Capítulo 1210 - Terra da Luz de Fogo
『 Tradutor: Crimson 』
“Eu falhei… As baixas da guerra foram muito altas”, murmurou Souta. Em seguida, voltou seu olhar para a espada ao seu lado e perguntou: “Quanto tempo eu dormi?”
‘Cerca de quatro meses e meio’, respondeu Saya.
Mesmo ao responder, ela hesitou. Seria realmente possível chamar aquilo de sono? Durante a maior parte desse tempo, Souta estivera imerso em sua própria consciência, não no mundo dos sonhos, mas em um vazio profundo de percepção. Ele não havia notado a passagem do tempo.
Souta cerrou o punho, testando o próprio corpo. Apenas sua força física respondeu. Todo o resto estava em ruínas.
Usar o Infinito cobrou um preço devastador. Mesmo o poder do Signo por si só já havia levado seu corpo ao limite absoluto, e ainda assim ele foi além, forçando mais poder do que jamais deveria ter controlado. Foi imprudente. Perigoso.
‘Cheguei ao nível 80. Posso evoluir’, pensou Souta e então disse: “Mas estou completamente despreparado.”
Ele não tinha mais energia. Tentar evoluir agora não só o desestabilizaria, como quase certamente fracassaria, deixando consequências muito piores do que permanecer estagnado.
Pior ainda, seus parasitas haviam entrado em estado dormente. Sua consciência interior estava repleta de fraturas, como se pudesse se estilhaçar a qualquer momento. Os círculos mágicos dentro dele tremia à beira do colapso. Nem mesmo a energia elemental fundida, o núcleo que outrora o sustentava, conseguia mais extrair sequer um único fio de douion.
Foi pior do que ele havia imaginado.
Souta expirou lentamente, balançando a cabeça enquanto se obrigava a ficar de pé e observar o que o rodeava.
Era uma praia sem vida.
Sem pegadas. Sem aura. Nem mesmo o eco de energia residual. Apenas o silêncio que se estende até o horizonte.
“Saya, você reconhece este lugar?” Perguntou Souta.
‘Não.’ respondeu Saya. Após uma breve pausa, acrescentou: ‘No entanto, existem seres vivos aqui. Eu os senti antes, mas nenhum se aproximou da costa. Eles desconhecem a sua existência.’
Ela então explicou o que havia acontecido após a batalha.
Na fortaleza demoníaca, quando Souta libertou o Infinito, tudo foi apagado — espaço, matéria e qualquer resquício de vontade. O colapso os arrastou para o Reino dos Sonhos, de onde atravessaram vários outros reinos em sucessão antes de finalmente caírem nesta terra.
Quando chegaram, o corpo de Souta já havia começado a se dissolver.
Seus parasitas trabalharam incansavelmente, reparando os danos pouco a pouco. Após uma semana, sua forma física se estabilizou e retornou ao normal. Mas suas reservas de energia e sua consciência sofreram danos catastróficos.
Souta levou quase cinco meses para recuperar a consciência.
“No fim… eu ainda sobrevivi”, murmurou Souta.
Saya mudou de assunto, falando sobre os seres que havia pressentido antes. Eles eram fracos, tão fracos que não haviam detectado Souta. Por enquanto, não havia perigo imediato.
A questão principal era a incerteza. Eles não tinham ideia de que tipo de terreno era aquele.
“Por agora… preciso de uma fonte de energia. Uma quantidade enorme de recursos para me recuperar.” Disse Souta em voz baixa
Ele avançou e o que encontrou foi uma vasta floresta.
Árvores imponentes elevavam-se de quinze a vinte metros de altura, algumas chegando a atingir trinta metros. Suas copas densas absorviam a luz do sol, permitindo que apenas pequenos feixes penetrassem. O solo da floresta estava úmido e pesado, repleto dos movimentos sutis de insetos que se esgueiravam pelos cantos sombreados.
Um ecossistema silencioso e próspero.
E em algum lugar dentro disso, estavam os recursos de que Souta precisava para sobreviver.
Mesmo sem ter acesso a todo o seu poder, a força física de Souta continuava formidável.
Ele adentrou ainda mais na floresta, com a espada vajra firmemente empunhada.
Uma sensação opressiva apertou seu peito, como se algo invisível estivesse comprimindo seu coração. Ele não conseguia distinguir se a sensação vinha da própria terra ou de sua própria fragilidade.
“Eu queria invocar Yuko ou a Kessa…” Souta murmurou e então percebeu: “Mas eu não tenho energia.”
Com qualquer uma delas ao seu lado, as coisas teriam sido muito mais fáceis. Mesmo assim, quatro meses haviam se passado. Se algo tivesse dado errado, ele saberia. O contrato confirmava que ambas estavam vivas.
Souta prosseguiu, observando atentamente os arredores.
Em pouco tempo, uma aldeia surgiu à vista.
Cerca de duas mil pessoas viviam ali, mas o ambiente era pesado e sombrio. A maioria tinha expressões tensas, como se uma crise iminente os oprimisse.
Ele caminhou pelo assentamento, atraindo olhares silenciosos, mas sem interferência. Entre os aldeões havia elfos, anões e outros demi, cuja diversidade sugeria uma comunidade estabelecida há muito tempo.
“Não sinto nenhuma ameaça”, avaliou Souta e disse: “Os níveis deles são baixos.”
Ele parou diante de um anão e falou calmamente: “Olá. Acabei de chegar a esta terra. Você poderia me dizer a qual continente este lugar pertence?”
