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    『 Tradutor: Crimson 』


    Quinto andar do Trono de Fogo. Dentro do laboratório.

    Greem pousou a faca cirúrgica com um suspiro de pesar e começou a limpar a mesa de operações.

    O experimento com o Ladrão de Origem havia sido extremamente bem-sucedido. A criatura herdara perfeitamente algumas das habilidades inatas do unicórnio. Ainda assim, transferir as capacidades naturais contidas no Ladrão de Origem para um terceiro tornara-se um novo problema.

    A linhagem sempre fora uma questão de pureza, e qualquer impureza afetaria diretamente as possibilidades de avanços futuros. Greem possuía apenas afinidade elemental e, em termos de linhagem, ainda era considerado um humano puro.

    Mesmo após três avanços, não abrira mão de sua forma humana.

    No fim das contas, o chamado Corpo de Chamas e o Corpo de Demônio Flamejante eram apenas técnicas de transformação pertencentes à sua afinidade elemental. Se ele se convertesse completamente em um corpo elemental, certamente obteria um grande aumento em seu poder de fogo. Contudo, como consequência, sofreria enormes dificuldades em seus avanços subsequentes.

    Qualquer conjurador sabia que formas de vida elementais possuíam longevidades anormalmente longas, mas tinham uma dificuldade extrema para avançar.

    Se Greem tivesse escolhido se tornar uma criatura de fogo ainda no Segundo Grau, jamais teria avançado ao Terceiro Grau tão rapidamente.

    Era uma troca!

    A linhagem de Greem era como uma folha em branco, com amplo espaço para crescer e se expressar.

    Entretanto, ele precisava escolher sua futura linhagem com extremo cuidado. Era necessário garantir que ela se assimilasse perfeitamente à sua afinidade com o fogo, em vez de entrar em conflito e desestabilizá-la.

    Antes que isso sequer fosse possível, Greem ainda precisava acumular experiência suficiente em isolamento e transplante de linhagens. Porém, esses conhecimentos eram os mais difíceis de se obter. Afinal, pesquisas e segredos relacionados a linhagens sempre foram as informações mais confidenciais em qualquer clã ou organização de adeptos.

    Greem até passara um período no Clã Sarubo, mas, naquela época, seu poder e status não lhe permitiram sequer tocar em tais segredos. Quanto a tentar obtê-los no mundo exterior, isso não passava de uma fantasia.

    Nenhum clã ou força jamais publicaria resultados desse tipo de pesquisa. Além disso, clãs de adeptos de linhagem sempre reprimiam severamente aqueles que realizavam estudos privados sobre isolamento e transplante de linhagens. Caso tais segredos viessem a público, todos os adeptos de linhagem seriam colocados em uma situação extremamente perigosa.

    A linhagem era um poder estranho e intangível.

    Ela existia na carne e na alma de todas as criaturas, sendo incomparavelmente poderosa, mas ao mesmo tempo misteriosa e profunda.

    No passado, as pesquisas sobre linhagem sempre se concentraram no sangue da criatura-alvo. Os adeptos acreditavam que, ao remover impurezas regularmente e aumentar a concentração de substâncias de alta energia no sangue, seria possível encontrar a fonte do poder por trás das criaturas de linhagem.

    Após análise e organização de dados, o Chip também concordava, em essência, com essa linha de pesquisa.

    Outros adeptos talvez não contassem com a assistência do Chip, mas suas mentes não eram muito inferiores. Após dezenas de milhares de anos de pesquisas contínuas, o entendimento dos adeptos sobre linhagens já havia alcançado um nível extremamente refinado. Como poderiam ignorar algo que até o Chip era capaz de perceber?

    Assim, a origem de todo poder de linhagem deveria ser revelada por meio da pesquisa sanguínea!

    E Greem possuía as condições ideais para conduzir esse tipo de estudo.

    Ele havia extraído com sucesso todo o sangue do corpo da criatura e agora se esforçava para identificar o que exatamente o tornava diferente.

    Com o auxílio do arranjo de amplificação da mesa de operações e da varredura detalhada do Chip, Greem começou a ampliar o sangue da criatura, de maneira muito semelhante aos cientistas da Terra em sua vida passada.

