Capítulo 1226 – Lutando Contra a Calamidade: Último Recurso
『 Tradutor: Crimson 』
“Estou esperando”, disse o Rei Zachary com a voz rouca e completou: “Esperando o fim. Há… uma última medida. Os antigos deixaram um mecanismo aqui. Um dispositivo capaz de purificar toda a Terra da Luz do Fogo.”
“Purificar?” Saya repetiu, estreitando os olhos.
Ele assentiu com a cabeça.
“Isso erradicaria a calamidade”, disse ele e continuou: “Mas também eliminaria toda a vida nesta terra. Essa foi a última salvaguarda que os antigos nos confiaram.”
Um silêncio pesado pairou sobre a esfera.
Saya franziu profundamente a testa.
Tal solução era inaceitável.
Se esse mecanismo fosse ativado, Souta não seria poupado. Ele seria apagado junto com todo o resto.
E isso era algo que ela jamais permitiria.
Uma sensação incômoda a atormentava o tempo todo, como se algo invisível a observasse com pura malícia, sem filtros. Era a sensação do olhar de um predador, fixo em sua presa, paciente e faminto.
Kieeeekh!!
Um grito agudo rasgou o ar, ecoando pelas ruínas como um dobre de finados.
Saya, junto com o Rei Zachary e sua filha, viraram a cabeça bruscamente na direção da origem do som. Saya franziu a testa, enquanto pai e filha empalideceram.
As aparições sombrias estavam atacando novamente.
Não deram tempo para respirar, nenhuma chance de se recuperar.
E essa onda foi diferente.
Saya percebeu imediatamente: em meio ao enxame, havia entidades emanando um poder comparável ao de especialistas de Rank Herói. Não apenas uma ou duas, mas muitas.
Um brilho frio e assassino reluziu em seus olhos.
“Aconteça o que acontecer, não usem o último recurso “, disse ela friamente.
Antes que qualquer um deles pudesse responder, ela saiu da barreira.
Esse era o futuro que ela se recusava a presenciar.
A purificação da Terra da Luz de Fogo não apenas apagaria as aparições sombrias, mas aniquilaria todos os seres vivos. Os povos antigos temiam tantas criaturas que desejavam sacrificar um mundo inteiro para detê-las.
Ela cerrou os dentes.
“Não deixarei isso sem solução…”
–Bang!!
Aparições sombrias invadiram sua visão. Centenas de milhares delas, obscurecendo a cidade em ruínas como uma maré viva de desespero. Sua mera presença era suficiente para esmagar a vontade dos seres comuns.
–Kieeeekh!!
–Kriiiiish!!
Seus gritos estridentes dilaceravam a mente, um coro enlouquecedor destinado a destruir a sanidade.
Saya zombou. Um poder emanou de seu corpo enquanto uma imensa energia surgia no ar, entrelaçando-se em um enorme círculo mágico.
[Mar de Terra Ardente]!!
Uma torrente catastrófica de chamas irrompeu, inundando toda a passagem e avançando em direção ao enxame como um convite para o inferno.
Contudo, as aparições sombrias não vacilaram. Avançaram sem medo, sem hesitação, como se a própria destruição não tivesse significado para elas.
–Boom!!
…
Battle World Online.
No jogo, o nome Blood era conhecido por todos os jogadores.
Ele se tornara um símbolo de força absoluta, uma existência que inspirava admiração e temor. Inúmeros jogadores o idolatravam, enquanto muitos outros tentavam desvendar sua verdadeira identidade. Contudo, por mais que investigassem, nada encontravam.
Era como se Blood não existisse no mundo real.
Souta emergiu da cápsula virtual, cuja superfície deslizou, abrindo-se com um leve chiado. Ele esticou os membros rígidos, soltando um suspiro lento, e então voltou o olhar para a janela.
Um velho estava sentado ali, de costas para Souta, observando silenciosamente o mundo lá fora.
“Vovô”, disse Souta, quebrando o silêncio e dizendo: “Mantive minha posição no ranking. Ninguém descobriu minha identidade.”
O velho não se virou. Sua voz era calma e firme.
“Que bom, Souta. Você está mais forte novamente.” Após uma breve pausa, ele acrescentou: “Forte o suficiente para se proteger.”
Souta franziu a testa. “Por que você quer que eu jogue este jogo?”, perguntou ele.
Era uma pergunta que ele havia guardado por tempo demais.
Mais forte… jogando um jogo?
Apesar de resistir à ideia, ele não podia negar as mudanças. Seus reflexos estavam mais aguçados. Seu julgamento em batalha era mais rápido, mais preciso. Até mesmo sua percepção do ambiente ao seu redor havia melhorado drasticamente.
“Hahaha…” O velho deu uma risadinha antes de finalmente se virar. Seus olhos, envelhecidos, porém penetrantes, encontraram os de Souta.
“Há algo que preciso lhe contar sobre o Clã Ieshi”, disse ele e continuando: “Embora eu seja o patriarca agora, em breve deixarei o cargo.”
“Os dias que virão não serão fáceis para eles”, continuou o velho e terminou: “Se você os encontrar no futuro, não seja muito duro. Serão eles que sofrerão as consequências de nossas ações.”
‘Quais as consequências de nossas ações?’
Souta ergueu uma sobrancelha, com uma expressão de confusão no rosto.
Como se lesse seus pensamentos, o velho prosseguiu, com a voz baixa e pausada.
“As consequências do que faremos no futuro. Vocês chegarão a compreendê-las e haverá um preço a pagar por isso.”
Ele fez uma pausa, seu olhar se tornando mais penetrante.
