Capítulo 1232 - Lutando Contra a Calamidade: Despedida
『 Tradutor: Crimson 』
Sob o Palácio Real do Reino Eterno.
Saya, possuindo o corpo de Souta, travou uma batalha brutal contra aparições sombrias de Rank Herói.
“Vou matar todos vocês!!”
Saya levantou as mãos.
Naquele instante, uma força catastrófica detonou de dentro de seu corpo. O solo se rompeu violentamente, desmoronando camada após camada enquanto um campo de poder em expansão irrompia para fora. Centenas de milhares de aparições sombrias foram aniquiladas sem sequer deixar cinzas.
–Ohm!!
Os tremores não pararam.
Saya ergueu lentamente a cabeça e encarou a porta colossal à sua frente. Sua expressão escureceu.
Por trás disso havia algo que nunca deveria ter existido.
No instante em que seus sentidos se depararam com aquela presença, sua mente gritou em alerta. Era vasta, tão vasta que parecia ilimitada. Não era apenas poderosa; era errada. Como se a própria realidade rejeitasse o que havia além da porta.
O espaço ao seu redor se deformou e distorceu. A luz se curvava de maneira antinatural, as sombras se contorciam e até mesmo as leis do mundo pareciam vacilar em sua proximidade.
Se essa porta se abrisse completamente, nada restaria.
“Preciso fechá-la.”
A decisão foi definitiva.
Apertando firmemente a espada Vajra, Saya avançou.
O que Saya estava prestes a fazer beirava o suicídio.
Ela não era nada mais do que uma vontade habitando o corpo de Souta, não seu verdadeiro eu. Seu poder era incompleto, instável. Pior ainda, ela já estava gravemente enfraquecida após sua tentativa fracassada de expulsar o Imperador Sem Divindade do corpo de Yenxa no passado. Aquela luta desesperada a havia exaurido completamente, esmagada pela enorme disparidade de forças entre eles.
Agora, suas opções eram dolorosamente limitadas.
“Eu realmente queria destruir todos vocês!”
Saya rugiu, fúria e desespero se entrelaçando.
Ela apontou a espada Vajra para as incontáveis aparições escuras aglomeradas diante da porta maciça. Sua energia explodiu para fora, formando uma enorme lâmina carmesim que se erguia acima do campo de batalha. Relâmpagos crepitaram violentamente ao seu redor, rasgando o espaço e fragmentando o próprio ar.
[Dominação Vajra Absoluta]!!
Os imponentes pilares de energia espalhados pelo reino subterrâneo começaram a tremer. Um a um, eles se dissolveram em fluxos de luz, convergindo rapidamente para a lâmina fantasma carmesim.
A pressão disparou.
No instante seguinte, a lâmina avançou quando Saya golpeou a espada com toda a força que lhe restava.
Ao mesmo tempo, ela ergueu a outra mão, com os dentes cerrados enquanto sangue escorria do canto da boca. Dezenas de intrincados círculos mágicos se formaram no ar, sobrepondo-se e entrelaçando-se em uma complexa matriz.
“Vou atrapalhar seus planos! Custe o que custar!!”
–BOOM!!!!
A explosão que se seguiu superou todos os confrontos anteriores.
Sob o Palácio Real, a terra desabou completamente, formando um abismo gigantesco que engoliu tudo num raio de quilômetros. Ondas de choque rasgaram veios subterrâneos de energia e irromperam na superfície. Por toda a Terra da Luz de Fogo, montanhas se partiram ao meio. Rios evaporaram instantaneamente, transformando-se em vapor. Cidades inteiras tremeram enquanto prédios desmoronavam e matrizes defensivas se estilhaçavam como vidro.
Muito além do campo de batalha…
Na Cidade da Zona da Natureza, o Príncipe Angus, Emiline e os sobreviventes restantes perderam o equilíbrio violentamente. Viraram a cabeça horrorizados ao verem o próprio céu ondular, com nuvens girando descontroladamente como se fossem arrastadas em direção a um vórtice distante.
A pressão caiu sobre toda a região como um deus invisível pressionando a palma da mão sobre o mundo.
Até mesmo regiões a dezenas de quilômetros de distância sentiram o impacto.
Especialistas caíram de joelhos, com sangue escorrendo da boca. Animais uivaram e fugiram aterrorizados. Matrizes ancestrais que haviam resistido por eras racharam e ruíram uma após a outra.
A sensação era de que a pressão vinha de uma existência superior.
Em comparação, o desespero causado pelas inúmeras aparições sombrias era insignificante. Esta era uma presença que eclipsava o próprio medo, pressionando o mundo como a vontade de um deus.
“O que está acontecendo?!”
“Ainda existe… ainda existe alguma chance de sobreviver?!”
“Espero que tudo isso seja apenas um sonho…”
Os sobreviventes estavam tomados por emoções conflitantes. Estavam à beira do desespero, mas, no fundo de seus corações, persistia uma frágil esperança de que a energia aterradora que emanava da capital real pudesse conter essa calamidade.
Então,
A explosão aconteceu.
Toda a capital real desabou para dentro, arrastando consigo as terras circundantes. O solo cedeu catastroficamente, formando uma cratera colossal. Uma imponente coluna de fumaça ascendeu das profundezas enquanto violentos arcos de energia crepitavam descontroladamente por todo o vazio.
–Whooosh!!
Sob as ruínas da capital real, o próprio espaço estava fraturado. Uma densa fumaça preenchia a área, e rachaduras irregulares no espaço rasgavam o ar como feridas abertas.
