Capítulo 1201 - Esquin Georagnisus
『 Tradutor: Crimson 』
Esquin aproximou-se, seu tom calmo, porém penetrante.
“A Calamidade dos Céus também conhecia o Pecado Original. Não é mito. É real. O Aspecto da Gula foi devorado por mim. E, coincidentemente, em sua tentativa de escapar deste lugar, você tentou se sacrificar. Mas eu recusei. Essa foi a primeira vez que revelei a você o verdadeiro poder da Gula.”
Esriel relembrou tudo, cada memória a atingindo como se tivesse acontecido ontem. Seu corpo tremia enquanto ela sussurrava: “Você é o Soberano da Gula… e sempre será.”
“Desde o momento em que nasci, eu era o Soberano da Gula”, respondeu Esquin calmamente e continuava a explicação: “O Aspecto da Gula sou eu. Naquela época, eu apenas administrava uma pequena organização, sem ousar revelar meu verdadeiro poder. Você se lembra do que a vontade remanescente da Calamidade dos Céus me disse?”
Esriel ergueu lentamente a cabeça, a voz trêmula ao falar: “Você possui o poder da Gula. Você se tornará o mais forte… mas agora você deve devorá-lo. Para realmente deixar este mundo, ele escolheu você para devorá-lo.”
“Exatamente”, disse Esquin, com um leve tom de satisfação na voz. “Ele escondeu um fragmento de sua vontade neste reino para evitar o apagamento total pelos Administradores. No fim… ele não aguentou e quis desaparecer.”
A persistente vontade da Calamidade dos Céus estava presa a este lugar, o Túmulo da Gula. Não importava o que fizesse, ele não conseguia escapar. Então, em vez de permanecer aprisionado, escolheu perecer completamente.
“Ser devorado por mim… essa foi a escolha dele”, disse Esquin, com o olhar firme enquanto dizia: “Foi ele quem se revelou para nós e nos contou sobre a Amálgama do Mundo. Mas isso não significa que sair do Túmulo da Gula seja algo que se possa fazer levianamente.”
A voz de Esriel tremia.
“Mas… como você obteve o poder da Gula?”
“Exatamente como você disse”, respondeu ele, com um tom frio e pragmático dizendo: “Sempre fui eu. Não houve herança, nenhum labirinto vivo a ser conquistado. É simplesmente quem eu sou. Você entenderá quando ascender à divindade. No fim… deixar o Túmulo da Gula exigiu uma parte de mim.”
Esquin estendeu a mão e agarrou a esfera vermelha e branca. No instante em que ela tocou sua mão, uma onda avassaladora de poder irrompeu dentro dele, e a esfera se dissolveu em seu próprio ser.
Ele fechou os olhos e sussurrou: “Estive dentro de você o tempo todo… uma parte de mim que eu havia perdido.”
Esquin saboreou a sensação de recuperá-la. A sensação era inebriante, ao mesmo tempo avassaladora e estranhamente satisfatória.
O Aspecto da Gula o devorou, absorvendo-o, enquanto selava um fragmento dentro de sua irmã. Tudo estava ligado ao Túmulo da Gula, o local de descanso final do antigo Soberano da Gula.
–Boom!!
Toda a tumba tremeu violentamente sob o poder de Esquin. O chão rachou, as paredes estremeceram e o próprio ar pareceu sufocar sob a força opressiva. O tempo, espaço e a própria realidade se curvaram e se distorceram.
Os olhos de Esriel se arregalaram enquanto ela encarava o irmão. De repente, sentiu como se sua mente fosse se fragmentar sob o peso de tudo aquilo. Ela agarrou a cabeça, caindo de joelhos enquanto uma onda insuportável de dor a percorria.
–Ohm!!
Esquin abriu os olhos e uma espada materializou-se diante dele. Sua lâmina estava envolta em uma escuridão ondulante, e um olho enorme e fixo o encarava do cabo, como se observasse tudo. Sombras deslizavam ao longo da borda da lâmina, movendo-se como tentáculos vivos.
“O antigo Soberano da Gula… Demônio da Árvore, aqui está você”, murmurou ele. Estendeu a mão e agarrou a espada. “A [Espada Devoradora da Terra]… Eu lhe mostrarei o mundo além deste lugar.”
Ao ver o olhar de Esquin para sua irmã, uma lembrança passou por sua mente. De repente, o corpo de Esriel ficou mole, como se ela tivesse perdido a consciência.
“Os mortais jamais deveriam estar perto de um deus que emana o poder do Grid”, disse ele em voz baixa e dizendo: “Cada palavra, cada ação… carrega uma força capaz de destruir a mente de um mortal.”
…
Império.
Anjos, anjos caídos e outras facções ficaram em silêncio enquanto a fumaça se dissipava lentamente. A ameaça do Exército da Gula era inegável, grande demais para ser ignorada.
Quando os últimos vestígios de fumaça se dissiparam, seus olhos se depararam com a cena. O imponente palácio que ali existia fora reduzido a nada, substituído por um abismo de profundidade desconhecida. Faíscas violentas de energia dançavam em sua superfície, crepitando com um poder bruto e incontrolável.
‘Está feito?’, pensou Vashno, parado na retaguarda, testemunhando em silêncio o poder avassalador de um especialista na Nona Algema.
Ainda assim, uma verdade permanecia clara: nada associado ao Exército da Gula poderia ser subestimado.
