Índice de Capítulo


    『 Tradutor: Crimson 』


    Souta estava no topo da árvore, contemplando a magnífica vista que se estendia diante dele.

    ‘Uma cicatriz feita pelo homem…’ A voz de Saya ecoou em sua mente.

    “Sim”, murmurou Souta em concordância.

    Ele ergueu a espada e apontou-a para a enorme vala escavada na terra, semicerrando os olhos. Aquilo não era obra da natureza. Tinha sido aberto por um especialista de alto nível. A precisão, a pura força destrutiva por trás daquilo… só alguém verdadeiramente poderoso poderia ter deixado tal marca.

    Se ele estivesse em plena forma, poderia replicar algo assim com facilidade. Mas agora? Impossível.

    “Só espero que não haja nenhum especialista de Rank Herói por aqui”, disse Souta em voz baixa e continuou: “Se alguém desse nível me pegar, as coisas vão ficar complicadas.”

    De repente, ele congelou.

    Seu corpo ficou imóvel enquanto seus instintos enviavam um fraco aviso. Souta virou a cabeça lentamente e, um instante depois, os arbustos abaixo se abriram de repente.

    Um tigre gigantesco emergiu, sua pelagem envolta em chamas intensas. O calor distorcia o ar ao redor de seu corpo, e a pressão que emanava dele fazia a vegetação circundante murchar.

    ‘Um monstro em seu terceiro estágio de evolução…’ Souta julgou imediatamente.

    O tigre rugiu, o som fazendo a floresta tremer, antes de investir contra ele. Sua pata cortou o ar, carregando um calor escaldante que rasgou o espaço entre eles.

    Souta saltou para trás, escapando por pouco do golpe.

    –Boom!

    As garras do tigre golpearam a árvore, reduzindo-a a estilhaços. Chamas explodiram, espalhando-se pelo chão e incendiando a grama e as árvores próximas.

    Souta pousou levemente na terra queimada e encarou a fera, apertando ainda mais o cabo de sua espada.

    “Ei”, disse ele calmamente, falando na língua dos monstros para que pudesse entendê-lo e avisou: “Eu não estava te caçando. Mas se você está querendo briga, não tenho muita escolha.”

    “Eu quero você!” Respondeu o tigre, com a voz selvagem e cheia de fome.

    Rugiu mais uma vez e investiu contra ele novamente, com chamas irrompendo violentamente ao redor de seu corpo.

    “Então não me culpe. Seu orbe de monstro… entregue-o.” Disse Souta friamente.

    Ele ergueu a espada.

    No instante seguinte, ele desferiu um golpe.

    A lâmina se moveu a uma velocidade tão aterradora que, para o tigre, não passou de um borrão fugaz. Um arrepio agudo percorreu seus instintos, e seu corpo se contraiu por uma fração de segundo, o único aviso que receberia.

    –Whoosh!

    O tigre pousou no chão.

    Seu corpo enorme tremeu violentamente. Uma linha fina e perfeitamente lisa surgiu em seu torso, brilhando fracamente antes de se alargar. Momentos depois, as duas metades se separaram.

    O tigre em chamas morreu assim, de repente.

    A diferença entre um monstro de quarto estágio e um no terceiro era imensurável. E Souta não era um monstro de quarto estágio comum.

    Era amplamente reconhecido, tanto por monstros quanto por especialistas, que ele era o monstro de quarto estágio mais forte da história.

    Souta olhou para o cadáver mutilado e balançou a cabeça, um traço de piedade brilhando em seus olhos.

    “Eu te avisei. Eu te disse que revidaria.” Disse ele em voz baixa.

    Mesmo em seu estado debilitado, seu poder era muito superior ao que um monstro de terceiro estágio poderia enfrentar. Se isso tivesse acontecido quatro meses atrás, após aquela batalha brutal, o tigre talvez tivesse alguma chance.

    Mas e agora?

    Zero chances.

    Souta examinou o cadáver do tigre e retirou seu orbe, com um leve calor de energia residual ainda pulsando em seu interior.

    Com isso, sua recuperação se aceleraria. Contanto que conseguisse extrair seu douion, o resto viria por consequência… sua força, sua velocidade, seu domínio.

    Ele fechou os dedos em torno do orbe e voltou o olhar para a vala profunda. Sem hesitar, deu um passo para fora da borda.

    O vento uivava enquanto seu corpo despencava, a pressão o atingindo com força enquanto as paredes da trincheira se transformavam em borrões de pedra e sombra. A temperatura caiu rapidamente, o ar frio cortando sua pele enquanto ele afundava cada vez mais.

    Então,

    –BOOM!

    Souta caiu no chão como um meteoro. A terra cedeu sob seus pés, pedras se estilhaçando e uma pequena cratera se formando ao seu redor. Poeira e detritos irromperam no ar, espalhando-se pela trincheira em ondas densas.

    A luz não conseguia atingir essa profundidade.

    A escuridão engoliu tudo, mas não representou nenhum obstáculo para ele.

    Souta endireitou-se e deu um passo à frente, as botas rangendo contra as rochas fraturadas enquanto seus sentidos se expandiam. As paredes estavam lisas e úmidas, cobertas por musgo verde, e ruídos de passos rápidos ecoavam na penumbra. Insetos rastejavam pela pedra, desaparecendo em buracos estreitos que pontilhavam as paredes da trincheira.

    Por aquelas aberturas, ele conseguia sentir.

    Monstros no segundo estágio, escondidos. Observando. Aguardando.

