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    『 Tradutor: Crimson 』


    Cadáveres estavam aos montes pelo chão, seus corpos sem vida pisoteados enquanto os inimigos continuavam seu massacre impiedoso. O sangue impregnava a terra, e o ar cheirava a morte.

    A expressão de Souta escureceu.

    Então, de repente, uma figura surgiu diante dele.

    Era um homem imponente, com longos cabelos carmesins que se ondulavam como chamas vivas. Um par de olhos vermelhos flamejantes brilhava por baixo de um conjunto de chifres curvos que se projetavam de sua cabeça. Uma barba e um bigode espessos emolduravam seu rosto austero, conferindo-lhe uma presença imponente.

    Um membro da Raça Vajra.

    A altura de Souta mal chegava à altura do estômago do homem.

    ‘O quê? Esse cara…? Não me diga…’ Souta ergueu lentamente a cabeça, encarando o homem.

    “Não precisa se surpreender”, disse o homem, com a voz grave e resoluta e continuando: “Estou olhando diretamente para você.”

    ‘Então ele realmente consegue me ver…’ A mente de Souta se apertou. É exatamente por isso que sondar memórias é perigoso. Sempre existe a possibilidade de se deparar com seres superiores.

    “Você está observando isso através de uma memória”, continuou o homem. Ele fez uma pausa, depois virou a cabeça, seu olhar penetrante percorrendo o campo de batalha. Após um instante, seus olhos se fixaram em uma jovem mulher parada à distância.

    Souta seguiu seu olhar e prendeu a respiração.

    Era Saya.

    “Então é ela”, murmurou o homem e disse: “Parece que ela vai sobreviver a essa calamidade, afinal. Que bom.”

    Ele se virou para Souta, com a expressão endurecida.

    “Nunca mais vasculhe as memórias de alguém dessa forma”, alertou ele e avisou: “Se o fizer, poderá encontrar algo muito pior do que eu, uma entidade que jamais deveria ser percebida.”

    “Eu nem sequer vasculhei as memórias da Saya”, respondeu Souta, dando de ombros levemente e explicou: “Isso aconteceu sem que eu soubesse.”

    “Entendi…”

    Sincovun ergueu lentamente o olhar para o céu, para algo que não deveria estar ali, mas que inegavelmente estava. A escuridão acima se agitava de forma irregular, como se a própria realidade lutasse para manter sua forma.

    “Você não consegue perceber claramente o inimigo, consegue?”, disse ele e explicou: “Isso não é uma falha nos seus sentidos. É da natureza deles.”

    Sua voz foi ficando mais baixa, como se o mundo inteiro estivesse ouvindo.

    “Eles não se movem de maneiras que possam ser seguidas. Eles não existem em formas que possam ser compreendidas. Seus olhos falham não porque sejam fracos, mas porque o inimigo se recusa a ser percebido.”

    Souta sentiu uma leve pressão atrás dos olhos, como se seus pensamentos estivessem sendo gentilmente afastados.

    “Não se pode prever suas ações”, continuou Sincovun e explicou: “Causa e efeito se tornam ineficazes em sua presença. E seus verdadeiros nomes…”

    Ele fez uma pausa, com o maxilar contraído.

    “Aqueles que tentam proferi-las convidam à decadência da mente, destino e alma.”

    Uma leve distorção percorreu o ar, como se o próprio mundo recuasse diante da ideia.

    “Eles são a origem das maldições”, disse ele e continuou: “Não aqueles que as lançam, mas a fonte. A malícia não os precede. A realidade simplesmente apodrece por onde passam.”

    Sincovun expirou lentamente.

    “Alguns de nós, em desespero, deram-lhes um título. Um nome provisório. Uma mentira simples o suficiente para o mundo tolerar.”

    “Os Corrompidos.”

    “Corrompidos…” Souta repetiu, embora a palavra parecesse dolorosamente insuficiente.

    Sincovun endireitou-se, sua presença divina crescendo a ponto de até mesmo a própria memória parecer tensa.

    “Eu sou Sincovun Rmanka”, declarou ele e continuou: “Guardião da Linha Norte. Deus Soberano dos Reis. Um dos vinte e três seres de nível divino da Raça Vajra.”

    Souta olhou para ele novamente e entendeu.

    Este não era apenas um deus, mas um ser forjado para resistir ao impossível.

    “Eles não desejam conquistar”, disse Sincovun antes de explicar: “Eles querem apenas a destruição total.”

    Seus olhos carmesins perderam um pouco o brilho.

    “Nosso povo não foi apagado apenas pela morte, mas pela perda de sua própria definição. As terras foram distorcidas até que a direção perdeu o sentido. O tempo se desfez em contradições. Nos territórios que reivindicaram, até mesmo a existência esqueceu como persistir.”

    Ele se virou para Souta mais uma vez.

    “Você chegou aqui tocando a memória de um dos meus parentes. Isso por si só já é prova.”

    O olhar de Sincovun o encarava fixamente, carregado de certeza.

    “Você os encontrará.”

    Ele fez uma pausa.

    “Quando esse momento chegar, lembrem-se disto: a Raça Vajra não fugiu. Nós não nos rendemos. Nós ancoramos a própria realidade com nossas vidas e mantivemos as linhas de defesa até que nada mais restasse para defender.”

    Seguiu-se um silêncio.

    “E ainda assim”, disse Sincovun em voz baixa,

    “Eles avançaram.”

    –Boom!!

    O ar convulsionou violentamente.

    Uma vasta fenda se abriu no céu, estendendo-se por dezenas de quilômetros. Suas bordas irregulares, todas distorcidas, como se os próprios céus tivessem sido feridos.

