Índice de Capítulo


    『 Tradutor: Crimson 』


    Ela não conseguia pensar direito.

    O que ela não sabia era que a atmosfera daquele lugar a estava afetando lentamente. Sua vontade, como uma mera fração da vontade de um ser de nível divino, não era suficiente para contrabalançá-la completamente.

    –Argh!!

    Saya levou as mãos à cabeça e sentiu uma dor intensa.

    –Ohm!!

    Nesse instante, a malícia inundou todo o seu ser.

    As aparições sombrias se viraram para ela e avançaram. Seus corpos rasgaram o ar enquanto emanavam uma energia sem igual.

    –Kiiiierkkh!!

    –Karrrrhk!!

    Saya cerrou os dentes e brandiu a espada vajra com toda a sua força.

    Uma lâmina de energia irrompeu, destruindo centenas de aparições sombrias.

    Isso não foi suficiente.

    Havia dezenas de milhões de aparições sombrias aqui, e algumas delas possuíam auras que rivalizavam com as da Oitava e Nona Algemas. Havia até mesmo algumas que se igualavam a Décima Algema.

    Inúmeras lanças feitas de sangue atingiram o exército de aparições sombrias. A colisão enviou uma intensa onda de choque para o ar, e incontáveis ​​faíscas de energia voaram por toda parte. O ar tremeu e o fedor de sangue se espalhou.

    –Boom!!

    “Vou matar todos vocês!!”

    A voz de Saya ecoou.

    Ela já sabia que não conseguiria extrair e usar todo poder de Souta. Se ao menos pudesse usar o Signo Serpentário, seria capaz de fazer muito mais contra essas aparições sombrias.

    Infelizmente para ela, isso não era possível.

    Por isso, ninguém tentou possuir o corpo de outro usuário e usar esse poder. Se fosse tão fácil obter tal poder, muitos seres conspirariam secretamente contra os Seres do Zodíaco ou os Pecados Capitais para possuir seus corpos e obter seus poderes.

    Foi por isso que, quando Souta revelou que possuía o Décimo Terceiro Signo, nenhum outro ser pensou em possuir seu corpo para obter o Poder Cósmico.

    Isso porque era impossível.

    O Poder Cósmico não respondia a eles de forma alguma.

    Havia uma grande probabilidade de que o Poder Cósmico os rejeitasse, prejudicando enormemente sua vontade.

    Por isso, o primeiro pensamento deles foi capturar o possuidor de tal poder, não para possuir o corpo, mas para contê-lo. Ou matar o usuário para que o poder não fosse usado por enquanto, até que o próximo usuário surgisse.

    Quanto às outras informações, talvez apenas aqueles que possuíam o mesmo poder estivessem cientes delas.

    O Signo Cósmico era terrivelmente poderoso.

    Se Saya pudesse empunhá-lo, ela poderia obliterar todas as aparições sombrias presentes.

    –Swoosh!

    Ela avançou, investindo diretamente contra milhões de aparições sombrias.

    –Boom!!

    Centenas de milhares deles foram levados pelo vento num instante.

    Saya flutuava no ar. Ela ergueu a espada, colocando a outra mão no pomo do cabo.

    “Se eu não puder usar o poder de Souta, então usarei o meu próprio! Mostrarei a vocês, criaturas vis, que jamais conseguirão o que desejam!!”

    Enquanto falava, ela retirou a pequena esfera incrustada na extremidade do cabo e a colocou na boca.

    –Boom!!

    No instante seguinte, uma força tremenda emanou de seu corpo.

    Todo o espaço parecia prestes a desabar quando uma enorme coluna de energia surgiu em direção ao teto. Inúmeras aparições escuras foram varridas pelo poder avassalador.

    –Bang!!

    Na Cidade da Zona da Natureza, o Príncipe Angus e os outros congelaram, seus corpos reagindo antes que suas mentes pudessem acompanhar.

    Vindo da direção da capital real, um colossal pilar de energia rasgou o céu, atravessando as nuvens como se não fossem nada.

    “Isso é…?”

    “O que é isso, afinal?!”

    Uma pressão sufocante os envolveu. A energia era tão vasta, tão estranha, que lhes gelou o sangue. Nunca haviam sentido nada sequer remotamente parecido em suas vidas. Mesmo de outra cidade, sua presença oprimia seus sentidos como um peso invisível.

    O poder deles parecia ridiculamente pequeno diante daquela força monstruosa.

    O medo se insinuou em seus corações enquanto se perguntavam que tipo de inferno estava se desenrolando na capital real.

    Em toda a terra devastada, monstros, humanos e semideuses que sobreviveram à primeira onda da calamidade encaravam o imponente pilar de energia. O sangue encharcava o chão sob seus pés. Gritos ecoavam, logo se dissipando no silêncio. Cada respiração parecia emprestada.

    Eles não estavam lutando pela vitória.

    Eles lutavam por mais um nascer do sol.

    Ninguém queria morrer.

    Mas a morte estava por toda parte. Corpos retorcidos, armaduras despedaçadas, olhos sem vida encarando o vazio. Alguns desabaram, seus espíritos quebrados. Outros gritaram enquanto avançavam, sabendo muito bem que poderiam não sobreviver ao instante seguinte.

    Ainda assim, lutavam.

    Porque parar significava morte.

    Lutar.

    Lutar.

    Lutar até que não reste nada.

    A paisagem ao redor de Souta mudou.

    Uma dor aguda e lancinante atravessou sua mente. Ele gemeu baixinho e estreitou os olhos, apenas para perceber que o ambiente ao redor havia mudado completamente. O ar parecia diferente. Era mais leve, desconhecido, mas carregava uma estranha sensação de peso que pressionava sua consciência.