    ‘Você sentiu alguma coisa?’ Perguntou Saya em voz baixa.

    “Ainda não”, respondeu Souta, com a voz firme e dizendo: “Mas meu instinto me diz: ‘Tem alguma coisa aqui embaixo.'”

    –Growl!!

    Vários monstros emergiram da escuridão, encorajados pela quantidade e pelo desespero.

    Eles não tiveram a menor chance.

    O aço reluziu. A carne se abriu. Um a um, os monstros caíram sob a espada de Souta, seus ataques desfeitos antes mesmo de tomarem forma. A maioria estava apenas no segundo estágio. Mal mereciam sua atenção. Contra ele, não passavam de um incômodo.

    Muito fracos.

    Souta nem sequer diminuiu o ritmo.

    À medida que avançava, liberava deliberadamente um tênue fio de intenção assassina. Este se espalhava como uma onda de pressão invisível, fria e sufocante. Das sombras, gritos de susto ecoavam enquanto os monstros se refugiavam em suas tocas, o medo sobrepujando a fome.

    Nenhum deles ousou se aproximar novamente.

    Souta parou subitamente.

    “Há pessoas à frente”, disse ele.

    ‘Se há pessoas aqui, então há uma boa chance de haver recursos valiosos’, respondeu Saya.

    Souta assentiu com a cabeça. Ele também havia pensado nisso.

    Ele dobrou os joelhos e disparou para a frente.

    O chão rachou sob seus pés enquanto ele avançava a uma velocidade assustadora, seu corpo cortando a escuridão como um fantasma.

    Após percorrer mais de um quilômetro, ele finalmente diminuiu a velocidade.

    Um grupo de vinte pessoas apareceu à vista.

    Souta se agarrava sem esforço à parede da trincheira, seus dedos cravando-se na pedra enquanto os observava de cima, sua presença perfeitamente oculta. Seus movimentos, formações e padrões de respiração ficavam expostos sob seu olhar.

    Então ele olhou além deles.

    Um sorriso lento surgiu em seu rosto.

    “Há realmente algo aqui…”

    Ele podia sentir, uma flutuação de energia fraca, mas inconfundível, pulsando de algum lugar a cerca de três quilômetros à frente. Era sutil, quase imperceptível sob camadas de interferência.

    Em circunstâncias normais, teria percebido imediatamente.

    Mas desde que acordou, sua percepção estava embaçada.

    Ainda assim… essa presença era forte o suficiente para se fazer notar.

    E fosse o que fosse, não era algo comum. Deveria ter valor.

    A Capital Real do Reino Everlasting.

    A capital estendia-se por uma imensa área. De leste a oeste, abrangia quase quinhentos quilômetros, uma cidade colossal que dominava o coração da Terra da Luz de Fogo. Não era apenas uma sede de governo, mas o próprio ponto de convergência do poder, onde se reuniam os maiores especialistas do reino.

    Em seu centro ficava o Palácio Real.

    Em seus grandes salões, um homem alto, de cabelos loiros curtos e feições nítidas e disciplinadas, ajoelhou-se diante de um jovem nobre.

    Este homem era Devon, Capitão da Guarda Real.

    Diante dele estava um jovem de aparência marcante. Longos cabelos pretos caíam por seus ombros nas costas, emoldurando um físico musculoso, esculpido tanto por treinamento quanto por batalhas. Embora estivesse de pé com uma postura casual, uma aura opressiva e implacável emanava de seu corpo, capaz de fazer até mesmo guerreiros experientes prenderem a respiração inconscientemente.

    Ele era o Príncipe Herdeiro do Reino Everlasting.

    Angus Ross Everlasting.

    “Você encontrou um Cavaleiro da Ascensão desconhecido?” Perguntou Angus, erguendo ligeiramente as sobrancelhas em surpresa enquanto processava o relato de Devon.

    Devon hesitou antes de responder.

    “Não acredito que fosse um Cavaleiro da Ascensão”, disse ele cautelosamente. Após uma breve pausa, continuou, em voz baixa explicando: “Acredito que era um monstro.”

    A expressão de Angus endureceu.

    “Ele falava a língua dos monstros. Não consegui avaliar sua força com precisão. Na verdade, não consegui sentir sua energia de forma alguma.” Ele respirou fundo e continuou: “Mas, com base na pressão que ele emanava… aquele monstro deveria estar pelo menos no quinto estágio.”

    “Um monstro…?” Angus franziu a testa, apertando levemente os dedos ao lado do corpo. Depois de um instante, perguntou: “O que te faz ter tanta certeza de que ele chegou ao quinto estágio?”

    “A sensação de perigo”, respondeu Devon sem hesitar e disse: “Não acredito que nenhum monstro de quarto estágio pudesse fazer eu me sentir assim.” Seu olhar baixou ligeiramente e explicou: “É por isso também que decidi não o perseguir.”

    Angus assentiu lentamente, compreendendo o peso por trás daquelas palavras.

    O Capitão Devon era um Cavaleiro da Ascensão de Quarto Grau, um homem que já havia quebrado sua Sétima Algema. Dentro do Reino Everlasting, isso por si só o colocava entre os escalões superiores do poder.

    Um Cavaleiro da Ascensão de Quarto Grau era formidável.

    Mas nem isso foi suficiente ao enfrentar um monstro em sua quinta evolução.

    Perseguir tal ser sem certeza absoluta era o mesmo que cortejar a morte.

    Se Devon soubesse que Souta ainda não havia recuperado totalmente suas forças, provavelmente teria feito uma escolha muito diferente.

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