Índice de Capítulo


    『 Tradutor: Crimson 』


    Souta sentiu o coração apertar dolorosamente.

    Ele olhou para ela novamente, para aquele sorriso familiar e gentil, e apesar de tudo, não conseguiu evitar retribuir com um sorriso fraco.

    Ele estendeu a mão e a colocou na cabeça dela, dando-lhe leves tapinhas.

    “Obrigado, Saya, obrigado por tudo. Você salvou minha vida inúmeras vezes… e me ensinou tanto.” Disse ele baixinho.

    O vento sussurrou pela relva enquanto o momento se prolongava entre eles.

    Saya estremeceu ao ouvir as palavras dele. Sua visão ficou turva, o mundo se dissolvendo em sombras oscilantes.

    Souta inclinou a cabeça, tentando ver o rosto dela enquanto seus soluços silenciosos chegavam até ele.

    “Hum… Eu… Eu estou feliz.” Saya ergueu lentamente a cabeça. Um sorriso desabrochou em seus lábios enquanto lágrimas escorriam livremente de seus olhos. “Estou feliz, Souta. Minha vida não foi em vão… Você a completou.”

    Ela procurou desesperadamente pelos outros que haviam sido enviados junto com ela. Encontrou-os, mas apenas como cadáveres sem vida. A Raça Vajra estava desaparecendo da face da Terra. Quando a Grande Guerra terminou, ela havia perdido toda a razão para viver.

    Ela havia falhado com seu povo. O peso dessa falha corroía seu coração incessantemente. Quando se tornou uma espada amaldiçoada, sua mente foi despedaçada, consumida pelo desespero.

    “Eu perdi meu propósito… mas o reencontrei através de você.” Seu olhar suavizou-se enquanto lágrimas brilhavam em seus olhos e dizia: “Assim como meu povo confiou sua esperança a mim, agora eu confio a minha a você. Não se perca. Siga em frente com determinação inabalável.”

    Sua voz falhou.

    “Adeus, Souta.”

    Finas rachaduras se espalhavam por seu corpo como porcelana ao encontrar o chão. Saya estava à beira de desaparecer deste mundo.

    “Por quê…? Por quê?! POR QUÊÊÊÊ?!”

    Souta gritou, tremendo da cabeça aos pés. Ele se lançou para a frente e agarrou a mão dela, mas no instante em que a tocou, mais rachaduras percorreram sua pele.

    “Adeus, Souta…” Saya sussurrou enquanto o encarava uma última vez.

    Seu pé se desfez primeiro, quebrando-se em inúmeros fragmentos. Em seguida, a mão que Souta segurava cedeu, desintegrando-se em suas mãos.

    Ela havia esgotado todas as suas forças. Usar seu poder para selar a fresta cada vez menor da porta drenou o pouco que restava de sua vontade. Ela vinha mergulhando cada vez mais em um sono profundo nos últimos meses e agora, essa vontade finalmente se despedaçou.

    “POR QUE ISSO ESTÁ ACONTECENDO?! POR QUÊ?!! SAYAAA!!”

    Souta não conseguiu aceitar esse final.

    “ARGHHHHHHHHH!!!”

    Ele cerrou os dentes enquanto sua energia irrompia, a onda violenta abalando os próprios alicerces do espaço ao seu redor.

    –BOOM!

    Nuvens surgiram do nada enquanto o céu carmesim parecia sangrar. A grama verdejante afogou-se sob uma maré infinita de sangue, enquanto a escuridão e a luz se contorciam e se debatiam como se estivessem vivas. Acima de tudo, uma lua imensa emergiu, suspensa em um crepúsculo eterno sem começo nem fim.

    “O que você está tentando fazer?” Perguntou Saya, com a voz trêmula enquanto encarava o mundo distorcido ao seu redor.

    Ela havia sido arrastada para o Mundo dos Sonhos.

