Índice de Capítulo

    Uma ponte de pedra robusta e elegante atravessava o Lago Águas Silenciosas, dividindo a cidade em leste e oeste.

    A única taverna ficava na margem leste.

    Era início da manhã.

    Apesar de já estar aberta, ainda havia poucos clientes.

    Assim, quando Greem entrou envolto em seu manto negro, ninguém lhe deu atenção.

    Nem mesmo o velho Willy, que bocejava enquanto limpava o balcão, olhou mais de uma vez.

    Embora o manto ocultasse quase todo o corpo e rosto de Greem, suas mãos e o queixo expostos revelavam que era humano.

    Aventureiros e mercenários assim eram comuns em regiões de fronteira como a Cidade do Lago.

    Tanto os lobos selvagens da floresta quanto os orcs do norte tinham altas recompensas no Império Zambez, atraindo inúmeros caçadores que superestimavam suas próprias capacidades.

    Esses aventureiros eram frequentadores constantes da taverna, e o velho Willy já estava mais do que acostumado com seu tipo.

    “Rosto novo por aqui. Chegou agora à Cidade do Lago?” Disse Willy, servindo rapidamente uma caneca de Cerveja do Trovão e deslizando-a pelo balcão. “Essa é por minha conta!”

    Greem abaixou o capuz e exibiu um sorriso gentil.

    Ergueu a caneca.

    “Obrigado! À sua saúde!”

    Quando falou, seu zambeziano saiu fluente e natural.

    Willy não conseguiu esconder a surpresa ao ver o jovem de longos cabelos carmesim, pele clara, nariz alto e olhos negros.

    Coçou a cabeça.

    “Você é do norte do Império? Não vemos muita gente com essa aparência por aqui.”

    Greem apenas sorriu.

    Não respondeu.

    Pediu um ensopado e foi comer em um canto da taverna.

    Enquanto comia e refletia sobre seus próximos passos, um alvoroço surgiu ao longe, acompanhado pelo som estridente de sinos de alerta.

    “Droga! Devem ser aqueles observadores de novo…” Murmurou Willy, caminhando até a porta e olhando na direção da ponte de pedra.

    No instante seguinte, ficou completamente atônito.

    A fortaleza de pedra do outro lado da ponte estava em chamas.

    Fumaça se erguia no céu.

    E os sinos de alerta ecoavam sem parar.

    Os moradores da Cidade do Lago saíram de suas casas, encarando a fortaleza à distância com rostos preocupados.

    A fortaleza era a única instalação militar fora da cidade.

    Cento e cinquenta soldados imperiais viviam ali, garantindo a segurança do local ao longo do ano.

    Mas agora…

    Sinais de fumaça subiam dela.

    Aquilo não era um bom presságio.

    O prefeito Gandas saiu às pressas do salão da prefeitura.

    Com dois subordinados, correu em direção à fortaleza, gritando para Willy:

    “Velho Will, pare de ficar olhando! Reúna todos os jovens da cidade e deixe-os prontos para ordens. Eu vou verificar a situação!”

    E partiu imediatamente.

    Willy hesitou por um momento.

    Então, ao se virar…

    Arrepiou-se.

    O jovem de antes estava logo atrás dele, de cabeça erguida, observando a fumaça à distância.

    “Desculpa, rapaz, mas vou ter que fechar a taverna por enquanto. Se você for mesmo um aventureiro, fique e ajude a nossa Cidade do Lago. Tenho um mau pressentimento… o inimigo desta vez pode ser perigoso.”

    Greem simplesmente ignorou o velho de corpo largo.

    Seu olhar permanecia fixo no horizonte.

    Flutuações de elementium.

    Ele podia sentir uma intensa perturbação elemental vindo da direção da fumaça.

    Havia algo… familiar.

    Pelo que sabia, conjuradores eram raros no Plano Henvic.

    Além disso, aquela flutuação não se encaixava no sistema de poder local.

    Parecia…

    Magia de um adepto.

    Greem estreitou os olhos.

    Ele havia visto claramente que as duas Bruxas da Enganação haviam sido arremessadas para direções opostas ao atravessarem a fenda espacial.

    Era impossível que já tivessem se reunido com ele.

    Por isso, aquela energia familiar não trazia sensação de proximidade.

    Apenas um mau presságio.

    Amigo… ou inimigo?

    Um encontro por acaso… ou alguém vindo diretamente atrás dele?

    Sem hesitar, Greem se virou, saiu da taverna e correu para fora da cidade — na direção oposta à fumaça.

    Willy apenas balançou a cabeça e suspirou ao vê-lo partir.

    Em seguida, saiu apressado pelas ruas para reunir os jovens.

    A cidade tinha mais de dois mil habitantes.

    Mesmo excluindo idosos, doentes e crianças, ainda era possível reunir facilmente entre setecentos e oitocentos homens jovens.

    Sem saber o que acontecia fora da cidade, eles se armaram com paus, forcados e tochas.

    Bloquearam a ponte.

    E aguardaram, tensos, por notícias.

    O amanhecer chegou.

    A estrada de cascalho que levava à fortaleza estava coberta por uma fina camada de neblina, dificultando a visão.

    De repente—

    Um grito de dor ecoou ao longe.

