Capítulo 1217 - Nome Familiar, Calamidade
『 Tradutor: Crimson 』
“Nossa família existe há milhares de anos. A Família Everlasting já foi uma casa nobre do reino anterior. Quando esse reino caiu, nossos ancestrais ressurgiram das ruínas e fundaram o que hoje é conhecido como o Reino Everlasting. Foi nessa época que descobriram os segredos deixados pelos antigos governantes.”
Souta ouviu em silêncio, permitindo que o príncipe herdeiro continuasse sem interrupções.
“Sob a Terra da Luz de Fogo existem coisas desconhecidas. Desde o momento em que nossa família assumiu o controle, fomos incumbidos do dever de guardar o que dorme abaixo e proteger a terra de desastres. Contudo, não faz muito tempo, uma grande perturbação ocorreu no subsolo. Meu pai ficou gravemente ferido e não há como curá-lo. De acordo com as escrituras deixadas pelos governantes anteriores, o que quer que esteja abaixo existe há incontáveis anos.”
Então, esse provavelmente era o verdadeiro objetivo da missão. Souta já conseguia juntar as peças, mas precisava ouvir tudo.
Angus levantou-se e caminhou em direção à janela, com o olhar fixo no horizonte enquanto continuava: “A Terra da Luz de Fogo suportou inúmeras calamidades ao longo dos tempos. Por eras, seus governantes carregaram a responsabilidade de protegê-la. Há uma antiga escritura que descreve àqueles tempos, e ela registra que esta terra já foi conhecida por outro nome.”
Ele fez uma pausa.
“Austrália.”
Os olhos de Souta se arregalaram quando ele se virou bruscamente em direção ao Príncipe Herdeiro.
“O quê?!!”
‘O que houve, Souta?’ Perguntou Saya. Ela apenas traduzira as palavras do príncipe herdeiro, mas imediatamente notou a mudança repentina na expressão de Souta.
“O que você disse?” Perguntou Souta, virando-se para o príncipe herdeiro.
Angus virou ligeiramente a cabeça, interpretando mal a reação. Presumiu que Souta duvidasse de suas palavras. Afinal, soava absurdo, mas tudo estava registrado em seus textos antigos e transmitido através das gerações.
“Eu disse que nossa terra sofreu inúmeras calamidades”, respondeu Angus.
“Não. Depois disso.”
“… Os povos do passado chamavam esta terra de Austrália.”
Souta tinha ouvido claramente.
Se era a mesma Austrália que ele conhecia, então tudo mudou.
Parecia que teria que ver com os próprios olhos as escrituras às quais Angus se referia.
Souta percebeu que Angus não estava mentindo, mas a verdade ainda era difícil de aceitar. Se aquela era realmente a mesma Austrália, então o intervalo entre o momento em que sua alma deixou a Terra e sua chegada a Imperium era muito maior do que ele jamais imaginara.
Um longo suspiro escapou de seus lábios.
Ele precisava confirmar. Com um perigo tão avassalador à espreita, precisava evoluir. Embora já pudesse recorrer à sua força, ainda não a havia recuperado completamente.
Souta olhou para Angus e perguntou: “Quanto tempo você acha que vai demorar para a calamidade chegar?”
“Não tenho certeza absoluta, mas estimo que sejam dois dias”, respondeu Angus.
Foi precisamente por isso que Angus escolheu revelar a verdade. Uma vez que a calamidade se abatesse sobre a região, seria impossível mantê-la em segredo. A Família Real não poderia mais escondê-la, nem impedir sua chegada.
Para suprimi-la, Angus precisaria de todo o poder da Terra da Luz do Fogo.
De repente, o chão tremeu e uma força poderosa varreu toda a cidade.
–Boom!!
Souta e Emiline levantaram-se de um salto, em choque, quando Angus se virou para a janela.
“O que está acontecendo?!”
“Não sei.”
Uma energia sinistra se espalhou enquanto a terra continuava a tremer. Era como se o próprio mundo tivesse perdido a cor, engolido por uma mistura de escuridão e luz ofuscante que inundava a cidade.
–Ohm!!
Inúmeras pessoas sentiram o peito apertar sob uma pressão invisível. Seus instintos gritaram em uníssono, alertando-as de que algo terrível estava prestes a acontecer.
Pássaros se dispersaram pelo céu enquanto o pânico se espalhava entre as pessoas. Ninguém entendia o que estava acontecendo enquanto um líquido negro e viscoso se espalhava lentamente pelo chão.
–Kieeeeeekhh!!
Um grito estridente rasgou a cidade. Aqueles que o ouviram sentiram como se suas mentes estivessem prestes a se despedaçar. Civis comuns começaram a sangrar instantaneamente pela boca, orelhas, olhos e nariz. Apenas aqueles com força suficiente conseguiram permanecer de pé sob a onda sonora avassaladora.
“Isto é péssimo!!” A expressão de Emiline mudou ao sentir as pessoas dentro de sua mansão desmaiando uma a uma.
“Pensei que ainda tivéssemos mais tempo…” Angus empalideceu ao observar a cena que se desenrolava lá fora.
Souta abriu a janela de repente e disparou para o céu. Ele pairou no ar, observando toda a Cidade da Zona da Natureza.
‘Souta… isto é extremamente perigoso. Você deve fazer tudo o que puder para sobreviver.’ A voz de Saya ecoou em sua mente.