O anão congelou, visivelmente assustado. Uma expressão de confusão passou por seu rosto enquanto ele encarava Souta. Após alguns segundos, respondeu em uma língua que Souta não conseguia entender.
Era incompreensível.
“Uma língua diferente? Você não consegue entender Norman, a língua comum de Imperium…” Disse Souta, genuinamente surpreso.
Só isso já o surpreendeu. Era extremamente raro encontrar alguém que não entendesse a língua comum de Imperium. Mesmo inúmeros sub-mundos além dos reinos centrais a haviam adotado há muito tempo.
A reação de Saya, no entanto, foi muito mais severa.
‘Isto…’ Ela gaguejou, com incredulidade na voz e disse: ‘É a Língua Antiga de Highnun?!’
Souta balançou a cabeça brevemente em sinal de negação para o anão, indicando que não conseguia entender, antes de se virar.
O anão permaneceu imóvel, com a confusão estampada no rosto enquanto observava Souta desaparecer atrás de uma esquina.
Assim que chegaram a um local isolado, Souta falou em voz baixa: “O que você quer dizer com a Língua Antiga de Highnun?”
‘Isso…’ Saya hesitou, como se estivesse ponderando as implicações e então disse: “Highnun foi uma civilização poderosa em um passado distante. Durante a minha era, a maioria dos seres já havia adotado seu idioma.”
“Sua época?”, repetiu Souta.
“Sim.”
Seguiu-se um silêncio.
Se isso fosse verdade, então haveria uma grande possibilidade de que essa terra tivesse permanecido intocada pela era atual. Uma terra isolada dos continentes desde a Grande Guerra, há milhares de anos.
Um lugar que ficou para trás em relação ao resto do mundo.
‘Mas como?’
Souta saltou para o telhado de uma casa próxima e sentou-se sobre as telhas. De lá, examinou a aldeia mais uma vez. Desta vez, com atenção. Se algo estivesse fora do lugar, seus olhos perceberiam.
“Você consegue entender tudo o que estão dizendo?”, Perguntou ele calmamente.
‘Sim. Meu domínio da língua Highnun não é superficial’, respondeu Saya e disse: ‘Consigo entendê-las claramente.’
“Ótimo.” Souta assentiu e disse: “Isso facilita muito a coleta de informações.”
‘Mesmo assim… tenha cuidado’, alertou Saya e explicou: ‘Tenho um mau pressentimento sobre isso.’
“Eu sei.”
Souta ergueu o olhar para o céu.
Ele podia sentir. Aquela terra ainda estava dentro de Imperium. A energia natural no ar carregava as mesmas leis fundamentais com as quais estava familiarizado. Contudo, a localização exata permanecia incerta.
Ele não sabia se ainda estava no Continente de Deuses ou se havia parado no Continente Giza.
Essas eram as únicas duas possibilidades.
Eram os únicos continentes que permaneceram abertos, desde que suas Grandes Barreiras haviam caído.
O restante permaneceu selado por enquanto. No entanto, o Arquipélago de Marte e a Terra dos Demônios logo se abririam completamente. Quando isso acontecesse, mais dois continentes entrariam no fluxo de Imperium, juntando-se ao Continente de Deuses e ao Continente Giza.
Souta desceu do telhado e começou a interagir com os moradores locais.
…
Meia-noite.
Souta estava de pé no meio da floresta, assando lentamente a carne que havia caçado sobre uma pequena fogueira.
‘Então, quais são os seus planos?’ Perguntou Saya.
“Meu plano é recuperar minhas forças atuais e alcançar o quinto estágio.” Respondeu Souta calmamente
Ele havia reunido uma quantidade considerável de informações ao longo do dia.
Este lugar era conhecido como a Terra da Luz de Fogo. Estranhamente, nem mesmo os habitantes locais sabiam a qual continente pertencia. Seu conhecimento não ia além daquela terra. Eles nada sabiam sobre Imperium em geral.
O especialista mais forte da aldeia era apenas de Rank A, referido aqui como Cavaleiro.
Saya explicou que era assim que as civilizações antigas categorizavam a força. Um especialista de nível Cavaleiro correspondia aproximadamente a um Rank B Superior ou A Inferior pelos padrões modernos. Acima disso estava o Cavaleiro de Batalha, equivalente aos Ranks S e SS.
E além disso…
O Cavaleiro da Ascensão.
Um nível comparável ao Rank SSS e Herói na era atual.
Souta fitou o fogo, sua luz bruxuleante refletindo em seus olhos.
Uma terra antiga.
Sistemas de energia antigos.
A Terra da Luz de Fogo era relativamente pequena, lar de apenas um poder dominante, o Reino Everlasting.
O reino era composto por cinco cidades e inúmeras aldeias espalhadas por toda a região. Sua história remontava a milhares de anos, tornando-o muito mais antigo que a maioria das civilizações da era atual.
Durante a maior parte desse tempo, os recursos foram escassos. Mana era pouco abundante, o crescimento era lento e o número de verdadeiros especialistas permanecia limitado.
Mas esse equilíbrio havia sido recentemente rompido.
A densidade de mana aumentou drasticamente, fazendo com que os recursos surgissem de forma anormalmente rápida. Materiais raros vieram à tona, zonas ricas em energia se formaram e oportunidades de progresso apareceram quase da noite para o dia.
A mudança repentina mergulhou todo o reino no caos.
A competição transformou-se em conflito.
O conflito escalou para uma luta aberta.
Por isso, o clima nas aldeias era tão tenso.
Por que as pessoas pareciam sombrias e cautelosas?
A região estava à beira do caos.

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.