    Era preciso admitir: ele via ali substâncias misteriosas demais, completamente diferentes de tudo o que conhecera em seu mundo anterior.

    O sangue da criatura fora desidratado de forma extremamente refinada, removendo quase toda a água. O que restara eram pequenas quantidades de proteínas, tecidos vivos, fragmentos celulares, bactérias mortas e pequenos parasitas. Essas coisas normalmente não seriam visíveis, mas representavam mais de 96% do conteúdo no sangue, com centenas de substâncias diferentes.

    Remover esses componentes exigia um processo distinto para cada um deles.

    Qualquer erro que surgisse durante esse procedimento tornaria todo o processo de purificação do sangue inútil.

    Para ser sincero, os adeptos antigos não possuíam ferramentas como lentes de ampliação, aquecedores, resfriadores, evaporadores, filtros ou separadores. O simples fato de terem conseguido realizar pesquisas semelhantes sobre linhagens usando apenas arranjos mágicos já era mais do que suficiente para impressionar profundamente Greem!

    No momento, Greem não fazia a menor ideia de como os adeptos do passado haviam conseguido realizar tal feito. Ele só podia trilhar esse caminho novamente com base em sua própria compreensão e com a ajuda do Chip.

    Substâncias de alta energia? Que tipo de substância seria essa capaz de gerar um poder mágico tão gigantesco? Qual era sua relação com a alma? Como ela era transmitida através das gerações?

    Greem não pôde deixar de coçar a cabeça.

    Esses eram, evidentemente, problemas que ele precisaria pesquisar e resolver um por um!

    Greem saiu do laboratório de biologia e foi tomar um banho para se livrar do cheiro de sangue. Depois disso, passou a desfrutar tranquilamente da refeição mais farta do dia.

    Com suas capacidades atuais, não morreria nem mesmo se ficasse um mês inteiro sem comer. Ainda assim, alimentação e meditação continuavam sendo métodos essenciais para o aumento de seu poder.

    Em especial, as costelas de dragão de fogo haviam se tornado uma refeição insubstituível para Greem desde que obtivera controle sobre um plano de dragões. Comparado à meditação e à coleta de partículas elementais para aumentar o limite superior de seu Espírito, consumir costelas de dragão de fogo era um método muito mais eficiente de fortalecimento.

    Enquanto seu corpo absorvia energia elemental de fogo pura, as substâncias de alta energia contidas na carne do dragão também nutriam continuamente sua carne. Um poder mágico formidável exigia um corpo poderoso o suficiente para contê-lo!

    Por que todos os dragões eram tão enormes? Para sustentar as exigências de suas poderosas linhagens!

    Tomemos o Ladrão de Origem como exemplo. Ele podia ter roubado o talento de linhagem do unicórnio por meio de sua habilidade estranha, mas não possuía o físico robusto nem os tecidos musculares imbuídos de poder sagrado do unicórnio. Por isso, era incapaz de liberar uma Aura de Purificação em larga escala como os unicórnios faziam.

    Era como colocar um gerador poderoso em uma carruagem velha e decadente. Não apenas o hospedeiro seria incapaz de utilizar plenamente o poder, como o próprio poder acabaria fazendo o corpo do hospedeiro se desintegrar. Sua sequência genética também entraria em colapso.

    É claro que, se essa criatura estranha recebesse alguns anos ou mesmo algumas décadas para se adaptar ao novo poder, poderia acabar adquirindo um corpo semelhante ao dos unicórnios. Afinal, apenas um recipiente assim seria adequado para permitir que o talento de linhagem liberasse todo o seu potencial.

    Mesmo com o aumento de seu grau, como Greem poderia esperar liberar ainda mais poder mágico se não estivesse disposto a alterar a forma de seu corpo humano? Afinal, seu corpo de apenas dois metros de altura só podia conter uma quantidade limitada de poder mágico!

    Era exatamente por isso que Greem precisava aprimorar gradualmente seu físico por meio do consumo de alimentos de alta qualidade, permitindo que sua carne suportasse mais energia mágica. Isso era algo que todos os adeptos faziam nos bastidores.