    “Onde… estou?”

    Fragmentos de memória irromperam em sua mente. Ele se lembrou de perder a consciência após sua evolução, seus pensamentos engolidos pela escuridão. Agora, imagens de sua vida passada inundavam sua mente em rápida sucessão. Rostos, vozes, momentos há muito enterrados, todos ressurgiram com uma clareza aterradora. Diferentemente de antes, essas memórias não eram mais vagas ou distorcidas. Eram vívidas. Reais. Ele conseguia se lembrar de muito mais do que jamais se lembrara.

    “O avô me contou muitas coisas…” murmurou Souta, franzindo a testa e dizendo: “Algumas delas ainda não fazem sentido… mas agora, consigo ver com mais clareza quem ele realmente é.”

    Ele ergueu o olhar.

    Árvores imponentes estendiam-se infinitamente em direção ao céu, suas copas esverdeadas filtrando a luz do sol em feixes suaves. Um rio imenso corria ao seu lado, suas águas brilhando como cristal líquido enquanto avançava com uma força silenciosa. O ar era fresco e revigorante, repleto de vida, e a própria floresta parecia respirar.

    Souta permaneceu em silêncio, observando atentamente o que o rodeava.

    Então sua visão mudou.

    Não muito longe da borda da floresta, erguia-se uma vasta cidade. Suas imponentes muralhas de pedra cercavam inúmeras construções. Ali, pessoas se reuniam. Tinham físicos e feições semelhantes. Lembravam-lhe os bárbaros que vira antes: cabelos ruivos, olhos carmesins e constituição robusta. Contudo, havia diferenças claras. Essas pessoas não eram tão corpulentas e, de suas cabeças, curvava-se um par de chifres distintos.

    Vozes ecoavam fracamente pelo ar.

    “Nossa filha é o orgulho da nossa família.”

    “Ela é a artilheira da academia.”

    “Ela se tornará alguém verdadeiramente grandiosa no futuro.”

    As palavras despertaram algo em Souta, atraindo sua atenção como uma mão invisível. Seu olhar se desviou novamente, fixando-se em um pátio no interior da cidade. Ele se concentrou, como se sua força de vontade por si só lhe permitisse observar a cena que ali se desenrolava.

    Seu coração apertou.

    “Isto não é a Terra…” murmurou Souta. Confusão surgiu em sua expressão e então disse: “Está ainda é a minha memória?”

    A resposta o deixou inquieto.

    As pessoas que viviam nesta cidade eram inegavelmente demis.

    Souta voltou seu olhar para as pessoas reunidas no pátio.

    Eles formavam um círculo informal, com expressões alegres e vibrantes, ao redor de uma jovem cujo sorriso irradiava um orgulho desmedido. A luz do sol banhava sua figura, fazendo-a parecer o centro do mundo, a própria razão da celebração.

    “Minha filha, Saya, é o orgulho da nossa família!” Declarou um homem de meia-idade em voz alta. Ele estava ao lado dela, com o peito estufado, e a voz transbordava um orgulho inconfundível.

    A jovem Saya sorriu ainda mais e falou com calma e confiança: “Não se preocupe. Eu conduzirei nossa família para se tornar uma das maiores famílias de nossa raça.”

    “Saya…?” Souta ergueu uma sobrancelha, o nome o atingindo com uma força inesperada.

    Sua figura deslizou para baixo, como se a própria gravidade reconhecesse sua curiosidade. Ele flutuou mais perto, observando a reunião em detalhes.

    Foi uma celebração em família.

    Todos os presentes pertenciam à Família Tur’Lhan, membros da Raça Vajra. Sua reunião não era sem motivo. Saya havia se tornado a aluna com a maior pontuação na Academia Vajra, uma conquista de imenso peso dentro de sua raça.

    “Raça Vajra… e Saya…” Souta murmurou, a confusão apertando seu peito e dizendo: “Esta é a memória dela, mas como estou vendo isso?”

    Ele continuou a observar em silêncio.

    A cidade que os rodeava era a Cidade Vajra.

    Era vasta além da imaginação, estendendo-se por dezenas de quilômetros em todas as direções. Estruturas imponentes e amplas ruas preenchiam a paisagem, abrigando mais de trinta milhões de habitantes. Todos pertencentes à mesma raça. Na superfície, a cidade parecia pacífica, até mesmo organizada, mas Souta podia sentir: uma corrente subterrânea de poder avassalador fervilhava sob aquela calma exterior.

    Através das conversas que circulavam pela propriedade de Tur’Lhan, ele descobriu a verdade.

    Vinte e três seres de nível divino protegiam a Cidade Vajra.

    Eles eram a própria essência do mundo, antigos protetores que salvaguardaram sua raça por milhares de anos. Sua mera presença era suficiente para deter aqueles que nutriam más intenções contra seu povo.

    Em comparação com eles, a família de Saya era influente, mas não suprema.

    Seu avô era um semideus formidável, e ambos os seus pais haviam alcançado o Reino da Oitava Algema. Dentro da Cidade Vajra, tal força lhes conferia autoridade e respeito, mas ainda assim não se comparavam às verdadeiras famílias governantes, aquelas abençoadas com protetores de nível divino.

    Souta permaneceu onde estava, observando da residência externa da família Tur’Lhan. Mesmo sabendo que aquilo era apenas uma lembrança, não ousou se aproximar do distrito central da cidade. Certos seres, tinham instintos que transcendiam a própria realidade.

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