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    A cena de Carder ter cortado a cabeça de Corgard havia chocado a todos os presentes, mas não era como se eles não entendessem o porquê de Carder ter chegado a esta decisão.

    Mas por inacreditável que pareça, o sangue jorrando de seu corpo ao ter sido cortado não manchou de Ken ou de Crystalline.

    Afinal, no exato momento em que Carder apareceu repentinamente para cortar a cabeça de Corgard, Crystalline havia agido mais rápido, criando um escudo mágico invisível na frente de Ken e no dela, fazendo assim o sangue espirrar no escudo, e cair no chão no momento em que Crystalline desativou o escudo.

    “…”

    Carder havia se apercebido disso, então, sabendo que era Crystalline, ele virou a cabeça e olhou para ela, encontrando seus olhos afiados que pareciam perfurar alguém como uma espada.

    Vendo isso, Carder não conseguiu evitar de franzir um pouco as sobrancelhas.

    ‘O que ela acabou de usar era obviamente magia, mas porque seus olhos são afiados como uma espada?’

    Pensou Carder, obviamente curioso pela Crystalline.

    Mas então ele desviou o olhar dela e olhou para Ken, também encontrando seu olhar, que parecia calmo, mas não conseguia esconder aquela ferocidade de um predador, como um lobo que tenta esconder sua presa.

    ‘Este jovem também não parece normal. Mesmo quando Corgard avançou em sua direção com intenção de matá-lo, mesmo quando matei Corgard bem na sua frente ou mesmo quando estou parado bem na sua frente com um olhar desafiador, ele não demonstra intimidação ou qualquer mudança de reação. Agora entendo o porquê da jovem Srta. Aela e todos os guerreiros que a acompanhavam respeitavam eles. São realmente únicos.’

    Analisou Carder, como se tivesse desvendado um segredo que não entendia, mas que agora pareciam claro como água cristalina.

    Então, assim que obteve o que desejava, Carder se virou para o lado e gritou.

    “Vocês viram isso!? É isto o que acontece quando um usuário de aura é consumido pelos seus demônios internos! Fazendo-o agir de maneira irracional e colocando em perigo a vida daqueles que deveriam proteger! Espero que isto sirva de lição para todos!”

    Ao ouvirem o grito de Carder, os guerreiros que acompanhavam Aela de repente começaram a se lembrar do conselho de Ken na noite anterior, sobre a verdadeira virtude de um guerreiro.

    Um guerreiro que corrompe seu coração pode ser consumido pelos seus demônios internos, e assim sendo consumido pela própria aura. Naquele momento, eles pensaram.

    E se tivesse agido da mesma maneira que Corgard e se recusassem a se desculpar com Ken? Eles também terminariam da mesma maneira? Na verdade, a resposta para esta pergunta é não, já que os demônios internos são diferentes para cada pessoa, mas a situação de Corgard certamente era como um exemplo.

    Sabendo disso, eles começaram a respeitar Ken ainda mais, porque assim como ele disse, Corgard havia realmente se entregado aos seus demônios internos, porque ele se recusou a ser humilde, recusando-se fortemente a reconhecer a força de Ken, que já era provada como verdadeira.

    “…”

    Mas o olhar de Carder sobre o corpo morto de Corgard era estranho.

    ‘Estranho, eu pensei que o estava conseguindo controlar ele graças a minha pressão de aura. Mas, de repente, ele perdeu completamente o controle, como se alguma coisa o tivesse estimulado.’

    Pensou Carder com cuidado, e no momento seguinte, olhou para Ken.

    “?…”

    Ken achou estranho seu olhar repentino, mas não demonstrou surpresa.

    ‘…Será que ele o provocou? Mas como?’

    Este pensamento passava na mente de Carder, cada vez mais se convencendo de que sua hipótese era verdade, mas havia um problema.

    ‘Mesmo que eu ache que seja ele, não tenho como provar, e eu mesmo não sei como ele o poderia ter feito, e por causa disso, não posso simplesmente prendê-lo. Afinal, ele ainda é o homem que trouxe a jovem Srta. de volta em segurança.’

    Com estes pensamentos, ele acalmou sua mente e se virou na direção de Ken.

    “Eu realmente lamento por ter agido de maneira tão rude contra as pessoas que salvaram não apenas nossa senhora, como também a todos os guerreiros. E pensar que me deixei levar pelas palavras de apenas um guerreiro com um coração cheio de inveja, realmente lamento.”

    Disse ele em um tom de voz respeitoso e de arrependimento enquanto curvava ligeiramente a cabeça.

    “…”

    Ken ficou em ligeiro silêncio enquanto o assistia se desculpar, tentando ler as verdadeiras emoções por trás de suas palavras. 

    “Não é nada demais.”

