Yang me disse… que o controle não podia se chocar nem com um dedo… agora, já era.”

    O brilho ficou mais intenso e já iluminava toda a sala. A garota ficou com um mal pressentimento.

    “Pessoal, saiam agora!” Essas palavras chegaram aos ouvidos de todos e, imediatamente, eles começaram a correr para o fundo da sala.

    Em um piscar de olhos, mais da metade da estação foi reduzida a pó. A explosão subiu até às nuvens, iluminando tudo em um raio de 5 km.

    |×××|

    Depois de pegarem o equipamento, Mayck e Nikkie saíram pelas ruas escuras da cidade para chegarem até o local da explosão.

    Eles corriam freneticamente sem se importar com os poucos veículos no caminho.

    Nikkie estava usando seu traje habitual e Mayck tinha escolhido algo simples, como um manto preto com capuz.

    “Nós vamos precisar atravessar a estação, então é melhor pegarmos um atalho.” Nikkie afirmou.

    “Um atalho?”

    Ela acenou e correu na direção de um prédio.

    “Pera, o quê? Você tá pensando em subir isso aí?” Mayck ficou abismado olhando para o prédio de 20 andares.

    “É o caminho mais rápido. Se segure em mim.”

    Sem questionar, Mayck acabou agarrando a cintura da mulher, que não se importou nem um pouco. Ela retirou um dispositivo da cintura e o arremessou com força.

    Um fino fio se estendeu até o topo do prédio e rapidamente puxou os dois para cima. Mesmo que só um pouco, os olhos de Mayck brilharam.

    Parece coisa de filme de espião.

    Ao chegarem até em cima, continuaram a correr e saltar de prédio em prédio. E alguns minutos depois, passaram por cima da estação e seguiram para a estação abandonada.

    10 minutos haviam se passado desde a explosão. O objetivo era resgatar o time Delta antes que a polícia chegasse.

    Em 20 minutos os dois chegaram até as proximidades do local destruído. O que antes era um terreno vazio com uma estrutura velha decorando a paisagem, se tornou uma cratera que parecia abrigar um grande meteoro.

    Os dois ficaram abismados com tal visão. O ar ainda estava quente e a poeira obstruía a luz do local. Seria difícil encontrar Ruby e os outros se os dispositivos de comunicação tivessem parado de funcionar.

    “Ruby, pode me ouvir?” Nikkie tentou chamá-la.

    “Sim…estou ouvindo.” Em meio a chiados, a voz da líder do time Delta passou pelo aparelho.

    “Como está a situação?”

    “Nada boa. Nós falhamos em recuperar o objeto.”

    “Não importa agora. Onde vocês estão?” Ela deu prioridade à segurança de seus subordinados.

    “Não sei bem. No entanto, acredito que estamos abaixo dos trilhos. O Flame foi pego primeiro na explosão, então deve ter alguns ferimentos. Eu não consegui falar com ele.”

    “Estou descendo agora. Aguentem mais um pouco.”

    “Tudo bem.” Nikkie desativou o dispositivo e o guardou.

    “Vamos.”

    Mayck assentiu e os dois deram um salto para a cratera e continuaram pulando nos escombros até chegarem ao fundo.

    Mas que tipo de coisa causaria uma explosão dessas? O garoto ia analisando o ambiente caótico, enquanto seguia Nikkie.

    A cratera tinha, no mínimo, 1 quilômetro de diâmetro. Nada tão grande quanto as crateras que existiam ao redor do mundo.

    “Mantenha-se atento. Existem outras organizações aqui além de nós”, alertou o garoto.

    Eles desceram por dez minutos, mas ainda não viam o fundo. A esta altura, eles já estavam bem exaustos.

    Falta muito ainda? Olhando de cima, era desencorajador. O fundo estava um breu. Nem mesmo a luz da lua alcançava.

    “Vamos parar um pouco. É melhor recuperarmos as energias antes de descer tudo”, Nikkie propôs e se encostou na parede da cratera.

    Mesmo que eles descessem tudo, ainda não seria possível resgatar o time Delta. Por conta da extensão do local, eles não conseguiram dizer com certeza onde eles estariam. Então, teriam que depender do rastreador para encontrá-los.

    “O que era essa coisa que eles vieram procurar afinal?” Entediado com o silêncio, Mayck perguntou.

    “Não sabemos exatamente. Mas ele enviava um forte sinal, como se fosse um aglomerado de IDs.”

    “Como se vários portadores estivessem reunidos e usando seus poderes, certo?”

    “Exato. No entanto, não era como se fossem dois ou três portadores. Normalmente, detectamos sinais de até 30 deles, o que não é incomum.”

