Capítulo 910
『 Tradutor: Crimson 』
“Associação de Energia Mágica…”
Meryl pousou o pergaminho que tinha nas mãos e não pôde deixar de murmurar.
Vanlier, que organizava documentos sobre a mesa, interrompeu os movimentos de repente.
“Essa Princesa Vanessa ficou estranhamente ativa de uns tempos para cá.”
“Você sabe quem são as pessoas que ela entrou em contato?” Um sorriso surgiu no rosto bonito e gentil de Meryl.
“Parece que ela enviou mensageiros para todos os goblins que têm algum tipo de reputação.”
“Que ambição considerável.”
“Isso não é culpa daqueles goblins infundidos com magia!?” Vanlier reclamou. “Desde que o Adepto Deserra descobriu uma forma de infundir magia nos goblins com segurança, sem afetar a inteligência deles, as emoções dos goblins explodiram.”
“Acho que já passou da hora de encontrarmos uma oportunidade para colocá-los em seus devidos lugares.” Meryl virou-se para Vanlier. “Comece a se mover do seu lado também. Plante alguns espiões dentro da Associação de Energia Mágica e mantenha vigilância constante sobre as atividades deles. Se tentarem entrar em contato com figuras-chave, me informe imediatamente!”
“Sim!”
“Ah, é mesmo… Srta. Mary já saiu do isolamento há algum tempo. O que ela anda fazendo recentemente? Ela não está incomodando meu mestre, está?”
“Isso… não ouso investigar os assuntos da Srta. Mary. No entanto, parece que ela arrastou o Lorde Greem para Lance alguns dias atrás.”
“Lance? Por que foram para lá?”
“Ouvi dizer… ouvi dizer que foram caçar uma Dragonesa de Fogo de Terceiro Grau!”
…………
Lance, Castelo Apocalíptico.
Como um castelo magnífico flutuando acima de um mar de lava, o covil de Philippa Eilhart era único.
A geografia árida e o ambiente severo faziam com que criaturas comuns não conseguissem sobreviver naquele lugar.
Consequentemente, não havia nenhum outro abrigo nas proximidades do Castelo além da terra escaldante, dos vales sinuosos e da vasta extensão de vulcões. Em um ambiente assim, as únicas coisas capazes de sobreviver, além de criaturas puramente elementais de fogo, eram criaturas do atributo fogo que preferiam calor ou tinham a capacidade de suportá-lo.
Essas criaturas costumavam ter carne azeda. Nem mesmo dragões conseguiam tolerar o sabor.
Por isso, os guardas Draconatos do Castelo Apocalítico precisavam viajar de cem a duzentos quilômetros todos os dias para caçar em outras regiões. Era a única forma de saciar o apetite absurdamente voraz da Dragonesa de fogo de Terceiro Grau.
No entanto, hoje era um pouco diferente.
Dois convidados indesejados haviam invadido o Castelo por algum motivo.
Nas últimas décadas, havia um grupo de forasteiros semelhantes a ratos que caçava dragões em segredo. Contudo, o poder deles era limitado. Eles só ousavam mirar em dragões de Primeiro e Segundo Grau. Jamais ousaram escolher um dragão de Terceiro Grau como alvo.
Foi por isso que a dragonesa de fogo de Terceiro Grau pôde continuar levando sua vida luxuosa e confortável no Castelo Apocalíptico.
Infelizmente, hoje, sua sorte havia acabado.
Um Navio-Mãe prateado cruzou a cadeia de montanhas e pousou sobre a terra queimada como um soberano descendo sobre seu domínio.
Quando parou de forma estável no ar acima do castelo, dois adeptos poderosos — um homem e uma mulher — voaram para fora do navio. Eles permaneceram suspensos no ar, observando silenciosamente o enorme castelo flutuando no centro do mar de lava.
Era evidente que as pessoas dentro do castelo já haviam sido alertadas sobre a chegada dos adeptos. Pontos negros, do tamanho de formigas, podiam ser vistos correndo pela imensa praça e entre os diversos edifícios.
Um poderoso rugido de dragão ecoou quando uma dragonesa de fogo um tanto gorda ergueu voo do castelo, batendo suas asas vermelho-escuras.
