Capítulo 1240 - Fadu Rulman
『 Tradutor: Crimson 』
“Corra agora, Fadu!! Eu os segurarei!!” Gritou o homem mais velho.
“E você, tio Wiptar?”, perguntou Fadu, com a voz trêmula e o corpo tremendo de medo.
“Não se preocupe comigo. Eu alcanço você mais tarde. Não poderei lutar livremente se você estiver comigo, então corra!! Fadu, corra!!” O homem mais velho elevou ainda mais a voz, a urgência nela revelando o quão desesperadora era a situação.
“Eu…” Fadu hesitou, a visão embaçada pelas lágrimas. Após uma breve pausa, obrigou-se a acenar com a cabeça. Virou-se e correu, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
O homem mais velho não olhou para a figura de Fadu correndo. Se o fizesse, talvez hesitasse. Em vez disso, fixou o olhar à frente, sua expressão tornando-se fria e resoluta. Sua mana percorria seu corpo violentamente como uma onda descontrolada, crescendo e se chocando, pronta para explodir a qualquer momento.
“Fadu… volte para sua família. Diga à sua mãe que temos um traidor em nosso grupo”, Murmurou ele baixinho.
–Swoosh!!
Diversas figuras apareceram e pararam imediatamente ao vê-lo. Sua intenção assassina se fixou em seu corpo, densa e sufocante, enquanto sua mana se espalhava e cobria toda a área.
“Venham!! Mostrem-me do que são capazes!!” Rugiu o homem, avançando sem hesitar.
Sua mana irrompeu. Gotas de água se condensaram no ar ao seu redor, girando violentamente. Ele ativou sua condução elemental, sabendo muito bem que se conter contra tantos oponentes apenas aceleraria sua morte.
“ARGHHH!!” Ele berrou ao desferir um soco devastador.
–BOOM!!!
…
Ao longe, Fadu sentiu o chão tremer sob seus pés. O ar vibrava com violentas flutuações de energia. Ele sabia que seu tio havia começado a lutar contra os inimigos.
Fadu continuou correndo apesar dos soluços. Suas pernas estavam pesadas, mas ele não diminuiu o passo. Ele só conseguia rezar repetidamente para que seu tio sobrevivesse… para que de alguma forma ele derrotasse os inimigos que queriam matá-los.
Fadu correu com todas as suas forças.
Ele queria gritar, mas se obrigou a ficar em silêncio, com medo de que aquelas pessoas o ouvissem.
De repente, uma figura apareceu diante dele.
Fadu esbarrou na figura e caiu com força no chão. Rangendo os dentes, ergueu o olhar rapidamente. Contudo, no instante em que viu a figura com clareza, seus olhos se arregalaram em choque. Um medo puro invadiu seu coração.
A pessoa que estava diante dele tinha quase três metros de altura. Possuía dentes afiados como navalhas, pele cinzenta, guelras no pescoço e a parte inferior do corpo semelhante à de uma baleia.
Fadu reconheceu imediatamente que se tratava de uma das pessoas que o perseguiam.
“Aqui está você, jovem mestre?” Disse o homem com uma risada baixa enquanto olhava para Fadu. Ele ergueu lentamente a mão, e suas unhas se alongaram, transformando-se em garras afiadas.
“Jovem mestre, por favor, morra por mim!”
Num instante, uma força aterradora emanou de seu corpo. Suas garras dispararam para a frente, cortando o ar enquanto miravam diretamente no pescoço de Fadu.
–Whoosh!!
Fadu já estava dominado pelo medo, e seu corpo se recusava a responder. Ele sabia que não podia escapar desta vez, então só lhe restou fechar os olhos com força.
‘Eu vou morrer.’
Ele se perguntava o que teria acontecido com seu tio. Em seu coração, só conseguia rezar para que seu tio tivesse conseguido derrotar seus inimigos.
Fadu percebeu algo. O ataque não o havia atingido.
Lentamente, ele abriu os olhos. O homem estava deitado inconsciente no chão.
“Hã…? O que aconteceu?”
Só então ele percebeu uma pequena figura parada ao lado.
A pequena figura não era outra senão o clone de Souta.
Souta olhou para o homem no chão e disse calmamente: “Ele está muito confiante. Estava certo de que não seria atacado. Quando se deu conta, eu já o tinha derrubado.”
“O-O que você está dizendo? Você veio aqui para me matar também?” Perguntou Fadu, com a voz trêmula.
Souta virou para encarar Fadu. Apontou para o homem inconsciente e disse: “Matar você? Se eu quisesse te matar, não teria derrubado esse cara. Afinal, ele estava prestes a te matar. Isso teria me poupado o trabalho.”
Fadu compreendeu a lógica, mas o medo ainda o dominava. Ele não pôde deixar de perguntar: “E-Então… quem é você?”
“Sou Atos. Estava apenas passando por aqui e decidi ajudar quando vi sua situação”, Respondeu Souta antes de se virar.
O coração de Fadu deu um salto quando ele viu Souta prestes a partir.
“Espera!” Ele exclamou de repente.
Souta virou a cabeça e olhou para ele.
Fadu engoliu em seco, com a garganta tremendo.
“V-Você… tem tempo? Se tiver, poderia me acompanhar até em casa? Minha mãe lhe recompensará.”