    “Então o sinal foi particularmente grande, já que chamou a atenção de vocês.” Mayck semicerrou os olhos tentando imaginar o número que poderia ser.

    “Sim. Estamos falando de cerca de 65 IDs de combate. Usando um poder com uma escala de destruição 2. E isso não é pouca coisa.”

    “Escala de destruição? É a primeira vez que eu ouço isso.”

    “A escala é marcada de 1 a 7. Pense nisso como os níveis de um jogo. As IDs são divididas entre IDs de combate, IDs de suporte e IDs de suprimentos.”

    Nikkie iniciou sua explicação olhando para o fundo do abismo.

    “As IDs de combate são como o nome diz; são as que servem apenas para lutas. ID de suporte são como habilidades de restauração, cura e outros tipos de benefício; são aquelas que não são usadas em confrontos diretos.”

    Ela fez uma pequena pausa enquanto pensava em algo.

    “Já as IDs de suprimentos, são aquelas que dispensam equipamentos e podem se juntar com IDs de combate ou suporte. Por exemplo, uma ID com visão térmica. Isso dispensa o uso de equipamentos desse tipo.”

    “Hum… É como se fossem classes. E quanto a escala de destruição?”

    “Uma escala de 1 a 7. É como nós determinamos o poder e perigo de um portador. Embora seja pequeno, um poder de escala 1 pode destruir, em um único ataque, um raio de 100 metros e a diferença entre um e outro é de 3 vezes.

    “Isso é bastante coisa, hein.”

    “Mas esses número não são precisos. Se a área de alcance for menor que isso, então o portador pode ser tratado como um zero à esquerda. Até hoje o maior número da escala de destruição registrado foi 6 e ocorreu a poucos anos.”

    “6? Então como a escala foi montada de 1 a 7, já que não foram registrados nenhum 7?”

    “Eu disse que foi “registrado” 6. Isso porque o poder foi usado. Mas já tivemos um caso com um portador de nível 7 na escala. E pode ser que existam portadores acima disso. Agora, vamos continuar”, Nikkie falou, pronta para andar. Porém algo foi lançado em sua direção.

    Ela esquivou para trás e por poucos centímetros não foi atingida.

    “Se abaixe.” A garota empurrou Mayck para baixo, ficando em cima dele no chão estreito.

    Eh? O que foi isso? O garoto se surpreendeu com a ação da garota, mas logo entendeu tudo.

    “Opa, essa foi por pouco, hein. Você tem bons reflexos. Posso perguntar seu nome?” Flutuando em uma placa de metal, Ryuu sorria levemente.

    “Ryuu…” Nikkie o reconheceu e cerrou os dentes. “O que você está fazendo aqui?”

    “Ora, ora, se não é a pobre Nikkie-san. Como sua irmã tem passado?” Ryuu zombou com um sorriso malicioso. Mayck não via, mas conseguia sentir o ódio tentando tomar posse da garota.

    “Se você está aqui, significa que algo importante está acontecendo, certo?” Nikkie reprimiu seus sentimentos e demonstrou um pouco de calma.

    “Eu posso dizer que sim. Mas uns idiotas interferiram e acabaram com tudo. Mas eu tenho certeza que isso estava dentro dos cálculos de Yang.” Olhou com um pouco mais de atenção e enxergou Mayck abaixo da garota. “Opa. Será que eu atrapalhei algo? Se sim, peço desculpas.”

    “Não venha com brincadeiras.”

    “Ei, ei, esse garoto não é o olhos azuis que Yang falou? Que sorte. E pensar que você viria até mim. Talvez eu ganhe um bônus por te levar”, ele disse e sorriu maliciosamente.

    “É uma pena. Eu não vou deixar você levar ele”, Nikkie se impôs.

    “E o que você pode fazer? Yang bloqueou sua ID, não é? Você está tão frágil quanto uma criança.”

    A garota cerrou os dentes com a dura realidade. De fato, Yang de alguma forma bloqueou a ID de Nikkie, como forma de ameaça para que ela o obedecesse, usando sua irmã como refém.

    “Não importa. Eu mesma vou entregá-lo para Yang. É esse o acordo. Não vou deixá-lo nas suas mãos.”

    “Então eu vou ter que arrancá-lo de você.” Ryuu levantou a mão direita e vários objetos de metal se juntaram ao seu redor. Em seguida foram lançados contra Mayck e Nikkie, que estavam indefesos.

    “Me desculpe por isso”, Nikkie falou e abraçou o garoto.

    “Huh? O que você…” Antes de Mayck terminar sua pergunta, Nikkie rolou para o lado e os dois caíram para o fundo da cratera.

    Eh?! Mayck não conseguia dizer uma palavra e só sentia o vento batendo em suas costas.