“Souta… nunca se esqueça de quem você é. Você vai falhar muitas vezes. Isso é inevitável. Mas não se perca.”
Sua voz ficou mais grave.
“Reúna tudo o que você aprendeu. Lembre-se disso. Se você superar suas dificuldades, se tornará imparável. Mas se você falhar, tudo acaba aí.”
Souta permaneceu em silêncio, sua confusão aumentando. No fim, ele só conseguiu acenar com a cabeça.
Ele sempre teve curiosidade sobre o resto da família de seu avô, mas nunca havia conhecido nenhum deles, nem uma única vez.
O velho virou-se para a janela e soltou uma risada fraca, quase melancólica.
“Há outros se preparando também”, disse ele e concluindo: “Mas você é aquele que eu escolhi. Deuses e mortais, crianças e velhos, os capazes e os indefesos, todos enfrentarão o que está por vir.”
Ele acrescentou baixinho: “Inclusive eu.”
Finalmente, o motivo veio à tona.
“Foi por isso que te fiz jogar”, disse o velho e explicando: “Nunca foi apenas entretenimento. Foi uma preparação para as tribulações que viriam.”
Souta não fez mais perguntas.
Ele saiu do quarto e dirigiu-se ao banheiro, com o peso das palavras do avô martelando em sua mente.
Seu avô sempre fora um enigma. Souta entendia muito pouco sobre ele, apenas que era o patriarca de um clã imenso e possuía uma riqueza tão vasta que parecia não haver nada no mundo que ele não pudesse comprar.
Um ano havia se passado.
Souta jazia dentro da cápsula virtual, as luzes internas fracas, seu corpo perfeitamente imóvel enquanto a voz de seu avô ecoava em sua mente.
“Começara em breve, os Corrompidos estão vindo”, disse o velho calmamente.
Os dedos de Souta se contraíram levemente.
“Não se esqueça das minhas palavras. A Corrupção trará destruição catastrófica a tudo o que tocar. Evitem-na se for preciso, mas se puder, apague todos os vestígios dela. Não permita que se espalhe.”
A voz fez uma pausa, agora mais grave.
“Seu encontro com ela será inevitável. Não… não apenas o seu.” Seguiu-se uma certeza silenciosa. “Todos a enfrentarão. Ela existe para destruir tudo.”
Souta fechou os olhos lentamente, o peso daquelas palavras pressionando sua consciência.
Então veio o aviso final.
“A Terra é muito frágil”, continuou seu avô: “Assim que eu começar, ela sofrerá. Será forçada a suportar inúmeras mudanças, provações que nunca deveria ter enfrentado.”
Seguiu-se um silêncio.
E em algum lugar além desse silêncio, algo já havia começado a se agitar.
…
Terra da Luz de Fogo.
A Terra da Luz do Fogo estava afundando em calamidade.
Ao longe, milhões de aparições sombrias surgiam como uma onda te tsunami, suas silhuetas contorcendo-se de malícia. Existiam para um único propósito: destruir esta terra. Não havia inteligência com quem dialogar, nenhuma emoção à qual apelar. Apenas uma fome infinita e vazia.
A chegada deles envenenou o mundo.
Um líquido negro e viscoso rastejava pela terra, engolindo ruas, campos e florestas. Aderiu à pedra e à carne, infiltrando-se em cada fenda como se estivesse vivo. Do céu caía uma chuva preta, fria e corrosiva, sibilando ao impacto e corroendo tudo o que tocava. O próprio ar exalava um odor de podridão, cinzas e desespero, tão denso que sufocava os pulmões.
O Reino Eterno havia chegado à beira da extinção.
Gritos ensurdecedores rasgavam o céu, penetrando na mente e abalando a alma. Nuvens escuras bloquearam o sol, mergulhando a terra em um crepúsculo eterno enquanto torrentes de líquido preto jorravam incessantemente do céu. Cidades desmoronaram sob o ataque, suas muralhas se dissolvendo como cera. Vilarejos foram inundados e queimados, seus gritos abafados pelos incessantes uivos estridentes das aparições sombrias. Em poucas horas, noventa e nove por cento da população do reino foi dizimada.
Homens, mulheres e crianças foram arrastados para baixo do líquido, seus corpos convulsionando enquanto a corrupção os consumia. Ossos se retorceram, a carne derreteu e, dos restos mortais, surgiram novas aparições sombrias, ecos vazios do que um dia foram. A morte não era um fim, mas uma transformação grotesca.
Humanos, semideuses e monstros lutaram lado a lado em puro desespero. Aço se chocou, feitiços detonaram e rugidos de fúria ecoaram pelo campo de batalha. Sangue encharcou o chão, apenas para ser engolido pela escuridão que se aproximava. Nenhuma raça foi poupada. Nenhum santuário resistiu.
Batalhas irromperam em todos os cantos da terra, mas a esperança era uma ilusão frágil. Contra um inimigo que se multiplicava a cada vida perdida, a sobrevivência não passava de um milagre fugaz.
Nas profundezas do palácio real, longe dos gritos vindos de cima, as câmaras subterrâneas tremiam com ondas de choque distantes. Luzes fracas projetavam sombras longas e distorcidas nas paredes de pedra. O rei permanecia em silêncio, a mão trêmula enquanto encarava o antigo dispositivo que segurava, cuja superfície pulsava fracamente com uma luz sinistra.
O peso de um reino inteiro repousava sobre seus ombros.
“Papai…” Sussurrou sua filha, a voz trêmula na escuridão sufocante enquanto olhava para ele.

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