Greem pairava no ar, observando silenciosamente tudo abaixo.
Ao ver que a dona do castelo havia chegado, ele ergueu a mão e lançou uma camada defensiva de fogo ao redor de Mary. Em seguida, seu corpo irrompeu em chamas e ele apareceu instantaneamente diante da dragonesa de fogo.
Diferente dos corpos elegantes e curvilíneos de outras dragonesas, essa era anormalmente obesa. Seu tamanho colossal era duas ou três vezes maior do que o de dragões do mesmo grau. Greem não pôde deixar de se perguntar se as asas dela realmente conseguiam sustentar aquele corpo quando a viu pairar no céu com tanto esforço.
Philippa estreitou seus grandes olhos ao ver o elemento de fogo ofuscante se condensar subitamente em um adepto humano alto, jovem e bonito.
O senso estético dos dragões abrangia tudo e não se limitava a idade ou raça!
Philippa não pôde deixar de sentir excitação ao ver um adepto humano tão bonito surgir diante dela. A saliva brilhante escorrendo por entre seus dentes grandes e sinistros quase pingava.
“Garoto bonito, você parece bem forte, não é? Veio ao lugar da irmãzinha para ser meu novo cachorrinho?”
Caramba! Demos de cara com uma Dragonesa cheia de tesão!
Greem já conseguia ouvir vagamente as gargalhadas selvagens de Mary vindas de cima.
“Srta. Philippa, você não consegue perceber que estamos aqui por vingança?” Greem a lembrou, sem qualquer bom humor.
“Vingança?” A dragonesa de fogo ficou chocada. Seus enormes olhos se arregalaram ainda mais enquanto ela examinava Greem à distância. “Eu não acho que já tenhamos nos encontrado antes, não é?”
“Talvez você tenha esquecido, mas as Montanhas de Pedra Talhadas que você atacou no passado… eram o meu território.”
Montanhas de Pedra Talhadas.
Dragão de Vento, Cherkes.
Asas do Céu Azul, o Dragão de Quarto Grau Krille.
Essa sequência de nomes associados fez a dragonesa de fogo compreender imediatamente a gravidade da situação diante dela. A expressão apaixonada em seu rosto desapareceu num instante, substituída por uma ferocidade brutal em sua cabeça.
“V… Você é o líder dos adeptos forasteiros das Montanhas de Pedra Talhadas. Foram vocês que capturaram Krille também?”
“Hehehe, isso você não precisa saber.” Greem riu de leve. “O motivo de eu ter trazido pessoas até aqui hoje é cobrar a vingança por você ter destruído meu território naquela época. É melhor que venha conosco obedientemente.”
Ele mal terminou de falar quando um ataque violento de respiração o engoliu por completo.
Bem mais acima no céu, Mary, que já havia concluído todos os seus preparativos de combate, ergueu a mão e sinalizou para que o Navio-Mãe se afastasse um pouco. Só então ela fechou as asas de morcego e mergulhou na direção da dragonesa de fogo a uma velocidade impossível de ser captada a olho nu.
A dragonesa de fogo podia parecer uma tia safada qualquer, mas já havia notado os movimentos de Mary há muito tempo. Ao ver a silhueta carmesim desaparecer, ela interrompeu o ataque imediatamente. Suas duas asas bateram com violência, fazendo seu enorme corpo recuar três metros num piscar de olhos.
Um som agudo de rasgo ecoou no ar.
Uma silhueta carmesim, semelhante a um fantasma, passou cortando a lateral da dragonesa. As garras afiadas rasgaram o ar, deixando incontáveis marcas sangrentas no céu.
A dragonesa rugiu e bateu as asas mais uma vez, tentando perseguir a silhueta carmesim para contra-atacar.
No entanto, no instante em que ela mudou de alvo, o que restava do seu ataque de respiração se dissipou de repente. Um humanoide colossal feito de chamas emergiu de dentro do fogo, segurando uma Bola de Magma nas mãos. Ele sorriu de forma sinistra e arremessou o projétil contra ela.
Cem metros podiam ser uma distância segura para adeptos de baixo grau, mas para adeptos de alto grau isso não passava de combate corpo a corpo.
