Índice de Capítulo


    『 Tradutor: Crimson 』


    –Bang!!

    Todas as aparições sombrias num raio de setecentos metros à frente de Saya foram obliteradas. O ataque poderia ter se estendido por mais de dez quilômetros, mas a quantidade e o ímpeto implacável das aparições sombrias conseguiram detê-lo.

    Isso foi o suficiente.

    Isso lhe deu uma oportunidade.

    –Whoosh!!

    Saya disparou para a frente em alta velocidade, sua figura cortando o ar enquanto se dirigia diretamente para o palácio.

    Atrás dela, as aparições sombrias ressurgiram. O espaço vazio que ela havia criado foi rapidamente engolido por inúmeras figuras que irromperam em sua direção, demonstrando pura hostilidade.

    Saya inclinou ligeiramente a cabeça, a expressão se fechando. Ela podia vê-los. Podia senti-los se aproximando.

    Ela acelerou.

    –Bang!

    Ela irrompeu pela muralha do palácio e entrou sem hesitar. Não havia motivo para esconder sua presença. Ela sabia que era dali que vinham as aparições sombrias.

    O que ela buscava estava mais profundo em seu interior.

    A passagem.

    Saya se lembrava com perfeita clareza da explicação do Príncipe Herdeiro sobre essas criaturas vis. Elas emergiram de baixo, rastejando das profundezas.

    ‘Então eu vou descer.’

    Se ela conseguisse selar a passagem, poderia impedir que mais água chegasse à superfície. Deixar a situação piorar ainda mais seria perigoso, até mesmo para ela.

    Ela atravessou paredes e pisos, descendo cada vez mais fundo no palácio. Aparições sombrias começaram a surgir em seu caminho, emergindo de todas as direções.

    Saya ergueu sua espada.

    Qualquer um que se colocasse em seu caminho era destruído.

    Todo o palácio tremeu violentamente, como se estivesse prestes a desabar. No entanto, resistiu. O líquido negro que revestia sua estrutura parecia reforçá-la, aumentando de forma antinatural sua dureza e impedindo a destruição total.

    ‘Irritante… mas não o suficiente para me impedir.’

    Em pouco tempo, Saya alcançou as profundezas subterrâneas do palácio.

    “… Há sinais de expansão espacial aqui.”

    Ela percebeu imediatamente. O espaço era muito maior do que a estrutura do palácio deveria permitir. O ar parecia distorcido, esticado de forma antinatural. Uma atmosfera sinistra envolvia tudo, e os uivos distorcidos de aparições sombrias ecoavam incessantemente de todas as direções.

    O teto, as paredes e o chão estavam cobertos por um líquido espesso, preto e pegajoso.

    O perigo pressionava seus sentidos.

    Pesado e sufocante.

    Isso não era nenhuma surpresa. Era ali que surgiam as aparições sombrias.

    “Aparições sombrias…” Murmurou Saya e concluiu: “Um nome apropriado, considerando que nem sequer podemos pronunciar seus verdadeiros nomes sem atrair o desastre…”

    Suas palavras foram se perdendo no ar.

    “Hum?”

    Ela sentiu isso.

    Algo estava muito à frente.

    Saya dobrou os joelhos e disparou para a frente. Sua figura cortou o ar num instante, ondas de choque se propagando e rachando o solo corrompido sob seus pés.

    Kieehk!!

    Aparições sombrias surgiram de repente.

    Muitas emanavam um poder comparável ao Reino da Sexta Algema. Não havia um único abaixo do Rank SSS neste lugar. Se o grupo de Angus tivesse encontrado inimigos como esses, não haveria escapatória, apenas a morte os aguardava.

    Eles correram em direção a ela todos de uma vez.

    Seu poder irrompeu violentamente quando bloquearam seu caminho, garras afiadas como navalhas rasgando o ar em direção ao seu corpo.

    A expressão de Saya não mudou.

    Ela brandiu sua espada.

    Ao mesmo tempo, sua mão livre rapidamente teceu um feitiço Tier 3.