    “Aguarde só um instante”, disse Souta, com os olhos brilhando com uma determinação inabalável enquanto dizia: “Não vou deixar você desaparecer.”

    Ele rangeu os dentes enquanto seu poder continuava a crescer, aumentando sem restrições. Lentamente, ergueu a mão e uma força aterradora irrompeu.

    O terceiro olho em sua testa se abriu de repente. Naquele instante, uma escuridão sem limites e uma luz mais quente que o sol explodiu como uma onda gigante, engolindo toda a terra.

    No segundo seguinte, uma energia ainda maior detonou de dentro do corpo de Souta.

    –BOOM!

    Todo o mundo dos sonhos parecia pronto para colapsar, tremendo à beira do fim.

    Os olhos de Saya se arregalaram ao sentir uma força aterradora se aproximando, tentando reunir seus fragmentos dispersos. Naquele instante, ela entendeu.

    Souta está usando o poder do Signo Cósmico.

    “Argh…!!”

    Souta cuspiu um bocado de sangue enquanto uma dor lancinante lhe atravessava o corpo.

    Como esperado, apenas os corpos de Deuses e Lordes Monstros eram capazes de suportar tal poder. Mesmo após ultrapassar o Quinto Estágio, ele ainda estava longe de ser capaz de suportá-lo completamente.

    Seu corpo oscilava à beira do colapso. Até mesmo sua consciência interior tremia violentamente, atingida pela força avassaladora que o percorria.

    “Estabeleça-se…!!”

    Souta cerrou os dentes, forçando-se a conter o poder descontrolado do Signo Cósmico com todas as suas forças.

    “Saya, espere por mim!”

    Vasos sanguíneos se romperam por todo o seu corpo, estourando sob a pele. Sua carne corroeu como se estivesse sendo devorada por dentro, e seus órgãos internos se despedaçaram um a um, apenas para que os parasitas em seu interior os costurassem desesperadamente de volta.

    Mas não foi suficiente.

    Souta não conseguiu manter esse poder por muito tempo.

    “ARGHHHHH!!!”

    Seu grito de agonia ecoou pelo mundo dos sonhos.

    “Souta, pare! Você não precisa se esforçar tanto assim!” Saya gritou enquanto observava o corpo dele se desfazer diante de seus olhos. “Já não tenho mais jeito!”

    Ela conhecia sua condição melhor do que ninguém. Não havia mais nenhuma solução real.

    Vê-lo assim, destruindo-se por ela, causou uma dor aguda no coração de Saya.

    ‘Então era isso que sentiam antes…’

    Ela ficou em silêncio, com o olhar fixo na expressão resoluta dele. Memórias vieram à tona sem serem convidadas, trazendo-a de volta ao momento em que Souta a encontrou pela primeira vez.

    Eles não se davam bem no início. Ela pretendia possuir o corpo dele, embora não tivesse se esforçado muito. Afinal, ela havia ficado intrigada com o estranho monstro chamado Souta. Ele sabia demais e seu crescimento era anormalmente rápido.

    Em algum momento, mesmo saber quando, as coisas começaram a mudar.

    Seu coração se enterneceu.

    Ela começou a conversar com ele, ensinando-lhe o conhecimento e as habilidades que possuía. Observando-o lutar, se adaptar e se reerguer repetidas vezes.

    Antes que ela percebesse, ele havia se tornado alguém insubstituível para ela.

    Ela queria vê-lo ter sucesso.

    Ela não queria vê-lo sofrer.

    Saya baixou o olhar enquanto sua mão restante se desfazia lentamente em pó. Ela o observou em silêncio. Tendo-o observado por tanto tempo, ela sabia que ele jamais desistiria.

    “Você é muito egoísta, Souta. Você nem me deixa descansar.” Disse ela suavemente.

    “Isso mesmo.” Souta respondeu sem hesitar, com a voz firme, como se a vitória já estivesse em suas mãos. “Você me conhece. Então espere por mim.”