A bola de magma chegou diante da dragonesa num instante e explodiu em um enorme aglomerado de chamas assim que deixou a mão de Greem.
Ambos brincavam com fogo. O dano de magias de fogo um no outro era praticamente irrelevante. Foi exatamente por isso que Greem escolhera a Bola de Magma — que carregava consigo uma parcela considerável de dano físico — como seu meio de ataque.
As violentas ondas de choque das chamas atingiram o corpo gigantesco da dragonesa junto com inúmeros fragmentos de magma. Eles estalaram contra suas escamas vermelho-escuras, espalhando faíscas por todos os lados.
Droga, que adepto de fogo irritante!
A dragonesa rugiu de raiva. Ela já não se importava mais com a morceguinha incômoda ao redor. Em vez disso, seu enorme corpo, envolto em chamas fervilhantes, lançou-se diretamente contra o jovem adepto humano.
Ela conseguia perceber que o poder ofensivo da mulher não era tão alto. As garras dela não tinham como atravessar suas escamas e feri-la. Já o homem era um adepto de fogo especializado em ataque. Com ele, precisava lidar com muito mais cautela.
Os três de Terceiro Grau se chocaram e se cruzaram no ar acima do Castelo Apocalíptico, travando uma batalha selvagem e furiosa. Ondas após ondas de calor e fogo se espalhavam em todas as direções como uma maré imparável, avançando em direção ao castelo abaixo.
Chamas despencavam do céu, erguendo colunas de fogo rugidoras onde quer que caíssem. Nem mesmo os edifícios altos e robustos conseguiam suportar aquele calor extremo, começando a desmoronar em meio ao incêndio. Se aquelas chamas atingissem os guardas draconianos, toda a energia mágica em seus corpos seria instantaneamente incendiada. Eles se transformariam em tochas humanas, cuspindo fogo por todos os poros e orifícios, reduzidos a cinzas num piscar de olhos.
Era como se um verdadeiro apocalipse tivesse descido sobre o Castelo. Cômodos desmoronavam enquanto as pessoas corriam em completo caos.
No meio do pânico dos draconatos, um grito agudo ecoou. Um enorme aglomerado de chamas caiu do céu, abrindo uma cratera profunda na resistente praça. Quando o fogo em erupção começou a se dissipar lentamente, uma figura saiu de dentro do buraco, completamente queimada.
Atrás dela, a lava dentro da cratera ainda não havia esfriado, borbulhando e se agitando violentamente.
A figura carbonizada moveu o corpo com grande dificuldade. A pele enegrecida começou a se soltar em lascas, revelando a carne ainda fumegante por baixo.
Ela se endireitou. As pálpebras queimadas se abriram, revelando um par de olhos rubros. Lançou um olhar ressentido para o céu antes de voltar o olhar para os guardas próximos.
Por algum motivo, o Draconato que foi encarado sentiu um medo incontrolável tomar seu coração. Ele tentou fugir com seu corpo pesado no instante em que a figura saltou sobre ele.
A diferença de tamanho era absurda. Um era tão grande quanto um caminhão; a outra, tão magra quanto um galho de salgueiro ao vento. Ainda assim, se lutassem de verdade, nem mesmo dez guardas seriam páreo para uma Mary gravemente ferida!
Ninguém soube exatamente o que Mary fez, mas o Draconato perdeu toda a capacidade de resistir assim que ela pousou em suas costas. Ele apenas permitiu que ela se agachasse em seu pescoço e drenasse todo o seu sangue.
Após uma sequência de sons de sucção, o corpo daquele Draconato de Primeiro Grau Avançado estava visivelmente murcho e seco. Cinco segundos depois, quando Mary limpou os lábios e se levantou, ela já havia recuperado sua beleza natural e seu charme arrebatador.
Não restava sequer um traço de ferimento em sua pele branca e lisa!
Sentindo a abundante energia de sangue fluindo dentro do corpo, Mary ergueu a cabeça e encarou a figura gorda que ainda lutava no ar. Ela soltou um grito e abriu as asas, disparando novamente para o céu como uma silhueta carmesim.

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