    No fim das contas, os humanos eram uma espécie de vida curta. Seus corpos eram frágeis e não possuíam talentos raciais excepcionais. Sua única vantagem talvez fosse o fato de serem medianos em todos os aspectos, sem fraquezas excessivamente fatais.

    Qualquer adepto que desejasse se tornar mais forte precisava usar todos os meios necessários para mudar e transformar o próprio corpo. A partir desse momento, ele pisaria em uma estrada sem volta.

    Esse era um problema que todos os adeptos precisavam enfrentar!

    Greem reservava cinco quilos de costelas de dragão de fogo para si todos os dias.

    Naturalmente, isso não se devia ao fato de ele não conseguir consumir mais do que isso. Era, na verdade, a quantidade ideal obtida pelo Chip após cálculos extremamente precisos.

    Com seu físico atual, cinco quilos de costelas de dragão de fogo exigiam exatamente um dia inteiro para serem digeridos e absorvidos.

    Essa quantidade era perfeita, sem desperdício de comida ou de tempo.

    Depois de desfrutar da única refeição do dia, Greem passava o restante do tempo no laboratório alquímico.

    Após conquistar o Plano dos Goblins, Greem naturalmente assumira grande parte da tecnologia de máquinas mágicas que estava nas mãos dos goblins. A análise do Chip indicava que era perfeitamente possível combinar essa tecnologia de outro mundo com suas próprias técnicas de criação de golems.

    Greem já havia teorizado há muito tempo sobre a combinação de golems elementais com máquinas mágicas.

    No entanto, transformar essa ideia em realidade exigia resolver uma série de problemas extremamente complexos.

    Primeiro: Ligas de alta magia.
    Segundo: Efeitos da energia.
    Terceiro: Espírito mágico.

    Se qualquer um desses três pontos não fosse resolvido, a combinação entre golems elementais e máquinas mágicas não passaria de uma fantasia inalcançável.

    As ligas de alta magia eram o primeiro obstáculo que Greem precisava superar para criar essas novas máquinas mágicas elementais.

    Entre os milhares de metais registrados no banco de dados do Chip, apenas setenta possuíam algum grau de condutividade mágica, e menos de cinco apresentavam condutividade total.

    Os golems elementais que Greem criava atualmente continham mais de sessenta por cento de todos os atributos existentes. Sem um metal mágico adequado para conduzir a energia mágica, essas máquinas seriam incapazes de liberar seu poder.

    Nos últimos dias, Greem vinha selecionando continuamente metais mágicos adequados, tentando ao máximo criar uma liga de alta magia que atendesse às suas exigências.

    A exigência de Greem para essa liga era simples: condutividade mágica total e a capacidade de suportar e liberar grandes quantidades de poder mágico.

    Já aspectos como defesa física e resistência mágica poderiam ser resolvidos por outros meios.

    Efeito da energia. Esse era um requisito básico para que as máquinas mágicas elementais pudessem exibir um poder de combate formidável.

    Os adeptos possuíam núcleos de consciência para memorizar e lançar modelos de feitiços. Mas como essas máquinas mágicas elementais deveriam lutar?

    Elas funcionariam como canhões móveis, como os Arqueiros? Disparariam feixes de energia e empunhariam rifles de energia mágica?

    Fazer isso apagaria completamente a maior vantagem dos golems elementais: a capacidade natural de conjurar magias. Se lutassem dessa forma, Greem poderia simplesmente aprimorar os Arqueiros em vez disso!

    Por fim, o espírito mágico era a única maneira de conceder inteligência artificial às máquinas mágicas elementais.

    No entanto, para isso, Greem precisaria primeiro dominar certas magias da alma.

    No mínimo, ele precisaria de feitiços da alma no nível dos grandes mestres da necromancia.

    Greem pretendia que o Chip controlasse essas máquinas mágicas, mas, com seu nível atual de estudos da alma, ele ainda estava muito longe de ser capaz de usar uma cópia do Chip como núcleo de um espírito mágico.

    Felizmente, após avançar ao Terceiro Grau, Greem agora dispunha de tempo de sobra para compensar todos erros do passado.

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