Souta não respondeu. Ele simplesmente encarou Fadu, com uma expressão indecifrável.
Era exatamente isso que ele estava esperando.
Ele vinha perambulando pela área, à procura de uma oportunidade. No momento em que a avistou, posicionou-se. Mas não se revelou imediatamente. Em vez disso, permaneceu oculto nas sombras, aguardando pacientemente o momento perfeito para entrar em ação.
Ele fez uma pausa por alguns segundos, com um brilho de expectativa nos olhos.
Após algum tempo, um traço de decepção surgiu. Ele esperava desencadear uma missão, mas parecia que isso não iria acontecer. Mesmo assim, ele assentiu levemente com a cabeça.
“Sério?!” Os olhos de Fadu se arregalaram em descrença. Ele claramente não esperava que Souta concordasse.
“Sim. Mas não agora.” Antes que Fadu pudesse responder, Souta acenou com a mão casualmente.
A gravidade distorceu-se.
O corpo de Fadu foi erguido no ar, sem poder fazer nada.
–Whooosh!
Souta avançou para o céu como se estivesse caminhando em terra firme, e então disparou num borrão, arrastando Fadu consigo. A velocidade deles rasgou o ar, deixando uma onda de choque estrondosa que ecoou pelo caminho que percorreram.
Em pouco tempo, chegaram a uma terra que havia sido reduzida a um campo de batalha.
A fumaça sufocava o ar. Violentas faíscas de energia residual crepitavam e brilhavam como relâmpagos moribundos no céu. O solo estava devastado, crateras se sobrepunham, destroços estavam espalhados em todas as direções, e enormes ervas daninhas e árvores haviam sido arrancadas violentamente pela raiz.
“Isto é…?” Os olhos de Fadu se arregalaram. Um arrepio percorreu sua espinha.
Ele conhecia aquele lugar. Já havia estado ali antes.
“A energia no ar ainda está densa”, disse Souta calmamente enquanto descia, pousando levemente no solo devastado enquanto Fadu pairava ao seu lado. “A batalha provavelmente terminou há apenas um ou dois minutos.”
Seu olhar se voltou para a frente.
“Há um corpo à frente.”
“C-Corpo…?” A voz de Fadu tremia.
Uma sensação sufocante de pavor o envolveu pelo peito.
Ele forçou as pernas a se moverem.
Um passo.
Depois, outra.
E então,
Ele prendeu a respiração.
Sua visão ficou turva.
“N-Não… Isso não pode ser…”
Seus joelhos tocaram o chão.
O cadáver estendido à sua frente era ninguém menos que seu tio, o homem que optara por ficar para trás e bloquear seus perseguidores.
“Tio!!” A voz de Fadu falhou enquanto ele rastejava para frente. “Você disse que me alcançaria… Você prometeu! Por quê? Por quê?!”
Lágrimas escorriam pelo seu rosto enquanto ele puxava o corpo sem vida para os braços, agarrando-o desesperadamente como se ainda fosse possível devolver-lhe o calor. Mas o corpo estava frio.
Souta permaneceu a uma curta distância, sem dizer nada.
Por um breve instante, ele se lembrou das duas crianças que costumavam se agarrar a Eilish, Anzu e Aina.
Souta pressentiu a batalha, mas já havia feito sua escolha. Salvar o garoto era sua prioridade.
Após alguns minutos de silêncio, ele finalmente falou: “Pare de chorar. Precisamos ir embora agora.”
“E o meu tio?” Fadu soluçou, agarrando-se ao nada.
Os olhos de Souta permaneceram frios. “Vamos deixá-lo aqui. Não podemos carregá-lo. Temos que ir embora. Há uma chance de voltarem.”
Com um simples gesto de mão, a gravidade distorceu o cenário, afastando Fadu do cadáver como se o menino não passasse de um brinquedo.
Fadu chorou ainda mais, mas Souta não se abalou.
Ele era apenas um clone. Suas habilidades eram limitadas. Enfrentar inimigos poderosos agora, sem preparação, seria suicídio.
“Para onde vamos?” Perguntou Fadu, com a voz trêmula.
“Lugar nenhum, vamos simplesmente correr pela floresta.” respondeu Souta.
“Quero voltar para minha mãe…” Fadu choramingou.
“Sua mãe?” Os lábios de Souta se contorceram em um sorriso de escárnio que então disse: “Você acha que seria tão simples assim? Se te pegarem, vão te usar contra ela.”
O medo apertou Fadu como um torno. Ele imaginou-se sendo capturado, usado como arma contra sua família.
“Então… o que devemos fazer?”, perguntou ele, com a voz embargada.
“Ficaremos aqui. Até eles irem embora. Sigam minhas instruções e não seremos pegos.”
Através da floresta, Souta e Fadu corriam, desviando-se das ervas daninhas gigantes e arrancadas pela raiz, sempre um passo à frente de seus perseguidores. Souta podia lutar ou simplesmente desaparecer, mas não dessa vez. Ele tinha outro plano, então não começou a lutar.
Assim que a floresta ficou em silêncio, Souta examinou a área. Fadu finalmente adormecera, exausto de medo.
Souta cavou um túnel na terra, seu corpo se fundindo com o solo. Cuidadosamente, camuflou o túnel, escondendo sua presença. Ninguém perceberia que haviam se refugiado ali.

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