    “… Certo.” Saya assentiu. Ela não entendia porquê, mas seu coração estava estranhamente calmo.

    Cores brilhantes de luz desabrocharam por todo Mundo dos Sonhos. O fluxo de energia mudou violentamente quando uma força avassaladora irrompeu, rasgando o céu.

    Cores brilhantes de luz floresceram por toda a Paisagem dos Sonhos. O fluxo de energia se alterou violentamente quando uma força esmagadora irrompeu, rasgando o céu.

    “Ó Serpente do céu reluzente.

    Com a sua primeira espiral, a terra se curva.

    As terras da ruína tremem diante do seu rastro.

    Ó grande deus dos céus, portador de incontáveis cores, permita que a alma quebrada se lembre da sua luz.”

    A terra estremeceu quando uma radiância multicolorida irrompeu do solo. Correntes infinitas de energia dispararam para o alto, enquanto outras desciam do céu, colidindo no centro e dando origem a um fenômeno surreal e instável.

    “Suas escamas de jade selam todas as feridas.

    Suas escamas carmesim purificam toda maldição.

    Suas escamas azul-celeste acalmam o coração que chora.

    Suas escamas douradas restauram a terra ferida.

    Suas escamas violeta remendam os céus despedaçados.

    Por meio de suas cores, a vida devora a morte.”

    Souta sentiu suas veias se romperem.

    O sangue começou a vazar por seus poros enquanto uma dor insuportável rasgava cada centímetro de seu corpo, como se ele estivesse sendo dilacerado por dentro.

    “Flua, grande serpente.

    Lave meus ossos, minhas veias, meu espírito.

    Conceda-me sua vontade e permita que este corpo incorpore o seu poder.”

    –Ohm!!

    Saya sentiu uma força colossal surgir dentro de Souta. Instintivamente, ela olhou para cima e contemplou um espetáculo divino.

    As nuvens se abriram por completo enquanto uma energia radiante descia do céu, formando um imenso arco-íris que se arqueava pelos céus, envolvendo toda a Terra da Luz de Fogo.

    “Por suas escamas radiantes, a decadência recua.

    Permita que este frágil receptáculo suporte o poder da grande serpente.”

    Saya se virou para Souta, a angústia preenchendo seus olhos que já começavam a se apagar.

    “Seu corpo não pode suportar isso, Souta. Está tudo bem… eu já estou além de qualquer salvação.”

    “Não.”

    Souta ergueu a mão.

    Cores brilhantes irromperam através de seu punho cerrado, iluminando o próprio mundo.

    “Restaure o que foi perdido, Serpente Divina do Arco-Íris!”

    A energia esmagadora colapsou para dentro, convergindo em um único ponto. O próprio espaço pareceu se contorcer enquanto a força em turbilhão devorava tudo em seu caminho.

    Saya foi engolida por completo.

    Uma luz ofuscante explodiu.

    –Ohm!!

    A radiância inundou tanto os céus quanto a terra, banhando toda a terra em um brilho transcendente.

    Em outra parte da terra, o Príncipe Angus e os sobreviventes restantes fecharam os olhos instintivamente quando a luz os envolveu. Ela carregava um calor indescritível, uma energia suave e, ainda assim, avassaladora, que fluía por seus corpos.

    “O-O que é isso?!” Alguém gritou.

    “Meus ferimentos… desapareceram!”

    “Eu me recuperei!”

    “I-Isso não pode ser real?!”

    Os sobreviventes ficaram completamente atônitos. Um a um, examinaram seus próprios corpos em descrença, quase esperando encontrar algo errado.

    Mas não havia nada.

    Seus ferimentos haviam desaparecido por completo, como se a batalha jamais tivesse acontecido. Até mesmo aqueles que estavam à beira da morte foram restaurados, inteiros e ilesos.

    O silêncio caiu, pesado de choque e reverência.

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (2 votos)

    Nota