    “Como é?!” Ryuu também se surpreendeu com a ação da garota. Os metais lançados atingiram a parede e criaram uma nuvem de poeira.

    Conforme os segundos passavam, Mayck sentia o chão cada vez mais próximo. Um frio percorreu o seu corpo e sua mente começou a entrar em choque.

    A gente… vai morrer?

    “Tá tudo bem. Confie em mim”, Nikkie o consolou e olhou em seus olhos. Em um certo momento, ela puxou um aparelho e o arremessou.

    Em pleno ar o aparelho se transformou em um disco e forçou sua ida até o fundo. Quando Mayck estava prestes a bater suas costas, o disco soltou uma forte onda magnética que os parou a menos de 50 centímetros do chão. Eles flutuaram por alguns segundos, mas logo caíram quando o dispositivo foi desativado.

    O coração de Mayck batia rapidamente, acompanhando sua respiração.

    O que…acabou de acontecer? Mesmo que ele já tenha caído, sua ficha ainda não. Não parecia que ele tinha sido jogado de quase 300 metros de altura em queda livre.

    “Você… é maluca…”

    “Eu não faria algo assim se estivesse despreparada”, Nikkie afirmou se levantando. Ao contrário do garoto, ela já estava acostumada com essas coisas insanas. Por isso, Mayck precisou de mais um tempo para se recompor.

    “Vamos rápido. Antes que Ryuu venha atrás de nós.”

    “Hu-hum.” Mayck balançou a cabeça ainda perplexo e seguiu a garota sumindo por entre a escuridão e a poeira da cratera.

    Eles se apressaram para encontrar Ruby e os outros antes que a situação piorasse. Nikkie pegou uma lanterna para melhorar a visibilidade.

    Enquanto caminhavam, podiam ver vários destroços. Uma boa parte do metal dos trilhos foi derretido por conta do calor da explosão. Restos dos corpos carbonizados também eram visíveis.

    Mayck fechava seus olhos e prendia sua respiração, por conta daquele ambiente.

    Essas coisas sempre acontecem nesse mundo? Ele se perguntou, vendo o quão calma a garota estava.

    Enquanto se distraía, o aparelho de Nikkie apitou algumas vezes, mostrando três sinais no rastreador.

    “Eles estão por perto”, ela mencionou. Eles avançaram e o sinal ficou mais forte, apontando uma grande pilha de destroços.

    Nikkie pegou o dispositivo de comunicação.

    “Ruby, consegue me ouvir?”

    “Sim…” A voz da garota estava falhando comparado a primeira vez que se falaram.

    “Eu estou recebendo um sinal. Eu vou tirar essa bagunça de cima. Tomem cuidado com o que pode cair.”

    “Tudo bem.”

    “Me ajude com isso.” Ela se dirigiu a Mayck e começou a retirar os escombros.

    “Ok.”

    Eles trabalharam juntos e depois de vários minutos puxando pedras e barras de ferro, conseguiram alcançar Ruby.

    “Certo vamos te puxar. 1, 2, 3.” Mayck e Nikkie puxaram ambas as mãos da garota e a libertaram. Ruby saiu dos destroços e, sem forças, desabou sobre os dois.

    O garoto a segurou e a deitou no chão. A máscara dela tinha se quebrado e haviam vários ferimentos sobre seu corpo, mas nada tão grave.

    “Parece que ela vai precisar descansar por um bom tempo”, Nikkie disse observando os ferimentos. Enquanto sua companheira avaliava a garota, Mayck ficou abismado quando viu o rosto de uma conhecida.

    Chika?! Ele já desconfiava dela, mas ainda não tinha nada conclusivo, até esse momento. Mesmo que o choque pela descoberta tivesse sido grande, o garoto foi despertado por Nikkie para que a ajudasse a retirar os outros.

    Tinham sinal de Isha e Stella, mas nada de Flame ou Keize. Como Ruby, as duas possuíam leves ferimentos por terem sido soterradas e suas máscaras levaram sérios danos. Por conta disso, as três tiveram seus rostos revelados e Mayck foi surpreendido pela segunda vez, embora um pouco menos.

    Ele não se surpreenderia se encontrasse outra pessoa de seu círculo social. Já encontrou Hana, Chika e Akari. Continuando essa sequência, eventualmente encontraria Haruki.

    “M-san, procure Keize pelo outro lado. Eu vou dar um jeito nessas três.”

    “Certo.” Mayck se adiantou e saiu entre as pilhas de destroços, Nikkie deu-lhe uma pequena lanterna para que não se perdesse. Andando por toda aquela bagunça, não seria fácil encontrar ninguém, senão Keize, que tinha um grande porte.