    [Lua Carmesim]!

    [Queda de Luz]!

    –Bang—!!

    Uma enorme lâmina de energia carmesim avançou, seguida por uma chuva torrencial de lanças de luz. As aparições sombrias foram engolidas por inteiro, suas formas apagadas antes mesmo que pudessem gritar.

    O silêncio retornou por um instante.

    Para Saya, lidar com essas aparições sombrias era fácil.

    O verdadeiro perigo residia em algo mais profundo.

    Saya controlava o corpo de Souta. Embora ainda não estivesse familiarizada com ele, ela podia liberar uma força aterradora. Um poder mais do que suficiente para subjugar criaturas na Sexta Algema com facilidade.

    Saya zombou enquanto centenas de aparições sombrias eram obliteradas num instante. A sensação despertou nela uma leve nostalgia, recordando um tempo no passado em que lutara de maneira muito semelhante.

    –Whoosh!!

    Ela desapareceu do local e reapareceu momentos depois, seu olhar fixando-se em uma esfera de luz radiante à distância.

    A esfera de energia luminosa flutuava no ar, cercada por inúmeras aparições sombrias que a atacavam implacavelmente. A cada contato, seu corpo se desintegrava instantaneamente, reduzido a nada. Mesmo diante da certeza da aniquilação, as aparições continuavam o ataque como loucos irracionais, completamente indiferentes à própria destruição.

    O que realmente importava, no entanto, era o que havia dentro da esfera.

    Havia pessoas lá dentro.

    “Ainda existem sobreviventes?!”

    Saya arregalou os olhos em descrença. Ela tinha certeza de que ninguém poderia ter resistido ao ataque avassalador das aparições sombrias. Pensar que alguns conseguiram sobreviver… Isso era completamente inesperado.

    Dentro da esfera de energia luminosa, restavam apenas duas vidas.

    Uma jovem e um homem de meia-idade estavam de pé sobre uma plataforma circular de luz tênue, o último e frágil vestígio de resistência em uma cidade já apagada. O homem jazia imóvel no centro, a pele acinzentada, o corpo tremendo levemente a cada respiração ofegante. Cada inspiração soava como se pudesse ser a última.

    A jovem ajoelhou-se ao lado dele, as mãos tremendo enquanto se agarrava à sua manga. Seus olhos estavam fundos, encovados pelo cansaço e pelo medo, mas ainda se agarravam desesperadamente a uma esperança que se esvaía rapidamente.

    “Pai… a Barreira de Luz Divina não resistirá por muito mais tempo…” Sua voz falhou e cocluiu: “Está desmoronando. As aparições irão atravessa-la em breve.”

    Seus dentes cravaram em seu lábio até que o sangue jorrasse livremente, manchando seu queixo de vermelho. Ela apertou os punhos com tanta força que suas unhas se cravaram nas palmas das mãos, mas a dor era a única coisa que ainda sentia.

    “Cough!” O corpo do homem se contraiu. Sua voz estava rouca, mal audível em meio ao rugido da destruição lá fora. “Não há… nada que possamos fazer. Seja lá o que tenha acontecido além desta barreira… pressinto que seu irmão ainda está vivo.”

    “Irmão…?” A palavra escapou de seus lábios em descrença.

    A Capital Real já havia caído. Reduzida a ruínas e engolida pela corrupção, era um cemitério onde nem mesmo os gritos mais ecoavam. Pelo que ela sabia, apenas os dois haviam sobrevivido. E além da capital, ela tinha certeza de que a escuridão já havia se espalhado, devorando cidades uma a uma, marchando inexoravelmente para consumir toda a Terra da Luz de Fogo.

    O homem de meia-idade assentiu fracamente com a cabeça, como se confirmasse o medo silencioso dela.

    De repente,

    –BOOOOOOM!!

    Uma explosão estrondosa rasgou o ar. O enxame de aparições escuras que circundava a esfera desapareceu num instante, suas formas se desintegrando no nada como se jamais tivessem existido.