    Mas no final, decidiu simplesmente deixar passar com simples palavras.

    “Entendo, obrigado pela sua consideração, que o condado de Skarsgard o receba de braços abertos.”

    Diante da saudação de boas vindas, Ken apenas acenou com a cabeça em concordância. Embora achasse estranho que um capitão o estivesse dando as boas vindas.

    “?”

    Foi então que a bela mulher de meia idade, mãe de Aela, chegou até a frente de Ken, olhando para ele com curiosidade antes de perguntar.

    “Posso saber seu nome, nobre guerreiro?”

    “…”

    Ken ficou ligeiramente chocado enquanto olhava para ele.

    A pouco tempo um dos guerreiros havia praticamente morrido bem na sua frente. Normalmente, mulheres ficam paralisadas durante um bom tempo, sem saber o que fazer, principalmente mulheres nobres que nunca enfrentaram qualquer tipo de dificuldades da vida.

    Mas a mulher na sua frente estava falando com ele em um tom tão natural e desprovido de qualquer agitação emocional, como se um homem não tivesse acabado de morrer bem na sua frente.

    Vendo isso, Ken finalmente entendeu o tipo de família que era a casa Skarsgard, e ela, sendo condessa, já deve ter passado por este tipo de coisas inúmeras vezes para conseguir permanecer calma.

    Então, diante da pergunta da mulher, Ken bateu de leve o punho em seucoração, e com a cabeça ligeiramente abaixada, respondeu.

    “Ken Wolff, minha senhora. E a Lady ao meu chama-se Crystalline.”

    Ken se apresentou, aproveitando a situação para também apresentar a Crystalline, já que ele temia que Crystalline respondesse de maneira inadequada caso pedissem pela sua apresentação.

    “Entendo, Lord Ken e Lady Crystalline. Um com uma aparência marcante, e uma beleza incomparável.”

    Disse ela com um sorriso suave e acolhedor, depois, levou a mão ao peito e se apresentou.

    “Eu sou a senhora da casa Skarsgard, Melissa Skarsgard, e, do fundo do meu coração, agradeço por terem trazido de volta minha filha inteira e em segurança.”

    Seu tom de voz era respeitoso, o completo contrário de vários nobres que tentam esconder suas verdadeiras intenções malignas com palavras doces fingidas e sorrisos falsos.

    “Apenas fizemos o que tínhamos que fazer.”

    Disse Ken.

    Ouvindo as palavras de Ken, Melissa Skarsgard ergueu um leve sorriso, quase achando engraçado.

    Normalmente, quando um plebeu ou qualquer um que não fosse de linhagem nobre estivesse na presença de algum nobre, na maioria das vezes eles mostrariam uma atitude de nervosismo ou até mesmo medo, principalmente diante de alguém como ela, que era a esposa do atual conde do condado de Skarsgard, uma das potências mais poderosas do reino, tanto em poder militar e financeiro.

    Mas a atitude de Ken enquanto se apresentava era calma e sem demonstrar qualquer tipo de flutuação emocional, e quando ela agradeceu a ele, Ken também não demonstrou animação, simplesmente aceitou seu agradecimento com o rosto sereno.

    E mesmo sendo um mercenário, Ken era educado e seus gestos eram suaves, agindo como se fosse um nobre educado desde criança. Ele não era rude e nem desajeitado como um mercenário ou alguém que cresceu sem educação.

    Também tem Crystalline, que embora quase não interage, sua própria presença já demonstra elegância e o auge da nobreza. Pose ereta e elegante, olhar calmo e penetrante, como se fosse ela a dona do lugar.

    Então, Melissa soube desde a primeira vez que os viu, que ambos não eram pessoas comuns, porque apenas pessoas que eram confiantes em sua própria força agiriam da maneira como eles agiam.

    Sabendo disso, um sorriso ainda mais sincero surgiu em seus lábios, agora entendendo o porquê de Aela e todos os guerreiros que a acompanhavam os defendiam tanto, e ela, como alguém de onde Aela tirou seus genes, também planejava ser pontual com eles.

    “Então, por favor, acompanhem-nos para dentro. Garanto que providenciarei quartos agradáveis e banhos confortáveis para a vossa estadia.”

    Disse a condessa Melissa, estendendo a mão para frente e convidando Ken e Crystalline para segui-los. Então, com seu pedido, todos foram seguindo o tapete vermelho para dentro do castelo.

    §§§§

    No cair da noite, Ken se encontrava dentro de um dos banheiros do castelo. O banheiro era enorme, o teto era alto com lustres de cristal brilhante iluminando o espaço, as paredes cobertas por placas de mármore.

    A banheira onde ele se encontrava não era de madeira, e nem era pequena. A banheira era enorme, do tamanho de dois quartos de pousadas, feita de mármores quadriculares, cheia de água quente até a borda.