No instante seguinte, os dois especialistas da Nona Algema enrijeceram subitamente. Seus olhos se arregalaram como se estivessem congelados no ar, pressentindo algo incompreensível.
Os outros ainda não tinham percebido nada. Estavam concentrados nas consequências da batalha entre o anjo de nível superior e o anjo caído.
–Ohm!!
Uma luz carmesim tremeluziu violentamente acima da enorme rachadura espacial no céu. A onda repentina sacudiu todo o reino secreto, enviando ondas de energia que se espalharam pela terra.
“O quê?!”
“O que está acontecendo?!”
Vashno e os outros viraram a cabeça, seguindo as luzes vermelhas que piscavam ameaçadoramente no céu, e então viram.
Uma enorme mancha de escuridão surgiu do nada, como uma boca escancarada e irregular no vazio. Ela estalou e se agitou no ar, devorando os dois especialistas na Nona Algema em um instante.
No campo de batalha, inúmeros espectadores testemunharam a cena horrível pelo canto do olho. O medo os dominou, pois a perda de um único especialista desse nível era inimaginável. Dois… desaparecidos em um instante.
E então, acima do vazio que os engolira, emergiu uma figura envolta em escuridão, pairando como uma sombra sobre os devorados.
Ao avistarem a figura, todos reconheceram imediatamente uma presença muito além de sua compreensão, um ser superior. Seus corpos tremiam incontrolavelmente, dominados por uma força opressiva que parecia exigir submissão absoluta.
A figura em questão era ninguém menos que Esquin Georagnisus, o infame Soberano da Gula.
“Está feito… o Túmulo da Gula foi aberto”, disse ele, com a voz calma, mas carregando um peso que oprimia todos os seres daquela área.
O olhar de Esquin percorreu a imensa rachadura espacial à sua frente e, então, com um único movimento, ele voou para dentro dela.
–Plop!!
Os espectadores caíram de joelhos, ofegantes, com o coração palpitando como se tivessem encarado a própria morte. E, de fato, tinham. Um mero pensamento daquele ser divino poderia ter extinguido suas vidas sem esforço.
O ar permanecia pesado de medo, a presença do Soberano da Gula pairando como uma sombra sobre o campo de batalha.
…
Após atravessar a rachadura espacial, Esquin chegou a um reino de branco infinito, uma extensão ilimitada de luz e nuvens que se estendia além do horizonte. O próprio ar parecia vibrar com um poder silencioso e sobrenatural.
–Swoosh!!
Duas figuras materializaram-se no ar, com os olhares fixos em Esquin, demonstrando uma hostilidade implacável.
Ambos estavam trajados com armaduras impressionantes, uma branca e a outra preta, irradiando a imensa energia de seres de nível divino. Um era um anjo branco, o outro um anjo caído.
O anjo era a Arcanjo Veinn. Seus longos cabelos brancos escorriam como luz líquida, e seus penetrantes olhos verdes fixaram-se em Esquin com determinação inabalável. Ela vestia uma armadura prateada que irradiava um brilho puro e ofuscante, sua presença exalando graça e poder absoluto. Em sua mão direita, carregava um pequeno escudo redondo; na esquerda, uma espada curta reluzia com luz divina.
Conhecida como o Anjo da Justiça, Veinn era uma força divina formidável dentro da Facção dos Anjos, sua mera presença inspirando admiração e medo.
A outra figura era a Anjo Caído Coriel, também conhecido como Asas da Misericórdia. Seus longos cabelos grisalhos esvoaçavam como fumaça, emoldurando um rosto pálido marcado por olhos heterocromáticos — um vermelho e branco, o outro preto. Ela vestia um vestido preto esvoaçante, e de suas costas brotavam quatro pares de asas escuras e ameaçadoras. Em suas mãos, empunhava um longo bastão, com um pequeno par de asas na ponta, irradiando uma aura de elegância e intenções assassinas.
“Soberano da Gula…” A voz de Coriel era baixa e cortante, seus olhos se estreitando enquanto o avaliava.
“O que você está tentando alcançar neste lugar?”, Perguntou Veinn, com um tom gélido e autoritário.
Diante da presença opressiva deles, Esquin deu uma risadinha, um som que carregava tanto divertimento quanto ameaça.
“Estou aqui para matar vocês dois”, disse ele antes de afirmar: “Meus preparativos estão completos. Vou acabar com vocês para demonstrar toda a extensão do meu poder.”
Os olhos de Veinn brilharam.
“Nos matar? Você é capaz disso?” Ela apertou ainda mais a espada e o escudo, sua energia fervilhando incontrolavelmente. Cada músculo e nervo do seu corpo estava pronto para atacar, preparado para a batalha a qualquer momento.
“O Túmulo da Gula foi aberto”, declarou Esquin e afirmou: “E também será o seu local de descanso agora.”
Ele abriu os braços, e o riso ecoou pela imensidão branca.
–Bang!!
Todo o reino estremeceu. Uma onda de choque se propagou quando uma força aterradora atravessou a própria estrutura da dimensão.
Inúmeras runas surgiram, manifestando-se no céu, nas nuvens e até mesmo na luz ao redor delas.
O próprio reino pareceu recuar quando as runas pulsaram, distorcendo o espaço, quebrando as leis e anunciando a chegada de algo catastrófico.

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