Os únicos sons que restaram foram as violentas faíscas de energia estalando pelas rachaduras instáveis.
A onda aparentemente interminável de aparições sombrias havia desaparecido.
Lentamente, a fumaça começou a se dissipar.
Suspenso no ar, no centro da devastação, estava Saya.
Seu rosto estava pálido, sua expressão completamente exausta.
“Ufa… ufa… ufa…”
Sua respiração era ofegante e irregular, o suor encharcando seus cabelos e roupas. A reação de seu ataque final havia cobrado um preço terrível.
“Eu… usei toda a minha energia…” Ela murmurou fracamente e concluiu: “Isso é ruim.”
À medida que sua visão se estabilizava, ela percebeu que algo estava errado.
Os arredores já não eram as ruínas devastadas da capital.
Ela estava de pé no meio de uma vasta planície.
Um vento forte varreu a terra, fazendo com que ondas intermináveis de grama balançassem e ondulassem como um oceano. O ar era fresco e puro, intocado por sangue ou corrupção. A luz quente do sol banhava o mundo com um brilho suave, pintando tudo com tons pacíficos.
Saya levantou a cabeça lentamente.
Acima dela estendia-se um belo céu azul, sem limites.
Então, ela sentiu uma presença atrás dela.
Saya se virou lentamente e seus olhos se arregalaram em choque.
Diante dela estava ninguém menos que Souta.
“Souta…”
O nome escapou-lhe dos lábios antes que ela pudesse se conter.
Só então ela percebeu que algo estava errado.
Ela baixou o olhar para o próprio corpo.
Longos e belos cabelos carmesins caíam pelas suas costas. Sua pele era lisa e clara, sem cicatrizes ou marcas de cansaço. Vestia um simples vestido branco, cujo tecido ondulava suavemente ao vento. Um par de chifres erguia-se de sua cabeça; o da esquerda estava quebrado. Seus olhos avermelhados, levemente contornados por uma aura azulada, brilhavam delicadamente enquanto piscavam.
Essa era sua verdadeira aparência.
A forma que ela tinha quando ainda estava viva.
“Então é assim que as coisas são…” Ela murmurou.
Ela ergueu a cabeça novamente e olhou para Souta, que permanecia em silêncio à sua frente, com uma expressão indecifrável.
“Sinto muito”, disse Saya por fim, baixando a cabeça.
Seu olhar se fixou na grama sob seus pés. Ela percebeu os passos dele se aproximando.
Quando ela olhou para cima novamente, ele estava a menos de meio metro de distância.
“Por quê?” perguntou Souta, em voz baixa e continuou: “Por que você fez isso?”
“Eu…” Saya olhou nos olhos dele, a voz trêmula e explicou: “Eu não consegui me controlar. Quando me dei conta do que estava acontecendo, já era tarde demais. Eu só… queria te dar mais tempo. Queria ter certeza de que nenhuma calamidade te atingiria antes que você tivesse a chance de crescer.”
Ela já sabia o resultado.
Ela havia se esforçado demais, consumindo os últimos vestígios de sua vontade até que nada restasse.
“Eu não queria que isso acontecesse”, disse Souta, cerrando os punhos com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos.
“Eu sei…Eu poderia ter chamado Kessa ou Yuko para me ajudarem. Mas a calamidade era muito perigosa. Era muito cedo para elas enfrentarem algo assim.” Saya respondeu suavemente.
Ela respirou fundo, em silêncio.
“Então eu suportei tudo sozinha. Usei minha própria força e mantive tudo unido o máximo que pude… porque você precisava de tempo. Você precisava estar preparado.”
O vento soprava pela grama entre eles.
E por um instante, nenhum dos dois disse nada.
“Eu sei!” Souta respondeu bruscamente e gritou ainda mais alto: “Eu vi suas memórias!”
Saya ficou em silêncio.
Ela conseguia sentir a raiva dele, mas a compreendia. Ela estava com ele há muito tempo. Conhecia a personalidade dele melhor do que ninguém. Ele nunca foi bom com as palavras; nunca expressava suas preocupações abertamente. Em vez disso, demonstrava-as por meio de suas ações, pelas escolhas que fazia e pelos fardos que escolhia carregar.
Lentamente, Saya levantou a cabeça.
Um lindo sorriso desabrochou em seu rosto, gentil e um pouco tímido.
“Então você viu, saber que você viu meu passado… me deixa um pouco envergonhada.” Disse ela suavemente.
“O que eu vou fazer… sem você?” perguntou Souta. Seu olhar baixou para o chão, sua voz embargada.
“Eu… Saya…”
Ela percebeu que as mãos dele estavam tremendo.
Sua expressão suavizou-se ainda mais enquanto ela falava baixinho: “Souta, por favor, me perdoe pelo que fiz. E me desculpa… eu não posso mais te acompanhar.”
“Eu não consigo…” Souta engasgou.
“Está muito pesado…”
Ele ergueu a cabeça para olhá-la, com lágrimas escorrendo livremente dos olhos.
Aquela cena lhe dilacerou o coração.
“Souta, não chore, este não é o fim. Estou apenas indo para um lugar onde deveria estar há muito tempo.” disse Saya gentilmente.
Seu sorriso vacilou por um instante antes de se estabilizar.
“Eu realmente queria ver o que você realizaria no futuro”, continuou ela suavemente e o lembrou: “Mas não posso mais fazer isso.”

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