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    『 Tradutor: Crimson 』


    Era Garon Arcadas, o Deus da Matança do Panteão Orc, Sétimo Grau, e um dos deuses subordinados do Deus-Bestial Aruger.

    Diferente dos deuses de outros panteões, o panteão orc venerava a violência e o derramamento de sangue. Como consequência, cada um de seus deuses era extremamente hábil em combate. Eram como bestas selvagens nascidas para a guerra. Suas figuras brutais e cruéis podiam ser vistas na linha de frente sempre que havia conflito.

    Era justamente essa natureza que tornava fácil persuadir o panteão orc e arrastá-lo para praticamente todas as guerras entre deuses. Além disso, não temiam o combate e quase sempre se manifestavam em seus corpos reais.

    Os deuses do panteão orc já eram poderosos por si só. Quando apareciam em suas formas verdadeiras, tornavam-se praticamente imbatíveis contra clones e encarnações fracas de outros panteões. Por isso, o panteão orc era um dos maiores e mais poderosos do Mundo dos Deuses, algo que panteões comuns jamais poderiam esperar rivalizar.

    A missão das Bruxas da Morte de destruir o Plano Florestas Vigorosas era o equivalente a dar um tapa no rosto do panteão orc. Assim, não era nenhuma surpresa que o próprio Deus da Matança tivesse aparecido, aparentemente decidido a invadir o plano e exterminar todas as bruxas.

    Sétimo Grau!

    Um deus de Sétimo Grau era simplesmente grande demais para um plano médio.

    O Deus da Matança, Garon, era um orc musculoso com dezenas de milhares de metros de altura. Ele vestia uma armadura negra pesada e malfeita, empunhando um enorme machado de lâmina dupla.

    No momento em que Garon tentava com todas as forças rasgar a barreira do plano e entrar à força no plano, uma flecha de gelo colossal cruzou o vazio e atingiu seu corpo.

    A flecha se despedaçou, e o frio extremo nela contido cobriu sua armadura negra com uma camada de gelo cristalino.

    “Garon, nossa batalha ainda não acabou! Por que tanta pressa? Está tentando fugir?”

    Comparada ao corpo gigantesco de Garon, a bruxa misteriosa que acabara de surgir era tão pequena que poderia passar despercebida. Ainda assim, os feitiços poderosos que ela lançava com um simples gesto eram suficientes para congelar Garon até os ossos, dificultando seus movimentos.

    A emboscada repentina enfureceu Garon. Seu corpo ainda estava preso na barreira do plano. Ele rugiu furiosamente:

    “Erdis, você só sabe correr. Lute comigo de frente, se for capaz!”

    Garon rugia, isso era certo. Ainda assim, ele jamais ousaria continuar forçando sua entrada lentamente no Plano Florestas Vigorosas enquanto sofria os ataques de uma bruxa de Sétimo Grau.

    Assim, o Deus da Matança só pôde recuar a contragosto, arrancando o corpo da barreira e se virando para investir contra a bruxa.

    A bruxa de Sétimo Grau chamada Erdis agiu exatamente como Garon dissera. No instante em que ele avançou, ela se transformou em uma estátua de gelo. A estátua se estilhaçou, e Erdis desapareceu. Quando reapareceu, já estava cinquenta quilômetros distante.

    O espaço do reino exterior era vasto o suficiente para que esses monstros lutassem até a morte.

    O corpo de Garon, com mais de dez mil metros de altura, fazia com que cada passo que ele desse no espaço equivalesse a quatro quilômetros em um plano comum. Ele ergueu o machado de lâmina dupla e rugiu alto enquanto perseguia a bruxa.

    As silhuetas dessas duas existências poderosas foram desaparecendo lentamente ao longe, até sumirem sem deixar vestígios.

    A fenda que Garon havia rasgado na barreira do Plano Florestas Vigorosas começou a se fechar sob o efeito da capacidade regenerativa do próprio plano. Ainda assim, a tempestade espacial do reino exterior invadiu o plano através da fenda, trazendo uma devastação tremenda para os arredores da Cidade Águas Murchas.

    O vazio do espaço não era de fato vazio.

    Os reinos exteriores podiam parecer desprovidos de matéria, mas continham uma energia mágica intensa e violenta. Essa energia preenchia todo o espaço, fluindo e vibrando livremente sob a orientação de um poder misterioso, como uma onda de magia.

    Toda substância existente no espaço precisava suportar um bombardeio constante dessa energia mágica. Sem a existência da barreira do plano, seria impossível que tanta vida inteligente existisse dentro dos planos materiais. Rios, montanhas, planícies e rochas seriam triturados pela onda de energia mágica e espalhados pelos confins do multiverso.

    Era justamente a existência das barreiras que permitia que os planos materiais fossem isolados e protegidos da corrosão do espaço exterior, transformando-os em ambientes relativamente suaves, adequados ao florescimento da vida. Caso contrário, nenhuma vida poderia prosperar — ou sequer nascer — sob a corrosão constante das tempestades espaciais.

    Assim, quando Garon abriu um buraco na barreira, a energia espacial que invadiu o plano trouxe uma calamidade aterradora para a vida e a natureza ao redor da Cidade Águas Murchas.

    Diversos tornados espaciais assustadores se formaram rapidamente, sugando tudo do solo, despedaçando-o em partículas finíssimas e lançando-as a mais de quinhentos quilômetros de distância.

    A vegetação já escassa da terra desapareceu em instantes diante da destruição da energia espacial. Toda forma de vida frágil foi exterminada pelo sopro da magia caótica.