    Aquele cara deve ter dois metros e meio… não deve ser tão difícil achá-lo assim, Mayck se consolava e examinava todos os lados, procurando por pistas.

    Chegando em um certo ponto, ele parou para olhar ao redor, a esta altura já estava bem longe de Nikkie e as outras.

    “Parece que eu andei bastante. É possível que eles nem estejam vivos… ou podem estar bem longe daqui.”

    Olhou para o mais longe que seus olhos podiam alcançar. Quando ia continuar a caminhar, algo agarrou-lhe o pé.

    O garoto entrou em choque e sua garganta travou. Sem pensar muito, iluminou seu pé e viu uma mão toda suja segurando seu tornozelo. Em meio ao silêncio, uma voz falha e fraca ecoou.

    “Me ajude…”

    Retornando a si, Mayck pôs a lanterna no chão, virada para a mão da pessoa soterrada e começou a retirar os escombros que podia. Poucos minutos depois ele viu o rosto de Flame por entre as pedras.

    “Espere só um momento, eu já vou te tirar daí”, Mayck o confortou com a voz baixa. Ele desviou seus olhos para encontrar algo que pudesse lhe ajudar a retirar as partes mais pesadas.

    “Eu não consigo sentir a parte de baixo do meu corpo…” Flame balbuciou.

    “Como assim? Está muito machucada?”

    “Eu não sei. Mas estava doendo muito há um temp-” Não terminando de falar, o garoto cuspiu uma pequena quantia de sangue. Seus olhos perdiam o brilho rapidamente. “Minha visão está ficando turva… eu não consigo te ver.”

    “Se acalme. Vai ficar tudo bem. Nikkie logo virá para nos ajudar aqui. Por enquanto apenas relaxe.” Segurou a mão de Flame para fazê-lo relaxar. Com ajuda da lanterna, algo refletiu a luz no canto de seus olhos. Mayck olhou lentamente para o lado e notou uma grande estrutura de metal enterrada no mesmo local que Flame, acima de sua barriga.

    Ele tremeu, mas continuou segurando a mão do garoto e repetiu suas palavras.

    “Vai ficar tudo bem.”

    “Qual era o seu nome mesmo?” Flame perguntou com dificuldade.

    “Mayck Mizuki.”

    “Mayck Mizuki, né? Eu não me apresentei direito aquela hora. Gostaria de ouvir sobre mim?”

    “Por que não, né? Seria bom se pudéssemos ser amigos.”

    “Haha. Realmente. Sabe, quando eu era mais novo fui levado, pelos meus pais, para a casa de um tio meu. Eu não sabia o motivo, mas meu pai me disse que voltaria logo. Eu tinha quatro anos na época. Depois de três anos, meus pais não voltaram e minha tia estava grávida. Eu fiquei triste sim, mas eu tinha meus tios comigo, então pude relaxar um pouco- cof-cof.”

    Em meio as palavras, Flame cuspiu mais sangue.

    “Eu tive… que encarar a realidade. Alguns meses se passaram e quando minha tia estava perto de dar a luz, meu tio de repente enlouqueceu e ateou fogo em si mesmo e abraçou minha tia, que estava deitada na cama.

    Ele suspirou levemente.

    “Eu acordei no meio da noite, horrorizado com os gritos que vinham de seu quarto. Corri até lá e quando abri a porta, não restava mais nada além de seus corpos carbonizados. O fogo se espalhou para a cama… e depois para os móveis, consequentemente, a casa toda foi incendiada. Quando eu estava nas ruas, Zero me encontrou e me acolheu, me dando o nome de Flame. Você quer saber qual era meu nome real?” Perguntou e fez uma leve pausa.

    “Gostaria de ouvir.”

    “Qual era mesmo? Desculpe… eu vou demorar um pouco pra lembrar. Eu te falo depois.”

    “Tudo bem. Eu vou esperar.”

    “Eu posso parecer arrogante, mas eu sou uma boa pessoa, viu? Hahaha”

    “É claro que é.” Mayck apenas respondia às perguntas do garoto, por que já sabia o que estava para acontecer em poucos minutos.

    “Se eu morresse, será que meus pais chorariam por mim?” O garoto disse e fechou os olhos.

    Aquele clima melancólico se instalou e, em alguns minutos, Flame não respirava mais. Seus olhos verdes já sem vida recebiam a pouca luz da lanterna que chegava até ele. Mayck passou a mão no rosto do garoto e fechou seus olhos.

    Pela terceira vez, ele estava diante da morte de uma pessoa e não havia nada que pudesse fazer, além de derramar algumas lágrimas por eles, porém nem isso conseguia.

    “Eles chorariam, Flame. Eu tenho certeza.”

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