    A expressão de Sincovun endureceu instantaneamente.

    Souta cerrou os dentes.

    “Seres corrompidos. Aparições sombrias. Seres corrompidos…”

    Quanto mais ele pensava nisso, mais claro ficava. Nomes diferentes, mas o mesmo horror invasor que havia devorado o reino eterno.

    “Ah, são a mesma coisa”, disse Sincovun, como se respondesse aos seus pensamentos e explicou: “Proibimos a pronúncia dos verdadeiros nomes de nossos inimigos. As palavras moldam a realidade, e as deles não pertencem a este mundo. Por isso, os revestimos com títulos que a existência pudesse suportar.”

    Ele fez uma pausa, os olhos carmesins semicerrados.

    “No entanto… já que declararam guerra à minha raça, posso lhe dizer o nome de quem os lidera.”

    Um tremor fraco percorreu o ar.

    “Mesmo que tome consciência da minha presença”, continuou Sincovun calmamente: “Já não importa. Já estou em batalha contra ele.”

    Souta permaneceu em silêncio.

    Isso lhe era estranho. Em seu mundo, as calamidades ainda não haviam atingido essa escala, essa certeza absoluta e aniquiladora.

    “Aquele que comanda o ataque à nossa raça”, disse Sincovun lentamente: “É um Ser Antigo.”

    Sua voz baixou, carregada de reverência e temor.

    “É chamado de Pesadelo Aprisionado no Pântano Abissal.”

    No instante em que o nome foi pronunciado, o mundo estremeceu.

    Sincovun franziu a testa quando uma força avassaladora atingiu o espaço ao redor, uma pressão invisível que esmagava para baixo como um oceano que se solidificava. A distorção não vinha de fora.

    Isso veio de dentro dele.

    “… Ele me pressentiu”, murmurou Sincovun, rangendo os dentes enquanto seu poder se intensificava para suprimir a intrusão e dizia: “Até mesmo pronunciar seu título o faz perceber algo.”

    Ele se recompôs e continuou, com um tom sombrio.

    “O Pesadelo Aprisionado no Pântano Abissal está atualmente enfrentando doze seres de nível divino do Clã Vajra.”

    Um instante de silêncio.

    “Não temos a menor chance contra isso.”

    O peso daquelas palavras era absoluto.

    “Lembrem-se bem disso”, disse Sincovun, forçando as palavras entre os dentes cerrados e continuando: “Seus nomes trazem desastre, mas também são fragmentos da verdade. Pistas deixadas por algo que não deve ser compreendido.”

    Ele encarou Souta com um olhar penetrante.

    “Pesadelo. Aprisionado. Pântano.”

    Essas palavras não são metáforas. São Algemas. Limitações. Fraquezas.

    Até mesmo Souta, que apenas testemunhava isso através da memória, sentiu o peito apertar. Sua respiração tornou-se superficial enquanto uma força opressiva pressionava sua mente, como se a fronteira entre passado e presente estivesse se dissolvendo.

    Isso deixou de ser apenas uma lembrança.

    Estava vazando.

    E a realidade, seja ela passada ou presente, começava a se impor.

    “Os Lordes Pesadelos e os Lordes dos Sonhos do Reino dos Sonhos, os Deuses das Armadilhas e os Deuses dos Pântanos são os únicos seres capazes de os enfrentar”, Disse Sincovun. “Infelizmente, a Raça Vajra não possui deuses alinhados com tais domínios.”

    Sua expressão se fechou. Sem aviso, ele levantou a mão.

    “Nosso tempo acabou”, disse ele firmemente e afirmando: “Você deve ir embora agora. Se permanecer por mais tempo, há uma chance real de que isso comece a afetá-lo diretamente.”

    O olhar de Sincovun fixou-se em Souta.

    “Não importa de onde você venha, contanto que exista dentro do âmbito de Imperium, você enfrentará esses inimigos. Não se esqueça deste momento. Grave-o em sua existência para que, quando chegar a hora, você esteja pronto.”

    –Ohm!!

    O mundo desmoronou.

    A realidade se dobrou para dentro, e a paisagem ao redor de Souta se distorceu violentamente antes de se estilhaçar como vidro frágil.

    No instante seguinte, ele estava no ar. Abaixo dele, uma jovem mulher, com poder de combate apenas no Rank Herói, movia-se com determinação implacável, eliminando inimigos em seu caminho sem hesitar.

    “Saya.”

    Souta expirou lentamente.

    “Sincovun ainda tinha muito mais a dizer”, murmurou ele e explicou: “Mas os inimigos já o estavam restringindo… Mesmo assim, o que aprendi é mais do que suficiente.”

    Seu olhar escureceu.

    Foi assim que a raça Vajra foi levada à extinção.

    Seres de fora deste mundo cercaram seu clã, selando todas as rotas de fuga, aniquilando-os pouco a pouco até que nada restasse.

    Ele não conseguia nem começar a imaginar a dimensão total daquela guerra.

    O título de Deus Soberano dos Reis por si só carregava um peso aterrador. Ele se lembrou de um Deus dos Reis dentro do Anel de Vulcano, um ser poderoso o suficiente para se opor sozinho ao Mandamento da Fé.

    E Sincovun era um especialista desse calibre.

    Souta finalmente entendeu por que sua cabeça estava latejando desde o início da visão.

    A calamidade não ficou restrita ao passado.

    Embora fosse apenas uma lembrança, aquilo o tocava, usando-o como um canal, atravessando o tempo e a percepção em direção ao seu mundo presente.

    Lentamente, ele olhou para baixo.

    Saya corria a toda velocidade, sua lâmina reluzindo enquanto ela abria caminho entre os inimigos que bloqueavam seu caminho.

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