    A terra mergulhou em um silêncio mortal.

    A Cidade Águas Murchas, localizada logo abaixo da fenda espacial, também foi engolida pela catástrofe. Foi ali que a tempestade espacial desferiu seu golpe mais violento.

    A barreira elemental se despedaçou em um instante, expondo completamente a cidade à fúria da tempestade de energia.

    Se não fosse a torre de guerra erguendo diversas pequenas barreiras para proteger as instalações críticas dentro da cidade, somente esse evento já teria causado danos chocantes às Bruxas da Morte.

    Mesmo assim, incontáveis mortos-vivos foram corroídos pela violenta energia espacial nas áreas que as barreiras mágicas não conseguiam alcançar, transformando-se em pó e cinzas. Fileiras inteiras de mortos-vivos tombaram, primeiro reduzidos a ossos, depois a pó fino, antes de serem levados aos céus.

    Um escudo mágico também havia sido erguido na praça onde o portal estava localizado, repelindo a energia mágica que avançava em ondas.

    Greem olhou ao redor e observou, atônito, a cena apocalíptica que se desenrolava diante de seus olhos. Por um momento, ficou sem palavras.

    Era o dano sem igual que existências do nível de Grande Adepto podiam causar!

    Cada ação dessas entidades não feriria apenas as formas de vida do plano, mas o próprio plano em si.

    Não era difícil imaginar quão devastadores teriam sido os danos ao Plano Florestas Vigorosas se o Deus da Matança de Sétimo Grau tivesse conseguido atravessar completamente a barreira e exterminar as bruxas.

    Na verdade, um único erro da parte dele poderia ter provocado uma devastação ainda pior do que aquela causada pelas próprias bruxas!

    Agora que Garon havia sido afastado por aquela Bruxa igualmente forte, a guerra teria de continuar.

    A menos que o plano das Bruxas da Morte fosse interrompido, ou que os poderosos orcs sofressem um golpe fatal, essa guerra jamais terminaria!

    Guerras entre planos sempre terminavam com a derrota completa de um dos lados. É assim que uma guerra entre planos funciona!

    Greem balançou a cabeça e suspirou. Em seguida, voltou o olhar para o portal que se estabilizava novamente e entrou nele sem qualquer hesitação.

    …………

    O que aguardava do outro lado do portal era, naturalmente, a grande praça de Werning.

    As forças das bruxas que retornavam trocaram algumas saudações antes de deixar Werning.

    Uma guerra que reunisse as forças de elite das Bruxas do Norte dessa forma podia ser algo novo para Greem, mas era algo comum para a maioria das bruxas.

    As Bruxas do Norte tinham conflitos internos, mas eram extraordinariamente unidas quando se tratava de expansão externa. Em comparação, o centro do continente, onde se encontravam os diversos clãs de adeptos, parecia excessivamente disperso — como um monte de areia solta.

    Greem se recompôs imediatamente após atravessar o portal, recuperando rapidamente seu estado mental habitual.

    Ele acabara de vivenciar a tempestade sangrenta e o apocalipse do Plano Florestas Vigorosas. Ainda assim, com um único passo, havia retornado ao pacífico Mundo Adepto. Esse contraste extremo fez Greem sentir como se estivesse preso dentro de um sonho absurdo.

    Naquele momento, ele era o líder de um clã de adeptos em ascensão no Mundo Adepto, com um futuro promissor à frente. Enquanto isso, aquele outro mundo distante havia se transformado em um verdadeiro matadouro, onde o panteão orc e as Bruxas da Morte se enfrentavam com tudo o que tinham.

    Não era difícil imaginar a Raiz da Corrupção das Bruxas da Morte infiltrando-se nas leis do plano Florestas Vigorosas, poluindo a Consciência do Plano e devorando suas origens.

    Quando isso acontecesse, seria o momento em que o Plano Florestas Vigorosas se fragmentaria e seria destruído!

    Esse processo era irreversível e imparável!

    Greem não tinha qualquer apego emocional às centenas de bilhões de formas de vida das Florestas Vigorosas, mas seu coração se contraiu ao pensar que havia testemunhado um plano inteiro de seres vivos tornar-se o sacrifício de uma batalha entre existências extremamente poderosas.

    Ele não sentia culpa nem peso algum por massacrar centenas ou milhares de nativos de um plano. Contudo, quando o número de vítimas chegava às centenas de bilhões, até mesmo Greem se sentia abalado.

    A vida não deveria ser algo tão barato. Não deveria ser descartada de forma tão vazia e sem significado!

    Respeitar a vida não significava que Greem quisesse se tornar um pacifista defensor do amor universal. Para ele, era apenas uma atitude, uma forma de encarar a existência.

    O multiverso havia dado origem a inúmeros mundos planares. Esses mundos, por sua vez, deram origem à bilhões e bilhões de formas de vida. O mundo só poderia ser pleno se houvesse vida suficiente nele.

    Talvez esse fosse o eixo central que permitia ao multiverso continuar a se desenvolver!

    Sem dúvida, o que Greem precisava fazer era garantir que seu caminho de desenvolvimento estivesse alinhado com esse eixo central. Caso contrário, estaria condenado a se tornar alguém odiado pelo próprio mundo.

    Enquanto Greem refletia silenciosamente sobre suas escolhas futuras, uma mensagem vinda de longe interrompeu seus pensamentos.

    Algo havia acontecido no Trono de Fogo!

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