    Uma figura cambaleante surgiu, correndo em direção à ponte com uma tocha na mão.

    “É o York!”

    “Vão ver! É o York. Ele foi com o prefeito mais cedo.”

    Alguns moradores, mais atentos, reconheceram rapidamente o homem que corria desesperadamente de volta.

    “York, o que aconteceu na fortaleza de pedra?” perguntou em voz alta um homem musculoso, avançando da multidão.

    “Morreram… morreram… estão todos mortos. O prefeito…” York disse, ofegante, enquanto tropeçava à frente.

    De repente—

    Um som agudo cortou o ar.

    Uma lâmina em forma de disco surgiu da neblina, envolveu o pescoço de York e retornou para o nevoeiro.

    O corpo de York congelou.

    Sua cabeça caiu no chão.

    E rolou até a multidão.

    As pessoas recuaram imediatamente, os rostos pálidos de choque e terror.

    Gritos começaram a ecoar.

    Uma silhueta pequena e esguia surgiu lentamente da neblina.

    Cinco ou seis apêndices estranhos se moviam ao redor dela.

    Era uma mulher.

    Metade humana.

    Metade máquina.

    Ela vestia uma armadura de combate negra, elegante e refinada.

    Metade de seu rosto e corpo ainda era humana.

    A outra metade havia sido substituída por metal prateado.

    O traço mais marcante em sua face fria era o par de olhos mecânicos vermelhos brilhantes.

    “Ela… ela veio de outro mundo. É uma bruxa!” Gritou o experiente velho Willy, recuando de terror, com a voz estridente.

    Uma bruxa?

    Uma bruxa?!

    Aquela notícia aterrorizante abalou todos até o fundo da alma.

    As bruxas de outro mundo haviam invadido o Plano Henvic — isso todos sabiam.

    Mas os cavaleiros sagrados do Império já haviam cercado as bruxas nas Terras Altas de Dabyrie.

    Dizia-se que quase todas haviam sido exterminadas.

    Então… como uma poderia aparecer ali?

    Na Cidade do Lago?

    No extremo norte do Império?

    Alguns dos moradores mais covardes imediatamente se viraram para fugir.

    Mas a bruxa meio mecânica soltou um grito agudo—

    Quatro lâminas em forma de disco dispararam instantaneamente.

    Cortaram os fugitivos ao meio.

    Seus corpos caíram no chão.

    O cheiro espesso de sangue e a cena grotesca fizeram vários civis desmaiarem na hora.

    “Fiquem parados. Ninguém se mexe!”

    A Princesa das Lâminas Katherine avançou calmamente, ameaçando em voz alta:

    “Quem tentar fugir de novo vai acabar como eles.”

    Todos recuaram para as laterais da ponte de pedra, abrindo um amplo caminho para a bruxa.

    “Estou procurando alguém. Se algum de vocês me disser onde ele está, pouparei sua vida.”

    Katherine retirou uma esfera de cristal.

    Ativou-a com sua magia.

    A imagem de um jovem alto e bonito surgiu no ar.

    Pelos traços, pelas roupas e pelo porte—

    Não havia dúvida.

    Era Greem.

    Algumas pessoas reconheceram imediatamente.

    E, sem perceber, olharam para o velho Willy.

    A percepção espiritual de Katherine era extremamente aguçada.

    Ela notou na hora.

    Lâminas metálicas zumbiram e avançaram, afastando a multidão e prendendo Willy no centro.

    “Você já viu esse homem?” Um sorriso estranho surgiu em seu rosto frio.

    “Eu… vi…”

    “Onde ele está?”

    “Ele… ele foi…”

    No instante em que Willy ia apontar—

    Uma bola de fogo surgiu da neblina.

    E o atingiu diretamente.

    Boom!

    Willy explodiu como um barril de vinho.

    A onda de fogo evaporou seu sangue antes mesmo que tocasse o chão.

    O pânico se espalhou imediatamente.

    Gritos e correria tomaram conta da cidade.

    Katherine sequer se importou com aqueles insetos irritantes.

    Seu olho mecânico girou com um leve rangido, fixando-se na figura que emergia da neblina do outro lado da ponte.

    “Greem.”

    Um sorriso sinistro surgiu em seus lábios.

    “Eu pensei que você estaria fugindo com tudo que tinha… e ainda assim vem até mim por conta própria?”

    “Fugir? Por quê?” Greem afastou a névoa com a mão e parou a cerca de cem metros dela. “Você é de Terceiro Grau. Eu também.”

    “Nenhum de nós pode usar todo o poder neste maldito lugar.”

    “Então por que eu teria medo de você?”

    “Porque você é um adepto de elementium… e eu sou uma adepta mecânica!”

    O olho vermelho de Katherine brilhou ainda mais intensamente.

    “A influência deste plano afeta muito mais você.”

    “Além disso… eu sou uma adepta caçadora!”

    Suas botas metálicas golpearam o chão.

    Seu corpo pequeno — com menos de 1,6 metro — disparou como uma flecha em direção a Greem.

    Seus membros metálicos chicotearam o ar.

    Cinco lâminas reluzentes atacaram Greem simultaneamente, vindas de vários ângulos.

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