Seu tom era grave, deixando claro que a situação era muito pior do que o esperado, especialmente agora, quando ainda não havia recuperado totalmente as forças.
‘Preciso evoluir’, respondeu Souta para si mesmo.
A sensação era familiar.
Ele já havia sentido isso antes nas ruínas antigas do Salão das Planícies.
Essa sensação era a mesma.
Não havia como se enganar.
Até Saya compreendeu o perigo. Foi por isso que seu aviso teve tanta importância.
Angus estava prestes a decolar quando, de repente, sentiu que algo estava errado. Olhou para o anel em seu dedo e sua expressão escureceu ainda mais.
“O quê?!” Ele se virou bruscamente e gritou:
“Isto está a acontecer nas cinco cidades!!”
Emiline ficou paralisada, estupefata.
Este desastre não foi localizado.
Estava se alastrando por todo o país.
Souta também ouviu. Virou a cabeça e olhou para a distância. Sombras pairavam sobre os céus acima das outras cidades, incluindo a Cidade da Zona da Natureza. Galhos enormes da árvore colossal estavam sendo arrancados. Chamas e fumaça densa subiam de inúmeras áreas, enquanto explosões ecoavam sem fim.
A árvore gigante estava irreconhecível.
A visão majestosa que Souta outrora contemplara desaparecera, substituída por um colosso ferido afogando-se em meio à escuridão enlouquecida.
Sinos de alarme ecoavam sem parar pelas ruas, seus uivos estridentes se misturando aos gritos aterrorizados dos civis. As pessoas fugiam em pânico, pisoteando umas às outras enquanto corriam, os olhos se erguendo repetidamente para a massa sufocante de nuvens negras que se enroscava acima da árvore. Alguns desabaram onde estavam, com o rosto colado ao chão enquanto choravam e rezavam, já se rendendo à morte.
O caos reinava na cidade.
E não foi a única.
O mesmo pesadelo se repetia em todas as cidades do reino.
O céu se abriu.
Uma chuva preta caía torrencialmente como óleo, respingando em telhados, pele e pedra. Onde quer que caísse, deixava para trás um frio opressivo, uma certeza instintiva de que algo indizível estava se abatendo sobre o mundo.
–Bang!!
Uma explosão ensurdecedora rasgou o ar.
O estrondo abafou todas as outras explosões pelas cidades, desencadeando violentas ondas de choque que se propagaram como lâminas invisíveis. Um galho colossal, com mais de cinquenta metros de diâmetro, foi quebrado com um estrondo ensurdecedor. Ele mergulhou em direção ao solo, pulverizando prédios abaixo e lançando destroços e corpos pelos ares.
Angus e Emiline ficaram paralisados do lado de fora da mansão, olhando fixamente para a devastação lá embaixo.
Do líquido negro que se espalhava pelas ruas, coisas começaram a emergir.
Silhuetas disformes subiam com dificuldade, expelindo uma gosma viscosa à medida que se erguiam. Atacavam guardas e nobres indiscriminadamente, rasgando armaduras e carne. Gritos interrompidos no meio do choro ecoavam pela cidade enquanto o sangue espirrava no chão.
“Isto é… a calamidade…” Angus murmurou com voz oca.
Ele acreditava que ainda tinham tempo.
A realidade respondeu com carnificina.
A calamidade chegou de forma repentina, implacável e absoluta.
“Vossa Alteza…” A voz de Emiline tremia, seu rosto mortalmente pálido enquanto continuava: “É… mesmo isso?”
Angus cerrou os punhos, as unhas cravando-se nas palmas das mãos.
“Precisamos de todas as forças que pudermos reunir. De todos os soldados. De todos os nobres. Se hesitarmos por um instante sequer, esta cidade cairá.”
Não havia espaço para negação.
Apenas a sobrevivência.
Acima deles, Souta observava em silêncio.
Seus instintos gritavam como um coro interminável de alarmes inundando sua mente. Seu corpo se recusava a se mover, não por medo, mas por puro instinto de sobrevivência. Fosse o que fosse aquilo, avançar às cegas significaria morte.
‘Souta… tenha cuidado.’ A voz de Saya era baixa e tensa en2uanto dizia: ‘Não posso explicar completamente, mas você já sabe. Isso é mais do que uma calamidade comum.’
A mandíbula de Souta se contraiu.
Ele assentiu uma vez, com os olhos fixos no inferno abaixo, enquanto uma pressão familiar começava a se enroscar em seu interior.
Os pensamentos de Souta inevitavelmente se voltaram para as outras cidades.
Se ele quisesse suprimir essa calamidade, a evolução deixaria de ser uma escolha e se tornaria uma necessidade.
Mas antes disso, precisava garantir a segurança da Cidade da Zona da Natureza.
Ele inspirou lenta e profundamente, forçando sua mente agitada a se concentrar.
Naquele breve instante, inúmeros cenários passaram por sua mente, cada um terminando com sua morte. Dilacerado. Dominado. Consumido. Ele os descartou um a um, buscando o estreito caminho que lhe permitisse sobreviver.
Souta se virou para Angus e falou com uma clareza sombria.
“Vossa Alteza, o que sabe sobre isso? Como vamos lutar contra isso?”
Ele já tinha uma suspeita.
Sua percepção aguçada havia captado algo incomum, e através de seus [Olhos Galácticos], ele podia ver o que os outros não conseguiam, uma anomalia oculta no meio do caos.

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