    O silêncio repentino foi muito mais aterrador do que o barulho.

    Pai e filha viraram a cabeça ao mesmo tempo.

    Uma figura emergiu do vazio da escuridão. Avançou em direção à esfera de luz, passo a passo, cada movimento distorcendo o espaço ao seu redor. A pressão que emanava era sufocante. Era uma existência tão avassaladora que até mesmo a Barreira de Luz Divina tremeu em resposta.

    A figura parou exatamente em frente à barreira.

    “Isto… isto não pode ser…” Sussurrou a jovem, com o corpo paralisado de terror.

    Ela não conseguia ver seu rosto. O espaço ao redor se contorcia violentamente, impedindo que sua forma fosse claramente percebida.

    “Pai…” Sua voz tremia incontrolavelmente enquanto perguntava: “O que… o que é isso?”

    Em sua mente, só havia uma resposta.

    Outra aparição sombria.

    Mas os olhos do homem de meia-idade se arregalaram em horror. A partir do momento em que sentiu sua aura, ele entendeu algo.

    Não se tratava de uma aparição sombria.

    É um monstro.

    O monstro era Saya, que controlava o corpo de Souta.

    O olhar de Saya demorou-se na barreira trêmula antes que ela falasse, sua voz calma, porém opressiva.

    “Deixe-me entrar. Quero saber o que está acontecendo.”

    Ela poderia quebrar a barreira sem esforço, mas seria desnecessário, até mesmo descortês. Mais importante ainda, destruí-la deixaria aqueles que estavam dentro completamente expostos, despojados de sua última e frágil proteção.

    A jovem ficou rígida em choque.

    O homem de meia-idade estudou Saya em silêncio por vários longos segundos, o olhar pesado de exaustão e resignação. Por fim, assentiu lentamente. Erguendo a mão, invocou um estranho dispositivo triangular invertido gravado com runas antigas. Com um leve movimento dos dedos, a barreira de luz se abriu, revelando uma passagem estreita.

    “Pai?!” exclamou a jovem, virando-se para ele incrédula e perguntado: “Por que o senhor daria ouvidos a este… a este ser?!”

    Saya passou pela abertura. No instante em que entrou, seus olhos percorreram os dois. Ficou imediatamente claro que o homem estava gravemente ferido. Sua força vital estava em frangalhos, sua resistência reduzida a menos de cinco por cento do que fora outrora. Ele estava ali de pé apenas por força de vontade.

    Um sorriso, quase de pena, surgiu em seus lábios.

    “O que você pretende fazer?”, perguntou ela.

    “O que pretendo…?” O homem repetiu a palavra como se lhe fosse estranha. Após um instante, balançou a cabeça fracamente. “Não pretendo nada. As aparições sombrias destruirão esta terra. É apenas uma questão de tempo.”

    A expressão de Saya escureceu.

    “Então por que você ainda está aqui?”, perguntou ela friamente e seguiu questionando: “Você pretende deixar sua filha e seu filho morrerem aqui, Rei Zachary?”

    A jovem ficou paralisada.

    Os olhos do homem se arregalaram ligeiramente.

    Isso mesmo.

    O homem à sua frente era ninguém menos que o Rei Zachary, governante do Reino Eterno.

    Para Saya, não foi difícil deduzir. Este lugar, a barreira e o conhecimento proibido. Somente a família real tinha conhecimento das aparições sombrias muito antes do início da calamidade. Eles haviam protegido esta terra por gerações, preparando contramedidas contra seres que nunca deveriam ter existido.

    O rei Zachary sustentou o olhar dela por um longo momento antes de finalmente falar.

    “A Terra da Luz de Fogo já está condenada”, disse ele em voz baixa e continuando: “Todas as defesas que construímos ruíram. As aparições sombrias logo engolirão tudo. Não há mais nada que possamos fazer.”

    “Então por que manter a barreira?”, insistiu Saya.

    Os dedos do rei Zachary tremeram.

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