    “…”

    Tomar banho em água quente em Vinland é algo normal, levando em conta que é um reino extremamente frio, e as pessoas de classe baixa apenas conseguem encher um balde de água quente. Mas cobrir uma banheira do tamanho de uma piscina de água quente certamente não é algo que qualquer um podia fazer, mesmo entre as famílias nobres.

    Além do mais, se levar em conta que toda a família Skarsgard tem uma banheira do mesmo tamanho, a quantidade de água quente que eles consomem é fenomenal.

    Mas Ken, apenas um mercenário, estava desfrutando disso. Era claramente um lembrete de Aela e sua mãe para todo o condado, de que Ken estava sendo protegido por elas, e ao mesmo tempo também fazendo um favor para ele.

    Era como matar dois coelhos em apenas uma cajadada.

    A água quente criava vapor que nublou o ambiente, e Ken relaxava dentro da banheira enquanto apoiava suas costas na beirada.

    Depois de mais um tempo, Ken saiu da banheira e enrolou a parte interna de seu corpo com uma toalha, e andou sobre os pisos de azulejos quadriculados de um design exootico.

    Chegando até a porta, ele abriu e entrou no quarto que lhe foi oferecido. Mesmo sendo um quarto de hóspedes, ela era enorme e elegante, uma cama no canto, armários, piso de madeira e cortinas elegantes que cobriam as janelas.

    “?”

    Andando até a cama, Ken notou uma muda de roupa bem dobrada por cima dela, que provavelmente havia sido deixada pelas empregadas. Talvez por saberem de suas preferências, a roupa era branca, uma camisa com um casaco de capuz veludo, e calça preta pouco amarronzada.

    Sem pensar muito, ele terminou de se secar com a toalha e começou a se vestir. A roupa era de tamanho xl, e mesmo assim ficou justo em seu corpo, marcando seus músculos salientes.

    Seu peito não foi completamente coberto, revelando seu peito branco e dando-lhe uma aparência selvagem.

    Ele então esticou seu cabelo para trás e o amarrou em um rabo de cavalo e também colocou um tapa-olho. Todo o processo durou cerca de alguns minutos, e assim, ele já estava completamente vestido.

    Como um convidado, principalmente em um condado, ele não podia sair do quarto de livre e espontânea vontade, quiser, a não ser que receba autorização dos donos.

    “…”

    Então, sem nada para fazer, Ken fechou os olhos e assim expandiu seus sentidos. Ele podia sentir guardas patrulhando do lado de fora do quarto, pelo corredor, claramente colocados para vigiá-los.

    Ele também podia sentir a presença de outras pessoas em outros cômodos, mas, acima de tudo, também podia sentir a presença de alguém bem em cima dele, talvez escondido em um compartimento do teto, vigiando-o.

    Esta pessoa pode ter sido colocada pelo próprio condado, mas para Ken a opção mais óbvia é que talvez seja um espião do traidor, colocado para vigiar ele e Crystalline, variáveis que podem afetar seus planos.

    Mas mesmo sabendo disso, Ken não tinha planos de expô-lo, pelo menos não agora, já que ele não queria alarmar o traidor do condado.

    ‘Mesmo que você esteja na beira da morte, tudo tem seu tempo.’

    Pensou Ken.

    O que quer que o inimigo esteja pensando, Ken planejava agir de acordo com suas mãos por enquanto, para depois atacá-lo desprevenido, sem ter chance de contra-atacar.

    *Toc. toc, toc.*

    Foi então que começou a bater na porta de seu quarto. Sem surpresa, Ken andou na direção da porta e abriu.

    Do outro lado, um rosto familiar apareceu, usando um belo vestido amarelo dourado, seu cabelo agora lavado e longo de cor loiro, e com um sorriso alegre no rosto apareceu.

    Era Aela Skarsgard.

    “Como foi a estadia? Parece que a roupa ficou ótima em você.”

    Disse Aela, seus olhos percorrendo o corpo de Ken, analisando a roupa que pareceu ficar ótimo nele.

    “Obrigado pelas palavras, mas…”

    Ken agradeceu pelos elogios dela, mas havia algo que ele não entendia, por isso perguntou se ele deu uma pausa antes de continuar.

    “O que a traz até aqui pessoalmente?”

    “?”

    Com a pergunta de Ken, Aela fez uma expressão de como se tivesse se lembrado de algo importante.

    “?”

    Ela inesperadamente pegou na mão de Ken, o que o deixou ligeiramente surpreso, e falou, com uma expressão ligeiramente séria.

    “Meu pai, quer dizer, o conde, gostaria de conhecer vocês.”

    “…”

    As palavras de Aela não haviam deixado Ken tão surpreso, mas ainda assim era algo de se espantar.

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